sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pastoral Missionária: Muitos dizem! Poucos, porém, decidem!

Pr. André Souto Bahia
Missionário no Haiti

De volta ao Brasil, depois de quinze dias intensos e gratificantes servindo junto com outros 25 brasileiros e uma chilena em oito comunidades haitianas, uma frase que ouvi do nosso missionário autóctone, Pr. Jonathan Joseph, me acompanhou desde a saída de Porto Príncipe (capital do Haiti) até agora.
Era noite, e o grupo já havia jantado. Eu, porém, em virtude de algumas questões administrativas precisei demorar um pouco mais que os demais para desfrutar da deliciosa comida haitiana, preparada pela equipe de cozinha da Conexão Batista Haitiana que nos hospedou naqueles dias. À mesa estava o casal que coordena a Conexão, Pr. Jonathan e sua esposa, Madame Alexandra Joseph. Ao me sentar, o pastor e a madame sorriam e cantarolavam em português: “Eis-me aqui! Envia-me a mim!”. Foi aí que o Pr. Jonathan me falou: “Pr. André: muitos dizem ‘eis-me aqui’, porém, poucos decidem ‘envia-me a mim’”. No momento sorri e respondi sem muito pensar: “É verdade”! Porém, durante a viagem de retorno, analisando as outras Caravanas Missionárias ao Haiti que participei e vendo que mais de oitenta outros brasileiros já estiveram naquela terra, e mais estes vinte e sete, mas que ainda não temos uma família batista brasileira permanente naquelas terras percebi o quanto daquela frase é verdade, e quão desafiadora é. Mais ainda, quantos campos, quantos Haitis, dentro e fora do Brasil são conhecidos por sua carência do Evangelho, suas necessidades dos valores do Reino, pelos quais a Igreja inclusive já disse: “Eis-me aqui, Senhor!”, mas que ainda não se decidiu por “Envia-me a mim!”?
Tudo isso me fez recordar as palavras de Jesus após olhar para a multidão aflita e exausta como ovelhas sem pastor registradas em Mateus 9.37. Para Jesus, não faltam recursos. Faltam obreiros! Gente que vai além do discurso, do canto, do saber. Gente disposta a viver Hebreus 11.33-40, e não apenas estudá-lo, não apenas realizar uma boa exegese e hermenêutica, mas torná-lo a inevitável escrita da sua lápide!
Estou certo que nenhum cristão compreende a largura e a profundidade, a altura e a extensão do sacrifício de Jesus – como disse o Pr. Marcos Grava – sem que passe pessoalmente pela experiência de deixar seu “trono”, sua zona de conforto, sua agradável e segura habitação, para assumir a condição de servo/serva em outra cultura – ainda que temporariamente – entre outros além dos seus! A isso, acrescento o desafio de não apenas vivenciar uma experiência missionária transcultural, mas viver o que cantamos, viver o que conhecemos, viver o que já entendemos!
                — “Oh! Onde os obreiros a trabalhar?”
Espero que ao ler este meu compartilhar você decida fazer parte daqueles que dizem, como Isaías e alguns poucos obreiros: “Eis-me aqui, Senhor. Envia-me a mim!”, ao invés da triste, mas popular afirmação: “Eis-me aqui, Senhor. Envia meu irmão!”.
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