sábado, 7 de dezembro de 2013

Invocação e Vocação Ministerial

Por João Pedro Gonçalves Araújo


“Rogai ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”, Lc 10.2


Os evangelhos sinóticos parecem ser unânimes em mostrar que a vocação ministerial precede o próprio exercício do ministério. Antes de qualquer milagre, pregação ou ensino público, Jesus chamou homens para ajudá-lo. As vocações, outrossim, continuaram ao longo da vida de Cristo. Uma certa feita ele enviou setenta desses discípulos para uma missão de pregação, curas e libertação.

Não é sempre que atentamos para esses contínuos chamados. Parece, no entanto, que eles continuaram até perto da morte de Jesus. Nos últimos meses entre os homens, Jesus travou diálogos com alguns que alegaram algumas dificuldades em segui-lo. No entanto, ele os desafiou a segui-lo, e, mais que isso, pregar o evangelho. Quantos, então, Jesus chamou? Não sabemos. Mais de cem, certamente. Depois da sua morte, a comunidade dos discípulos já chegava a cento e vinte. Cleopas, José Barsabás e Matias são alguns dessa comunidade ampliada dos vocacionados. Mesmo depois de morto, continuou a chamar e vocacionar pessoas. Como não lembrar de Saulo?

Mas Jesus não apenas chamou. Ele mandou que os discípulos chamassem outros; mandou que orassem pedindo que Deus mandasse mais e mais obreiros. O que ele fez, queria que seus discípulos fizessem. Os discípulos levaram a sério o exemplo e o mandado. Naturalmente o leitor lembrou das duplas Moisés e Josué, Elias e Eliseu, numa referência ao AT. No NT, Pedro e André, Felipe e Natanael são exemplos de discípulos que chamam outros. Já bem cedo na história da Igreja, Marcos, Barnabé, Estêvão, Filipe, Tiago, Judas e Silas são citados como pregadores e auxiliares, exercendo diferentes dons e até mesmo realizando milagres.

De todos os seguidores, parece, ninguém foi mais pródigo a vocacionar tantas pessoas quanto Paulo. Mais de sessenta obreiros e cooperadores são citados nas suas cartas. Sabe-se que ele pessoalmente consagrava obreiros nas igrejas que fundava, além de enviar seus cooperadores mais próximos a que fizessem o mesmo nas novas igrejas, quer as tenha fundado ou não. Paulo era um vocacionado. Ele vocacionava outras pessoas. Ele encarregava a que seus vocacionados vocacionassem novos obreiros.

A partir do ministério e mandato de Jesus e o que foi praticado no ministério dos seus seguidores, pode-se pensar no seguinte princípio: tão prioritário quanto o exercício ministerial é a vocação e a invocação por novos obreiros. Outro princípio igualmente importante: a vocação e invocação por novos obreiros é melhormente feito por quem está envolvido diretamente no ministério. O exercício do ministério pessoal, a oração e a invocação a que Deus vocacione novos obreiros são parte de uma mesma tarefa. Só quem realmente está engajado na obra do ministério sabe o privilégio de tal tarefa e sente a necessidade de que muito mais pessoas se engajem profundamente na mesma tarefa.

A tarefa de missões, tão cara aos batistas, só pode ser completamente cumprida se, ao mesmo tempo em que se cumpre o ide, a invocação da vocação seja igual e simultaneamente cumpridas. A invocação pela vocação e o exercício da vocação são igualmente mandatos de Jesus, dois lados de uma mesma moeda, duas pernas de um mesmo corpo, duas ações de uma mesma tarefa. Missão sem vocação cria um déficit de obreiros. Vocação sem missão cria um inchaço de obreiros.

Tão importante quanto invocar por novos obreiros é vocacionar ou ajudar a despertar novas vocações. Além dessas duas tarefas, há uma outra associada: a preparação para o ministério dos vocacionados. É contraditório que vocacionados orem e chamem novos vocacionados e estes sejam preparados por quem não está, de alguma forma, engajado em tais tarefas, ou no mesmo “clima”. Tão importante quanto invocar e ajudar a despertar novas vocações é a tarefa de preparar os vocacionados. Invocar e despertar novas vocações são tarefas de vocacionados e engajados no ministério da Palavra. Porquê, então, esperaríamos que fosse diferente?

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Pr. João Pedro é o pastor titular da Igreja Batista no Lago Sul, em Brasília/DF, graduado em Filosofia e Teologia, Mestre em Ciências da Religião e Doutor em Sociologia.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

República Dominicana retira embaixador do Haiti

G1

Haiti ajudou a adiar entrada dos dominicanos no Caricom.
Motivo é conflito migratório entre os países vizinhos.


Da AFP



O governo da República Dominicana convocou na quarta-feira (27) para consultas seu embaixador no Haiti, após a participação de Porto Príncipe na decisão do Mercado Comum Caribenho (Caricom) de adiar a entrada de Santo Domingo.

O governo dominicano também cancelou um encontro com representantes haitianos previsto para sábado em Caracas.

"Nos vemos na obrigação de convocar para consultas nosso embaixador no Haiti para tratar deste tema com cuidado que merece", disse o vice-chanceler José Manuel Trullols ao embaixador haitiano em Santo Domingo, Fritz Cineas, segundo um comunicado do ministério das Relações Exteriores.

"O governo da República Dominicana está altamente preocupado com o desconhecimento demonstrado pelo governo haitiano da Declaração Conjunta assinada pelos dois países na semana passada para buscar soluções aos problemas bilaterais, como o conflito migratório."

Após a assinatura do acordo, o Haiti "empreendeu ações contrárias a esta declaração, como ficou evidenciado na recente reunião do Caricom", completa o texto.

O Caricom anunciou na terça-feira a suspensão da análise do pedido de entrada da República Dominicana, até a adoção de medidas para resolver o conflito migratório com o Haiti.

O Tribunal Constitucional (TC) da República Dominicana negou, em uma decisão de setembro, a nacionalidade aos filhos de imigrantes ilegais, em sua maioria haitianos.

Trullols criticou as declarações do chanceler haitiano, Pierre-Richard Casimir, que teria afirmado que a República Dominicana deu uma "interpretação livre" ao acordo conjunto assinado na semana passada, que prioriza o diálogo para a busca de soluções ante qualquer assunto da agenda bilateral.

Ele ressaltou que Casimir assinou a Declaração Conjunta ao lado do ministro da presidência dominicana, Gustavo Montalvo.

"O governo dominicano entende que, sob tais condições, é muito difícil seguir dialogando com os vizinhos, pois não respeitam os termos do que foi acordado na declaração", completou.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013


terça-feira, 5 de novembro de 2013

ONG evangélica envia 155 voluntários para o Haiti

Gospel Prime

Os jovens brasileiros ajudarão com trabalhos na área da saúde, educação e esporte
por Leiliane Roberta Lopes


ONG evangélica envia 155 voluntários para o Haiti

No mês de outubro a ONG “Conexão Voluntários em Campo” enviou durante o mês de outubro 155 voluntários para o Haiti. Brasileiros de todas as regiões do país aceitaram o chamado espiritual para prestar apoio aos haitianos.

A maioria dos voluntários tem entre 18 e 25 anos, jovens interessados em ajudar de alguma forma a população que sofre com a fome e as doenças, fruto do terremoto que assolou o Haiti em janeiro de 2010.

Os brasileiros aceitaram deixar suas casas para enfrentar cidades sem saneamento básico, iluminação, alimentação escassa e moradias precárias, tudo em nome de um propósito maior.

“Fizemos uma antes do terremoto e cinco após a tragédia que deixou toda a população numa condição de vulnerabilidade muito grande. Eu diria que enviamos uma média de 210 voluntários neste período, mas neste mês de outubro podemos dizer que atingimos um recorde que acredito será difícil de superar futuramente, pois numa só viagem são 155 pessoas”, disse o líder da ONG, pastor Marcos Grava Vasconcelos.

O pastor Grava afirma que os jovens que se interessam em ser voluntário no Haiti são aqueles que realmente estão dispostos a ajudar o próximo, pois o país não oferece atrativos. “O Haiti é um país que não tem um atrativo, principalmente para a juventude, portanto, os que seguem para lá são aqueles que querem realmente contribuir para minorar o sofrimento existente.”

Na área de construção de casas a ONG levou 12 voluntários.

Os 155 voluntários vão atuar nas áreas da saúde, educação e esporte. “No Haiti existe um médico para 30 mil pessoas. Nós sempre levamos médicos e dentistas desejosos de doar um pouco do seu tempo e talento para atender esta população. A área de educação também é muito necessitada, porque existe uma quantidade enorme de crianças no país e podemos fazer muito através do nosso pessoal”, explica o pastor.

Já o esporte terá como objetivo servir como lazer para jovens e crianças haitianos, como explica o líder da ONG. “Temos equipes para a realização de jogos juvenis, muitas atividades que envolvem as crianças, proporcionando momentos de descontração e alegria. Em todos estes trabalhos que realizamos podemos falar de Jesus às pessoas e ajudá-las a descobrir o caminho da salvação.”

Outro trabalho da ONG que merece destaque são os treinamentos na área civil, os haitianos recebem a capacitação profissional para poder reconstruir o país. Isso só é possível graças ao apoio de profissionais brasileiros que são da área e decidem servir de voluntários no país.

domingo, 20 de outubro de 2013

5 anos após pacificar área violenta do Haiti, Brasil volta a enfrentar gangues

G1 - notícias em Mundo

'Dei o 1º tiro', diz oficial brasileiro responsável pela segurança de Cité Soleil.
Soldados do MS foram encurralados em tiroteio, em agosto, e revidaram.

Tahiane Stochero Do G1, em Porto Príncipe - a repórter viajou a convite do Ministério da Defesa

Capitão Faria comanda tropas do MS na área mais violenta do Haiti, Cité Soleil, e se envolveu em um confronto com as gangues em agosto, após 5 anos de relativa calma na região (Foto: Tahiane Stochero)

Mais de cinco anos após pacificar Cité Soleil, área considera pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a mais pobre e violenta do Haiti, o Exército brasileiro voltou, em agosto deste ano, a enfrentar grupos armados. Em um dos tiroteios, soldados do Mato Grosso do Sul ficaram encurralados e tiveram que realizar 20 disparos de fuzil, o que não ocorria desde 2007.

Cité Soleil é reduto de rebeldes que apoiavam o ex-presidente Jean Bertrand-Aristides, e se tornou conhecida internacionalmente como uma "fortaleza" onde grupos armados impunham terror à população. Foi a queda de Aristides, em 2004, durante um princípio de conflito civil, que fez a ONU criar a missão de paz para estabilizar o país caribenho (chamada de "Minustah") O Exército brasileiro comanda a Minustah e possui o maior efetivo - cerca de 1.300 soldados - e é responsável por cuidar de Cité Soleil.

Militar brasileiro brinca com crianças em Cité Soleil,
na capital haitiana (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Eu dei o primeiro tiro. Vi um homem de longe apontando uma arma na minha direção e depois vi o clarão do disparo dele"
Victor Faria, capitão do Exército

Entre 2006 e 2007, uma série de operações, comandadas pelo Brasil, prenderam e mataram vários criminosos. Desde então, a Polícia Nacional Haitiana (PNH) começou a atuar na região. A situação de relativa tranquilidade acabou entre junho e agosto de 2013. Diante da indefinição de um cronograma para as eleições, que devem ser realizadas em 2014 para o Senado e as prefeituras, grupos armados apoiados por grupos políticos voltaram a se enfrentar em Cité Soleil, preocupando a ONU.

Os assassinatos, considerados raros até então, passaram a ser frequentes. Foram de 5 a 10 por semana em uma área de 5 km quadrados. Corpos decapitados, comuns entre 2004 e 2007, voltaram a ser encontrados nas ruas, e tiros ouvidos todas as noites pelos 140 soldados brasileiros, que são originários de Mato Grosso do Sul e estão morando dentro da favela.

Um dos confrontos ocorreu quando 16 soldados brasileiros ficaram encurralados em Boston, uma das áreas disputadas pelos criminosos. “Eu dei o primeiro tiro”, diz o capitão Victor Bernardes Faria, de 32 anos, que comanda a companhia do Brasil em Cité Soleil.

Ele estava junto com os soldados em uma patrulha à noite quando a troca de tiros entre as gangues começou.

“Vi um homem de longe apontando uma arma na minha direção e depois vi o clarão do disparo dele”, conta o oficial, que estava com mais 8 soldados em um beco de uma rua. Mais à frente, na mesma rua, um sargento que comandava o restante do grupo também foi alvo de tiros e revidou.

O comandante lembra ter orientado o subordinado a não avançar, pois os bandidos estavam logo a frente e, se seus soldados saíssem do local onde estavam abrigados, estariam em perigo.

Faria pediu apoio de blindados dos Fuzileiros Navais e do Destacamento de Operações de Paz (DOPaz), a tropa de elite que o Exército possui no Haiti para ações de risco, para resgatar os soldados encurralados.

“Por sorte nenhum dos meus homens ficou ferido. Nossa maior preocupação é com efeito colateral (feridos ou mortos civis nos confrontos). Mas os soldados foram treinados e só atiram quando conseguem identificar e ver o alvo (um suspeito)”, afirma o capitão.

Estes foram os primeiros disparos reais na vida do oficial, que trabalha no 47º Batalhão de Infantaria, em Coxim, no Mato Grosso do Sul. Casado e sem filhos, Faria acredita que os disparos não foram direcionados contra a tropa do Brasil, mas sim, de um confronto entre os bandidos.

Ao contrário de 2007, quando a ONU autorizava o Exército a ter ações pró-ativas e atacar as gangues, hoje esta responsabilidade é da polícia haitiana. O Brasil só dá o apoio necessário. A ONU fez uma investigação sobre o caso e, segundo o capitão, encontrou cartuchos de fuzis e pistolas no local do confronto, tanto usados pelo Exército brasileiro quanto pelos criminosos.

População diz que violência voltou

“Os brasileiros entraram aqui em Cité Soleil em 2006 e 2007 e pacificaram, prenderam todos os bandidos. Antes a violência era ruim, os criminosos atiravam todas as noites, a gente não podia sair de casa. Os brasileiros acabaram com aquilo. Agora que os brasileiros passaram para nossa polícia agir, a situação voltou a piorar. Todos os dias os bandidos atiram aqui”, diz o aposentado Merat Jean, de 57 anos, que mora em Boston, área disputada por gangues.

Militares do Brasil fazem segurança de Boston, área de Cité Soleil onde gangues disputam território e soldados brasileiros foram alvo de tiros em agosto (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Para poder patrulhar a região à noite, o Exército colocou em postes lâmpadas que são alimentadas por energia solar. O país não possui um sistema de distribuição de energia elétrica e boa parte da capital, Porto Príncipe, fica às escuras à noite.

A tropa brasileira é chamada diariamente para atender casos de brigas - algumas acabam em morte ou ferimentos graves, provocados por pedras e facas. "A população ainda não confia na PNH. O efetivo deles aqui é pequeno, são 6 a 8 policiais por dia, um carro e eles não fazem patrulhamento nas ruas. As pessoas confiam nos brasileiros para passar informações, mesmo a base da polícia sendo aqui do meu lado", diz o capitão.

Militar do Brasil patrulha área mais violenta do Haiti
à noite (Foto: Tahiane Stochero/G1)

"Mas agora a missão mudou e minhas tropas não podem atacar os bandidos, sou a terceira opção. Temos sempre que deixar a polícia haitiana e a polícia da ONU atuarem primeiro", acrescenta ele.

A previsão da ONU, conforme o comandante da Minustah, general brasileiro Edson Pujol, é que a missão chegue a cerca de 3.300 militares em 2016. Os soldados brasileiros devem ser os últimos a deixar a missão, que conta com tropas de 19 países.

"Estamos aqui basicamente para ajudar a PNH a manter um ambiente seguro para que as organizações tanto internas quanto externacionais possam trabalhar. Acho difícil chegar em 2016 e tirar toda a tropa, isso vai ser avaliado anualmente. Vai depender das condições do país de se autogerenciar. No caso da segurança, em especial as condições da polícia de assumir as responsabilidades", aponta.

Sonho brasileiro aquece comércio de documentos e vistos falsos no Haiti

G1- notícias em Mundo

Haitiano ofereceu visto falsificado por US$ 1.700 para repórter do G1.
Desde o tremor de 2010, cerca de 20 mil haitianos imigraram para o Brasil.


Em Pétion Ville, bairro nobre da capital haitiana que abriga a embaixada brasileira em Porto Príncipe, o sonho de fugir da falta de trabalho no país mais pobre das Américas e migrar legal ou ilegalmente para o Brasil virou um nicho de negócio, onde despachantes, falsificadores, aliciadores, coiotes, atravessadores e negociadores tentam ganhar dinheiro. O G1 flagrou na frente do prédio da embaixada a venda de visto e de outros documentos falsificados, além de supostas facilidades que prometem acelerar a viagem dos haitianos ao Brasil.

Haitianos em busca de visto fazem fila na frente da
embaixada brasileira (Foto: Tahiane Stochero/G1)

John, de 28 anos, um dos que oferece serviços para ajudar haitianos na fila, disse à reporter que conseguia um visto para entrar no Brasil por US$ 1.700 (R$ 3.706). Ele não indicou, no entanto, quanto tempo demoraria para entregar o documento e afirmou que só passaria mais informações com a garantia do pagamento. Atestou que, com o visto, é possível "embarcar sem problemas".

Todos os dias, dezenas de haitianos se amontoam em frente à embaixada. Alguns dormem ali mesmo. John é um dos comerciantes que oferece seus serviços para ajudar os haitianos na fila. Por US$ 15 (R$ 32), preenche um formulário necessário para iniciar o processo e que está disponível gratuitamente na internet. Já por US$ 30 (R$ 65), ele monta um currículo.

De camisa e calça social, com um laptop em uma bolsa preta de mão, ele carrega panfletos oferecendo seus trabalhos como "J.J. Services" e garante obter os documentos necessários, expedidos por órgãos públicos, o quanto antes ao preço de US$ 100 (R$ 218) cada. Até mesmo uma entrevista para o visto para o próximo dia 21 de outubro ele promete conseguir.

John afirma que também está em busca do visto para o Brasil, que conhecia haitianos que imigraram ilegalmente e que só quer ajudar quem está em busca do documento.

Em janeiro de 2010, um terremoto de magnitude 7 deixou cerca de 300 mil mortos e milhares de desabrigados, destruindo a infraestrutura pública e privada do Haiti. Desde então, cerca de 20 mil haitianos já imigraram para o Brasil. Segundo a Polícia Federal, 10,8 mil entraram ilegalmente pela fronteira do Acre e pediram refúgio. Em 2013, o número de haitianos que migra desta forma triplicou -foram mais de 6 mil só nos primeiros nove meses deste ano. Outros 2 mil ainda estariam irregulares.


Em 2012, o governo começou a expedir um visto de residência em caráter humanitário na embaixada em Porto Príncipe, reduzindo as exigências e cobrando US$ 200 (R$ 436) pelo documento. Até setembro deste ano, foram expedidos pela embaixada 3.951 vistos individuais e mais 817 vistos de família (que permitem levar a mulher e os filhos para o Brasil). Outros 614 foram expedidos na República Dominicana e no Equador.

Os haitianos reclamam, porém, das dificuldades em obter o documento e de marcar a entrevista. Com isso, buscam meios ilícitos para conseguir o visto.

Segundo o cônsul Vitor Hugo Irigaray, o agendamento das entrevistas – que são feitas por ele próprio – só pode ser realizado por telefone. A embaixada chegou a receber 26 mil telefonemas em um só dia, mas opta por atender apenas 50 ligações. Por isso, as entrevistas podem demorar alguns meses – e esta é a principal reclamação dos haitianos ouvidos na fila pela reportagem.

"Já descobriram até meu celular pessoal, ligaram para minha casa tarde da noite. Antigamente, recebíamos listas de políticos pedindo a expedição do visto. Acabei com isso", afirma Irigaray.

Falsificações

Na embaixada, várias pastas com documentos sob suspeita de falsificação estão sob análise, inclusive vistos. Uma das investigações aponta que a haitiana Nadine Cenor, de 26 anos, comprou por US$ 2.500 (R$ 5.450) um visto e, com o documento, entrou no Brasil pelo Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, em 25 de março deste ano. Ao contrário do padrão brasileiro, o visto dela – com o número 545690 – apresentava o sobrenome e depois o nome. A PF em Cumbica não percebeu a falsificação e oficializou Nadine no Sistema Nacional de Estrangeiros erroneamente: seu nome está cadastrado como Cenor Nadine.

Cônsul no Haiti analisa pedido de visto para entrar
no país de forma legal (Foto: Tahiane Stochero/G1)

"Documentos falsos, como certidões de nascimento, casamento e de residência, aparecem aqui às dezenas. [...] Eu barro aqui ao perceber alguma diferença"
Vitor Hugo Irigaray, cônsul do Brasil no Haiti.

PF, Interpol e diplomacia brasileira apuram casos
de falsificação de visto (Foto: Tahiane Stochero/G1)

"Filas de 400 pessoas se formam na frente da embaixada, é muito fácil alguém se infiltrar lá e tentar oferecer estes serviços. Não temos como coibir e monitorar isso, não é nossa função".
José Luiz Machado e Costa, embaixador do Brasil no Haiti.

De volta a Porto Príncipe para tentar obter uma forma de levar o restante da família para o Brasil, o cônsul percebeu o problema: o visto apresentava coloração e padrão diferente do modelo oficial. PF e as autoridades haitianas foram alertadas da fraude. A PF confirmou que possui investigações, junto com a Interpol, sobre vistos falsos que foram identificados em São Paulo e em Cascavel (PR).

"Documentos falsos, como certidões de nascimento, casamento e de residência, aparecem aqui às dezenas. Até documentos falsos que são validados pelos órgãos do governo haitiano, com carimbos ou selos, que não sabemos se são verdadeiros, pois não há como confirmar. Eu barro aqui ao perceber alguma diferença", explica o cônsul.

Para expedir o visto família, o cônsul entrevista a mulher e o marido, tentando confirmar se são casados mesmo. Em um dos casos de fraude verificado, o casal não sabia nem a data de casamento. Em outro, a mulher apresentou certidão de concubinato com o irmão do marido com o qual possuía um casamento registrado em cartório.

Em agosto, o então ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, mandou o Itamaraty apurar suspeita de fraude para liberação do visto por parte de funcionários haitianos da embaixada. Segundo o embaixador José Luiz Machado e Costa, não foram levantados elementos para confirmar a denúncia que, segundo ele, muitas vezes é feita de má fé por parte de haitianos que desejam acelerar o atendimento.

"O que há são desconhecidos que oferecem serviços do lado de fora da embaixada e que usam de artifícios para explorar e extorquir estas pessoas, que muitas vezes acham que são nossos funcionários", explica ele. Ao redor da embaixada, lan houses e despachantes colocam cartazes, "oferecendo formas de acelerar o processo".

"Filas de 400 pessoas se formam na frente da embaixada, é muito fácil alguém se infiltrar lá e tentar oferecer estes serviços. Não temos como coibir e monitorar isso, não é nossa função", acrescenta o embaixador. Segundo ele, não há como o Brasil cobrar uma repressão por parte do governo haitiano. "Não há aqui uma polícia investigativa para descobrir isso. O que fazemos é trabalhar em campanhas de esclarecimento das informações", defende.

Em junho de 2012, uma haitiana foi presa pela Polícia Nacional Haitiana do lado de fora da embaixada, após ser acionada pelos funcionários brasileiros, "intermediando a solicitação de vistos para grupos e deles cobrando taxas indevidas com o objetivo de supostamente facilitar a obtenção de visto para o Brasil".

Haitianos buscam na embaixada em Porto Príncipe
visto para o Brasil (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Em outro caso, diz o cônsul Irigaray, uma mulher chegou à embaixada com uma lista de mais de 200 nomes e passaportes. A intenção deles era vir ao Brasil para um congresso evangélico – cada um deles havia pago US$ 2 mil (R$ 4.360) para ela intermediar o visto. Os passaportes foram apreendidos e a polícia também foi acionada.

Demanda reprimida

Para solicitar o visto de residência em caráter humanitário, a embaixada exige, além de um passaporte, uma certidão de antecedentes criminais, um certificado de residência homologado pela Justiça haitiana, um currículo e o formulário de cadastro da embaixada. São 5 pessoas que trabalham no processo na embaixada em Porto Príncipe e não conseguem vencer a demanda.

Em janeiro de 2012, o Conselho Nacional de Imigração, órgão ligado ao Ministério do Trabalho, aprovou a concessão de 1,2 mil vistos por ano para haitianos que pretendem migrar para o Brasil. O documento, em caráter especial, passou a ser expedido com validade de 5 anos no Haiti, Equador, Peru e República Dominicana. Em abril deste ano, o Itamaraty acabou com o limite de 100 vistos por mês e, agora, só em Porto Príncipe, quase 100 processos são iniciados por semana, demorando em média 3 semanas para serem concedidos. Em 2012, a concessão chegou a demorar até 8 meses, pois os pedidos se amontoavam nas prateleiras.

"A demanda reprimida é enorme, de uns mil a dois mil por dia. Antes, tentavam entrar na embaixada a qualquer custo, queria falar comigo, gritavam aqui na frente. Então criei o sistema de agendamento por telefone por nome e só entra quem está na lista. Temos poucos funcionários aqui, não tem como atender todo mundo", afirma o embaixador.

"Estou há seis meses ligando e nada, não consigo um horário para entregar os documentos", diz o agrônomo Jolvin Celestin, de 30 anos. Formado em Cuba, ele quer migrar para o Brasil porque vê o Brasil como "um primo do Haiti que deu certo". "Aqui não tem trabalho, tem que sair do Haiti para conseguir dinheiro", defende Celestin.

Também na frente da embaixada, Louis Hubert, de 32 anos, reclamava do processo. "Esta história de só poder agendar por telefone é ruim, a gente liga, liga, e ninguém nunca atende. Tenho 4 ou 5 amigos que foram ilegais para o Brasil, eles querem me levar, mas eu acho muito arriscado, você pode demorar meses para chegar lá e ainda ser preso, torturado. Vou continuar tentando o visto", diz.

sábado, 5 de outubro de 2013

Uma história inspiradora em La Source!

Verdade.co

Quando em 2010, duzentas mil pessoas morreram no Haiti, em resultado de um terramoto devastador, as comunidades da pequena vila de La Source já enfrentavam, há anos, várias doenças por consumo de água imprópria. No entanto, desde a sua infância, esta realidade preocupava Josué Lajeunesse, o protagonista – que se tornou herói – do filme documentário com o nome dessa aldeia. A boa-nova é que não foi necessária a intervenção do Governo de Haiti para se levar água pura à La Source. A vontade e acção do povo é que fizeram a mudança...

Para as comunidades de La Source, dizer Josué Lajeunesse pouco difere de afirmar Martin Luther King Jr. Ele é um verdadeiro herói – felizmente vivo – do povo. Como o pensamento de um simples zelador da Universidade de Princeton pôde reverter-se numa acção que modificou a história da vida de 5 mil pessoas e das comunidades em torno de La Soure?

Narrada num meio de informação muito ‘frio’ – como o jornal – a história é verosímil. Mas é verdadeira. O cinema tem a imagem viva. Em movimento. E quando se trata de um filme-documentário, ninguém duvida, porque se vê a mudança a acontecer. O povo, movido pelo amor puro e sincero de Josué e pela concórdia, levou água até La Source. Está-se diante daquelas histórias verídicas que que pouco se repetem. “Josué está preocupado com uma questão que carrega desde a infância. A população de La Source tem dependido de uma nascente de água nas montanhas, como sua única fonte de abastecimento de água potável”.

“Alcançá-la implica uma caminhada diária tortuosa, e uma viagem de regresso ainda mais perigosa, montanhas abaixo, carregando vários galões de água. As pessoas caem, machucam- se e sofrem amputações das pernas e dos braços”, narra-se no documentário. Dessa realidade – dura – fundou-se uma das questões fundamentais da vida de Josué. “Desde a infância, eu sempre me perguntava. Porque é que eu tinha de transpor todas aquelas montanhas em busca de água? Porquê?”

O protagonista de La Source emigrou de Haiti, em 1989, para os Estados Unidos, onde trabalha como zelador da Universidade de Princeton e taxista. Ele teve de aprender tudo do zero. A língua, os códigos culturais, incluindo adaptar-se ao clima local – tudo para garantir o bem-estar dos seus familiares em Haiti. Ele é um pai solteiro com quatro filhos.


Na verdade, “Josué é uma pessoa que leva uma vida muito intensa. Ele está constantemente focalizado nas preocupações dos outros do que nos seus próprios problemas. É como se ele carregasse o peso do mundo. Por isso dá a impressão de estar cansado”, afirma Patrick Shen, o realizador de La Source. E era necessário que assim fosse. A sua causa é sublime. Afinal, para muitas pessoas que, em La Source, são incapazes de, diariamente, caminhar até à fonte, o Rio Grosseline, que corre perto da vila, é a sua única opção para ter a água.

No riacho – tido como uma salvação – as pessoas tomam banho, lavam tudo, desde a roupa, peças domésticas, até o gado. É também o local onde se extrai água para preparar as refeições. A água não é potável porque – nela – as pessoas e os animais fazem todas as suas necessidades. Já se viram ali cadáveres a boiar. Recentemente, o Governo dos Estados Unidos, através do Centro Cultural Americano – Martin Luther King Jr., criou condições para que se projectasse o filme em diversos lugares de Maputo, incluindo alguns bairros suburbanos.

Evidentemente que Moçambique e Haiti são países diferentes, mas há um aspecto que se aprende da história de Josué Ljeunesse que se aplica em todo o mundo. “É que quando uma pessoa pretende alcançar um objectivo e tem a perseverança de se empenhar por ele – dia e noite – no fim o mesmo concretiza- se”, refere Patrick Shen. O realizador afirma também que uma das perguntas recorrente sempre que se apresenta o filme é “porque é que não se envolveu o Governo de Haiti para levar água potável às comunidades de La Source? A resposta é simples: é que o processo levaria muito mais tempo e, se calhar, nunca se iria materializar”.


A construção do fontanário que há mais de um ano jorra água pura em La Source é o resultado de doações de pessoas singulares e de diversas organizações envolvidas. Foram precisos 25 mil dólares americanos para a materialização do projecto que só foi possível graças à solidariedade popular. Até as crianças prestaram oferendas à iniciativa. Tal como acontece em Os Reis Filósofos – o outro filme de Patrick Shen – La Soure retrata “a sabedoria que pode ser encontrada nos lugares mais improváveis e inimagináveis. Foram visitadas várias universidades nas quais se entrevistava pessoas de classe social muito baixa – como, por exemplo, os zeladores de limpeza”.

A história de Josué Lajeunesse é muito inspiradora de tal sorte que o personagem acabou por merecer uma distinção na Universidade de Princeton. E não faltam argumentos. “Ele optou por fazer dos problemas alheios os seus próprios problemas. E ele, como Martin Luther King Jr., inspirou tantos de nós com o poder do que pode realizar um Homem empenhado. O que o torna um merecido vencedor do Prémio Journey 2011 para a categoria Special Achievement”.

“Haiti, a República da Esperança”

TV Diário




William Tanida e Douglas Campos: experiência inesquecível / Foto: Divulgação


A série de reportagens “Haiti, a República da Esperança”, do repórter e apresentador William Tanida, da TV Diário, afiliada da Rede Globo, começa a ser exibida nesta terça-feira, dia 1º, no Diário TV – 1ª Edição, ao meio-dia. O especial irá ao ar nas cinco terças-feiras deste mês de outubro.

O jornalista, que integra a equipe de reportagem da TV Diário, há 13 anos, desde que ela iniciou as suas atividades em Mogi, viajou ao Haiti em Missão de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas), na companhia do repórter cinematográfico Douglas Campos, com militares da Força Aérea Brasileira (FAB), por meio da ação do Ministério da Defesa.

Tanida e Campos embarcaram para Porto Príncipe, capital haitiana, no dia 24 de agosto. Após quatro escalas e 12 horas de viagem, eles chegaram ao destino, juntamente com a missão da ONU que ajuda na reconstrução daquele país, devastado por um terremoto em 2010. “Há uma troca de militares a cada seis meses, mas no meio desse período, a FAB viaja ao Haiti para verificar o andamento da ação. E o convite surgiu nesse meio tempo. A experiência foi inesquecível, e posso afirmar que foi uma das viagens mais inesquecíveis e importantes que fiz, desde que comecei a integrar a equipe da TV Diário”, destaca o jornalista, lembrando que já viajou a trabalho para países como Japão, Nova Iorque e Antártida, mas nada foi tamo marcante como essa que ele fez ao Haiti.

O telespectador, diz Tanida, vai poder saber um pouco mais sobre como vivem os haitianos, que sofrem com a falta de comida e chegam a comer barro, terra, para suprir essa necessidade básica. Segundo ele, 80% da população não têm água encanada: “Isso me marcou muito, emocionalmente, aprendi a dar valor às coisas mais simples da vida”.

Durante a viagem, no mercado Salomão, o repórter encontrou um militar da FAB, o cabo Gilmar, que é de Ferraz de Vasconcelos. Essa será uma das pautas que o telespectador irá conferir na série, que estreia nesta terça. “Há também entrevistas com mogianos que já foram ao Haiti, em Missão de Paz, mas que já voltaram para o Brasil”, revela. As missões tiveram início em 2005 e os procedimentos de atuação são estabelecidos pela ONU. (Maria Salas)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Morador de Ferraz de Vasconcelos ajuda na reconstrução do Haiti

G1

Ele faz parte de missão da ONU que atua no país.
Terremoto destruiu o local em 2010.


Desde o terremoto de 2010 que deixou mais de 250 mil mortos, entre eles, 20 brasileiros o Haiti é um país em reconstrução. Para isso conta com a ajuda humanitária de mais de 50 países, inclusive o Brasil. Os habitantes do Alto Tietê também estão nessa luta.

Gilmar de Souza Fernandes é cabo da Força Aérea Brasileira. Ele é morador de Ferraz de Vasconcelos e saiu do município para atuar nas Forças Armadas. Fernandes conta que seu grande sonho sempre foi servir em uma missão de paz. Há dois meses, ele trabalha na capital do Haiti, Porto Príncipe, na Missão da Organização das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah). A missão é formada por mais de 6 mil militares de 18 países. “É uma imensa satisfação estar aqui, representando Ferraz de Vasconcelos e o Alto Tietê. Há nove anos estou na Força Aérea e servir nessa missão é a realização de um sonho”, afirma o cabo.

Apesar de todas as dificuldades que enfrenta no Haiti, Fernandes diz que ajudar o povo haitiano é uma imensa alegria. “Quando eu vejo o sorriso de uma criança haitiana, recarrego as baterias.” Fernandes encontra na satisfação do trabalho uma forma de driblar a saudade que sente de Ferraz de Vasconcelos. "Porto Príncipe e Ferraz de Vasconcelos são duas cidades com características semelhantes. As mesmas dificuldades que vejo na minha cidade encontro aqui também. Mas, no fundo, tudo é novidade e a cada dia é um trabalho diferente. Eu nunca imaginei estar aqui”, detalha o cabo da Força Aérea.

Fernandes assim como os outros militares são chefiados na Minustah pelo general brasileiro Edson Leal Pujol. "A importância das Nações Unidas se fazerem presentes aqui, de enviarem uma missão é na tentativa de ajudar o governo haitiano, ajudar o país a se fortalecer e se reestruturar para dar condições de prosseguir em busca de um futuro melhor!", explica Pujol. O contingente de brasileiros é o maior de todos com 1,4 mil militares.

O trabalho dos integrantes da Minustah não é fácil. Apesar de estar no Caribe rodeado por um mar de azul cristalino, o Haiti é um país marcado pelo caos e pela tragédia. Além do pior terremoto do século em 2010, os furacões arrasam cidades inteiras, sendo uma média de 20 por ano. Segundo a Minustah, dos 9,8 milhões de habitantes, 90% não têm energia elétrica, 80% não possuem água encanada, 70% estão desempregados e mais da metade são analfabetos.

Cotidiano

A Minustah transformou uma antiga fortaleza de 1794, um dos pontos mais altos de Porto Príncipe, no “Forte Nacional”. No local é possível avistar o porto do Haiti, o centro urbano e a Catedral de Notre Dame destruída pelo terremoto. “Nós nos encontramos no centro, inseridos na área de responsabilidade do batalhão. Nós temos condições de observar não só a nossa área como também as áreas de outras companhias podendo comunicar oportunamente o comando do batalhão sobre qualquer fato e até mesmo intervir prontamente se preciso for”, explica o capitão e subcomandante da 1ª Companhia de fuzileiros da Força de Paz, Túlio Pires Barbosa.

Ruas da área central de Porto Príncipe são apertadas
(Foto: Willian Tanida/TV Diário)

A principal atividade dos brasileiros no Haiti são as patrulhas. Isso porque a polícia haitiana ainda não tem condições de, sozinha, garantir a segurança.

O trânsito nas ruas de Porto Príncipe é caótico e sem nenhum respeito. Não há transporte público, a população se vira como pode nos "tap taps" ônibus extravagantemente decorados à moda haitiana.

Muitos passageiros corajosos vão pendurados em caminhonetes adaptadas e até em cima de caminhões. Em algumas motos é possível ver até três 3 pessoas. Nos horários de pico, 1 quilômetro pode demorar até mais de duas horas para ser percorrido embaixo de um calor de 40 graus na sombra o dia inteiro.

Esgoto forma pequenas lagoas na área do Mercado Salomão
(Foto: Willian Tanida/TV Diário)

Se o transporte é improvisado, o comércio não fica para trás. Um dos principais centros de compra da capital haitiana é o "Mercado Salomão".

Os produtos ficam espalhados no chão acondicionados em cestas e balaios. Mesmo com alimentos repletos de moscas e vendidos ao lado de poças com água de esgoto, o mercado ainda é considerado um dos mais organizados da cidade.

Outro local muito popular para compras é o “Mercado da Venezuela” também conhecido como “Cozinha do Inferno”. A ideia do espaço foi dos venezuelanos e a característica principal do local é que os vendedores carregam na cabeça seus produtos. O apelido o mercado ganhou por causa de matadouro que fica na mesma área e que usa métodos cruéis, segundo os haitianos, no abate dos animais.

A atuação da Minustah não fica restrita apenas a capital do Haiti. Eles também circulam por outros municípios, como Cité Soleil. Segundo a Missão das Nações Unidas, a cidade é uma das mais complicadas para o patrulhamento por causa dos becos estreitos. “É difícil mapear esses becos. A população também às vezes coagida pode estar escondendo criminosos e eles se misturam em meio a população. Assim fica meio difícil identificá-los. O calor também atrapalha um pouco”, diz o capitão Victor Berbardes de Faria.

Biscoitos de lama do Haiti
(Foto: Reprodução/TV Diário)

É em um dos becos de Cité Soleil que a situação de miséria do Haiti se materializa. Alguns moradores do local montaram uma fábrica de biscoitos. Mas, o espanto é em relação a matéria-prima principal do produto: lama.

Os haitianos misturam barro, manteiga, sal e água. E depois de misturar os “ingredientes” e dar o formato do biscoito, eles são colocados ao sol para secar. A família responsável pela fábrica informa que produz cerca de 2,5 mil biscoitos por dia. Eles vendem seis unidades por US$ 1.

Produtos são vendidos no chão no Mercado Salomão
(Foto: Willian Tanida/TV Diário)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Haiti faz progressos e quer ser uma nação emergente até 2030

ISTOÉ Dinheiro

Governo haitiano informou à Comissão Europeia que o país progrediu

Por Agência Brasil

Foto: Mobilização Mundial

O governo do Haiti informou à Comissão Europeia, órgão político e econômico da União Europeia (formada por 28 nações), que o país progrediu em decorrência da aplicação dos recursos remetidos pelos europeus para ajudar a população. O Haiti já recebeu 85% dos 522 milhões de euros disponibilizados há três anos. Em janeiro de 2010, houve no Haiti o pior terremoto da história recente do país, registrando 7 graus na escala Richter.

“Fizemos enormes progressos nos últimos dois anos”, disse o primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe. “[O país sofreu] uma catástrofe de enormes proporções e agora luta não apenas para utilizar essa cooperação da melhor forma possível em favor do povo haitiano, mas também, de forma paralela, para voar com as suas próprias asas”, acrescentou.

Segundo ele, serão feitos investimentos nos setores aduaneiro e fiscal com vistas a aperfeiçoar os sistemas e adequá-los para investimentos externos. “O Haiti tem enorme futuro, enormes oportunidades de investimento”, disse Lamothe.

O primeiro-ministro destacou o “esforço considerável” do governo para garantir que 1,2 milhão de crianças e adolescentes tenham acesso à educação gratuita. Ele disse que é de “extrema importância” a ajuda europeia e garantiu a aplicação de nova estratégia “para que o país seja emergente em 2030”.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Um novo Haiti está acontecendo


Sem dúvidas que Deus continua sentado no trono e tudo governa.


A reconstrução do Haiti é obra da graça e manifestação cotidiana do amor, misericórdia e propósitos de Deus.

A Capital mais parece, hoje, um canteiro de obras: ruas sendo organizadas e pavimentadas, calçadas sendo construídas, prédios e instituições governamentais sendo reconstruídos, praças limpas e revitalizadas, máquinas, tratores, homens trabalhando. Esse é o quadro pintado no dia-a-dia de Porto Príncipe, quase 4 anos após o pior terremoto da sua História.

Um Programa Governamental, com o aporte da ONU, fechou os seis maiores campos de deslocados do terremoto, que ocupavam grandes áreas na capital, alguns com até 15 mil pessoas, e realocou cerca de 45% das famílias em 16 novos bairros-comunitários novinhos em folha nos arredores da Grande Porto Príncipe. Parte desse percentual também foi incluso no programa da OIM de aluguel-social por um ano. Algumas famílias retornaram aos seus Estados de origem, especialmente as oriundas do Norte e Nordeste do país, onde os programas de desenvolvimento do país são mais intensos – fruto da estratégia do Governo para desinchar a capital que serviu de refúgio por décadas para a migração da população interiorana em busca de condições melhores que nunca chegaram.

O Turismo tem se mostrado como o carro-chefe do alavancar de um tempo para o Haiti.

Experience it....Haiti se la pou'w la ! !!!
Foto: Réseau de l’Organisation mondiale du tourisme - Site Oficial

Algo que já realidade há décadas do outro lado da fronteira, na mesma ilha, na vizinha República Dominica que respira o turismo e atrai ano após ano mais e mais turistas do mundo inteiro, vem se tornando prioridade na agenda do novo Estado Haitiano. Um exemplo é o acordo de intensões fechado entre os proprietários dos maiores resorts de Punta Cana – principal atrativo Dominicano, e o Ministério do Turismo haitiano, elegendo a Costa do Ferro, próximo à cidade de Jacmel, no sudeste do país, para receber seus altos investimentos. A cidade de Jacmel, naturalmente bela e histórica – embora com a aparência do abandono vivido das últimas décadas, também começa se assemelhar a um canteiro de obras. Desde as rodovias que ligam o Aeroporto Internacional Toussant Lourverture, em Porto Príncipe – que foi totalmente reformado, ganhou esteiras elétricas, corredores que recebem os passageiros na porta do avião, segurança e conforto de um aeroporto simples, mas, organizado, sendo reinaugurado no segundo semestre do ano passado – aos seus pórticos de boas-vindas, à orla da praia que está ganhando calçadões que lembram Copacabana, à ampliação da rede hoteleira e adequação dos serviços e da população para receber estrangeiros, ao Aeroporto local que deverá ganhar o status de internacional até o final de 2015, Jacmel e a Costa do Ferro caminham para impulsionar a transformação do Haiti.


Uma nova Companhia Aérea legitimamente haitiana fez, recentemente, seu primeiro voo, concretizando o projeto de tornar o Haiti rota do turismo histórico e litorâneo. O primeiro pacote turístico para o Haiti, com saída de Miami, EUA, levando os turistas a conhecerem a Citadela Lafaiete, a 35 km de Cabo Haitiano (N) – fortaleza construída pelos líderes da Independência Haitiana que permanece quase intacta, e agora com infraestrutura turística funcional, o Fort Liberté (NE) – último reduto do Exército Francês que marcou a vitória da revolução haitiana, e a Praia de Labadee – arrendada à empresa Royal Caribbean, e que possui infraestrutura turística de primeiro mundo, recebendo anualmente mais de 100 mil turistas através dos maiores transatlânticos do mundo, tudo isso, já é realidade no dia-a-dia de um novo Haiti.

Você ainda pode ver mais no 1º E-book Turístico do Haiti: http://incasproductions.com/ebook/

Um Haiti real

A realidade das mudanças não tira, ainda, a dureza da vida de maioria da população haitiana. O analfabetismo, o desemprego, as condições de saneamento básico, o acesso aos serviços básicos de saúde e educação ainda estão longe de serem passado. Mas, se não se pode deixar de ver e sentir esta realidade, aquela também já não pode ser mais vista apenas como um sonho.

Um novo Haiti está acontecendo!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Após Mundial, judoca do Haiti vira inspiração: 'Isso não se compra'

globoesporte.com
Por Thierry Gozzer e Raphael Andriolo

Josue Deprez, de 31 anos, começou no esporte aos 14 anos, em uma comunidade pobre do país, e vive há oito nos EUA, onde trabalha e treina


Josue Deprez é um dos principais atletas do Haiti
(Foto: Ernesto Sempoll)

O pequeno corredor pelo qual os judocas tinham que atravessar para deixar a área de luta e seguir para os vestiários do Maracanãzinho era escuro, coberto por uma lona de proteção e cheio de seguranças. Por lá passavam vencedores e derrotados. Alguns rindo, outros chorando. Quem viu Josue Deprez andar por aqueles poucos metros, porém, demorou a decifrar o resultado de sua luta. Mesmo eliminado antes de chegar à finais, o judoca deixou o Mundial do Rio de Janeiro sentindo-se um vencedor.

Aos 31 anos, Josue nasceu no Haiti, país mais pobre das Américas, com 45% da população analfabeta e que em 2010 sofreu um dos maiores terremotos da história, com força de 7 graus na escala Richter, deixando 200 mil mortos, na maior crise já enfrentada pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde que a entidade foi criada. Para ele, estar no Mundial de judô, ao lado dos melhores do mundo, e ter conseguido duas vitórias nas primeiras lutas, foi suficiente para mostrar ao mundo que não há pobreza que consiga acabar com um sonho.

- Muitas coisas tristes estão acontecendo no meu país. Mas somos um povo que sempre consegue se reerguer. Não desistimos. Buscamos novas formas, situações e damos a volta por cima. O país já está sendo reconstruído, recomeçando, e penso que se você corre atrás e persiste, pode começar de novo - disse o judoca.

Exemplo para as crianças do Haiti

Josue nasceu em uma comunidade pobre, próxima à capital Porto Príncipe, e começou no judô aos 14 anos. Em 2005, aos 23, em busca de melhores oportunidades e treinos profissionais, deixou o Haiti. Um ano antes, o exército rebelde tinha tomado o norte do país, espalhando o terror. Recebido em Miami, nos Estados Unidos, Josue queria evoluir e defender sua pátria.

- Fui para os Estados Unidos porque em alguns momentos da sua vida você precisa mudar, buscar novos caminhos, para ter um melhor treino, que não tinha no Haiti, uma melhor vida. Mas o meu país segue no meu coração e sempre irei representar o Haiti.

Josue Deprez gostou da sua participação no Mundial do Rio de Janeiro
(Foto: Thierry Gozzer)

Um dos atletas de maior renome do país, Josue Deprez sabe que sua história de vida é exemplo de superação e vitória para as crianças do Haiti. As "porradas" que levou da vida, como a perda de amigos no terremoto, por exemplo, o mantêm com os pés no chão. Mesmo sendo ídolo para muitos em sua terra-natal, ele quer mesmo é passar a mensagem de que tudo é possível.

- Isso não se compra, você ganha o direito de ter, chegam até você. Eu digo isso sempre para as crianças da vizinhança pobre em que nasci. Minha vida no judô inspira as crianças de lá, inspiram meus parentes, pais, e também o meu país. Eu sou muito orgulhoso disso - garantiu.

Judoca trabalha e treina

Eliminado no Rio, Josue Deprez quer ser exemplo
para crianças do Haiti (Foto: Ernesto Sempoll)

Ao contrário de grande parte dos judocas que disputaram o Mundial do Rio, o haitiano também precisa trabalhar para se manter nos Estados Unidos. Ele criou um clube de judô, onde dá aulas, em sociedade com um brasileiro, responsável pela parte do jiu-jítsu. Só assim consegue pagar as contas no fim do mês.

- Eu também trabalho. Sou profissional, mas tenho outros negócios. Trabalho como empresário e dou aulas de judô. É mais difícil para mim, mas são sacrifícios que você precisa fazer para continuar a ter resultados. Vou trabalhar de manhã e quando volto, pratico o judô. As pessoas depois do trabalho jogam futebol, basquete, e eu pratico judô (risos).

Seu sonho agora é voltar ao Rio de Janeiro em 2016, nas Olimpíadas. Ele já esteve aqui em 2007, nos Jogos Pan-Americanos, quando foi derrotado por Leandro Guilheiro logo no primeiro combate, por ippon.

Apesar da derrota, Deprez sorri ao dar entrevistas 
na zona mista da imprensa (Foto: Thierry Gozzer)

- Definitivamente quero estar no Rio de Janeiro em 2016. Antes, vou dar uma parada, estudar, e depois voltar a treinar forte para estar nos Jogos Olímpicos. Com certeza estarei no Rio de Janeiro.

Duas vitórias no Mundial

Esse ano, ao contrário do Pan-Americano, o judoca venceu as duas primeiras lutas por ippon, na estreia, diante de Caetano Sandango, da Angola, e depois contra o uruguaio Helios Derze, até ser derrotado por ippon pelo ucraniano Serhiy Drebot, dando adeus ao Mundial.

- Foi bom para mim. Estive aqui em 2007, e não tive um bom resultado, perdi na primeira luta. Agora não. Lutei com mais afinco e consegui ir mais longe. Estou feliz por estar no Brasil, porque tenho a torcida do meu lado e vivo uma experiência diferente.

Além do judô, onde compete internacionalmente desde 2005, Deprez também é faixa preta de jiu-jítsu brasileiro.

- Pratico o jiu-jítsu brasileiro, sou faixa preta, inclusive, e treino em um clube brasileiro em Miami. Tenho um clube de judô lá, o "Deprez Judo", e trabalho junto com um brasileiro lá. O nome dele é Guilhermo. É o meu sócio. Eu trabalho com o judô, e ele com o jiu-jítsu. Primeiro eu faço a aula dele e depois ele vem aprender a derrubar as pessoas na minha aula (risos).

Tenista supera tragédias e deixa o Haiti para brilhar no US Open

sportv.com

Victoria Duval, de apenas 17 anos, elimina campeã de 2011 e conquista
o público, após ser refém de assalto e ter o pai soterrado em terremoto

Ser a número 296 no ranking mundial pode não parecer um grande feito. Porém a jovem Victoria Duval, de apenas 17 anos, já tem motivos para se orgulhar. A tenista superou uma infância complicada no Haiti e sobreviveu a um assalto no qual foi refém aos sete anos de idade. Em 2010, após terremoto que matou mais de 315 mil pessoas, ainda teve o pai soterrado por 11 horas.

Depois de tanta superação, Victoria se destacou no US Open, onde conseguiu derrubar a australiana Samantha Stosur, campeã do Grand Slam em 2011 e 11ª do ranking da WTA (assista ao vídeo).

- Este foi apenas mais um torneio, vou continuar trabalhando duro. Eu me saí melhor do que no ano passado. Estou feliz com isso - disse Victoria, depois da eliminação.
Victoria Duval, aos 17 anos, fez história no US Open
(Foto: Reuters)

Nascida nos Estados Unidos, a tenista passou parte da infância no Haiti, mas voltou ao país de origem, onde mora até hoje, após um assalto na casa dos tios, aos sete anos de idade. Porém, a atleta tinha apenas 14 anos quando viveu um dos momentos mais difíceis de sua vida. Seu pai, Jean-Maurice Duval, ficou 11 horas soterrado em escombros após o terremoto. A jovem foi o elo da família e a responsável pela superação da tragédia.

- Ao invés de ser eu quem deveria ser forte nesse momento, ela foi quem nos manteve juntos. Ela me segurou e disse: "Mãe, não se preocupe, vamos sair dessa". Esse é o tipo de pessoa que ela é, sempre muito forte. Ela tem uma vontade muito grande - disse dona Nadine, mãe da tenista.

Aos 17 anos, Victoria Duval conseguiu um feito e tanto. Diante da torcida que lotou o estádio Louis Armstrong, derrubou Samantha Stosur, campeã do Grand Slam em 2011 e 11ª do ranking da WTA. A jovem americana deixou o público em delírio ao vencer a rival em 2 sets a 1, parciais 7/7, 6/4 e 6/4. Na segunda rodada, enfrentou a eslovaca Daniela Hantutchova e não conseguiu se manter na disputa.

Samantha Stosur perdeu para Victória no estádio Louis Armstrong durante o US Open (Foto: AFP)

Ousada desde o início, Victória ganhou ainda mais a simpatia da torcida ao festejar muito seus pontos e não esconder a irritação nas falhas. A jovem recebeu aproximadamente 110 mil reais com o jogo da primeira fase e para o pai, sobrevivente do terremoto, ver a filha brilhar só traz alegrias.

- É uma ótima sensação. É uma explosão de alegria - disse.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Governo e ONU fazem apelo urgente por ajuda humanitária

AFP



Porto Prïncipe - O governo do Haiti e a ONU lançaram nesta terça-feira (06 Ago) um apelo urgente para arrecadar 100 milhões de dólares norte-americanos em ajuda humanitária para os dois milhões de haitianos ameaçados pela fome, doenças e catástrofes naturais em 2013.

"O pedido de ajuda se refere às necessidades mais cruciais para pessoas, cuja vida está em perigo. Ainda há pessoas em acampamentos três anos depois do terremoto (de Janeiro de 2010), há picos de desnutrição no país, onde se regista um aumento da epidemia de cólera", disse à AFP a responsável pela coordenação de ajuda humanitária da ONU no Haiti, Johan Peleman.

Os fundos devem cobrir as necessidades mais imediatas até o final do ano, beneficiando 935.500 pessoas mais vulneráveis que não receberam ajuda até hoje e que seriam potenciais vítimas da cólera da temporada de furacões em curso.

"Estabelecemos em 800 mil o número de pessoas em situação de urgência de assistência alimentar, 120 mil pessoas deslocadas à espera de soluções para seu retorno, 100 mil vítimas potenciais de cólera e pelo menos 225 mil que podem se ver gravemente afetadas pela temporada de furacões", acrescentou um comunicado da Missão da ONU no Haiti.

A ONU lamenta que os sócios humanitários do Haiti sejam em menor número nesses últimos tempos, quando as necessidades continuam sendo grandes. "Constatamos uma baixa considerável de participantes. De mais de 300, não passam de uma centena agora.

A generosidade do mundo com o Haiti após o terremoto está em queda livre, embora ainda haja necessidades críticas", completou Peleman. Um forte terremoto devastou o país em Janeiro de 2010, deixando mais de 250 mil pessoas.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Haiti deve receber Unidade de Polícia Pacificadora nos moldes do Rio

G1
Do G1 Rio

Prefeito de Cité Soleil visitou o Conjunto de Favelas do Alemão na quarta.
Processo de implantação da UPP no país deve começar em agosto.

Major Carla Martins e o prefeito de Cité Soleil, no Haiti, Jean Rénold Philippe, na comunidade da Fazendinha
(Foto: Alexandre Pestana/UPP/Divulgação)

O modelo da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), criado pelo governo do Rio, deverá ser implantado no Haiti e a preparação para o processo de pacificação dos chamados "guetos" está previsto para começar em agosto deste ano.

O prefeito de Cité Soleil, no Haiti, Jean Rénold Philippe, visitou o Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, na quarta-feira (3), para conhecer de perto o trabalho desenvolvido nas comunidades, ocupadas desde novembro de 2010.

Recepcionado pela gestora de articulação comunitária das UPPs, major Carla Martins, Philippe foi da estação de Bonsucesso até o alto da comunidade da Fazendinha de teleférico. Lá, recebeu informações sobre o projeto de pacificação, conheceu moradores e até lanchou em um comércio local.

"Ele [Philippe] ficou encantado e está com expectativa de receber esse projeto também. Ele se identificou muito com a nossa realidade que, embora seja diferente, tem algumas semelhanças", disse a major, nesta quinta-feira (4).

Acordo entre países
O acordo de cooperação entre os dois países foi assinado há pouco mais de um mês. De acordo com o coronel Ubiratan Ângelo, ex-comandante-geral da PM, e coordenador de Segurança Humana da ONG Viva Rio, o processo de implantação do projeto deve começar em agosto, com a vinda de policiais haitianos ao Rio, onde vão receber informações sobre a UPP e passarão um curto espaço de tempo em alguma comunidade pacificada – ainda a ser definida – para observarem a rotina de relacionamento dos policiais com moradores.

Em uma outra etapa, policiais militares do Rio devem ir ao Haiti para ajudar na implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora no país. "A intenção é fazer isso tudo ainda este ano. A diferença é que, aqui no Rio, a violência está ligada ao comércio de drogas e disputa entre facções. Lá, a violência está mais relacionada à ausência de políticas sociais", disse o coronel.

Desde 2004, a ONG Viva Rio participa da missão de paz no Haiti, onde desenvolve programas sociais.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Haiti tenta se reerguer como destino turístico

BBC Brasil - Vídeos e Fotos




Poucos turistas aproveitam lindas praias haitianas


O Haiti é, atualmente, o país menos visitado das Ilhas do Caribe, que recebem um total de 40 milhões de turistas por ano.

Nem sempre foi assim. Na década de 70, o país eram um dos destinos turísticos mais procurados da região.

Atualmente, o governo luta para mudar a imagem de pobreza do país e superar as marcas de desastres, como o terremoto de 2010.

Para estimular o setor, o Ministério do Turismo está construindo locais à prova de terremotos em praias como a da cidade de Jacmel, no sul do país.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Países integrantes da Petrocaribe terão zona econômica comum

Jornal do Brasil

Agência Brasil



Bogotá - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que no final de junho entrarão em vigor os convênios de criação da Zona Econômica do Acordo Energético da Petrocaribe. O anuncio foi feito durante a visita de Maduro à Nicarágua neste fim de semana.

Criada em 2005 pelo presidente Hugo Chávez, a Petrocaribe se caracteriza pelo convênio que possibilita a venda do petróleo venezuelano a preços mais baixos para 17 países caribenhos: Antígua e Barbuda, Bahamas, Belize, Cuba, Dominica, Granada, Guatemala, Guiana, Cuba, Haiti, Honduras, Jamaica, Nicarágua, República Dominicana, São Cristovão e Névis, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia e Suriname.

Com a zona econômica, os países do grupo querem expandir os convênios econômicos e financeiros na área comum. Segundo Maduro, a maior integração econômica fortalecerá os países da chamada Aliança Bolivariana, integração política idealizada por Chávez.

O presidente Maduro declarou que mais detalhes sobre a integração econômica serão conhecidos na próxima Cúpula da Petrocaribe, prevista para o dia 29 de junho. O encontro será realizado em Manágua, capital da Nicarágua.

ONU anuncia nova chefe da Missão de Estabilização no Haiti

Rede Brasil Atual
por nicolau publicado 31/05/2013 17:02

Diplomata Sandra Honoré, de Trinidad e Tobago, assumirá no dia 15 de julho cargo na missão que tem grande participação brasileira


OEA/JUAN MANUEL HERRERA

Diplomata de carreira, Sandra Honoré trabalhou na OEA
e foi embaixadora de Trinidad e Tobago na Costa Rica


São Paulo - A Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu a diplomata Sandra Honoré, de Trinidad e Tobago, como representante especial e chefe da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah). O anúncio foi feito hoje (31), pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Liderada militarmente pelo Brasil, as forças de paz estão no país desde 2004.

Honoré assumirá o cargo no dia 15 de julho de 2013, no lugar do chileno Mariano Fernández Amunátegui, que completou sua missão em 31 de janeiro de 2013. O secretário-geral agradeceu a determinação e liderança de Amunátegui na Minustah durante um período crítico para o Haiti, quando houve a transição para um novo governo. Ban Ki-moon também expressou gratidão ao líder interino da missão, o canadense Nigel Fisher.

A diplomata atuou como chefe de gabinete do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) de 2000 a 2005 e foi também assessora do chefe da missão de observação eleitoral da OEA no Haiti, entre 1995 a 1996. Diplomata de carreira desde 1979, Honoré foi embaixadora de Trinidad e Tobago na Costa Rica até agosto de 2012. Entre 1983 e 1988, ela serviu na missão diplomática no Brasil.
Saída até 2016

À frente da missão desde janeiro, Fisher destacou em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) os avanços da empreitada para a manutenção da paz no país caribenho e os desafios a serem superados. Segundo ele, é preciso estabelecer metas até 2016 com base na consolidação do Estado de Direito; no fortalecimento da Polícia Nacional do Haiti; na transferência da gestão eleitoral e na governança. "A redução (no efetivo da ONU no Haiti) deve ser realizada em coordenação com as autoridades haitianas tendo em conta, por exemplo, que um país como o Haiti, com 10 milhões de habitantes, deve ter um efetivo de pelo menos 16 mil policiais. Hoje, tem pouco mais de 10 mil. Uma das metas que estabelecemos neste plano de consolidação é chegar a 2016 com uma força de pelo menos 15 mil policiais", avaliou.

Fisher incluiu entre os resultados da missão ter ajudado o país a consolidar instituições democráticas e fortalecer o Estado de Direito. "Pela primeira vez na história do Haiti, um presidente eleito democraticamente – René Préval – chegou ao fim de seu mandato e, após eleições nacionais – não sem desafios – entregou o poder a um candidato da oposição, o atual presidente Michel Martelly, de modo relativamente pacífico", destaca.

O canadense elogiou o que classificou como "papel-chave" desenvolvido pelo Brasil no Haiti, que vai além de ser o maior contribuinte de tropas para a missão. "É admirável como o governo da presidente Dilma Rousseff tem estabelecido pontes de cooperação em diferentes áreas, tanto social quanto econômica, incluindo o apoio que a sociedade civil brasileira presta aos haitianos", afirmou.
Participação brasileira

Na última semana, o primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, esteve no Brasil para discutir uma série de projetos de parcerias nas áreas de educação, tecnologia, ciência, infraestrutura e saúde, além de energia, segurança alimentar, inclusão social e biocombustíveis.

Em relação à retirada gradual das tropas estrangeiras da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), Lamothe confirmou que deve ser obedecido o cronograma fixado até 2016. Paralelamente, será reforçada a polícia nacional, cuja formação está em curso. As Forças Armadas do Brasil lideram as Forças de Paz da ONU presentes no país desde 2004, após as rebeliões que resultaram na queda do presidente Jean-Bertrand Aristide.

Segundo Lamothe, o Haiti superou várias dificuldades, oriundas da destruição causada pelo terremoto de janeiro de 2010 que matou mais de 220 mil pessoas, mas ainda necessita de ajuda internacional. De acordo com ele, é fundamental o apoio da comunidade estrangeira nas áreas de educação, reconstrução física, combate à pobreza extrema e produção energética. “Sempre respeitando a soberania”, disse.

Além da presença militar, o Brasil tem desenvolvido uma série de programas de cooperação com o país, especialmente após o terremoto. Na ocasião, integrou a Comissão Interina para Reconstrução do país e foi a primeira nação a contribuir para o Fundo de Reconstrução.

É esperada para o fim do mês a inauguração do primeiro hospital comunitário de referência, construído pela parceria dos governos do Brasil, de Cuba e do Haiti, em Bons Repos, na região metropolitana de Porto Príncipe, capital haitiana.

No total, serão construídas três unidades hospitalares, que ficarão nas regiões de Bons Repos, Beudet e Carrefour. Também está em construção o Instituto Brasil-Haiti de Reabilitação de Pessoas com Deficiência, em Porto Príncipe, a capital do país.

Precisamos definir metas até 2016, diz chefe da Missão da ONU sobre retirada de tropas do Haiti

ONU Brasil
31 de maio de 2013



Menina haitiana em campo de deslocados em Porto Príncipe. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

“O sucesso de uma missão de paz é medido quando esta se retira”, afirma o chefe da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), Nigel Fisher.

Segundo ele, é preciso estabelecer metas até 2016 com base na consolidação do Estado de Direito; no fortalecimento da Polícia Nacional do Haiti; na transferência da gestão eleitoral e na governança.

Em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Fisher destacou os avanços da Missão para a manutenção da paz no país caribenho e os desafios a serem superados.

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

A MINUSTAH está completando nove anos. Como o senhor avalia essa trajetória?

Fisher: No início de 2004, o Haiti se encontrava em uma situação de enorme instabilidade, no limiar de uma guerra civil, com presença de forças paramilitares e irregulares em várias partes de seu território. Um dos resultados mais significativos da MINUSTAH é o fato de a Missão ter ajudado a população a viver com crescente tranquilidade e segurança. Outro avanço é apoiar as autoridades na consolidação de suas instituições democráticas e no fortalecimento do Estado de Direito.

Pela primeira vez na História do Haiti, um presidente eleito democraticamente – René Préval – chegou ao fim de seu mandato e, após eleições nacionais – não sem desafios – entregou o poder a um candidato da oposição, o atual presidente Michel Martelly, de modo relativamente pacífico. Porém, é importante reconhecer que o terremoto de 12 de janeiro de 2010 foi um tremendo golpe que afetou diretamente os avanços conquistados, sobretudo no que diz respeito ao desenvolvimento socioeconômico.

A amplitude daquela tragédia afetou a permanência da MINUSTAH no país. A Missão vem também contribuindo com a reconstrução física, além de apoiar o povo a recuperar-se daquela dramática situação e retomar seu caminho. Um esforço que ainda deve demorar mais alguns anos.

Como o senhor avalia a participação do Brasil como peacekeeping?

Fisher: O Brasil tem desempenhado um papel-chave e de elevado protagonismo junto à MINUSTAH. É o principal contribuinte de tropas para a Missão. O Brasil e outros nove países latino-americanos constituem a coluna vertebral da MINUSTAH, uma vez que representam cerca de 70% do componente militar da Missão.

A contribuição do Brasil vai além da participação na MINUSTAH. É admirável como o governo da presidente Dilma Rousseff tem estabelecido pontes de cooperação em diferentes áreas, tanto social quanto econômica, incluindo o apoio que a sociedade civil brasileira presta aos haitianos.


Militares brasileiros distribuem água em Cité Soleil. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Há também um elemento que chama a atenção de qualquer estrangeiro que passa pelo Haiti, que é a admiração que os haitianos têm pelo Brasil, creio que também graças ao futebol, um esporte que valoriza a colaboração, o espírito de equipe e a disposição ao sacrifício para alcançar a vitória.

O que o Brasil faz no Haiti é justamente isso. Colabora com o país e com as Nações Unidas para ajudar o povo haitiano em seu caminho rumo ao progresso e ao bem-estar.

O que fazer com a geração de ‘órfãos do terremoto’?
Fisher: É muito difícil determinar o número de órfãos uma vez que famílias pobres muitas vezes se veem obrigadas a abandonar seus filhos quando já não podem alimentá-los.

Ajudar crianças órfãs no Haiti, quer sejam vítimas do terremoto ou de outras situações, requer uma abordagem holística e de longo prazo, com foco especial no reforço da capacidade das instituições que trabalham na área, no desenvolvimento e na implementação de medidas de proteção, bem como no desenvolvimento comunitário.

A maioria dos orfanatos no Haiti é privada e, em muitos casos, funcionam em condições muito precárias, com crianças desnutridas e dormindo no chão.

A MINUSTAH está negociando um memorando de entendimento com o Ministério de Assuntos Sociais para a reforma das instalações sanitárias de oito orfanatos.

No campo legal, com apoio da ONU, o Haiti ratificou em 2012 a Convenção relativa à Proteção das Crianças e a Cooperação em matéria de Adoção Internacional.

A adoção diretamente nos orfanatos já não é possível. O processo agora tem de ser coordenado por meio das autoridades responsáveis, o que pode reduzir o abuso do sistema.

Porém, o que os órfãos haitianos mais precisam é de um desenvolvimento local eficaz. Um maior desenvolvimento comunitário pode reduzir a pobreza e também ajudaria a garantir que todas as crianças haitianas tenham acesso à educação de qualidade e cuidados de saúde.

O que a ONU está fazendo para erradicar o cólera no Haiti?
Fisher: Temos focado nossa atenção na área de instalações de água e saneamento, reforço de capacidade, apoio logístico e sistemas de alerta. O Haiti tem visto uma queda dramática na infecção e taxas de fatalidade, mas não é uma crise de curto prazo.


Engenharia militar brasileira apoia limpeza de valas no Haiti. Foto: ONU/G3 BRAENGCOY

Em dezembro de 2012, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lançou uma iniciativa com foco principal na expansão dos sistemas de saneamento e água potável. Mas há também um componente diretamente ligado a salvar vidas, por meio do uso de uma vacina oral contra o cólera.

Serão necessários quase 500 milhões de dólares nos próximos dois anos para que o Haiti possa implementar a primeira fase de seu plano nacional de erradicação da doença. Existem recursos para começar, mas a disponibilidade de fundos internacionais tem se mostrado muito aquém do necessário.

No lançamento da iniciativa do secretário-geral havia cerca de 215 milhões de dólares disponíveis em contribuições bilaterais e multilaterais. Esse montante exclui os 118 milhões já investidos pelo Sistema ONU desde o surgimento da epidemia em 2010, principalmente em ações de resposta ao surto.

De que forma a ONU está colaborando para que o país consiga realizar suas eleições este ano?
Fisher: O Haiti está agora em um período crucial da sua existência democrática em que a consolidação das instituições do Estado de Direito e do respeito pelos princípios democráticos são ainda mais importantes. Neste contexto, a realização das próximas eleições é uma condição para o progresso tangível não só na política, mas também no desenvolvimento socioeconômico.

Com ajuda do PNUD [Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento] poderemos também apoiar de perto o governo do Haiti em seus esforços institucionais, logísticos e operacionais.

No entanto, devemos também indicar que o atual processo eleitoral deveria ter sido feito em novembro de 2011, mas por razões peculiares aos tempos políticos e da conjuntura no Haiti, o processo só foi lançado algumas semanas atrás com a recente criação do Colégio Interino do Conselho Eleitoral Permanente, que com seus nove membros têm a responsabilidade de estabelecer o calendário eleitoral, cuja data, esperamos todos, será antes do final de 2013.

Vamos continuar trabalhando com as autoridades para agilizar os próximos passos que envolvem, entre outros, a adoção de uma revisão eleitoral. Esperamos que as eleições possam canalizar as tensões políticas e fornecer o espaço necessário para avançar em questões de justiça e de fortalecimento da Polícia Nacional do Haiti.

Destaco o papel do Brasil no atual processo eleitoral, uma vez que prevê o financiamento e tem uma perícia técnica no campo que é atualmente valorizada e reconhecida internacionalmente.

Qual o papel da ONU junto ao governo haitiano para finalizar a retirada dos deslocados dos campos para que eles vivam de forma mais adequada?
Fisher: Imediatamente depois do terremoto havia 1,5 milhão de deslocados no país. Hoje há cerca de 300 mil, uma redução de 80%. Trabalhamos com o governo num grande programa para identificar alojamentos para os deslocados e pagar o aluguel por um ano para que possam recomeçar suas vidas. Também ajudamos com a reorganização e o estabelecimento das comunidades na capital. É um programa complexo de ajuda social e econômica. A ideia é que em dois ou três anos todas as pessoas estejam fora dos acampamentos.


Mercado popular do Haiti. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Quanto tempo o senhor calcula que a missão ainda precisa permanecer no país e por quê?
Fisher: O sucesso de uma missão de paz é medido quando esta se retira e posso assegurar que trabalhamos duro para alcançar esse objetivo.

É necessário que as autoridades haitianas continuem fortalecendo suas instituições de direito e apoiando os esforços de modernização da Polícia Nacional do Haiti, de modo que o país possa, de forma soberana e autônoma, prover proteção a todos os cidadãos, sem exceção, e em todo o território nacional.

A Missão iniciou um processo de redução de pessoal a fim de preparar uma eventual retirada do país e é por isso que temos que definir algumas metas até 2016.

Entre elas estão quatro componentes prioritários: a consolidação do Estado de Direito e respeito pelos direitos humanos; o fortalecimento da Polícia Nacional do Haiti; a transferência da gestão eleitoral para as autoridades nacionais; a ampliação do âmbito da governança por meio do fortalecimento das capacidades locais e a negociação de acordos mínimos no nível político.


Patrulha em campo de deslocados. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Esta redução deve ser realizada em coordenação com as autoridades haitianas tendo em conta, por exemplo, que um país como o Haiti, com 10 milhões de habitantes, deve ter um efetivo de pelo menos 16 mil policiais. Hoje, o Haiti tem pouco mais de 10 mil. Uma das metas que estabelecemos neste plano de consolidação é chegar a 2016 com uma força de pelo menos 15 mil policiais.

Além disso, este plano consolidado também deve ter a participação de agências das Nações Unidas, em particular o PNUD, pois serão elas que, após a retirada definitiva da MINUSTAH, permanecerão no país para apoiar os esforços de desenvolvimento socioeconômico e para evitar contratempos como os experimentados em 2004.

Este roteiro, por assim dizer, também deve envolver os países contribuintes da MINUSTAH a fim de que esta Missão de Paz se retire de forma responsável e para que nunca mais se necessite voltar outra missão para esta nação caribenha.

Que tipo de auxílio o Haiti ainda precisará da ONU depois da Missão?
Fisher: As agências da ONU continuarão a desempenhar um papel fundamental no apoio às autoridades haitianas em áreas como desenvolvimento econômico, saúde, educação e no fortalecimento das instituições do Estado.

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Esta matéria faz parte de uma série de reportagens especiais, incluindo um vídeo, para o Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz, lembrado a cada ano em 29 de maio. Confira todas as reportagens em www.onu.org.br/29demaio e o vídeo abaixo.

PM exporta programa de UPPs para o Haiti

Diário do Grande ABC



O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e o primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, assinaram nesta sexta-feira, 24, termo de cooperação entre a Polícia Militar fluminense e a Polícia Nacional haitiana. O objetivo do convênio, que tem duração inicial de dois anos, é trocar informações sobre o programa de pacificação de regiões conflagradas no Rio, iniciado em dezembro de 2008 com a inauguração da primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), no Morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul da cidade.

O País caribenho precisa fortalecer suas forças de segurança, já que o cronograma da ONU prevê retirar gradualmente de lá até 2016 todos os militares estrangeiros que participam da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah). O Brasil está no comando militar da missão.

"O convênio se deu pela fase que a PM do Rio está passando, a partir das UPPs. Esse projeto vai ao encontro do que o Haiti viu como necessário para implantar no processo de pacificação lá. Eles estão numa nova fase, na qual a polícia precisa se profissionalizar. E muito do que nós passamos aqui, com as UPPs, é necessário para que eles possam reformular sua polícia", explicou o coronel Robson Rodrigues, chefe do Estado Maior Administrativo da PM fluminense e ex-comandante das UPPs.

Em julho, uma comissão da Polícia Nacional haitiana virá ao Rio para conhecer de perto o projeto das UPPs, além de unidades especiais da PM fluminense, como o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o Choque. A cada nova favela pacificada, os primeiros a ocuparem a área são justamente PMs desses batalhões devido ao risco de confronto com traficantes. Após a estabilização da comunidade, o Bope e o Choque saem para a inauguração da UPP, com policiais recém-formados.

"Além de conhecer o Bope, o Choque e as UPPs, eles também estão interessados em conhecer o nosso sistema de metas de redução de crimes e de formação de novos policiais. E depois nós iremos para lá, para fornecer informações e treinamento. Apesar de o Rio e o Haiti terem o mesmo contexto de conflagração, temos que respeitar as peculiaridades locais", disse o oficial.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pedido de Oração: Travaux de Réparation à la sous-station d'Ancien Delmas - HaitiLibre.com, Nouvelles d'Haiti, L'actualité d'Haiti, Haiti News, décryptage, enjeux, réactions, la voix du peuple Haïtien

Compartilhamos a matéria abaixo (em francês) da Companhia Elétrica do Haiti (EDH) que, desde o final de abril, a região onde moramos está com o fornecimento de energia prejudicado drasticamente. Nas últimas três semanas várias foram as noites às escuras com 33º C.

Ore ao Senhor para que, não apenas nós, mas, a Nação Haitiana veja, em breve, dias melhores com eletricidade para todos, gerando melhoria na qualidade de vida e oportunidade de desenvolvimento.



Haïti - EDH AVIS
19/05/2013 09:46:26

La Direction Générale de l’Électricité d’Haïti (EDH) informe la population en général et ses clients en particulier que la Commune de Delmas, Nazon, Christ Roi, Route Aéroport de la rue Justin Juste à Clercine, Silot, pour ne citer que ceux là, seront privés d’électricité ce dimanche 19 mai, de 9h00 a.m. à 2h00 p.m. afin d'installer un nouveau jeu de barre de 115 KV à la sous-station d'Ancien Delmas.

Ces travaux alimenteront enfin les deux nouveaux transformateurs de 50 MVA qui vont être installés à cette sous-station, suite à l’avarie de l’un des anciens transformateurs le 29 avril dernier, qui a causé depuis lors une baisse majeure des heures d'alimentation dans ces quartiers.

L’EDH compte sur la collaboration et la compréhension de la population et lui renouvelle sa détermination de la maintenir informée des avancements de cette réparation.

HL/ HaïtiLibre