sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Haiti faz progressos e quer ser uma nação emergente até 2030

ISTOÉ Dinheiro

Governo haitiano informou à Comissão Europeia que o país progrediu

Por Agência Brasil

Foto: Mobilização Mundial

O governo do Haiti informou à Comissão Europeia, órgão político e econômico da União Europeia (formada por 28 nações), que o país progrediu em decorrência da aplicação dos recursos remetidos pelos europeus para ajudar a população. O Haiti já recebeu 85% dos 522 milhões de euros disponibilizados há três anos. Em janeiro de 2010, houve no Haiti o pior terremoto da história recente do país, registrando 7 graus na escala Richter.

“Fizemos enormes progressos nos últimos dois anos”, disse o primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe. “[O país sofreu] uma catástrofe de enormes proporções e agora luta não apenas para utilizar essa cooperação da melhor forma possível em favor do povo haitiano, mas também, de forma paralela, para voar com as suas próprias asas”, acrescentou.

Segundo ele, serão feitos investimentos nos setores aduaneiro e fiscal com vistas a aperfeiçoar os sistemas e adequá-los para investimentos externos. “O Haiti tem enorme futuro, enormes oportunidades de investimento”, disse Lamothe.

O primeiro-ministro destacou o “esforço considerável” do governo para garantir que 1,2 milhão de crianças e adolescentes tenham acesso à educação gratuita. Ele disse que é de “extrema importância” a ajuda europeia e garantiu a aplicação de nova estratégia “para que o país seja emergente em 2030”.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Um novo Haiti está acontecendo


Sem dúvidas que Deus continua sentado no trono e tudo governa.


A reconstrução do Haiti é obra da graça e manifestação cotidiana do amor, misericórdia e propósitos de Deus.

A Capital mais parece, hoje, um canteiro de obras: ruas sendo organizadas e pavimentadas, calçadas sendo construídas, prédios e instituições governamentais sendo reconstruídos, praças limpas e revitalizadas, máquinas, tratores, homens trabalhando. Esse é o quadro pintado no dia-a-dia de Porto Príncipe, quase 4 anos após o pior terremoto da sua História.

Um Programa Governamental, com o aporte da ONU, fechou os seis maiores campos de deslocados do terremoto, que ocupavam grandes áreas na capital, alguns com até 15 mil pessoas, e realocou cerca de 45% das famílias em 16 novos bairros-comunitários novinhos em folha nos arredores da Grande Porto Príncipe. Parte desse percentual também foi incluso no programa da OIM de aluguel-social por um ano. Algumas famílias retornaram aos seus Estados de origem, especialmente as oriundas do Norte e Nordeste do país, onde os programas de desenvolvimento do país são mais intensos – fruto da estratégia do Governo para desinchar a capital que serviu de refúgio por décadas para a migração da população interiorana em busca de condições melhores que nunca chegaram.

O Turismo tem se mostrado como o carro-chefe do alavancar de um tempo para o Haiti.

Experience it....Haiti se la pou'w la ! !!!
Foto: Réseau de l’Organisation mondiale du tourisme - Site Oficial

Algo que já realidade há décadas do outro lado da fronteira, na mesma ilha, na vizinha República Dominica que respira o turismo e atrai ano após ano mais e mais turistas do mundo inteiro, vem se tornando prioridade na agenda do novo Estado Haitiano. Um exemplo é o acordo de intensões fechado entre os proprietários dos maiores resorts de Punta Cana – principal atrativo Dominicano, e o Ministério do Turismo haitiano, elegendo a Costa do Ferro, próximo à cidade de Jacmel, no sudeste do país, para receber seus altos investimentos. A cidade de Jacmel, naturalmente bela e histórica – embora com a aparência do abandono vivido das últimas décadas, também começa se assemelhar a um canteiro de obras. Desde as rodovias que ligam o Aeroporto Internacional Toussant Lourverture, em Porto Príncipe – que foi totalmente reformado, ganhou esteiras elétricas, corredores que recebem os passageiros na porta do avião, segurança e conforto de um aeroporto simples, mas, organizado, sendo reinaugurado no segundo semestre do ano passado – aos seus pórticos de boas-vindas, à orla da praia que está ganhando calçadões que lembram Copacabana, à ampliação da rede hoteleira e adequação dos serviços e da população para receber estrangeiros, ao Aeroporto local que deverá ganhar o status de internacional até o final de 2015, Jacmel e a Costa do Ferro caminham para impulsionar a transformação do Haiti.


Uma nova Companhia Aérea legitimamente haitiana fez, recentemente, seu primeiro voo, concretizando o projeto de tornar o Haiti rota do turismo histórico e litorâneo. O primeiro pacote turístico para o Haiti, com saída de Miami, EUA, levando os turistas a conhecerem a Citadela Lafaiete, a 35 km de Cabo Haitiano (N) – fortaleza construída pelos líderes da Independência Haitiana que permanece quase intacta, e agora com infraestrutura turística funcional, o Fort Liberté (NE) – último reduto do Exército Francês que marcou a vitória da revolução haitiana, e a Praia de Labadee – arrendada à empresa Royal Caribbean, e que possui infraestrutura turística de primeiro mundo, recebendo anualmente mais de 100 mil turistas através dos maiores transatlânticos do mundo, tudo isso, já é realidade no dia-a-dia de um novo Haiti.

Você ainda pode ver mais no 1º E-book Turístico do Haiti: http://incasproductions.com/ebook/

Um Haiti real

A realidade das mudanças não tira, ainda, a dureza da vida de maioria da população haitiana. O analfabetismo, o desemprego, as condições de saneamento básico, o acesso aos serviços básicos de saúde e educação ainda estão longe de serem passado. Mas, se não se pode deixar de ver e sentir esta realidade, aquela também já não pode ser mais vista apenas como um sonho.

Um novo Haiti está acontecendo!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Após Mundial, judoca do Haiti vira inspiração: 'Isso não se compra'

globoesporte.com
Por Thierry Gozzer e Raphael Andriolo

Josue Deprez, de 31 anos, começou no esporte aos 14 anos, em uma comunidade pobre do país, e vive há oito nos EUA, onde trabalha e treina


Josue Deprez é um dos principais atletas do Haiti
(Foto: Ernesto Sempoll)

O pequeno corredor pelo qual os judocas tinham que atravessar para deixar a área de luta e seguir para os vestiários do Maracanãzinho era escuro, coberto por uma lona de proteção e cheio de seguranças. Por lá passavam vencedores e derrotados. Alguns rindo, outros chorando. Quem viu Josue Deprez andar por aqueles poucos metros, porém, demorou a decifrar o resultado de sua luta. Mesmo eliminado antes de chegar à finais, o judoca deixou o Mundial do Rio de Janeiro sentindo-se um vencedor.

Aos 31 anos, Josue nasceu no Haiti, país mais pobre das Américas, com 45% da população analfabeta e que em 2010 sofreu um dos maiores terremotos da história, com força de 7 graus na escala Richter, deixando 200 mil mortos, na maior crise já enfrentada pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde que a entidade foi criada. Para ele, estar no Mundial de judô, ao lado dos melhores do mundo, e ter conseguido duas vitórias nas primeiras lutas, foi suficiente para mostrar ao mundo que não há pobreza que consiga acabar com um sonho.

- Muitas coisas tristes estão acontecendo no meu país. Mas somos um povo que sempre consegue se reerguer. Não desistimos. Buscamos novas formas, situações e damos a volta por cima. O país já está sendo reconstruído, recomeçando, e penso que se você corre atrás e persiste, pode começar de novo - disse o judoca.

Exemplo para as crianças do Haiti

Josue nasceu em uma comunidade pobre, próxima à capital Porto Príncipe, e começou no judô aos 14 anos. Em 2005, aos 23, em busca de melhores oportunidades e treinos profissionais, deixou o Haiti. Um ano antes, o exército rebelde tinha tomado o norte do país, espalhando o terror. Recebido em Miami, nos Estados Unidos, Josue queria evoluir e defender sua pátria.

- Fui para os Estados Unidos porque em alguns momentos da sua vida você precisa mudar, buscar novos caminhos, para ter um melhor treino, que não tinha no Haiti, uma melhor vida. Mas o meu país segue no meu coração e sempre irei representar o Haiti.

Josue Deprez gostou da sua participação no Mundial do Rio de Janeiro
(Foto: Thierry Gozzer)

Um dos atletas de maior renome do país, Josue Deprez sabe que sua história de vida é exemplo de superação e vitória para as crianças do Haiti. As "porradas" que levou da vida, como a perda de amigos no terremoto, por exemplo, o mantêm com os pés no chão. Mesmo sendo ídolo para muitos em sua terra-natal, ele quer mesmo é passar a mensagem de que tudo é possível.

- Isso não se compra, você ganha o direito de ter, chegam até você. Eu digo isso sempre para as crianças da vizinhança pobre em que nasci. Minha vida no judô inspira as crianças de lá, inspiram meus parentes, pais, e também o meu país. Eu sou muito orgulhoso disso - garantiu.

Judoca trabalha e treina

Eliminado no Rio, Josue Deprez quer ser exemplo
para crianças do Haiti (Foto: Ernesto Sempoll)

Ao contrário de grande parte dos judocas que disputaram o Mundial do Rio, o haitiano também precisa trabalhar para se manter nos Estados Unidos. Ele criou um clube de judô, onde dá aulas, em sociedade com um brasileiro, responsável pela parte do jiu-jítsu. Só assim consegue pagar as contas no fim do mês.

- Eu também trabalho. Sou profissional, mas tenho outros negócios. Trabalho como empresário e dou aulas de judô. É mais difícil para mim, mas são sacrifícios que você precisa fazer para continuar a ter resultados. Vou trabalhar de manhã e quando volto, pratico o judô. As pessoas depois do trabalho jogam futebol, basquete, e eu pratico judô (risos).

Seu sonho agora é voltar ao Rio de Janeiro em 2016, nas Olimpíadas. Ele já esteve aqui em 2007, nos Jogos Pan-Americanos, quando foi derrotado por Leandro Guilheiro logo no primeiro combate, por ippon.

Apesar da derrota, Deprez sorri ao dar entrevistas 
na zona mista da imprensa (Foto: Thierry Gozzer)

- Definitivamente quero estar no Rio de Janeiro em 2016. Antes, vou dar uma parada, estudar, e depois voltar a treinar forte para estar nos Jogos Olímpicos. Com certeza estarei no Rio de Janeiro.

Duas vitórias no Mundial

Esse ano, ao contrário do Pan-Americano, o judoca venceu as duas primeiras lutas por ippon, na estreia, diante de Caetano Sandango, da Angola, e depois contra o uruguaio Helios Derze, até ser derrotado por ippon pelo ucraniano Serhiy Drebot, dando adeus ao Mundial.

- Foi bom para mim. Estive aqui em 2007, e não tive um bom resultado, perdi na primeira luta. Agora não. Lutei com mais afinco e consegui ir mais longe. Estou feliz por estar no Brasil, porque tenho a torcida do meu lado e vivo uma experiência diferente.

Além do judô, onde compete internacionalmente desde 2005, Deprez também é faixa preta de jiu-jítsu brasileiro.

- Pratico o jiu-jítsu brasileiro, sou faixa preta, inclusive, e treino em um clube brasileiro em Miami. Tenho um clube de judô lá, o "Deprez Judo", e trabalho junto com um brasileiro lá. O nome dele é Guilhermo. É o meu sócio. Eu trabalho com o judô, e ele com o jiu-jítsu. Primeiro eu faço a aula dele e depois ele vem aprender a derrubar as pessoas na minha aula (risos).

Tenista supera tragédias e deixa o Haiti para brilhar no US Open

sportv.com

Victoria Duval, de apenas 17 anos, elimina campeã de 2011 e conquista
o público, após ser refém de assalto e ter o pai soterrado em terremoto

Ser a número 296 no ranking mundial pode não parecer um grande feito. Porém a jovem Victoria Duval, de apenas 17 anos, já tem motivos para se orgulhar. A tenista superou uma infância complicada no Haiti e sobreviveu a um assalto no qual foi refém aos sete anos de idade. Em 2010, após terremoto que matou mais de 315 mil pessoas, ainda teve o pai soterrado por 11 horas.

Depois de tanta superação, Victoria se destacou no US Open, onde conseguiu derrubar a australiana Samantha Stosur, campeã do Grand Slam em 2011 e 11ª do ranking da WTA (assista ao vídeo).

- Este foi apenas mais um torneio, vou continuar trabalhando duro. Eu me saí melhor do que no ano passado. Estou feliz com isso - disse Victoria, depois da eliminação.
Victoria Duval, aos 17 anos, fez história no US Open
(Foto: Reuters)

Nascida nos Estados Unidos, a tenista passou parte da infância no Haiti, mas voltou ao país de origem, onde mora até hoje, após um assalto na casa dos tios, aos sete anos de idade. Porém, a atleta tinha apenas 14 anos quando viveu um dos momentos mais difíceis de sua vida. Seu pai, Jean-Maurice Duval, ficou 11 horas soterrado em escombros após o terremoto. A jovem foi o elo da família e a responsável pela superação da tragédia.

- Ao invés de ser eu quem deveria ser forte nesse momento, ela foi quem nos manteve juntos. Ela me segurou e disse: "Mãe, não se preocupe, vamos sair dessa". Esse é o tipo de pessoa que ela é, sempre muito forte. Ela tem uma vontade muito grande - disse dona Nadine, mãe da tenista.

Aos 17 anos, Victoria Duval conseguiu um feito e tanto. Diante da torcida que lotou o estádio Louis Armstrong, derrubou Samantha Stosur, campeã do Grand Slam em 2011 e 11ª do ranking da WTA. A jovem americana deixou o público em delírio ao vencer a rival em 2 sets a 1, parciais 7/7, 6/4 e 6/4. Na segunda rodada, enfrentou a eslovaca Daniela Hantutchova e não conseguiu se manter na disputa.

Samantha Stosur perdeu para Victória no estádio Louis Armstrong durante o US Open (Foto: AFP)

Ousada desde o início, Victória ganhou ainda mais a simpatia da torcida ao festejar muito seus pontos e não esconder a irritação nas falhas. A jovem recebeu aproximadamente 110 mil reais com o jogo da primeira fase e para o pai, sobrevivente do terremoto, ver a filha brilhar só traz alegrias.

- É uma ótima sensação. É uma explosão de alegria - disse.