sexta-feira, 5 de julho de 2013

Haiti deve receber Unidade de Polícia Pacificadora nos moldes do Rio

G1
Do G1 Rio

Prefeito de Cité Soleil visitou o Conjunto de Favelas do Alemão na quarta.
Processo de implantação da UPP no país deve começar em agosto.

Major Carla Martins e o prefeito de Cité Soleil, no Haiti, Jean Rénold Philippe, na comunidade da Fazendinha
(Foto: Alexandre Pestana/UPP/Divulgação)

O modelo da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), criado pelo governo do Rio, deverá ser implantado no Haiti e a preparação para o processo de pacificação dos chamados "guetos" está previsto para começar em agosto deste ano.

O prefeito de Cité Soleil, no Haiti, Jean Rénold Philippe, visitou o Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, na quarta-feira (3), para conhecer de perto o trabalho desenvolvido nas comunidades, ocupadas desde novembro de 2010.

Recepcionado pela gestora de articulação comunitária das UPPs, major Carla Martins, Philippe foi da estação de Bonsucesso até o alto da comunidade da Fazendinha de teleférico. Lá, recebeu informações sobre o projeto de pacificação, conheceu moradores e até lanchou em um comércio local.

"Ele [Philippe] ficou encantado e está com expectativa de receber esse projeto também. Ele se identificou muito com a nossa realidade que, embora seja diferente, tem algumas semelhanças", disse a major, nesta quinta-feira (4).

Acordo entre países
O acordo de cooperação entre os dois países foi assinado há pouco mais de um mês. De acordo com o coronel Ubiratan Ângelo, ex-comandante-geral da PM, e coordenador de Segurança Humana da ONG Viva Rio, o processo de implantação do projeto deve começar em agosto, com a vinda de policiais haitianos ao Rio, onde vão receber informações sobre a UPP e passarão um curto espaço de tempo em alguma comunidade pacificada – ainda a ser definida – para observarem a rotina de relacionamento dos policiais com moradores.

Em uma outra etapa, policiais militares do Rio devem ir ao Haiti para ajudar na implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora no país. "A intenção é fazer isso tudo ainda este ano. A diferença é que, aqui no Rio, a violência está ligada ao comércio de drogas e disputa entre facções. Lá, a violência está mais relacionada à ausência de políticas sociais", disse o coronel.

Desde 2004, a ONG Viva Rio participa da missão de paz no Haiti, onde desenvolve programas sociais.