quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Comércio da Grande BH se rende à banana verde, costume de haitianos

Os caribenhos adoram comer pratos que levam banana verde, o que levou muitos comerciantes do São Pedro a colocar a fruta dessa forma à venda




Pedro Ferreira
Publicação: 14/09/2014 06:00 Atualização: 14/09/2014 07:15

Haitianos que vivem na Grande BH dificilmente se misturam. “São fechados, desconfiados”, comentam brasileiros. Mesmo no local de trabalho são de pouca conversa. Nos fins de semana, os imigrantes reúnem parentes e conterrâneos em suas casas e se divertem ao som da “kompa”, música popular haitiana, cantada em crioulo. Não fazem bagunça, garantem os vizinhos, que só estranham a “fala embolada”. Os caribenhos adoram comer pratos que levam banana verde, o que levou muitos comerciantes do São Pedro a colocar a fruta dessa forma à venda. “Não serve banana de vez. Tem que ser verde, mesmo. Também compram muita pimenta”, percebe a balconista de supermercado Luciana Cardoso.

Marcílio de Moura é gerente de logística em uma distribuidora que emprega 35 haitianos em Contagem, e também considera os imigrantes muito fechados. “Não se relacionam com os brasileiros, o que não é bom, principalmente no trabalho. Peço a eles que se envolvam mais com os colegas, para que saibam diferenciar quem é do bem, quem é do mal”, disse Marcílio. O gerente tem medo de que eles se envolvam com pessoas erradas e com o uso de drogas. “Fico tranquilo em saber que eles têm uma orientação religiosa rígida”, disse.

ENDIVIDAMENTO Apesar dos princípios que chamam a atenção dos brasileiros, muitos haitianos se renderam ao consumismo e estão endividados. “Gastam o salário com smartphones e notebooks”, confirma o intérprete de uma empresa, Daniel Alves, contratado para acompanhar os haitianos no serviço. “Quando sobram R$ 300 para mandar para a família no Haiti, é muito”, completa o gerente Marcílio. Segundo ele, sua empresa demitiu cinco ou seis haitianos para que eles pudessem pagar dívidas usando o acerto. “Não entendem direito como funciona o cartão de crédito. Com três meses já devem até R$ 5 mil”, conta o gerente.
 
Segundo o professor Duval Fernandes, muitos imigrantes se esforçam para pagar dívidas de até US$ 5 mil com “coiotes” e ainda mandam parte do salário para as famílias no Haiti. “Muitas vezes, até a casa onde moravam no país natal é penhorada, tudo para começar uma nova vida no Brasil. Muitos sonham em trazer os filhos para o país, onde a escola é gratuita. Lá é muito cara.”

Há três anos, o Ministério da Justiça concede vistos de permanência em caráter humanitário aos haitianos, por causa dos efeitos do terremoto em 2010. Segundo Duval Fernandes, o consulado do Brasil no Haiti emite 680 vistos por mês e a demanda não para de crescer: deve aumentar para mil mensais até o fim do ano. De janeiro de 2012 até agosto deste ano, segundo o Ministério das Relações Exteriores, a embaixada em Porto Príncipe concedeu 8.661 vistos a cidadãos haitianos, em caráter humanitário, válidos por cinco anos. “Além disso, há 22 mil processos de pedido de refúgio em análise pelo Ministério da Justiça”, disse o professor da PUC Minas.

sábado, 13 de setembro de 2014

Oportunidades de Servir Por Um Novo Haiti

Ao longo desses quase dois anos e meio em Campo nos deparamos com várias oportunidades de servir cooperando com a "Missio Dei" no Haiti. Esse é o pano de fundo para compartilharmos com você essas OPORTUNIDADES que o Dono da Fazenda dá para que você entre em campo, com Cristo, Por Um Novo Haiti.

OPORTUNIDADES EM SAÚDE

ÁREA PARA SERVIR
ESPECIFICAÇÕES
TEMPO EM CAMPO
DATA/PERÍODO
INVESTIMENTO
HOSPEDAGEM
OBSERVAÇÃO
SAÚDE
02 Médicos (as) de qualquer especialidade para atendimento comunitário – tipo saúde da família, e formação de agentes comunitários de saúde.
Mínimo 1 semana
Ideal 2 semanas
2015
MARÇO a SETEMBRO
- conforme disponibilidade do
voluntário;
Passagens +
Ajuda de custo de
U$ 5,00/dia
Na casa missionária
sem custos adicionais
- atendimento em acampamento de famílias deslocadas pelo terremoto de 2010;
- consultório improvisado no local;
- 2 enfermeiras-intérpretes e auxiliares já na comunidade;
- farmácia com alguns medicamentos à disposição – necessário fazer aquisições.
- anamnese local realizada e possibilidade de haver prontuários dos pacientes locais.
01 Dentista para atendimento comunitário, realização do POPE e formação de agentes de saúde bucal comunitários (Agentes do POPE).
Mínimo 1 semana
Ideal 2 semanas
2015
MARÇO A SETEMBRO
- conforme disponibilidade do
voluntário
Passagens +
Ajuda de custo de
U$ 5,00/dia
Na casa missionária
sem custos adicionais
- atendimento em acampamento de famílias deslocadas pelo terremoto de 2010;
- consultório improvisado com cadeira odontológica e instrumentais à disposição;
- intérprete-auxiliar na comunidade;
- farmácia com alguns medicamentos à disposição – necessário fazer aquisições.

OPORTUNIDADES EM CONSTRUÇÃO CIVIL

ÁREA PARA SERVIR
ESPECIFICAÇÕES
TEMPO EM CAMPO
DATA/PERÍODO
INVESTIMENTO
HOSPEDAGEM
OBSERVAÇÃO
CONSTRUÇÃO CIVIL
Caravana com até 05 voluntários, sendo, no mínimo:
01 Engenheiro com experiência em tecnologias sociais para formação de profissionais da construção civil em técnicas inovadoras, viáveis, contextualizadas, antissísmicas e anticiclones de construção de casas sociais.
01 Arquiteto Urbanístico para capacitação comunitária na elaboração de Projeto de Bairros Comunitários para famílias desalojadas pelo terremoto;
01 Designer Urbanístico para capacitação comunitária na elaboração de Projeto de Bairro Comunitário para famílias desalojadas pelo terremoto;
02 Mestres de Obras / Pedreiros com experiência em construção de casas e instalações, preferencialmente, com uso de tecnologias sociais.
Mínimo 2 semanas
Ideal 4 semanas
2014-2015
SETEMBRO a FEVEREIRO
- conforme disponibilidade do
voluntário;
Passagens +
Ajuda de custo de
U$ 5,00/dia
Na casa missionária
sem custos adicionais
- está sendo formada uma cooperativa habitacional para realocação de famílias deslocadas pelo terremoto de 2010;
- a formação visa capacitar os próprios moradores que já atuam em construção civil para a construção das suas casas através de um Projeto Comunitário de Realocação;

OPORTUNIDADES EM COOPERATIVISMO

ÁREA PARA SERVIR
ESPECIFICAÇÕES
TEMPO EM CAMPO
DATA/PERÍODO
INVESTIMENTO
HOSPEDAGEM
OBSERVAÇÃO
COOPERATIVISMO
- 01 Especialista em Abertura e Desenvolvimento de Cooperativas Sociais para formação de cooperativas de microempreendedores, artesãos e habitação.
Mínimo: 1 semana
Ideal: 2 semanas
2014
SETEMBRO a NOVEMBRO
Passagens +
Ajuda de Custo de
U$ 5,00/dia
Na casa missionária
sem custos adicionais
- já existem grupos de trabalho nas comunidades atendidas elaborando projetos de cooperativismo nas áreas mencionadas, porém, há carência de conhecimento técnico e experiencial.

OPORTUNIDADES EM IDIOMAS

ÁREA PARA SERVIR
ESPECIFICAÇÕES
TEMPO EM CAMPO
DATA/PERÍODO
INVESTIMENTO
HOSPEDAGEM
OBSERVAÇÃO
IDIOMAS
Professores e/ou alunos de nível avançado nos seguintes idiomas:
01)   PORTUGUÊS
02)   INGLÊS
03)   ESPANHOL
Para lecionar cursos básicos a adolescentes, jovens e adultos de um acampamento de famílias desalojadas pelo terremoto de 2010.
Mínimo: 1 mês
Ideal: 2 meses
2014-2015
OUTUBRO a FEVEREIRO
Passagens +
Ajuda de Custo de
U$ 5,00/dia
Na casa missionária
sem custos adicionais
- já existe um grupo de trabalho comunitário elaborando um projeto de escola de idiomas em apoio ao desenvolvimento integral das famílias desalojadas pelo terremoto de 2010, porém, carece de pessoal com conhecimento técnico para a ministração das aulas.

OPORTUNIDADES EM NUTRIÇÃO

ÁREA PARA SERVIR
ESPECIFICAÇÕES
TEMPO EM CAMPO
DATA/PERÍODO
INVESTIMENTO
HOSPEDAGEM
OBSERVAÇÃO
NUTRIÇÃO
01 nutricionista para ensino de aproveitamento de sobras e combate à desnutrição.
Mínimo 1 semana;
Ideal: 2 semanas.
2015
MARÇO A SETEMBRO
Passagens +
U$ 5,00/dia para
ajuda de custo.
Na casa missionária
sem custos adicionais
- atendimento em comunidades carentes com alto índice de má-nutrição, especialmente entre as crianças;
- atuará na capacitação de mulheres em alimentação alternativa com aproveitamento de sobras, cascas, e outros meios socialmente viáveis;
- existem grupos de mulheres que estão elaborando projetos de melhoria da qualidade de vida e saúde das comunidades – provável público alvo.

Para maiores informações, entre em contato conosco pelo e-mail:
juntosporumnovohaiti@gmail.com

Não fique fora do que Deus está fazendo Por Um Novo Haiti!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Les conditions d’assainissement dans les camps se détériorent

Haïti-Société



Le dernier bulletin sorti, en mai 2014, par l’OCHA sur Haïti, révèle qu’un diagnostic et une enquête menés par l’ONG Solidarités International et la Direction Nationale de l'Eau Potable et de l'Assainissement (DINEPA) ont fait état d’une détérioration des conditions d’assainissement dans les camps de déplacés.

Cette situation serait due à la réduction des financements disponibles et au retrait des acteurs humanitaires.

Le diagnostic de Solidarités International a ciblé 145 camps à Port-au-Prince

Les équipes d’évaluation de l’ONG ont ciblé 145 camps dans lesquels vivent 21 626 ménages soit environ 108 000 personnes. Le diagnostic a été réalisé pendant trois semaines dans les communes de Tabarre, Croix des Bouquets, Delmas, Carrefour, Port-au-Prince, et Petion-Ville, et s’est déroulé en deux phases complémentaires : Un premier diagnostic complet et général portant sur l’assainissement, l’eau, l’exposition aux risques et le « climat » en termes de protection des déplacés et une évaluation technique des infrastructures EHA (Eau, Hygiène et Assainissement) dans les camps visités.

Parmi les camps visités, près d’un camp sur deux ne possède pas de latrines et un camp sur cinq ne dispose pas de douches. Les infrastructures existantes sont en très mauvais état, du fait du manque d’entretien, et sous la pression des aléas climatiques. Les difficultés à couvrir l’ensemble des besoins en vidange et en gestion des déchets solides rendent la plupart des infrastructures inutilisables et contribuent à dégrader les conditions de vie des populations.

L’ensemble de ces éléments participent ainsi à créer un environnement insalubre, favorisant l’exposition aux vecteurs de transmission des maladies hydriques. Le diagnostic révèle également que la densité de personnes par porte de latrines est alarmante. En effet, alors que les standards internationaux préconisent une fréquentation de 50 personnes par porte de latrine dans le cadre des camps de personnes déplacées.

Les mauvaises conditions sanitaires et les risques d’inondations dans les camps de déplacé peuvent contribuer à une situation potentiellement dangereuse en termes de propagation de maladies d’origine hydrique comme le choléra, le ratio sur la zone métropolitaine de Port-au-Prince est de 106 personnes par porte en moyenne.

De plus, si la disponibilité de l’eau est dans l’ensemble satisfaisante, un certain nombre de points d’eau, notamment à Tabarre, à Carrefour et à Port-au--Prince dans les zones proches de la mer, ne sont pas protégés et sont ainsi exposés aux risques de contamination. Cette situation, associée à des pratiques de stockage de l’eau à domicile souvent inadaptées au niveau des ménages, augmentent les risques de contamination de la population des camps.

Le diagnostic soulève également qu’environ 69% des 145 camps observés sont exposés aux risques naturels et climatiques. La précarité des habitats, l’instabilité des sols, l’érosion accélérée, la vétusté des voies d’accès ou encore l’absence de canaux de drainage fonctionnels sont autant de facteurs d’augmentation des risques et limitent les capacités de résilience des populations.

Enfin, l’étude révèle également que de nombreux habitants subissent des violences et des exactions commises par des groupes criminels dans et en périphérie des camps, ou des personnes vivant dans les quartiers voisins. Les pressions foncières exercées par les propriétaires de certains terrains occupés contribuent également au sentiment d’insécurité ressenti par une majorité des relais communautaires interrogés.

Cette étude a été réalisée dans le cadre du lancement de la phase 2 du programme d’accès aux services de base pour les populations en attente de relocalisation, mis en œuvre par Solidarités International avec le soutien de la DG ECHO. Ce programme s’achèvera en mars 2015.

La défécation à l’air libre et les déchets constituent les principaux problèmes d’assainissement des camps de la région métropolitaine, selon la DINEPA

Le dernier rapport de la Direction Nationale de l'Eau Potable et de l'Assainissement (DINEPA) fait également état d’une situation toujours critique en relation avec les conditions d’assainissement dans les camps d'hébergement de la région métropolitaine de Port-au-Prince et des communes situées dans le département de l'Ouest.

Réalisée dans 184 sites abritant près de 122 892 personnes, cette enquête révèle que dans presque la moitié des sites (soit 48 pour cent) la défécation à l'air libre est visible.

OCHA

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Por boa convivência, imigrantes no AC separam dias de rituais religiosos

G1

Muçulmanos e cristãos dizem que o mais importante é o respeito.
Em novo abrigo, cada nacionalidade está instalada em um local diferente.

Caio Fulgêncio
Do G1 AC

No abrigo em Rio Branco, maioria de senegaleses seguem a religião islâmica; na foto, eles mostram oração em árabe e imagem de Cheikh Ahmadou Bamba
(Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Com a transferência de abrigo em Rio Branco, do Parque de Exposições Marechal Castelo Branco para a Chácara Aliança, iniciada na segunda-feira (30), os imigrantes ficam separados por nacionalidade e sexo. Tanto em Brasiléia, município dos primeiros abrigos, quanto na capital acreana, eles ficavam no mesmo espaço. A medida, segundo a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), é para facilitar a convivência, devido às diferentes culturas, e nos cultos religiosos.

As principais religiões existentes entre os imigrantes é o cristianismo, entre os haitianos, e o islamismo, seguido pela grande maioria dos senegaleses. Natural do Haiti, o jornalista Dorvil Kesnel, de 33 anos, é evangélico da Igreja Batista. Para ele, existe o respeito entre todos e um acordo foi feito para que apenas uma celebração religiosa ocorra por dia, para evitar confusão.

"Nós que estamos aqui, não temos problema de religião. Fizemos um acordo para evitar problemas de discussão, só há um culto católico, muçulmano, evangélico por dia. Hoje é um, amanhã é outro, para não confundir. Nós somos imigrantes e temos que nos unir para seguir mais adiante. Então, não temos tempo para conversar de religião, cada um tem sua preocupação", afirma.

Seguidor do cristianismo, o haitiano Dorvil Kesnel
(no centro) diz que se reúne com amigos para orar
a Deus (Foto: Caio Fulgêncio/G1)


Em relação aos cultos cristãos, o haitiano Dorvil Kesnel diz que, normalmente, um grupo se reúne à parte para orar e buscar a Deus. Ele fala que chegou no estado no dia 15 de maio e não tem destino certo ainda, mas está em oração para conseguir um emprego.

"Não tenho destino. Temos amigos, estamos juntos orando a Deus para conseguirmos um bom emprego. Por isso, não tenho destino, só estou orando para que Deus me dê um destino", afirma.

A mesma opinião é compartilhada pelo professor senegalês Moussa Faye, de 42 anos. Ele é muçulmano. "Não há problema entre os cristãos, muçulmanos e outras religiões. Cada um respeita a religião do outro. O Brasil é um país que respeita muito a liberdade de cada um", fala.

Moussa conta que as celebrações islâmicas ocorrem às quintas-feiras no abrigo da capital. No entanto, os ensinamentos da religião vão além das palavras. Ele afirma que uma simples ajuda em alguma coisa já é praticar os ensinamentos de Cheikh Ahmadou Bamba, teólogo muçulmano fundador da Irmandade Muride, ordem religiosa islâmica.

"Na nossa religião, cada momento da vida é por Deus. Estamos aqui ajudando na administração e é uma maneira de viver a religião. Não é só fala, são ações. É uma maneira de louvar a Deus. Há um momento específico, mas depois devemos sair para ter ações", acrescenta.

Grupo de senegaleses mostram escritos em árabe utilizados na celebração da religião islâmica
(Foto: Caio Fulgêncio/G1)
O senegalês, que pretende permanecer no estado, sonha em uma relação de cooperação entre o Acre e Touba, cidade do Senegal onde o movimento iniciado Ahmadou Bamba ganhou impulso, em 1926, após a construção de uma mesquita. É um local onde ocorrem várias peregrinações de muçulmanos que querem reafirmar a religião.

"Em cada cidade grande do mundo existe uma casa ou escola para ajudar senegaleses que querem conhecer a religião muçulmana. Se eu tiver filhos aqui, meus filhos devem conhecer a religião. É uma maneira de propagar. Por isso, queremos uma cooperação entre Acre e Touba, porque precisamos disso", fala.
Para o secretário de Desenvolvimento Social (Seds), Antônio Torres, a destinação de espaços para cada nacionalidade colabora principalmente na comunicação com os grupos, mas também previne de possíveis desentendimentos religiosos.

"A questão religiosa não é predominante na gestão do abrigo. A gente organiza a divisão pelo grau de afinidade entre eles, em relação ao reconhecimento próprio. Além de evitar possíveis conflitos e, ao mesmo tempo, dá segurança ao próprio grupo, para entender a própria linguagem. E a gente passa a ter uma comunicação maior com os grupos", explica.

ONU estuda opções para tirar tropas do Haiti a partir de 2016

BBC Brasil - Notícias

Luis Kawaguti
Da BBC Brasil em São Paulo


Missão da ONU no Haiti completou 10 anos neste mês

A ONU está estudando cinco opções para mudar as características da missão de paz no Haiti a partir de 2016. A maioria delas prevê a retirada do país das forças militares internacionais e o fim da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti). Isso pode incluir uma eventual saída das tropas brasileiras, que completaram no último domingo uma década de operação na nação caribenha.

A mudança da presença da ONU no país, porém, não significa que o organismo simplesmente deixará o país. A maioria das opções de retirada inclui o estabelecimento de uma missão política das Nações Unidas no Haiti e a passagem gradual da responsabilidade pela segurança da ONU para a Polícia Nacional do Haiti.

"É preciso lembrar que uma missão de paz deveria ter curta duração e que os objetivos são atuar em situações de instabilidade e insegurança. E podemos dizer que no Haiti estas metas foram alcançadas", disse o secretário-geral assistente de Operações de Paz da ONU, Edmond Mulet, à BBC Brasil na última sexta-feira.

A diminuição do contingente de tropas e policiais internacionais já vem ocorrendo. O ápice de pessoal ocorreu em 2010, logo após o terremoto de proporções catastróficas que matou cerca de 300 mil pessoas. Na ocasião, operaram no Haiti 8.940 militares e 4.391 policiais.

O mandato de 2014 prevê 5.021 militares e 2.601 policiais – o que corresponde a uma queda de 40% no total de pessoal.

A redução de recursos humanos é acompanhada por uma melhoria geral na situação de segurança do país. Desde 2007 não há um confronto militar significativo entre forças da ONU e insurgentes. Autoridades dizem acreditar que a maioria dos rebeldes e gangues criminosas se desmobilizou, saiu do país, ou foi presa ou morta pelas forças de paz.

No campo político, porém, a crise parece estar longe do fim. Há dois anos, os diversos partidos políticos não conseguem chegar a um acordo para eleger um novo Parlamento. Os congressistas atualmente atuam em número reduzidíssimo e com pouca representatividade.

Além disso, a não resolução das principais demandas sociais deu início em setembro do ano passado a uma série de manifestações populares que atualmente pedem a saída do presidente Michel Martelly.

Para adaptar as ações da comunidade internacional a esse novo contexto, um relatório recente do escritório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, determina a reestruturação da presença do organismo no país a partir de 2016.

Leia abaixo quais são as cinco opções avaliadas no relatório
Retirada militar total

Uma das hipóteses é a retirada total do pessoal militar e policial e o fechamento de todas as instalações regionais da ONU no país. Isso pressupõe que a polícia haitiana terá capacidade de operar sozinha, sem ajuda dos militares. Autoridades da missão dizem que a meta é ter 15 mil policiais haitianos formados e trabalhando até 2016.

Essa opção viria acompanhada da nomeação de um enviado especial da ONU ao Haiti para tentar resolver a crise política do país.
Missão política

Outra opção é acabar com o mandato da Minustah e estabelecer em seu lugar uma missão política especial, com capacidade para treinar e aumentar a capacidade da Polícia Nacional do Haiti.

A nova missão teria como foco a facilitação do processo político e a fiscalização do estado de direito e o respeito aos direitos humanos. Ela prevê a retirada dos capacetes azuis do país, o fechamento de instalações e a manutenção de um efetivo mínimo de polícia internacional, cuja tarefa seria treinar a polícia local.

Agências da ONU e mecanismos internacionais continuariam operando no país para dar suporte ao governo.
Nova missão de paz

Uma terceira opção prevê o fim do mandato da Minustah e o estabelecimento de uma nova missão de paz – menor e desta vez com um objetivo primariamente político e não de segurança.

Essa nova operação seria focada na facilitação do processo político, a fiscalização do estado de direito e a promoção e proteção dos direitos humanos – além de apoio operacional para a "manutenção de um ambiente estável".

Essa hipótese prevê a retirada total dos militares e a manutenção de unidades policiais internacionais capazes de garantir a segurança em episódios de crise. Uma parte do efetivo policial também seria destinada a treinar a Polícia Nacional do Haiti. Instalações civis da ONU seriam mantidas apenas em três ou quatro cidades.
Reserva militar estratégica

Há ainda a possibilidade de criação de uma nova missão de paz semelhante à opção anterior, mas com a diferença de possuir um único batalhão de forças de paz, de caráter estratégico.

Essa unidade militar seria altamente capacitada e teria aeronaves e recursos para enviar tropas para qualquer lugar do país em poucas horas. Ela operaria por um período inicial de um ano, sem participar de operações rotineiras de segurança - sendo acionada apenas em casos de emergência.
Continuação da Minustah

No outro extremo da curva, a ONU estuda a possibilidade de prolongar a Minustah. Porém, ela seria ajustada às novas necessidades, como um quadro de atividades e responsabilidades menor que o atual (que hoje possui todos os aspectos de uma missão multilateral completa e de grandes proporções).

Nesse caso, o número de tropas internacionais continuaria sendo diminuído gradualmente, mas o efetivo de forças policiais permaneceria inalterado.

Os braços civis da missão, que englobam agências humanitárias e órgãos políticos e administrativos, sofreriam uma redução – sendo concentrados em apenas quatro ou cinco das cidades mais populosas.

Casos de cólera no Haiti diminuem 75% em relação ao primeiro trimestre de 2013, diz ONU

ONU Brasil



Os casos de cólera no Haiti foram reduzidos em 75% no primeiro trimestre de 2014, em relação ao mesmo período do ano passado, e as taxas de mortalidade por falecimentos causados por doenças relacionadas, estão abaixo de 1%, meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS ), informou a ONU nestaquarta-feira (28) . Este é o resultado dos esforços conjuntos da Missão da ONU para Estabilização do Haiti (MINUSTAH), do coordenador sênior da ONU no Combate ao Cólera e do Governo haitiano.

Apesar das novas estatísticas, que mostram que o país teve em 2014 o menor número de casos e mortes relacionadas com o cólera desde o início da epidemia, o primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, disse que a doença ainda continua sendo uma emergência no país. Em resposta, a representante especial do secretário-geral da ONU no Haiti, Sandra Honoré, enfatizou que a Organização continua determinada a apoiar os esforços do Governo haitiano para melhorar a saúde pública e o acesso da população à água potável e saneamento.

O plano nacional do Governo do Haiti de 10 anos para a eliminação do cólera requer 2,2 bilhões dólares para o desenvolvimento em grande escala da saúde pública e infraestrutura de saneamento. Para apoiar as atividades mais urgentes descritas no plano, a ONU pediu à comunidade internacional 70 milhões de dólares para os próximos dois anos e conter a transmissão do cólera, mas apenas 34 milhões dólares foram disponibilizados até agora.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Lição de casa: plantar uma árvore!

BIDAmérica

Crianças de escola lideram uma iniciativa de reflorestamento numa aldeia de montanha no Haiti


Peter Bate

Crianças de apenas cinco anos
ajudam a plantar mudas cultivadas
nos viveiros mantidos
por escolas locais.
No Haiti, um país quase totalmente destituído de árvores, as crianças que freqüentam as escolas da comunidade de Saint Paul de Furcy estão fazendo mais do que sua parte habitual para combater os efeitos de uma história de desmatamento.

Numa tarde de verão, dezenas de alunos desceram por um caminho íngreme na montanha equilibrando pequenos cestos trançados na cabeça. Dentro de cada cesto havia uma muda cultivada num dos três viveiros de plantas mantidos por escolas locais. As crianças, com idade entre 5 e 12 anos, estavam a caminho de uma ravina próxima para plantar cedros, grevíleas e outras árvores perenes que ajudam a fixar o solo. Depois de firmar raízes, as árvores podem contribuir para estabilizar encostas e impedir deslizamentos como o que deixou uma enorme cicatriz de rocha nua e terra vermelha na montanha, bem em frente a um dos viveiros.

Centenas de crianças participaram do projeto de reflorestamento em Furcy, lançado em 2005 como parte de um programa de desenvolvimento local executado pelo fundo de investimento social (FAES) do governo haitiano e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. Em pouco mais de um ano, elas plantaram cerca de 30.000 mudas em sua comunidade, no alto do maciço de la Selle, um platô escarpado que corta o sudeste do Haiti.

Além de transmitir às crianças noções sobre florestas e as conseqüências da degradação ambiental, o projeto envolve também seus pais, uma vez que, de acordo com as regras do FAES, é a comunidade que deve decidir quais os tipos de árvores que serão cultivados. Em Furcy, onde a maioria das famílias planta hortaliças em pequenos canteiros para vendê-las em cidades e aldeias próximas, os moradores deram preferência a árvores frutíferas, como o abacateiro, o pessegueiro e a nespereira, que podem ser cultivadas com sucesso no clima frio da região, situada de 1.200 a 1.500 metros acima do nível do mar. Os viveiros de plantas também geram alguma receita para as próprias escolas com a venda de flores frescas. Essa renda é usada para pagar professores e conceder prêmios em dinheiro aos alunos com bons índices de freqüência às aulas. Além disso, de acordo com o FAES, o índice de permanência na escola subiu desde que o projeto de reflorestamento foi iniciado.

Por tudo isso, o FAES e o BID têm esperança de que a experiência de Furcy possa inspirar outras comunidades do Haiti, que perdeu praticamente toda a cobertura florestal que possuía devido às pressões sofridas pela combinação de crescimento populacional, práticas agrícolas não sustentáveis e produção de carvão, o principal combustível de cozinha do país, o mais pobre do hemisfério ocidental.

“O problema das enchentes começa aqui”, disse o coordenador do FAES, Jean-Pierre Heurtelou, apontando para as montanhas em volta. Durante tempestades tropicais e furacões, a água da chuva desce pelas encostas, arrastando a preciosa camada superficial do solo e transformando riachos e rios em violentas torrentes de lama e detritos, que com freqüência chegam até Porto Príncipe, 25 quilômetros ao norte de Furcy, e Léogâne, uma cidade de planície 55 quilômetros a oeste. Condições similares são abundantes nessa nação montanhosa. Apenas em 2004, duas grandes tempestades desencadearam enchentes-relâmpago e deslizamentos de terra que mataram milhares de pessoas na cidade de Gonaïves, no norte do país, e em comunidades rurais próximas da fronteira com a República Dominicana.

Para que o Haiti rompa o círculo vicioso de degradação ambiental e desastres, é preciso mudar a situação no curso superior das bacias hidrográficas em lugares como Furcy, onde o padre residente, Jean-Yves Urfie, há muito vem defendendo a causa do reflorestamento. Membro veterano da Congregação do Espírito Santo, que também administra a escola católica local, o padre Urfie procurou o FAES com a proposta de estabelecer um viveiro de árvores que seria operado pelos alunos. Depois de analisar o projeto, o órgão decidiu financiá-lo e também incluir na iniciativa a escola pública e a escola metodista locais. Há um elemento de competição, já que as escolas concorrem a prêmios pelo viveiro mais bem administrado. O padre Urfie, que vê com bons olhos a disputa, descartou qualquer rivalidade interdenominacional que possa ser percebida. “O reflorestamento não é uma questão religiosa. É algo que diz respeito a todos”, disse ele.

O projeto requeria que se despertasse na comunidade a consciência do impacto causado pelo desmatamento. Os participantes votaram nas espécies que preferiam cultivar e foi comprado o material básico para montar os viveiros. A comunidade recebeu assistência técnica para capacitação dos instrutores que orientariam os pequenos plantadores de árvores. No total, o projeto custou menos de US$40.000, e a maior parte da verba foi facilitada pelo programa de desenvolvimento local administrado pelo FAES e financiado pelo BID. Desde 2004, o programa de US$65 milhões apoiou centenas de projetos de pequena escala escolhidos por comunidades, como reconstrução de escolas e postos de saúde, instalação de sistemas de água potável, remodelação de mercados públicos ou recuperação de estradas rurais.

O reflorestamento certamente não é um conceito novo no Haiti, e Furcy não é o único local onde ele está sendo promovido. Experiências fracassadas alimentaram a desconfiança de comunidades rurais em projetos trazidos por gente de fora, disse Heurtelou. “As pessoas no interior viram chegar muitos projetos, mas eles produziram poucos benefícios. Elas agora preferem esperar para ver. Só assim podem ter certeza de que tudo não ficará apenas nas palavras”, acrescentou ele.

Grandin: “Não podemos sair plantando árvores
em qualquer lugar onde achemos que elas são necessárias,
porque os sitiantes podem pôr seus bodes
para comer as mudas”.
Além de obter o apoio da comunidade, o projeto teve também de convencer proprietários de terras individuais. “Não podemos simplesmente plantar árvores em qualquer lugar onde achemos que elas são necessárias, porque os sitiantes podem pôr seus bodes para comer as mudas”, disse Gérard Grandin, um jovem agrônomo francês que trabalha como voluntário com o padre Urfie por intermédio de uma instituição de auxílio católica. “Então, tentamos convencê-los de que as árvores são como um banco. Se eles plantarem árvores frutíferas, poderão vender a produção. Outras espécies podem fornecer sombra para cultivar café, folhas para fazer adubo e, em última instância, madeira”, disse Grandin. Ao que Heurtelou acrescentou: “Se um projeto ambiental não gerar renda para a população local, ele não terá sucesso”.

Embora as árvores levem anos para crescer, há indicações auspiciosas, ainda que indiretas, de que o reflorestamento está fincando raízes em Furcy. Grandin contou que, às vezes, mudas desaparecem misteriosamente dos viveiros durante a noite. “Mas isso é um bom sinal, porque significa que as pessoas realmente querem essas árvores. Você pode ter certeza de que elas serão plantadas e bem cuidadas.”

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Canadá apoia realojamento de famílias no Haiti

Fátima Missionária
Texto Francisco Pedro | Foto Lusa | 29/01/2014 | 07:16

As 53 mil pessoas abrangidas pela medida encontram-se em mais de seis dezenas de acampamentos



Departamento de Assuntos Externos, Comércio e Desenvolvimento do Canadá atribuiu 13 milhões de euros à Organização Internacional das Migrações para o realojamento de 53 mil pessoas no Haiti. A delegação da Organização Internacional das Migrações (OIM) no Haiti recebeu cerca de 13 milhões de euros do governo canadiano para prestar assistência ao realojamento de 16 mil famílias desalojadas. As 53 mil pessoas abrangidas pela medida encontram-se em mais de seis dezenas de acampamentos, distribuídos pela área metropolitana de Port-au-Prince. O financiamento permitirá que retornem às suas comunidades ou mudem para alojamentos seguros e dignos. 

«O nosso governo tem apoiado as famílias haitianas desde que o terramoto devastou o seu país [em 2010]. Esta iniciativa ajudará milhares de pessoas que estão desesperadas por encontrar uma habitação permanente e melhorará significativamente a sua segurança e qualidade de vida», explicou aos serviços de comunicação da OIM o ministro canadiano para o Desenvolvimento Internacional e Francofonia, Christian Paradis.

Quatro anos depois do terramoto devastador, perto de 146 mil pessoas continuam ainda refugiadas em 271 acampamentos espalhados pelo país. A OIM, com o apoio da comunidade internacional, já prestou auxílio no realojamento de mais de 35 mil famílias deslocadas desde 2011, data em que deu início à aplicação de um programa de atribuição de rendas, em parceria com o governo haitiano.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Toussaint Louverture, herói da Revolução Haitiana

Portal Vermelho

O nome de Toussaint Louverture (1743-1803), líder dos escravos haitianos e descendente de um rei africano, aterrorizava os fazendeiros e autoridades coloniais de Cuba, muitos anos depois de sua morte.

Por Marta Denis Valle * na Prensa Latina



Às autoridades de Havana e de Madri, que manteve o controle deste arquipélago depois de perder as principais possessões americanas, preocupava mais a influência das insurreições dos escravos haitianos, que os perigos de guerra com o Reino Unido ou a França, segundo o historiador cubano José Luciano Franco.

A grande revolução dos escravos haitianos começou em agosto de 1791 e, como pólvora ardente, se estendeu numa cruenta guerra civil, de 12 anos, com a intervenção de potências estrangeiras.

Em plena noite e pelo chamado dos tambores ancestrais, estourou o levantamento dos escravos do norte, à margem das disputas de outros grupos sociais depois da eclosão da Revolução Francesa, em 1789.

À frente estava Dutty Boukman, que morreu no mês de novembro defendendo as posições rebeldes, e ainda que sua cabeça tenha sido levada como troféu e exibida em uma jaula, no Cabo, a luta não pôde ser contida.

Meio milhão de escravos, submetidos ao poder dos colonos brancos, negaram-se a continuar nessa condição.

Contra sua ânsia de liberdade chocavam-se os interesses da população branca - 40 mil-, estratificada em dois grupos (os grandes e os pequenos) e dos mulatos e negros libertos - de 24 mil a 28 mil-, classe intermediária com importantes riquezas, mas discriminados nos aspectos político e social.

Segundo um historiador francês, 1.200 plantações de café e 200 engenhos, numerosos edifícios e moradias dos fazendeiros arderam em chamas.

Os brancos de todas as tendências deixaram de combater ao se conhecer a execução do rei Luis XVI - 21 de janeiro de 1793- e o estado de guerra entre França e Reino Unido.

Os colonos brancos entregam aos britânicos as principais cidades ou fugiram para Cuba às centenas.

Ingerência do Reino Unido e da Espanha

Os proprietários franceses assinaram a 3 de setembro de 1793 um tratado com o chefe das forças de ocupação britânicas, general Adam Williamson; muitos deles se uniram a estes invasores, junto a oficiais realistas e antigos servidores públicos coloniais.

Santiago de Cuba converteu-se em refúgio dos escravistas franceses, procedentes da colônia Saint-Domingue (Haiti, seu nome de origem), acompanhados de seus escravos.

Inicialmente, o capitão geral de Cuba, Luís de Las Casas, e o governador de Santiago de Cuba, o brigadeiro Juan Bautista Vaillant, prestaram ajuda às autoridades coloniais francesas do Haiti para neutralizar o movimento insurrecional. Facilitaram-lhes gado, víveres e material de guerra.

Depois, em cumprimento das instruções reais, o governador espanhol de Santo Domingo, brigadeiro Joaquim Garcia, tomou uma importante iniciativa para assegurar a seu país praças no Haiti e entrou em relações com os chefes dos escravos haitianos rebeldes.

Ofereceu-lhes em nome do rei da Espanha socorros em armas e apetrechos de guerra, liberdade, prerrogativas como a seus súditos e terras em Santo Domingo, bem como lhes entregar os territórios de Saint-Domingue que já ocupavam.

Os chefes Jean François e George Biassou aceitaram e passaram ao partido espanhol com seus homens e também Toussaint Louverture, que operava então com um pequeno exército de 600 homens.

A partir de agosto de 1792, forças militares espanholas e tropas auxiliares ao comando de François, Biassou e Toussaint Louverture estabeleceram-se conjuntamente nesses territórios.

Cuba participou, cada vez mais, nos acontecimentos que tinham lugar na ilha vizinha, quando a Espanha e o Reino Unido fizeram aliança durante a Guerra da Convenção (1793-1795) - dos Pirineus ou do Rosellón - contra a França revolucionária e, a partir de 1796, novamente com Paris.

Pelos chamados Pactos de Família, a Espanha foi aliada da França contra o Reino Unido durante grande parte do século 18; a mudança de aliança ocorre quando o rei francês Luis XVI morre na guilhotina, primo-irmão da então rainha consorte da Espanha, Maria Luisa de Parma, esposa de Carlos IV.

Esta guerra teve graves consequências para a Coroa Espanhola pois os exércitos franceses ocuparam, nas campanhas de 1794 e 1795, a Catalunha, o País Basco e Navarra, até Miranda de Ebro (Província de Burgos).

Pela Paz de Basileia (1795), Madri cedeu a Paris o território de Santo Domingo (atual República Dominicana) para recuperar os territórios peninsulares ocupados.

Depois disto, a Coroa hispânica assinou, a 18 de agosto de 1796, o Tratado de San Ildefonso com a República francesa, que estabeleceu a ajuda militar se alguma das partes entrasse em guerra com o Reino Unido; outro acordo, em outubro de 1800, converteu a Espanha em aliada dos planos belicistas de Napoleão Bonaparte.

Libertador de escravos

O destacado estudioso do tema José Luciano Franco assinala o fato de que esta rebelião produziu homens como Toussaint Louverture, que podem ser comparados com os melhores revolucionários de outros países da América.

Nascido escravo, a 20 de maio de 1743, próximo do Cabo Francês, alguns autores dizem que era bisneto de um rei africano.

Há fontes que situam François Dominique (Toussaint Louverture) entre os promotores da insurreição, enquanto outras afirmam que se somou mais tarde, depois de enviar seus antigos amos para o exterior.

Diz-se que foi secretário de Biassou, em cujas forças ingressou como médico devido a seu conhecimento da medicina tradicional africana, transmitido de um ancestral que fora capturado na África pelos traficantes negreiros.

Criança doente, trabalhou como cocheiro do amo; adquiriu educação autodidata mediante a leitura; iniciado por seu padrinho Pedro Bautista, aprendeu francês, algo de latim e geometria; com o tempo adquiriu também grande força física.

Despontou como o militar e político mais importante; seguido pelas massas escravas, derrotou os invasores britânicos e espanhóis, depois de aceitar primeiro lutar sob a bandeira destes últimos; ambos tiveram que lhe render honras.

Defendeu a República Francesa quando aboliu a escravatura e, mais tarde, as tropas de Napoleão não o conseguiram vencer, pelo que simularam um pacto que culminou com a traição, prisão e morte do caudilho em uma prisão da França, de fome e frio, a 7 de abril de 1803.

Foi brigadeiro do exército espanhol; general do exército francês, general em chefe dos exércitos da Ilha e governador do Haiti.

Toussaint Louverture levou também a liberdade aos escravos da parte espanhola de Santo Domingo (hoje República Dominicana).

A antiga metrópole restabeleceu a escravatura, em 1802, mas a luta prosseguiu até a derrota total dos franceses e a proclamação em 1804 da independência do Haiti, a primeira República negra do mundo.

A República Haitiana, nascida 210 anos atrás, teve notável influência nas sublevações de escravos e lutas abolicionistas no século 19, daí os temores dos praticantes da plantação escravista em Cuba, que substituíram o Haiti como o engenho do mundo.

Foi significativa a ajuda haitiana a Simon Bolívar para libertar definitivamente a Venezuela e criar a Grande Colômbia, passo prévio da derrota da Espanha na América do Sul e a independência de vários povos irmãos.

*Historiadora, jornalista e colaboradora da Prensa Latina

domingo, 12 de janeiro de 2014

5 Great Places To Visit in Haiti

Travel & Camp; Fun





Jacmel

Jacmel is one of the many gems that you will discover in Haiti. Once called the pearl of the Caribbean, this incredible and diversified historical treasure is now center stage for a major revitalization project currently under way. This website has been created to showcase the real Haiti that most people have never imagined. By tourists visiting Jacmel, all kinds of new industries will breed in the region. The governing thesis being advancement of the Haitian people through employment, healthcare, education and permanent housing. It will re-establish the historical relevance of Jacmel as a commerce and tourist center, thus providing a sustainable socio-economic system for thousands of Haitians. This model will bring hope and a future to the people of Haiti.



Mole Saint Nicolas

Môle Saint-Nicolas (Mòlsennikola or Omòl in Haitian Creole) is a town in the Republic of Haiti. It is the chief town of the Môle Saint-Nicolas Arrondissement in the department of Nord-Ouest. Christopher Columbus’ first voyage to the Americas on December 6, 1492 to Haiti’s northern coast led to the establishment of the short-lived settlement of La Navidad in what is now Môle Saint-Nicolas. The town’s fête day is December 6 each year, to celebrate Columbus’ arrival. The town received its present name after France gained control of the western part of Hispaniola in 1697.




Port Salut
Port-Salut is a coastal town in the Sud Department of Haiti and the hometown of Haiti’s deposed president, Jean-Bertrand Aristide who was born there in 1953. [1] Port-Salut is a popular destination for local Haitians as well as tourists to a certain degree seeking relaxation and tranquility due to the beautiful beaches that the town is surrounded by. The area has yet to be discovered on a mainstream tourist level. With proper management and investment, Port-Salut could become a major tourist destination in Haiti, a country whose tourism industry, full of potential, has been struggling for decades.




Ile a Vache

As quiet as Ile-a-Vache may look, the community is vibrant and welcomes its visitors with open arm.Come and spend some time with us. Enjoy a football (soccer) game, a cultural activity.We’ll tell you all about our beautiful island.




Labadee Cap-Haitien


Labadee is a beautiful coastal resort located on the north of Haiti. It is located on the island of Hispaniola which is also home to the Dominican Republic. This beachfront area was created and is run by Royal Caribbean International and is a stop for their Caribbean cruises. Labadee is like an oasis of gorgeous beaches and never ending fun. There are numerous activities to meet everyone’s desires.



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Source: visithaiti.org

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Entre em Campo, com Cristo, Por Um Novo Haiti!

Situado no Caribe, o HAITI é a nação mais pobre das Américas. O país sente os efeitos de várias crises econômicas e anos de instabilidade política. O Brasil lidera uma força de paz neste país desde 2004. Mas foi em 2010 que aconteceu a maior tragédia recente do país: um terremoto devastador matou centenas de milhares de haitianos e prejudicou as já precárias condições de vida da população.

A Junta de Missões Mundiais está em campo no Haiti com um casal de missionários brasileiros e 25 missionários da terra, além de três unidades do Pepe Internacional. Também há um grupo de 10 jovens do Programa Radical VSF - JMM atuando em duas comunidades. Periodicamente são enviadas caravanas de voluntários para ajudar a população e testemunhar o evangelho através de ações humanitárias.

Participe do avanço missionário no Haiti. Entre em contato conosco:
2122-1901/2730-6800 (cidades com DDD 21)
0800-709-1900 (demais localidades)
pam@jmm.org.br



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