sábado, 5 de outubro de 2013

Uma história inspiradora em La Source!

Verdade.co

Quando em 2010, duzentas mil pessoas morreram no Haiti, em resultado de um terramoto devastador, as comunidades da pequena vila de La Source já enfrentavam, há anos, várias doenças por consumo de água imprópria. No entanto, desde a sua infância, esta realidade preocupava Josué Lajeunesse, o protagonista – que se tornou herói – do filme documentário com o nome dessa aldeia. A boa-nova é que não foi necessária a intervenção do Governo de Haiti para se levar água pura à La Source. A vontade e acção do povo é que fizeram a mudança...

Para as comunidades de La Source, dizer Josué Lajeunesse pouco difere de afirmar Martin Luther King Jr. Ele é um verdadeiro herói – felizmente vivo – do povo. Como o pensamento de um simples zelador da Universidade de Princeton pôde reverter-se numa acção que modificou a história da vida de 5 mil pessoas e das comunidades em torno de La Soure?

Narrada num meio de informação muito ‘frio’ – como o jornal – a história é verosímil. Mas é verdadeira. O cinema tem a imagem viva. Em movimento. E quando se trata de um filme-documentário, ninguém duvida, porque se vê a mudança a acontecer. O povo, movido pelo amor puro e sincero de Josué e pela concórdia, levou água até La Source. Está-se diante daquelas histórias verídicas que que pouco se repetem. “Josué está preocupado com uma questão que carrega desde a infância. A população de La Source tem dependido de uma nascente de água nas montanhas, como sua única fonte de abastecimento de água potável”.

“Alcançá-la implica uma caminhada diária tortuosa, e uma viagem de regresso ainda mais perigosa, montanhas abaixo, carregando vários galões de água. As pessoas caem, machucam- se e sofrem amputações das pernas e dos braços”, narra-se no documentário. Dessa realidade – dura – fundou-se uma das questões fundamentais da vida de Josué. “Desde a infância, eu sempre me perguntava. Porque é que eu tinha de transpor todas aquelas montanhas em busca de água? Porquê?”

O protagonista de La Source emigrou de Haiti, em 1989, para os Estados Unidos, onde trabalha como zelador da Universidade de Princeton e taxista. Ele teve de aprender tudo do zero. A língua, os códigos culturais, incluindo adaptar-se ao clima local – tudo para garantir o bem-estar dos seus familiares em Haiti. Ele é um pai solteiro com quatro filhos.


Na verdade, “Josué é uma pessoa que leva uma vida muito intensa. Ele está constantemente focalizado nas preocupações dos outros do que nos seus próprios problemas. É como se ele carregasse o peso do mundo. Por isso dá a impressão de estar cansado”, afirma Patrick Shen, o realizador de La Source. E era necessário que assim fosse. A sua causa é sublime. Afinal, para muitas pessoas que, em La Source, são incapazes de, diariamente, caminhar até à fonte, o Rio Grosseline, que corre perto da vila, é a sua única opção para ter a água.

No riacho – tido como uma salvação – as pessoas tomam banho, lavam tudo, desde a roupa, peças domésticas, até o gado. É também o local onde se extrai água para preparar as refeições. A água não é potável porque – nela – as pessoas e os animais fazem todas as suas necessidades. Já se viram ali cadáveres a boiar. Recentemente, o Governo dos Estados Unidos, através do Centro Cultural Americano – Martin Luther King Jr., criou condições para que se projectasse o filme em diversos lugares de Maputo, incluindo alguns bairros suburbanos.

Evidentemente que Moçambique e Haiti são países diferentes, mas há um aspecto que se aprende da história de Josué Ljeunesse que se aplica em todo o mundo. “É que quando uma pessoa pretende alcançar um objectivo e tem a perseverança de se empenhar por ele – dia e noite – no fim o mesmo concretiza- se”, refere Patrick Shen. O realizador afirma também que uma das perguntas recorrente sempre que se apresenta o filme é “porque é que não se envolveu o Governo de Haiti para levar água potável às comunidades de La Source? A resposta é simples: é que o processo levaria muito mais tempo e, se calhar, nunca se iria materializar”.


A construção do fontanário que há mais de um ano jorra água pura em La Source é o resultado de doações de pessoas singulares e de diversas organizações envolvidas. Foram precisos 25 mil dólares americanos para a materialização do projecto que só foi possível graças à solidariedade popular. Até as crianças prestaram oferendas à iniciativa. Tal como acontece em Os Reis Filósofos – o outro filme de Patrick Shen – La Soure retrata “a sabedoria que pode ser encontrada nos lugares mais improváveis e inimagináveis. Foram visitadas várias universidades nas quais se entrevistava pessoas de classe social muito baixa – como, por exemplo, os zeladores de limpeza”.

A história de Josué Lajeunesse é muito inspiradora de tal sorte que o personagem acabou por merecer uma distinção na Universidade de Princeton. E não faltam argumentos. “Ele optou por fazer dos problemas alheios os seus próprios problemas. E ele, como Martin Luther King Jr., inspirou tantos de nós com o poder do que pode realizar um Homem empenhado. O que o torna um merecido vencedor do Prémio Journey 2011 para a categoria Special Achievement”.
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