sábado, 12 de janeiro de 2013

Pesquisa no Haiti indica melhorias em sáude e educação

Jornal do Brasil - Internacional
Rádio ONU

O Haiti marca, neste sábado, os três anos do terremoto que atingiu o país em 12 de janeiro de 2010. Segundo agências humanitárias, o tremor pode ter matado 280 mil pessoas incluindo 102 funcionários das Nações Unidas.

Uma pesquisa, realizada na ilha caribenha, mostra que nos últimos três anos, o Haiti registrou melhorias nas áreas da saúde, da educação e da nutrição.

Má nutrição

Segundo resultados iniciais do levantamento, apoiado pela ONU, 77% das crianças entre 6 e 11 anos frequentaram a escola no ano passado contra menos de 50% entre 2006 e 2007, data da última pesquisa.
Boina azul da Minustah atende família haitiana

A Pesquisa Demográfica e de Saúde do Haiti, DHS, entrevistou mais de 13 mil lares e constatou que os índices de má nutrição aguda baixaram pela metade de 10% para 5%.

O impacto do terremoto sobre as crianças, nos últimos três anos, também foi controlado assim como o surto de cólera que ocorreu antes do tremor. A afirmação é do representante do Unicef no Haiti, Edouard Beigbeder.

Acampamentos

De acordo com as Nações Unidas, grande parte dos avanços se deve aos esforços dos parceiros do Haiti e da comunidade internacional.

O terremoto deixou 1,5 milhão de pessoas desabrigadas. Deste total, menos de 400 mil continuam vivendo em acampamentos.

A pesquisa revelou ainda que as taxas de mortalidade infantil, de menores de cinco anos de idade, estão caindo nos últimos 15 anos. Agora são 88 óbitos para mil nascimentos vivos. Entre 1997 e 2001, o número era de 112.

Haiti falha em conduzir reconstrução pós tremor, diz embaixador do Brasil

G1 - notícias em Mundo

Ao G1, diplomata vê falta de estrutura para usar dinheiro de forma eficiente.
Presidente haitiano pediu a Dilma que evite 'grande retirada' de militares.

Tahiane StocheroDo G1, em São Paulo


Três anos após o terremoto que deixou 300 mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados, o Haiti tem dificuldades de coordenar a reconstrução do país devido à fragilidade institucional. Em entrevista exclusiva ao G1, o embaixador brasileiro em Porto Príncipe, José Luiz Machado e Costa, afirma que grande parte dos recursos prometidos pela comunidade internacional na época do desastre acabou não sendo repassado porque, muitas vezes, os doadores alegam falta de transparência na aplicação do dinheiro.


"O governo tem dificuldade de coordenar de maneira eficiente a ajuda externa. Não há estrutura suficiente e o país não tem conseguido. O processo também foi prejudicado por desastres recentes, como furacões, chuvas e epidemias, que fizeram os recursos serem canalizados para outros fins", diz Machado e Costa.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que, desde a tragédia, países e organizações internacionais desembolsaram US$ 5,78 bilhões (R$ 11,3 bilhões) para a ajuda humanitária e a reconstrução do Haiti. Deste total, segundo o relatório, 10% "se perdeu nos sistemas governamentais" e apenas 46,7% foram realmente empregados.

O G1 questionou a assessoria da presidência haitiana sobre o tema, mas até a publicação desta reportagem não recebeu resposta.

Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de 7 graus na escala Richter foi registrado às 16h53 do horário local (19h53 na hora de Brasília). Entre os mortos estão 21 brasileiros: 18 militares, o diplomata Luiz Carlos da Costa, que era vice-representante do Secretário-Geral da ONU no Haiti, a médica Zilda Arns e outra mulher, que tinha dupla cidadania. O terremoto principal foi seguido de vários tremores de menor impacto, gerando medo e tensão entre a população.

Em março de 2010, dois meses após a tragédia, as promessas de doação chegaram a somar US$ 9,9 bilhões (R$ 20,09 bilhões). Também foram garantidos, em forma de perdão de dívidas do país, outros US$ 2,5 bilhões (R$ 5,075 bilhões).

Com o passar do tempo, no entanto, ofertas foram sendo retiradas. Alguns países, entre eles Canadá e Estados Unidos, alegaram que não há garantias de que o dinheiro chegará a quem precisa. Outros exigiram destinação certa para as verbas, como a aplicação na construção de casas ou de escolas em determinada área, medida que nem sempre é atendida pelo governo haitiano.

Apesar de mais de 80% dos destroços terem sido removidos das ruas, 390 mil desabrigados pelo terremoto ainda vivem em 575 grandes campos de tendas. Sistemas de telefonia fixa, saneamento, recolhimento de lixo e infraestrutura funcionam de maneira incipiente. A falta de eletricidade é reclamação comum da população. Tanto a presidência haitiana quanto a ONU, que mantém desde 2004 uma missão de paz no país liderada pelo Brasil, despacham de espaços provisórios após a destruição total de suas sedes.

"Já percebemos mudanças marcantes nas ruas. Não há tantos escombros, 80% dos destroços já foram removidos e houve evolução na situação de segurança – as tropas da ONU têm uma atuação bem mais discreta", afirma o diplomata brasileiro.

Além disso, a ausência de sistemas econômico e judiciário organizados também impedem investimentos externos e fazem com que mais de 50% da população não tenha emprego formal.

O governo tem dificuldade de coordenar de maneira eficiente a ajuda externa. Não há estrutura suficiente e o país não tem conseguido. O processo também foi prejudicado por desastres recentes, como furacões, chuvas e epidemias" - José Luiz Machado e Costa, embaixador do Brasil no Haiti.

Campo de deslocados Jean Marie Vincent, periferia de Porto Príncipe, para onde foram levados muitos haitianos que perderam suas casas com terremoto de janeiro de 2010 (Foto: Renato Machado/G1)

"Os investimentos começam a chegar – no fim de 2012 foi inaugurado o primeiro hotel cinco estrelas e também um polo industrial têxtil que contou com a presença da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Mas ainda falta muito. O grande objetivo é manter a estabilidade política que permita o surgimento de uma economia forte, criando empregos e gerando desenvolvimento", diz Machado e Costa.

"Na verdade há um certo problema em relação à maturação da sociedade para que este [desenvolvimento] ocorra de forma concreta e com velocidade. A competitividade local baixa, a baixa qualidade da mão de obra disponível, a precária rede de infraestrutura – com rodovias, portos e sistema elétrico precários – e a ausência de segurança jurídica ainda afugentam o investidor", completa o embaixador.

Fundo para Reconstrução
Com apoio do Banco Mundial, um mecanismo denominado "Fundo para Reconstrução do Haiti" foi criado logo após o desastre para coordenar a ajuda externa e "assumir, aos poucos, a responsabilidade de administrar" o trabalho com idoneidade.

Até o fim de 2012, 19 países haviam repassado US$ 381,05 milhões (R$ 773 milhões) através do fundo, entre eles o Brasil, que doou US$ 55 milhões. Mas em quase três anos, 31% dos recursos ainda não foram alocados e os outros 69% foram destinados a projetos que estão apenas começando a sair do papel.

O prometido inicial era de US$ 579 milhões, mas os valores foram sendo reduzidos e quatro países desistiram de ajudar. Outros contribuintes preferem repassar o dinheiro diretamente a ONGs que atuam no país.

"Há milhares de ONGs no Haiti trabalhando sem coordenação. Não há cadastro, ninguém sabe quantas são e se acumulam ações", afirma Machado e Costa. O modo de atuação e as auditorias realizadas pela ONU, por agências de cooperação e por ONGs seguem padrões variados que impossibilitam a verificação da aplicação do dinheiro. "A pulverização dos recursos, portanto, acabou dificultando o controle e a transparência do processo", completa o diplomata.
O principal fator que fez que grande parte dos recursos não fosse alocado é a instabilidade política. E isso ainda vai levar tempo" - Josef Leitmann, diretor do Fundo para Reconstrução do Haiti.

Criança haitiana recebe material escolar de verba doada para reconstrução (Foto: HRF/Divulgação)

Dinheiro parado
Josef Leitmann, diretor do Fundo para Reconstrução do Haiti capitaneado pelo Banco Mundial, explica ao G1 que, desde que uma comissão do governo que aprovava os projetos foi extinta, em outubro de 2011, o processo de destinação dos recursos está parado.

Isso porque, para que o dinheiro seja direcionado a projetos, é necessária a aprovação do Ministério do Planejamento e também de um conselho formado pelo primeiro-ministro e por todos os ministros haitianos.

Entre janeiro e julho de 2012, a falta de consenso político deixou o país sem primeiro-ministro. Só na última terça-feira (8), o fundo recebeu do novo governo formado as diretrizes e demandas de aplicação. "Infelizmente, o trâmite é bem burocrático e foi uma proposta do governo mesmo. Temos que respeitar a vontade do governo haitiano e, por isso, há 15 meses a avocação dos investimentos está parada", diz Leitmann.

"O principal fator que fez que grande parte dos recursos não fosse alocado é a instabilidade política. E isso ainda vai levar tempo. Nosso objetivo é atuar onde há vácuo ou lacuna setorial. Todo doador quer que o dinheiro vá para educação e saúde, ninguém quer gastar com entulho ou lixo, o que é fundamental", afirma.

Até o momento a verba foi alocada para 17 projetos de contenção de rios, prevenção de desastres, reciclagem, agricultura, entre outros. Segundo o diretor do fundo, o governo "não tem capacidade de fiscalizar e cadastrar" todas as milhares de ONGs que atuam no terreno e recebem capital externo.

Papel do Haiti
Para o embaixador do Brasil no país, "os próprios haitianos precisam fazer a parte deles e assumir aos poucos a responsabilidade". "Estamos falando de um país soberano, é difícil coordenar as finanças, não se pode fazer intervenções. Os países doadores precisam ter certeza que o dinheiro vai ser usado corretamente e isso não está funcionando. Muitos recursos não chegam nos projetos que deveriam ou nem são distribuídos", diz José Luiz Machado e Costa.

O governo haitiano argumenta que, quando a ajuda chega à margem do Estado, é difícil garantir que as prioridades sejam atendidas e controlar a aplicação, diz o diplomata.

No Boulevard Jean-Jacques Dessaline, no centro de Porto Príncipe, ainda é possível ver prédios demolidos ou inclinados três anos após o terremoto que deixou 300 mil mortos no país (Foto: Renato Machado/G1)

Haiti pede que Brasil não retire tropas
O ano de 2013 é considerado crucial: serão realizadas eleições municipais para prefeito e vereador, além da escolha de um terço da composição do Senado haitiano.

"Quem conhece o Haiti sabe que o período eleitoral normalmente é conturbado, com disputas políticas e instabilidade. Este ano está se mostrando surpreendente a capacidade do governo em negociar com os diversos grupos políticos. E a negociação aqui não é algo cultural, há uma certa intransigência e é necessário criar um conselho eleitoral para gerir as normas do pleito, e o governo está tentando solucionar este impasse", relata o embaixador brasileiro.
A presidente [Dilma Rousseff] assegurou que a participação do Brasil continuará conforme os critérios da ONU, que está prevendo que a missão de paz termine em 2016" - José Luiz Machado e Costa, embaixador do Brasil no Haiti.

Lixo acumulado na rua é problema comum desde 2010 no Haiti (Foto: Foto: Tahiane Stochero/G1)

"O Haiti precisa de ajuda, e não poderíamos estar alheios ao drama humano vivenciado em um país do nosso entorno regional, que em muitos aspectos se parece ao Brasil" - José Luiz Machado e Costa, embaixador do Brasil no Haiti.

Temendo aumento da violência e de protestos no período, o presidente haitiano, Michel Martelly, enviou à presidente Dilma Rousseff uma carta pedindo que o Brasil não faça uma "grande retirada" de tropas da missão da ONU. Atualmente, dois mil soldados brasileiros participam da missão. A partir de maio de 2013, está programada a saída de 700 deles, conforme cronograma estabelecido pela ONU.

"Há poucos meses, milhares de ex-soldados haitianos saíram às ruas protestando com armas porque o Martelly prometeu a recriação do Exército, abrindo uma celeuma. O Haiti não tem Forças Armadas desde que o ex-presidente Jean Bertran-Aristides as dissolveu, em 2000, após um histórico de golpes de estado. Houve temor de confronto entre estes ex-soldados e a Polícia Nacional Haitiana (PNH) e as tropas da ONU, mas tudo acabou bem", explica o diplomata.

O custo para recriação do Exército ficaria em R$ 284 milhões, e os países que apoiam financeiramente o governo não aceitaram colaborar, argumentando que há outras prioridades.

Carta para Dilma
"Ao enviar a carta para Dilma, Martelly temia que houvesse uma retirada abrupta dos soldados brasileiros que poderia expor uma fragilidade na área da segurança e gerar instabilidade no país no período eleitoral. A presidente assegurou que a participação do Brasil continuará conforme os critérios da ONU, que está prevendo que a missão de paz termine em 2016", afirma o embaixador.

No prazo de três anos, a operação internacional de manutenção de paz no Haiti retiraria os soldados armados e se transformaria em uma "missão de construção da paz" para apoiar o Estado no fortalecimento de instituições e na geração de desenvolvimento.

"O Brasil vai continuar ajudando o Haiti com o que puder. Nas eleições, o Itamaraty está verificando com o Tribunal Superior Eleitoral a possibilidade de ajudar com urnas eletrônicas. Seria um teste para implantar totalmente o sistema futuramente. Ou também podemos enviar observadores ou apoiar com ajuda financeira. Nos interessa que o pleito ocorra de forma democrática", salienta José Luiz Machado e Costa.

"O Haiti precisa de uma economia que funcione, precisa urgentemente criar empregos e infraestrutura para que possa se desenvolver. Não podemos aceitar que um país na nossa região esteja enfrentando este problema sem nos envolver, pautados pela solidariedade", acrescenta o diplomata. "O Haiti precisa de ajuda, e não poderíamos estar alheios ao drama humano vivenciado em um país do nosso entorno regional, que em muitos aspectos se parece ao Brasil".

Artesãos prosperam no Haiti três anos após terremoto

Mundo - iG
AP | 12/01/2013 05:00:43
Por Martha Mendoza e Trenton Daniel

Indústria artesanal de país devastado por tremor de 2010 desfruta de impulso de grupos de defesa que ajudam a organizar os funcionários e melhorar a qualidade do trabalho

O cheiro de verniz invade o ar à medida que um grupo de mulheres e homens corta e prepara a madeira para produzir tigelas destinadas a lojas de departamentos dos EUA. Em outras oficinas haitianas, vasos com lantejoulas rosas, verdes e azuis aguardam ser comprados, assim como libélulas recortadas de tambores de aço reciclado.

Dois vendedores haitianos se abrigam do calor em prédio danificado pelo terremoto de 2010 no centro de Porto Príncipe (09/01)


Três anos depois de um terremoto devastador , ainda é preciso haver muita melhora econômica nesse pobre país caribenho, mas um pequeno nicho obteve um grande avanço: o artesanato.

A indústria artesanal desfruta de um impulso de grupos de defesa que ajudam a organizar os funcionários e melhorar a qualidade do trabalho. Grandes varejistas como Macy’s e a Anthropologie e três designers de luxo estão entre aqueles que trabalham com pelo menos cinco grupos para exportar artesanato haitiano.

"Notamos um aumento nas (nossas) vendas logo após o desastre", disse Michele Loeper, uma porta-voz da Ten Thousand Villages, uma das poucas varejistas dos EUA que compravam artesanato haitiano antes do terremoto. "De certa forma, foi a nossa maneira de fornecer o auxílio necessário para o país."

O número de artesãos aumentou e mais oficinas foram abertas ao redor de todo o Haiti, graças a uma injeção de mais de US$ 3 milhões de grupos como o Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Clinton Bush Haiti Fund, organização sem fins lucrativos criada pelos ex-presidentes dos Estados Unidos Bill Clinton (1993-2001) e George W. Bush (2001-2009).

O número de artesãos empregados aumentou de 450 em setembro de 2011 para 2,1 mil em julho de 2012, de acordo com o Business Network Artisan, um grupo de defesa recém-formado com base em Porto Príncipe, Haiti.

Mas, em geral, cerca de 400 mil haitianos estão envolvidos em pelo menos algum tipo de trabalho artesanal, com cerca de 1 milhão dependendo de produtores artesanais, de acordo com um relatório de 2010 financiado pelo grupo canadense de Brandaid e pelo americano Internacional CHF (conhecido como Global Communities), que contribui para ajudar com o desenvolvimento sustentável.

"Queremos que as pessoas comprem do Haiti não por que têm pena dos haitianos, mas por que o produto é bem feito, o preço é bom e é algo que eles podem usar", disse Nathalie Tancrede, cofundadora da rede de negócios dos Artesãos.

Os lucros arrecadados pelos artesãos do Haiti se encaixam em uma tendência mais ampla chamada de "moda ética", na qual pequenas empresas empregam artesãos em países em desenvolvimento para produzir um tipo de produto com desenhos feitos à mão para os consumidores socialmente conscientes.

Não há números exatos sobre quanto o setor de artesanato do Haiti contribui para suas exportações, mas ele está muito atrás das roupas. O setor de vestuário representou 93% dos US$ 768 milhões de exportações do Haiti arrecadados no ano passado, valor que ultrapassou os US$ 563 milhões no ano do terremoto, segundo o Banco Central do Haiti.

Residentes do campo de Jean-Marie Vincent, montado para abrigar desalojados pelo terremoto de 2010, esperam por compradores para seus produtos em Porto Príncipe (09/01)


O custo no Haiti pode parecer distante do custo do mesmo artesanato comercializado em uma loja nos EUA, onde o preço final é maior por causa dos gastos com transporte, estocagem, marketing e outros.

O artesão Felix Calixte disse que ganha US$ 6,5 para uma moldura de metal em um estilo semelhante ao que está à venda na Macy’s por cerca de US$ 40. Ainda assim, Calixte pode fazer três em um dia ganhando quase US$ 20, cinco vezes o valor da renda mínima diária no Haiti.

No distrito de Carrefour, um empresário curiosamente chamado Einstein Albert se inclina sobre os trabalhadores para inspecionar o processo final da construção das tigelas de madeira.

"Quando pensamos em Cuba, eles têm seus charutos. A Colômbia tem o café", disse Albert. "Se o Haiti tem uma imagem para vender e pode competir no Caribe, oferecer algo ou criar mais emprego, o fará por meio do setor de artesanato."

Cada tigela leva seis semanas para ser esculpida, lixada e selada com 13 camadas de verniz. Elas foram vendidas em lojas selecionadas da Macy’s por US$ 75 cada e por sites americanos de artesanato, juntamente com alguns hotéis de luxo em Porto Príncipe frequentados por trabalhadores humanitários, diplomatas e empreiteiros.

"As pessoas dizem que minha família acertou em cheio quando me chamaram de Einstein pois nós fornecemos produtos de qualidade", disse.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Turismo: Todos os caminhos levam ao Haiti « Notícias do Haiti

Turismo - Notícias do Haiti

Primeiro país a abolir a escravidão nas Américas. Exemplo de luta. Para desmistificar a imagem negativa que constroem sobre ele, temos que conhecê-lo.

Pouco a pouco, as cidades vão recuperando a normalidade e os lugares que albergavam certa atividade social e cultural voltam a vibrar


Por Adrian R. Morales | Foto Claudia Veras | Edição 0011 da revista SDQ

Porto Príncipe

A capital haitiana não descansa, é um fervedouro de gente que vai de um lado para o outro, no estilo de outras capitais como Nova Deli ou Bangkok, mas com sabor de Caribe, com dias de sol forte e noites escuras com luzes tênues que provêm dos vendedores ambulantes. O sorriso de seus habitantes é contagioso, assim como a intensidade da vida cotidiana. A simples vista ressalta um peculiar e colorido modelo de transporte público, o tap tap, batizado assim pelo barulho de seu motor. A cidade supera um milhão de habitantes e se expande às alturas.

Outra atração popular é o Barbancourt Rum Distillery, em funcionamento desde 1765, nas aforas de Porto Príncipe. Interessante é a lenda do Castelo de Barbancourt, do fabricante de perfumes alemão Rudolph Linge e de sua esposa Jane Babancourt. O desenho da moradia está baseado no castelo do filme Cinderela, do Walt Disney. O edifício agora é um monumento a Linge, que faleceu em 1991.

Afastando-se do centro, se dirige ao bairro administrativo, no qual se destaca o Palácio Nacional – réplica do Petit Palais de Versalhes –, que foi seriamente danificado pelo terremoto. Na Esplanada dos Heróis da Independência estão exibidas as estátuas dos fundadores do Haiti, mas a mais amada pelo povo é a do Marron Inconnu, o escravo rebelde, símbolo dos levantamentos contra as opressões.

O Palácio Nacional está rodeado pela praça Champ de Mars, salpicada de edifícios construídos nos anos 30. Nela se encontra o Museu de Arte do Panteão Nacional, a Casa Defly – construção do início do século XX – e a Catedral da Santa Trindade. Atrás da Champ de Mars, está o Bois Verna, bairro aristocrático da cidade até os anos 50. Em Pacot, encontramos um paraíso de casas “gingerbread”. Delas, a Casa Cordasco e Peabody são as mais representativas. Do alto da montanha de Boutilliers, as vistas de Porto Príncipe e dos pores do sol não podem ser melhores.

Dizimado por um incêndio em 2008 e destruído pelo terremoto de 2010, o Marche-en-Fer (Mercado de Ferro) volta a exibir toda sua grandeza graças a uma reconstrução propiciada pelo escritório londrino de arquitetos John McAslan + Partners. O icônico lugar de Porto Príncipe foi construído na década de 1890, em Paris. Inicialmente, estava destinado a ser parte de uma estação ferroviária no Cairo, mas o presidente haitiano Florvil Hyppolite o adquiriu quando o acordo egípcio não se concretizou.

Esta colméia de atividade comercial reúne a uns 900 homens e mulheres trabalhadores que representam o motor econômico de muitas famílias e se dedicam à venta de artesanatos, frutas, hortaliças, produtos de beleza e higiene.

Entre os principais hotéis de Porto Príncipe estão o Villa Creole, El Rancho, Kinam, Le Doux Sejour, La Reserve e Vue La Montagne Lodge.

Pétionville

É quase imperceptível quando deixamos de estar em Porto Príncipe e nos encontramos em Pétionville. Como turista é difícil percebê-lo, mas talvez nos demos conta quando começamos a descer e chegamos a uma vizinhança mais residencial que encanta por suas flores, luxuosas vilas, elegantes restaurantes, discotecas e hotéis maior porte. O parque principal é o São Pedro, onde se encontra uma igreja de mesmo nome. Uma grande fonte de água dá vida ao local e é um convite à permanência. Na Catedral da Santa Trindade, o visitante pode observar murais bíblicos que descrevem a eclosão da arte naif nos anos 40.

Pétionville, a somente 15 minutos do centro, é um dos lugares mais visitados do país por turistas locais e estrangeiros. Esta comunidade evoca a dominação francesa e revela parte da história do Haiti. Aqui se respira arte entre tantos museus e galerias a escolha. Localizada em uma colina a 450 metros do nível do mar, oferece uma impressionante vista dos arredores. Muitos turistas preferem se hospedar neste distrito de luxo por seus restaurantes modernos, lojas de moda e casas noturnas. A maioria das embaixadas tem sua sede aqui.

Entre os lugares de hospedagem de Pétionville estão os hotéis Plaza (antigo Holiday Inn), Hibdelé, Karibe e Bambú, um hotel boutique de luxo de apenas sete quartos, que atrai hóspedes como o ex-presidente dos Eua, Bill Clinton.

Jacmel

Antes do terremoto, Jacmel era uma das cidades mais prósperas do Haiti, com consideráveis atrações turísticas, incluindo seu famoso carnaval, colorido com máscaras de papel machê. O belo município portuário, a cerca de 40 quilômetros ao sul de Porto Príncipe, tinha una população estimada em 40 mil habitantes. Mas os enormes estragos causados pelo forte tremor não apagaram seu encanto de cidade colonial.

Saindo da capital por sua porta ao sul, começa o caminho que dirige a Jacmel. Fundada como cidade em 1698 pelos espanhóis, o local era chamado de Yaquimel pelos tainos, povo originário da região, dizimado após a chegada dos europeus. Após atravessar belas paisagens montanhosas, chega-se à majestosa baía que dá nome à cidade, uma diminuta pérola que parece se encolher entre o mar as alturas, mantendo o esplendor que a caracterizou séculos atrás.

Ainda hoje é possível apreciar suas casas com varandas de ferro fundido que denunciam o passado colonial, na época em que o comércio do café viveu sua idade de ouro. Hoje é uma pequena comunidade de artistas haitianos, europeus e norte-americanos.

A atual reconstrução inclui grandes projetos turísticos que vão dar um ar mais moderno – sem perder seu caráter afrancesado –, com ruas exclusivas para pedestres, restaurantes, hotéis pequenos, lojas de artesanatos e galerias de arte.

O Hotel Florita é um dos lugares emblemáticos de Jacmel. Este edifício de quatro andares em madeira e pedra, de cor branca e azul celeste, oferece o típico ar de casa colonial. Sofreu graves estragos com o terremoto, principalmente nas paredes laterais que tiveram que ser restauradas. Entrar em seu enorme lobby – que também funciona como galeria de arte – nos transporta no tempo. É difícil esquecer seu pátio colônia, que parece um cenário de romance. Outro de seus atrativos arquitetônicos é sua elegante escada, na qual famosos estilistas como Donna Karan realizaram sessões de fotos para suas coleções.

Kenscoff

É um lugar de veraneio, nas montanhas, a 25 minutos de Pétionville. Depois do terremoto, cada vez mais pessoas fizeram deste local, que não sofreu estragos, sua residência permanente. A zona é cheia de plantações agrícolas devido ao seu clima e possui um mercado de frutas colhidas na zona.

Nas imediações estão os fortes Jacques e Alexandre, construídos no período colonial contra os ataques de franceses e piratas. Um túnel subterrâneo e cavernas secretas formam parte da fortificação, vista de Pétionville. Do Jacques, pode-se ver o maior lago do país, o Lago Azuei, também conhecido como Etang Saumâtre. Com águas intensamente azuis rodeadas de cactos, é o maior lago do país e hábitat de mais de 100 espécies de aves aquáticas, tartarugas, iguanas, crocodilos, flamingos e outros animais.

O hotel mais conhecido é o Fleurville, de grande tradição dominical e famoso por seu delicioso coquetel de rum. Muitos habitantes de Pétionville e Porto Príncipe passam o dia em família no local.

Cap-Haïtien

Cap-Haïtien, segunda cidade mais importante do Haiti e centro econômico do norte do país, não sofreu danos com o terremoto. Com verdes margens banhadas pelo Atlântico, este maravilhoso destino combina centros históricos tanto desta cidade como de Fort Liberté, as ruínas do palácio de Sans Souci e a fortaleza de La Citadelle, com a espetacular baía de Labadie.

A que antigamente foi capital da colônia – e que também foi chamada de Paris do Novo Mundo – é hoje uma pequena e pitoresca cidade portuária, cheia de vitalidade e gente amável. Os casarões conservam seu encanto e o traçado urbano remete ao século XIX, época do rei Christophe. O visitante também poderá contemplar o ponto onde Cristovam Colombo ancorou seus navios em 21 de dezembro de 1492, em sua primeira viagem ao novo mundo.

Os quadros naif da famosa Escola de Cap-Haïtien são uma boa opção de suvenires.

Perto de Cap-Haïtien se encontram as praias de Cormier e Labadie. Esta última, localizada em uma faixa de terra no isolado Pointe St. Honoré, é um paraíso tropical ideal para atividades aquáticas como nadar e mergulhar. O acesso ao local é exclusivamente por barcos. Também é possível viajar à ilha Tortuga, antiga capital de piratas e corsários no Caribe.

Os principais hotéis de Cap-Haïtien são o Mont-Jolie e o Roi Cristophe, localizados frente ao mar. Há outras opções de similar encanto, como o Cormier Plage e o Auberge au Picolet.

Sul

A zona sul do Haiti possui mais águas e terras mais ricas e mais verdes, ao contrário do norte que é mais desértico. O sul é um destino estupendo para quem procura beleza de românticas praias virgens, de areias brancas e água cristalina, como as da Île à Vache (Ilha da Vaca).

No sul também está Port Salut, que além de lindas praias conta com as maravilhosas covas de Marie Jeanne, um antigo refúgio dos tainos, em Port-a-Piment. Este labirinto espeleológico é o maior já descoberto no Haiti, com cinco quilômetros de comprimento e uma galeria de três níveis. Acompanhados de um guia, um bom trecho pode ser explorado em quatro ou cinco horas, para apreciar suas incríveis estalagmites e estalactites.

Do ponto onde se estaciona o transporte até a entrada do local, há um percurso a pé de pouco mais de um quilômetro. A majestosa vista das covas Marie Jeanne faz com que o visitante não pense no terreno escarpado. O guia explica como o lugar foi sendo adaptado para se tornar uma atração turística e que há séculos as covas estavam cobertas pelo mar.

Entre as figuras impressionantes formadas pelas rochas, uma se destaca, por parecer um mamute justo na entrada da primeira câmara subterrânea. Somente dois dos três níveis são abertos ao público. O acesso ao terceiro está reservado para escaladores experientes e uma equipe de pesquisadores e conservadores.

É na comuna de Île à Vache onde se localizam os hotéis boutique Port Morgan (de donos franceses) e Abaka Bay Resort (de donos haitianos).

La Citadelle

La Citadelle La Ferrière, chamada assim pelo engenheiro que a projetou, constitui não só o maior edifício militar do Novo Mundo, como tambén a oitava maravilha do mundo moderno, segundo não poucos especialistas, como Frantz Large Nader, membro da Associação Internacional de Críticos de Arte.

A inexpugnável fortaleza, com aparência de barco de guerra que se sobressai entre as nuvens, se projeta no alto de Pic La Laferrière, a 900 metros de altura, sobre as planícies do norte do Haiti. Algumas pessoas garantem que dali é possível observar a costa leste de Cuba em um dia claro.

Cerca de 20 mil pessoas se encarregaram de erguê-la entre 1805 e 1820 por ordens do rei Henri Christophe – auto-proclamado rei Henry I do Haiti–, como parte de um sistema de fortificações criado para manter a recém ganha independência, contra novos ataques da França.

Para unir as pedras com as quais se construiu a fortaleza, foi utilizada uma mistura de cal, melaço e sangue de vacas e bodes, que eram sacrificados derramando seu sangue nas paredes em construção, supostamente para que os espíritos e deuses da religião vodu dessem poder e proteção à estrutura.

A visita às ruínas permite contemplar os 365 canhões – o mesmo número de portas do Palácio de Sans-Souci –, os quartéis, a galeria do rei e a galeria da rainha, uma prova de que no caso de uma invasão francesa, o rei haitiano planejava utilizar a fortaleza como abrigo. A subida à Citadelle deve ser feita bem cedo, já que o sol forte torna a excursão mais difícil, dando a impressão de ser uma subida quase vertical.

Dados práticos para o turista

Como chegar:

O principal aeroporto é o Toussaint Louverture, em Porto Príncipe, onde aterrissam vôos da Air France, American Airlines e Copa Airlines, entre outras. Outra opção é ir de ônibus, a partir da República Dominicana. As companhias Caribe Tours e Terra Bus viajam entre as capitais dos dois países. Algumas levam de Santo Domingo, capital dominicana a Cap-Haïtien.

Transporte

No aeroporto há táxis durante todo o dia. As principais agências de viagens oferecem serviços de micro-ônibus com ar condicionado. Para se transportar pela cidade, é possível combinar de antemão com um taxista. O transporte mais barato e típico é o tap tap. Alugar um carro é outra possibilidade, para quem possui carteira de motorista internacional. Importantes empresas de aluguéis de carro possuem escritórios em Porto Príncipe, como a Secom (www.secomhaiti.com).

Moeda

A moeda oficial é o Gourde haitiano (HTG). É recomendável levar dólares americanos, que são aceitáveis e podem ser trocados em todo o país. Um dólar equivale a cerca de 41 gourdes. Somente alguns bancos trabalham com câmbio de outras moedas estrangeiras.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

No Haiti, 500 mil pessoas precisam de ajuda e mais de 81 mil sofrem de desnutrição, diz ONU

Agência Brasil


Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil


Brasília - A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (cuja sigla em inglês é Minustah), da Organização das Nações Unidas (ONU), informou que mais de 500 mil pessoas no país necessitam de “ajuda imediata”. Segundo o cálculo, pelo menos 81,6 mil pessoas sofrem de desnutrição imediata, inclusive crianças. Após o terremoto de janeiro de 2010, a situação no país se agravou, segundo a ONU, com as tempestades Isaac e Sandy.

Pelas autoridades da ONU, a insegurança alimentar afeta 2,1 milhões de haitianos. Para a Minustah, é fundamental investir US$ 144 milhões no Haiti. Das 81,6 mil pessoas que sofrem de desnutrição, 20 mil estão em situação considerada aguda com risco de morte.

Atualmente 358 mil pessoas vivem em abrigos. A Minustah alertou sofre a frequência de surtos de cólera.

Para a ONU, o governo do Haiti não tem condições de resolver sozinho, sem ajuda externa, a precariedade das condições de vida no país.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa.

Edição: Talita Cavalcante