quinta-feira, 21 de junho de 2012

ETM: organização missionária treina líderes cristãos no Haiti



A organização interdenominacional “Escola de Treinamento Ministerial” (ETM), é uma instituição missionária voltada para a formação de líderes que atuem como propagadores do evangelho no Haiti, e entre os projetos desenvolvidos naquele país, estão o Centro Cristão Internacional no Haiti e as atividades de Assistência Social, que compreendem ajuda básica aos membros da comunidade de cristãos da ETM.
Esse auxílio prestado aos membros da igreja envolve distribuição de alimentos, roupas e remédio, além de financiar o estudo de crianças dessa comunidade, pois o ensino público no Haiti é deficitário em termos de vagas.

Os projetos vem sendo tocados desde 2006, quando a ETM foi fundada, e contam com a parceria das igrejas Comunidade Alcance de Curitiba (diretamente ligada ao projeto), Igreja Evangélica Missionária Maranata-RJ, Igreja Menonita-Ctba e Igreja Quadrangular-Fazenda Rio Grande, além de ofertas voluntárias de pessoas que conhecem o teor do projeto.

De acordo com a fundadora do projeto, Geiza Costa Mendes, a necessidade de uma escola de formação de líderes no Haiti se dá pelo baixo conhecimento teológico dos cristãos no país. A religião oficial é o voduísmo, e as igrejas evangélicas da localidade enfrentam influência direta dessa religião em suas doutrinas e liturgias, com casos de pastores evangélicos haitianos que permanecem praticantes de vodu.

A Constituição atual do Haiti, de 1988, tornou o país Laico, ou seja, separado da Igreja e não tendo uma religião oficial! No entanto, é possível encontrar (como se lê acima) expressões como essa que generalizam e institucionam o Vodu pela sua abrangência, influência e história no Haiti. (Blog Por Um Novo Haiti)

Confira abaixo a entrevista concedida por Geiza Costa Mendes ao Gospel+:

Geiza, conte-nos sobre a atuação da ETM.

A ETM – Escola de Treinamento Ministerial é uma organização com alcance interdenominacional, estruturada para contribuir na preparação do Corpo de Cristo, visando a sua maturidade. Iniciamos a mesma no Haiti em 2006 e tem por alvo transformar vidas e formar líderes. Buscamos atingir todo aquele que deseja uma intimidade maior com Deus, principalmente líderes de ministérios para que venham a ser influências onde atuam.

ETM é uma escola fundamentada na bíblia tendo como propósito ministrar princípios que vão ajudar aos alunos a tornarem-se hábeis na palavra de Deus e aptos ao serviço cristão. Entendendo que ministério é uma palavra que vem do grego “diakonia” e significa o serviço cristão a Deus, onde quer que Ele o tenha colocado para servir.

O Centro Cristão Internacional no Haiti é uma igreja iniciada em 2009 com alvo de ganhar vidas para Jesus e ensiná-las a viver segundo a Palavra de Deus adorando a Deus, servindo a Ele e aos homens. Estamos atualmente com aproximadamente 150 membros.

Com a Assistência Social, temos como alvo auxiliar os membros de nossa igreja principalmente, sempre que nos é possível fazemos distribuição de alimentos, roupas e remédios.

Financiamos os estudos de cinco crianças, considerando que o ensino público no país é quase inexistente.

A ETM é uma escola fundamentada na Bíblia, e tem como propósito ministrar princípios que vão ajudar os alunos a tornarem-se hábeis na Palavra de Deus e aptos ao serviço cristão, desenvolvendo a vida espiritual e os dons no ministério da congregação local, bem como na comunidade, entendendo que “ministério”, palavra que vem do grego “diakonia”, significa o serviço do cristão a Deus, onde quer que Ele o tenha colocado.

Qual o tempo de atuação do projeto? Poderia contar um pouco da história, como surgiu quem idealizou?

Sou missionária e fiz minha primeira viagem ao Haiti em 2004, quando idealizamos primeiramente a formação da ETM.

Em 2005 através da Comunhão Cristã Abba trouxemos para o Brasil dois haitianos, Frederic Nozil e Gille Gala, para cursar ETMI, a mesma escola que descrevemos acima, sendo que em tempo integral e no ano me mudei para o Haiti e demos início a ETM, curso de um ano que já formou mais de 100 alunos. A partir daí o Senhor colocou em nosso coração a continuidade do trabalho, surgindo assim, a igreja e o trabalho social.

A igreja teve início no pátio emprestado de uma escola, ao ar livre, mas em grande estilo pois militares brasileiros nos emprestaram cadeiras, instrumentos, etc. O local ficou lotado e tivemos a presença de oficiais da ONU e da Embaixatriz do Brasil, mas passada a inauguração continuamos com uma média de 20 pessoas e um violão, não tínhamos cadeiras para todos e nem dinheiro para comprá-las. Mudamo-nos dia 13 passado para um local alugado.

A religião oficial do Haiti ainda é o voduísmo e há um grande sincretismo religioso; há muitas igrejas evangélicas, mas quase não conhecem a Palavra de Deus chegando ao absurdo de um grande número de pastores serem também praticantes de vodu.

Quais os parceiros que o projeto possui?

A Comunidade Alcance de Curitiba é a igreja que nos dá cobertura, contamos também com a Igreja Evangélica Missionária Maranata-RJ, Igreja Menonita-Ctba e Igreja Quadrangular-Fazenda Rio Grande. Recebemos também ofertas voluntárias de alguns amados irmãos que nos ajudam a dar continuidade ao trabalho.

Poderia contar um ou mais testemunhos de pessoas que foram beneficiadas pelo projeto?

As igrejas haitianas são na maioria extremamente religiosas e legalistas; drogados, prostitutas, ou pessoas que não estejam adequadamente vestidas não podem participar do culto (os homens nos dia de ceia devem estar de gravata e as mulheres de vestido branco e sempre de véu) e diversas outras regras. Caminhamos na contramão de tudo isto, buscando levar cada um a amar e viver a palavra de Deus. Temos conosco ex-drogados, ex-prostitutas, aproximadamente 70% dos membros de nossa igreja são jovens, dentro de um contexto em que os jovens haitianos estão deixando as igrejas.

Em setembro do ano passado um senhor se levantou e pediu para testemunhar, disse que era cego há oito anos, que morava em outra cidade e estava em Porto Príncipe para ir ao médico. Disse que estava ouvindo o louvor do lado de fora, não quis entrar por estar de bermuda, ainda que convidado; de repente sentiu a presença de anjos que tocaram seus olhos e foi instantaneamente curado para a gloria de Deus.

Lacrete é um de nossos líderes, conta que foi criado na igreja, mas para ele era apenas um local onde ele encontrava-se com amigos. Resolveu cursar a ETM objetivando o diploma estrangeiro e se relacionar com brasileiros. Mas já nas primeiras aulas sentia-se confrontado pela Palavra e decidiu assumir um compromisso com Deus, entregando-se a Ele, decidindo-se por servi-Lo. Tornou-se um dos nossos lideres, conhecedor da Palavra e ganhador de almas.

O mesmo processo aconteceu com Frederic Nozil, hoje pastor de nossa igreja, só que em seu caso, uma vez que veio cursar ETM conosco, teve esse processo aqui no Brasil.
Poderia informar os contatos de email, telefone, e endereço do projeto?

Email: geizaabba@yahoo.com.br,

Telefones: 41-3206-3996/8863-9936 (Brasil) e 509-3771-4533 (Haiti)

Endereço: Rue Gregorie, Impass Aubry # 45 – Petion Ville, Haiti

Gostaria de deixar uma mensagem para os leitores do Gospel+?

Um dos países mais pobres do mundo e o mais pobre do Hemisfério Ocidental é o Haiti. A economia é informal, sobrevive com feiras livres nas ruas e calçadas, onde se vende de tudo: roupas, comida, remédios e eletrodomésticos. Não há turismo, embora haja belas praias e montanhas.

No segundo semestre, furacões costumam atingir o país, e na década de 1970, o Haiti experimentou um processo de desmatamento desmedido, levando à triste situação de um país careca tornando o solo vulnerável a erosão decorrente de ciclones, chuvas e ventos. Possui 2/3 de montanhas e 1/3 de planície, e quando a chuva vem, leva tudo o que encontra, inundando casas, destruindo plantações e ceifando vidas.

Em janeiro de 2010 um terremoto classificado como a maior catástrofe de todos os tempos dizimou mais de 300.000 haitianos e na capital ainda vemos escombros por todos os lados, fome e miséria.

Do ponto de vista espiritual, segundo seus líderes religiosos, o país vive sob um cativeiro satânico. Foi o primeiro país negro do mundo a tornar-se independente, o que aconteceu em 1804, à custa de sacrifícios de porcos, sendo o sangue bebido pelos presentes que, ofereceram assim, o país ao diabo. Desde então, cada presidente que é eleito no Haiti deve voltar àquele lugar para renovar o pacto.

O catolicismo mistura-se com as práticas de vodu, e este sincretismo também acontece entre os evangélicos. Falta discipulado, e a evangelização é superficial.

Uma das maiores necessidades entre os cristãos é a formação de líderes maduros, conscientes de seu chamado, pois a maioria entende ministério apenas como emprego.

As pessoas estão sempre buscando ajuda de fora e há um espírito de frustração e baixa auto-estima entre o povo haitiano

Muitos dizem do Haiti: “O país onde o diabo tira férias”, ou “que 95% dos haitianos são católicos e 100%, adeptos do vodu”.

Ressalto que essa informação acima não está baseada em pesquisa, mas, no empirismo da autora. Segundo os dados da ONU: 68% dos haitianos são católicos, 24% são evangélicos, 8% pertencem a outras religiões, e que 51% da população é praticante do voduísmo! (Blog Por Um Novo Haiti)

Nós, cristãos, somos aqueles que Deus escolheu para mudar esta historia. É um desafio de fé e com certeza, unidos alcançaremos grandes vitórias para o Senhor.

Novas regras não impedem vinda ao Brasil de haitianos sem vistos

BBC Brasil

A mudança nas regras migratórias anunciada em janeiro pelo governo brasileiro para ordenar o fluxo de imigrantes do Haiti ao Brasil não está contendo a vinda de novas levas de haitianos sem vistos.

Cerca de 150 imigrantes do país caribenho estão no município peruano de Iñapari, na divisa com Assis Brasil (AC), à espera de autorização para atravessar a fronteira. O grupo começou a se formar no fim de abril, alguns dias após o governo brasileiro permitir o ingresso de 245 haitianos que estavam na mesma cidade havia três meses.

Segundo Altenord Roomeluf, um dos porta-vozes dos imigrantes, a situação do grupo é desesperadora. "Não temos mais comida, só sobraram alguns sacos de farinha", disse.

Roomeluf, mestre de obras de 27 anos, afirma que a nova leva é formada em sua maioria por haitianos que viviam na República Dominicana, país que faz fronteira com o Haiti. Eles não se enquadram, portanto, na resolução do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) que, a partir de janeiro, passou a autorizar a emissão de 100 vistos de trabalho mensais para que haitianos residentes no Haiti se mudassem ao Brasil. Após a resolução do CNIg, a Polícia Federal passou a barrar nas fronteiras haitianos sem vistos.

As medidas buscavam ordenar a migração do grupo ao Brasil. Segundo o CNIg, desde o terremoto que arrasou o país caribenho, em 2010, cerca de 6 mil haitianos migraram para o Brasil. No início de abril, porém, o governo decidiu acolher os haitianos que estavam em trânsito quando editou a resolução. A medida beneficiou os 245 imigrantes que estavam em Iñapari e centenas de outros que já haviam ingressado no território brasileiro, mas ainda não tinham tido seu status migratório regularizado.

Desinformação 

Segundo Roomeluf, os 150 haitianos atualmente em Iñapari não souberam da alteração nas regras migratórias brasileiras. "A informação não chegou à República Dominicana e nem ao interior do Haiti."

O grupo, integrado por cerca de 25 mulheres (uma grávida) e duas crianças, tem dormido em escritórios cedidos por um empresário local. Cada cômodo é dividido por ao menos 20 pessoas. Apesar das condições, Roomeluf diz que não pretende voltar. "Viemos de muito longe e aqui aguardaremos. Esperamos que o Brasil nos receba, queremos trabalhar."

O mestre de obras diz ter gasto US$ 4 mil (R$ 8 mil) para se deslocar da República Dominicana ao Brasil. A viagem incluiu dois deslocamentos aéreos (da República Dominicana ao Panamá e, de lá, ao Equador) e um longo percurso de ônibus de Guayaquil (Equador) até Iñapari.

Além dos gastos com passagens e hospedagem, haitianos dizem ter desembolsado uma "taxa extra" individual de US$ 250 para atravessar a fronteira do Equador com o Peru. O dinheiro, segundo eles, foi repartido entre atravessadores e autoridades peruanas.

Reunião extraordinária 

Em audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira que tratou da migração de haitianos ao Brasil, o chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Justiça, João Guilherme Lima Granja, afirmou que o caso do novo grupo em Iñapari seria tratado pelo Ministério da Justiça em reunião extraordinária nos próximos dias.

Também presente à audiência, o presidente do CNIg, Paulo Sério de Almeida, disse que não estava a par da nova leva. "É uma informação nova e um caso diferente, porque aparentemente esse grupo viajou para o Brasil após a resolução. Precisamos estudar a situação antes de tomar uma decisão." Para Almeida, é preciso investigar se há redes de aliciadores atuando na República Dominicana.

O diretor do Departamento de Imigração e Assuntos Jurídicos do Itamaraty, Rodrigo do Amaral Souza, também não se manifestou sobre o destino do grupo, mas disse que o órgão tem buscado "valorizar o novo canal oficial criado para os haitianos" pela resolução do CNIg e "direcionar o fluxo para esse canal". Souza afirmou ainda que, se constatado que a cota mensal de vistos aos haitianos se mostrar inferior à demanda, o número poderá ser elevado.

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, afirmou que apresentaria um requerimento ao órgão para que parlamentares visitem Iñapari e confiram a situação dos haitianos. "Nossa política não tem sido suficiente para atender à demanda desses imigrantes haitianos", diz. "Vamos intermediar o contato deles com o governo para que se chegue a uma solução satisfatória, afinal eles vieram ao Brasil atrás de trabalho e de uma vida digna."

Ajuda do Peru 

Desde que passou a exigir vistos dos haitianos, o governo brasileiro pediu ao Peru - principal porta de entrada do grupo para o Brasil - que adotasse a mesma postura. No entanto, segundo haitianos que não quiseram ser identificados, a exigência do visto (incorporada pelo Peru no fim de janeiro) tem sido burlada por meio do pagamento da "taxa extra" aos atravessadores.

Segundo o Itamaraty, o Brasil concedeu 295 vistos de trabalho a haitianos entre 18 de janeiro, quando passou a vigorar a resolução do CNIg, e 18 de junho. O número equivale a 59% da cota de vistos que a embaixada brasileira em Porto Príncipe poderia ter emitido no período (500, ou 100 por mês). No entanto, o órgão diz que, nos últimos dois meses, emitiu a cota máxima de vistos, o que atribui à disseminação no Haiti da informação sobre os novos procedimentos.

Para se candidatar ao visto, além de pagar US$ 200, o postulante deve ter passaporte em dia, ser residente no Haiti (o que deve ser comprovado por atestado de residência) e apresentar atestado de bons antecedentes.

Presidente haitiano reivindica mais atenção na luta contra pobreza

EFE

O presidente do Haiti, Michel Martelly, reivindicou mais atenção na luta contra a pobreza durante os debates sobre desenvolvimento sustentável da Conferência da ONU Rio+20.
"Como falar em desenvolvimento sustentável sem falar das condições de sobrevivência da população e dos Estados que possuem sérias dificuldades?", indagou Martelly nesta quinta-feira em seu discurso na sessão plenária da Rio+20.

O governante haitiano assinalou que seu país, o mais pobre entre os países da América, está mais exposto às mudanças climáticas e as catástrofes naturais do que as nações industrializadas por conta da pobreza e da instabilidade política, além da "devastação" de suas florestas.

Martelly afirmou que o Haiti carece de recursos para enfrentar as catástrofes e alertou sobre o "risco" de não conseguir cumprir os Objetivos do Milênio da ONU.

O líder haitiano afirmou que as promessas de desenvolvimento traçadas na Cúpula da Terra em 1992 "não foram cumpridas" e, por isso, defendeu a elaboração de "medidas concretas e ambiciosas" para "vencer os desafios da pobreza e das mudanças ambientais".

Sobre a Rio+20
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Depois do período em que representantes de mais de 100 países discutiram detalhes do documento final da Conferência, o evento ingressou quarta-feira na etapa definitiva e mais importante. Até amanhã, ocorre no Riocentro o Segmento de Alto Nível da Rio+20, com a presença de diversos chefes de Estado e de governo de países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não vieram ao Brasil, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Além disso, houve impasse em relação ao texto do documento definitivo, que segue sofrendo críticas dos representantes mundiais. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Entrevista do Presidente Haitiano, Michel Martely, ao Jornal "O Globo"

Yahoo! Notícias

PORTO PRÍNCIPE - Dois anos após o terremoto que destruiu o país, o presidente haitiano, Michel Martelly, afirma que a tragédia está começando a ficar para trás para o mundo, mas que essa "realidade ainda permanece para a população do Haiti". Martelly recebeu o GLOBO na segunda-feira em seu gabinete, montado ao lado do Palácio Nacional, que permanece destruído. O ex-cantor popular conhecido no país como Tèt Kale (O Careca, em creole) está completando um ano no cargo.

As pesquisas do governo apontam que ele tem aprovação de 80%, por conta das ações na educação e em favor dos moradores dos campos de desabrigados. No entanto, recebe críticas de que a reconstrução do país pouco avançou.

O presidente haitiano participa no Brasil da Rio+20 e - numa postura destoante da dos líderes de muitos países - assegura que vai falar sobre "o desastre que o Haiti representa para o meio ambiente". Por isso, o evento, para ele, terá como foco buscar parcerias a fim de tentar reverter esse quadro.

O GLOBO: O ator Sean Penn disse no Festival de Cannes que o mundo esqueceu o Haiti. O senhor concorda?


MICHEL MARTELLY: O mundo é muito dinâmico. As coisas mudam a cada minuto, a cada segundo. E à medida que o terremoto vai ficando para trás, o impacto que ele teve na população do Haiti e na população mundial também vai diminuindo. Mas infelizmente a realidade permanece e ela permanece para a população do Haiti. Diria que algumas pessoas se desmotivaram porque viram que as coisas estavam se movendo devagar, outras estão vivendo momentos diferentes da época do terremoto, como alguns países que estão passando por problemas que não tinham há dois anos. E outros estão esperando para ver como o governo vai atuar.


A ajuda estrangeira se tornou insuficiente?

MARTELLY: A ajuda estrangeira nunca será suficiente. Estamos trabalhando para sensibilizar o povo haitiano, para que ele entenda que não podemos depender totalmente da ajuda de outros países. Temos de trabalhar duro. Vamos precisar de cooperação, mas compreendo que à medida que os países passam a enfrentar seus próprios problemas, conseguiremos menos dinheiro de nossos parceiros.


O Brasil continua um bom parceiro?

MARTELLY: Eu considero o Brasil um parceiro de verdade. Vocês contribuíram muito com a Minustah, tentando manter a segurança no Haiti, e também com agricultura, esportes, educação e realizaram um investimento grande para a construção de uma usina. Claro que ainda não começamos as obras. O Brasil ofereceu US$ 40 milhões, o BID ofereceu outros US$ 30 milhões, o que nos deixa com US$ 70 milhões. Entretanto, o que falta é muito mais do que já temos.


O senhor é a favor da manutenção do projeto doado pelo Brasil para a usina de Artibonite?

MARTELLY: Energia elétrica é um grande problema no Haiti, então precisamos desse projeto. Mas não conseguimos levantar os recursos, não temos os US$ 192 milhões necessários. Então pensamos que poderia haver uma redução do projeto. Transformar esse projeto de US$ 192 milhões em outro de US$ 100 milhões. Se conseguirmos isso, teríamos uma usina menor, mas conseguiríamos avançar.


Qual sua posição sobre a emigração de haitianos para o Brasil e a política de vistos?

MARTELLY: Isso mostra o interesse que o Brasil tem pelo povo haitiano. Os haitianos são trabalhadores e, desde que tenham oportunidades, conseguem mostrar isso. Oferecer cem vistos por mês é dar essa oportunidade e também reforçar a produção no Brasil. Se são jovens, também vão querer estudar, se aperfeiçoar e depois voltar ao Haiti. Para mim, essa decisão da presidente Dilma é uma mostra da sua determinação de andar lado a lado com os haitianos.


Mas críticos dizem que o país está perdendo importantes peças para a reconstrução, como professores, que se tornam mão de obra barata no Brasil...


MARTELLY: Eu não acho que essa seja a melhor forma de enxergar a questão. Se esses haitianos quiserem partir, têm o direito. Você não pode impor que fiquem aqui e não desfrutem dessa política. A questão também envolve oferecermos algo para que eles escolham ficar no Haiti.


Os países que atuam no Haiti já começaram a discutir a retirada da Minustah. O senhor considera prematuro?


MARTELLY: Não podemos falar apenas sobre a retirada da Minustah. Precisamos acrescentar a questão da habilidade da Polícia Nacional. Isso não pode ser apenas a decisão de um lado, do tipo "acabou o tempo e a Minustah tem de ir embora". Precisamos pedir uma renovação do período de estada da Minustah. Isso porque ainda precisamos de mais policiais, mais ferramentas, mais carros, mais armas, mais treinamento, precisamos reforçar o Judiciário. Se forem necessários dois anos, ou três anos para nos sentirmos seguros sem os soldados da Minustah, então provavelmente ela deveria ficar nesse período.


Como será a participação do Haiti na Rio+20?


MARTELLY: Pretendo usar essa plataforma para falar sobre o desastre que o Haiti representa em termos de meio ambiente. Isso porque acredito que possamos identificar parceiros para trabalhar conosco e modificar essa situação. Atualmente é uma loucura o que vivemos. Temos só 1,5% de cobertura vegetal.


Como o Haiti conseguirá dar atenção para uma agenda de sustentabilidade, diante do desafio da reconstrução?


MARTELLY: Queremos tentar novas tecnologias de energia limpa, por isso estamos interessados em uma usina hidrelétrica em Artibonite. E também queremos nos reunir e fechar parcerias com a Alemanha, que domina a energia solar. O que estamos vivendo no Haiti é consequência de falta da educação do passado, da falta de sensibilidade e do desrespeito à legislação. As instituições eram tão fracas que não conseguimos preservar florestas. Precisamos de especialistas que façam sugestões e estudos.


Como avalia o seu primeiro ano de governo?

MARTELLY: Tive condições de enviar mais de um milhão de crianças para a escola - e de graça - algo que nunca havia acontecido no Haiti. E também fizemos um planejamento do sistema de transporte gratuito para as crianças, além de refeições. Continuamos a melhorar as condições dos que estavam nos acampamentos. As pessoas andavam no Haiti e viam muitas praças tomadas por barracas, mas agora estão vazias. Isso deixa claro que a vida está voltando ao normal.

Brasil forma agentes comunitários de saúde no Haiti

Portal da Saúde

Cooperação entre Brasil, Haiti e Cuba auxilia na estruturação da rede de atenção básica do país.

O Brasil, por meio do Ministério da Saúde, está contribuindo com mais uma ação para a organização da rede de atenção básica no Haiti. Em parceria com os governos de Cuba e do Haiti, o governo brasileiro oferece cursos de formação de agentes comunitários de saúde. O Projeto já formou 58 profissionais. Nesta terça-feira, (19), foi realizada a aula inaugural na L’ Académie des Perles Noires, em Porto Príncipe, no Haiti para seis novas turmas, que formarão 180 novos agentes.

Os profissionais vão trabalhar nas regiões de Carrefour, Bom Repos e Beudet, região metropolitana de Porto Príncipe, capital do Haiti. A meta é formar cerca de mil agentes comunitários até o fim do projeto para atingir as demais regiões do país.

Em parceria com Cuba e Haiti, o Brasil desenvolveu o currículo dos cursos e realizou treinamentos para a formação de professores. O ministério também participou do processo de locação de salas, implantação de uma secretaria escolar e aquisição de equipamentos, computadores e materiais didáticos para as aulas. Uma equipe de técnicos brasileiros colabora com o projeto.

A ação faz parte do Projeto Tripartite (Brasil-Cuba-Haiti) e do Projeto de Cooperação Sul-Sul de Fortalecimento da Autoridade Sanitária do Haiti. O auxílio brasileiro ao país utiliza recursos extraordinários do Ministério da Saúde aprovados pelo Congresso Nacional em 2010, conforme a Lei 12.239, para operações de assistência especial no exterior e assistência humanitária ao Haiti, em iniciativas voltadas para a saúde.

RECONSTRUÇÃO DO PAÍS

Os ministérios da Saúde do Brasil e de Cuba atuam em ações conjuntas na reconstrução do setor no Haiti. Desde 2004, por mandato da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil chefia a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH). Além de manutenção da paz, exerce ajuda humanitária, ampliada depois do terremoto de janeiro de 2010 naquele país.

Em março deste ano, o Ministério da Saúde doou 4.349.000 doses de vacinas BCG (formas graves de tuberculose), Pólio (poliomielite), DPT (difteria, tétano, coqueluche) e DT (difteria e tétano). Para a aquisição destas vacinas, o Ministério da Saúde investiu 1,4 milhão de dólares, além de 54 mil dólares no transporte dos produtos, que contou com o apoio da Organização Panamericana da Saúde (OPAS). O Brasil também auxiliou o Haiti em abril deste ano na campanha de vacinação massiva contra poliomielite, sarampo e rubéola.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Radical Haiti é destaque no SIM


JMM - Missões Mundiais

Por Marcia Pinheiro
13 de junho de 2012





O Projeto Radical – Voluntários Sem Fronteiras ganhou grande destaque no SIM, Todos Somos Vocacionados, com os desafios lançados para o Radical Ásia. O Pr. Fabiano Pereira, coordenador do Radical, lembrou os 10 anos do programa que será comemorado na próxima Assembleia da CBB, marcada para janeiro de 2013 em Sergipe, e também o lançamento do livro que vai contar as “Histórias Radicais”. Vários jovens que já completaram o projeto se envolveram integralmente na produção do SIM, provando que as marcas de tudo o que viveram no campo missionário permanecerão pra sempre em suas vidas. Hoje são pessoas dispostas a servirem sempre ao Reino, colaborando na transformação de outras vidas.

Prova disso foram os mais de 30 jovens que entregaram suas vidas para compor a primeira turma do Radical Haiti. Isso mesmo: o Radical Haiti praticamente nasceu no SIM! Motivo de alegria para Daniel Registre e Reginald Pyrhus, haitianos que relataram todo o drama vivido pelo seu povo durante e após o terremoto que devastou o país em 2010 e como eles têm recebido as caravanas de voluntários de Missões Mundiais.

“Os voluntários dessas caravanas têm apoiado não só a reconstrução de nosso país, ajudando-nos a reerguer igrejas, escolas, casas e hospitais. Eles têm reconstruído vidas”, disse Daniel Registre.

Eles estão estudando no Seminário de Belo Horizonte/MG graças à parceria firmada entre Missões Mundiais e a Convenção Batista Haitiana. Após os estudos, eles retornarão ao Haiti onde provavelmente servirão como missionários locais.

“Missões Mundiais pode construir igrejas, mas a sua presença no Haiti não tem preço”, desafiou Daniel.

A dupla agradeceu a todos que têm investido no Radical Haiti e no projeto Por um Novo Haiti. Os seminaristas dividiram o palco do SIM com o cantor Fernandinho e a equipe de Missões Mundiais presente ao evento.

terça-feira, 12 de junho de 2012

ONU: cerca de 250 mil haitianos podem contrair cólera este ano

Portal Vermelho

Até 250 mil haitianos podem contrair o cólera durante a temporada de chuvas e furacões, que vai de junho a novembro, alertou a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Crianças aguardam tratamento em hospital de campana no Haiti/ AP


Chuvas fortes e enchentes podem contaminar as fontes d'água, e causar até 4 mil novos casos da doença, por semana. Ao mesmo tempo, recursos para o financiamento da prevenção e tratamento da enfermidade estão chegando ao fim.

Recursos

O apelo financeiro consolidado para o país é de US$ 230,5 milhões, ou quase R$ 470 milhões. Desta cifra, menos de 20% foram obtidos, o que o coloca em segundo lugar mundial em carência de recursos.

O Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, indica que esse montante deveria ser direcionado ao financiamento de setores essenciais, como saúde, água e saneamento.

O diretor de operações do Ocha, John Ging, disse ser "inaceitável" que muitos avanços alcançados no ano passado tenham sido perdidos devido à falta de recursos. Ele acrescentou que "tendo socorrido tantos haitianos após o terremoto, nos falta agora ajudá-los, urgentemente, a recontruir suas vidas".

Prioridade

O Ocha cita relatos de trabalhadores humanitários, na capital Porto Príncipe, afirmando que a epidemia do cólera já infectou mais de 27 mil, e matou cerca de 200 haitianos apenas neste ano.

A ministra da saúde do país, Florence Duperval Guillaume disse que a prioridade mais urgente é a melhoria da condição de vida de centenas de milhares de pessoas, que não têm acesso à água potável ou saneamento básico. Segundo a ministra, esse é um passo essencial para o combate à epidemia.

Fonte: Rádio ONU

domingo, 10 de junho de 2012

Haiti: país tem cerca de 500 mil crianças fora das salas de aula

Portal Vermelho

Educação pública, gratuita e de qualidade foi o tema central do seminário "Direito Humano à Educação no Haiti: Desafios e Horizontes”, realizado semana passada na capital haitiana, Porto Príncipe.
O evento reuniu representantes de organizações da sociedade civil e educadores/as haitianos, além de uma delegação internacional da Campanha Latino-americana pelo Direito à Educação (Clade), com especialistas e membros de organizações parceiras de oito países.

Durante três dias, os participantes empreenderam debates e realizaram visitas de campo, como no acampamento Camp Toto, para conhecer de perto a situação da educação no país. Uma das constatações mais sérias foi que hoje o Haiti tem cerca de 500 mil crianças em idade escolar fora das salas de aula. Além disso, a taxa de analfabetismo absoluto está acima dos 50%.

Outro problema constatado e amplamente criticado foi o nível de privatização na educação. Atualmente, 92% das escolas são privatizadas, taxa considerada o mais alta do planeta. Esta realidade é um empecilho para que milhares de meninos e meninas tenham acesso à escola, já que o valor cobrado anualmente, cerca de 70 dólares, é impraticável para a grande maioria.

Durante as visitas, os participantes também verificaram as péssimas condições dos equipamentos de educação no país; a superlotação nas salas de aulas, que por vezes abrigam até 225 alunos na zona rural; e a imposição do francês na educação, mesmo quando a língua materna do país é o creole.

A constatação destes e de outros problemas motivou as organizações locais e as comissões internacionais a chamarem atenção das autoridades por meio de um manifesto, que foi entregue ao chefe do gabinete do Ministério da Educação, Frantz Casséus. O documento cobra do Estado que se posicione como garantidor do direito à educação em todas as regiões do país e destaca demandas urgentes.

Uma delas diz respeito à adoção de um marco legal e institucional por meio do qual o Estado promova o fortalecimento e a consolidação de um sistema público de educação. Outra reclamação é o cumprimento incondicional da gratuidade da educação pública primária.

O documento também rejeita a crescente privatização da educação e os projetos de organismos financeiros internacionais, e pede financiamento estatal para garantir o direito à educação para todos/as, em todas as etapas e modalidades, até durante a educação superior.

Os/as professores/as também são lembrados. Para estes profissionais é pedido que se cumpram todas as obrigações estatais em matéria de remuneração e condições dignas de trabalho. Também se reivindica que sejam tratados com respeito os/as ativistas e integrantes de movimentos sociais. A criminalização destes atores sociais é enfaticamente criticada e se pede liberdade para que exerçam seus direitos à liberdade de expressão, manifestação, associação e crítica ao governo.

O seminário e as visitas de campo fazem parte da iniciativa "Haiti somos todos e todas”, incentivada pela Clade com o apoio de parceiros regionais e internacionais. O encontro foi realizado para dar visibilidade aos desafios enfrentados pelo povo haitiano para conseguir ter acesso ao direito humano à educação pública, gratuita e de qualidade para todos/as sem discriminação.

Fonte: Adital

sábado, 9 de junho de 2012

Taioba: uma verdura rica em nutrientes e comum no Haiti!

Agrosoft Brasil :: O que aconteceu com a taioba?



Ela é rústica, bonita, saborosa, de boa versatilidade gastronômica, muito bem adaptada ao clima tropical, mas, infelizmente está hoje fora do circuito comercial do País. Essa é a taioba, uma hortaliça com folhas parecidas com a couve, porém bem mais altas e largas e que no passado fez parte da dieta do brasileiro. Junto com a couve e o quiabo, era item quase diário nas refeições durante o período colonial. Não que ela tenha sumido completamente das receitas. No entanto, são muito raras as hortas que cultivam esta verdura, possivelmente por desconhecimento de suas possibilidades culinárias e de seu poder enquanto alimento.
No Brasil, uma das iniciativas que tenta integrar a taioba - e outras plantas comestíveis consideradas não convencionais - ao cultivo comercial em estímulo à agricultura familiar é desenvolvida pelaEmbrapa Hortaliças, em Gama (DF). Além de se dedicar ao estudo e disseminação de seu cultivo, o engenheiro agrônomo e pesquisador da unidade, Nuno Rodrigo Madeira, é fã de carteirinha. "Tenho 50 pés na minha casa; preparo e como pelo menos duas vezes por semana no verão",admite.

De nome científico Xanthosoma sagittifolium, a taioba é considerada detentora de alta concentração de nutrientes e alimento adequado para crianças, atletas e idosos. Pesquisas feitas com a hortaliça ao longo das últimas décadas detectaram em suas folhas grande concentração de vitamina A (superior a brócolis, cenoura ou espinafre) além de vitamina C, ferro, potássio e manganês. Uma planta que é um verdadeiro coquetel vitamínico e que cresce facilmente em qualquer quintal.

A hortaliça se desenvolve com facilidade em climas quentes e úmidos, típicos de áreas tropicais, em temperaturas médias entre 25 e 35 graus. O solo deve ser bem drenado e preferencialmente indica-se o plantio em área de boa incidência de luz natural.

Apesar de pouco conhecida no Brasil, a taioba ainda conta com algumas ilhas de consumo no País, "Tem certa demanda nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e, sobretudo, em Minas Gerais", afirma o pesquisador.

Nas pequenas cidades do Sul de Minas e Zona da Mata, são comuns cenas de pequenos agricultores carregando enormes maços de folhas de taioba em garupas de bicicletas para vender em feirinhas ou de porta em porta. Nos quintais de terra com boa drenagem e rica em matéria orgânica, a taioba geralmente se multiplica e é colhida minutos antes das refeições, uma vez que seu preparo mais comum -- folhas rasgadas e refogadas -- é bem rápido. Um dos pratos mais populares do dia-a-dia da cozinha mineira é a taioba com angu e linguiça.

Por outro lado, a grande maioria dos agricultores familiares brasileiros desconhece essas e outras hortaliças e acabam desprezando o que lhe poderia dar renda ou servir como alimento. "Já estive em regiões e vi horticultores, em dificuldades até para garantir seu próprio alimento, capinando e jogando fora almeirão, serralha, taioba e reclamando que o mato estava invadindo a horta", conta Madeira.

Enquanto isso, em outros países, o consumo é bem mais sólido. No mês de julho, Nuno Madeira esteve no Haiti e conferiu isso de perto: eu comi rizoma de taioba que lá eles chamam de malangá e também um bolinho feito com base na hortaliça que eles batizaram de acra". Além das folhas e dos rizomas, o pecíolo (haste que liga a raiz à folha) também é comestível. "Empanado e frito fica uma delícia",admite Madeira.

Cuidados

Um dos gargalos que dificulta a abertura de mercado para a taioba está na pós-colheita. "As folhas devem ser constantemente umidificadas, pois a tendência é que murchem rapidamente. Por isso, invariavelmente essa hortaliça tem de ser comercializada no mesmo dia", explica.

No entanto, nada preocupa mais o consumidor e o horticultor do que identificar corretamente a taioba comestível da taioba selvagem, considerada venenosa. O pesquisador da Embrapa adianta que as variedades impróprias para o consumo se encontram mais concentradas na Amazônia e que as plantas no Sudeste dificilmente são prejudiciais.

No entanto, ele dá algumas dicas para distinguir cada uma delas. "O primeiro passo é ter um histórico de procedência da planta ou da muda. Em seguida devem-se observar as seguintes características: se houver um ponto roxo onde o pecíolo encontra a folha, a tendência é ser selvagem; quando houver uma nervura perimetral, dando volta completa na borda da folha, geralmente é comestível; quando o "V" da forma de coração, que consideramos como a reentrância da folha, atingir o pecíolo, em 90% dos caos é comestível", orienta.

Para o horticultor que quer cultivar a taioba, Madeira ressalta alguns cuidados necessários: "primeiramente o ideal é comercializá-la no mesmo dia; a colheita deve ser feita sempre à sombra, de preferência bem no início da manhã; até a venda, as folhas devem permanecer umidificadas e em ambiente fresco".

Para quem não conhece as qualidades gastronômicas da taioba ou qualquer referência a ela, o pesquisador da Embrapa garante: "sou suspeito para falar, mas em comparação com a couve, por exemplo, o sabor é maravilhoso".

O produtor que se interessar por mais detalhes sobre a taioba pode manter contato com a Embrapa Hortaliças, em Gama (DF), pelo telefone (61) 3385-9000 ou conhecer mais da unidade de pesquisa pela internet: www.cnph.embrapa.br.

Alta concentração de nutrientes

Para cada 100 gramas de taioba, encontramos:

Energia (Kcal) - 34
Carboidrato - 5,4 g
Proteina - 2,9 g
Lipídios - 0,9 g
Fibras - 4,5 g
Cálcio - 142 mg
Magnésio - 38 mg
Fósforo - 53 mg
Ferro - 1,9 mg
Sódio - 1 mg
Potássio - 290 mg
Zinco - 0,6 mg
Vitamina B2 - 0,10 mg
Vitamina B6 - 0,10 mg
Vitamina C - 17,9 mg

As informações acima são do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Alimentação (NEPA) da Universidade Estadual de Campinas(Unicamp).

FONTE

Ariosto Mesquita - Jornalista
E-mail: ariostomesquita@globo.com
Links referenciadosNúcleo de Estudos e Pesquisa em Alimentação
www.unicamp.br/nepa

Universidade Estadual de Campinas
www.unicamp.br

ariostomesquita@globo.com
ariostomesquita@globo.com

Nuno Rodrigo Madeira
lattes.cnpq.br/1382256855803640

Embrapa Hortaliças
www.cnph.embrapa.br