sábado, 28 de janeiro de 2012

Cristianismo cresce e substitui prática “vodu” no Haiti após 2 anos do terremoto



Dois anos depois de um terremoto devastador matou um número estimado de 300.000 pessoas no Haiti, o cristianismo vem rapidamente substituindo “Vodu” na vida e práticas do povo haitiano, revela missionária.-Clique, leia, ORE e comente…





De acordo com a Central Intelligence Agency Factbook Mundial, há uma fusão de crenças no Haiti – 80 por cento das pessoas professam o catolicismo, outros 16 por cento são protestantes e cerca de metade da população ainda pratica o vodu.

(Foto: Reuters / Shannon Stapleton) 
Homens que perderam parentes no país de janeiro/10 passando entre os túmulos das vitimas do terremoto no Haiti
No entanto, não é segredo que o cristianismo tem se expandido como uma religião no Haiti – e uma série de missionários cristãos e organizações de caridade que voou para a nação caribenha para ajudar os milhões de necessitados e desesperados também contribuíram para um movimento de conversão de grande porte.

Um desses grupos, a Fundação Haiti of Hope , uma organização cristã que atende as necessidades físicas, emocionais e espirituais das pessoas nas comunidades rurais empobrecidas do norte do Haiti, construiu uma série de programas comunitários de saúde nas aldeias locais e foram eles que contemplaram as primeiras pessoas deixando a crença e pratica do vodu e se entregaram a pessoa do Senhor Jesus.

“O pano de fundo e crença religiosa no Haiti tem sido Vodu. Este ritual veio da África, e foi integrado ao catolicismo. Com o trabalho desenvolvido junto ao povo haitianos eles tem vindo a conhecer o amor de Cristo, tem tido um grande número de pessoas que abandonou o Vodu e aceitou a Cristo “, disse Linda Markee The Christian Post. Markee é a secretária, membra do conselho e fundadora da Fundação Haiti da Esperança e passou dois anos vivendo e trabalhando na nação caribenha.

“Depois do terremoto as pessoas se voltaram para o Senhor Jesus, especialmente aquelas que sentiu as dores que o terremoto trouxe. Não só os que estavam em Porto Prince que sentiram, mas o mundo todo sentiu os horrores que um terremoto traz. Mas as pessoas diretamente afetadas, a qual perderam membros da família em um país onde não existe condições de atender a esta situação pelo governo local, foi então que nesta situação vi muitas pessoas ao invés de buscar o vodu, se esqueceram desta pratica e receberam a pessoa do Senhor Jesus” – disse Linda.

“A maioria das pessoas que estão seguindo o Vodu sabe que os “deuses” desta pratica não têm poder nenhum. E a maioria deles estão vendo que não recebem nada do Vodu. Em contrapartida como cristãos tem visto trabalhos em diferentes aldeias, e especialmente aqueles que iniciam ministérios que busca alcançar muitos para Cristo, existem algumas mudanças definitivas em curso, “ela continuou.

Acrescentou que já começou um pequeno conflitos entre os novos convertidos e os feiticeiros locais, mas o trabalho continua nas mais diferentes áreas para poder levar a pessoa do Senhor Jesus a muitos mais.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pastoral Missionária: Muitos dizem! Poucos, porém, decidem!

Pr. André Souto Bahia
Missionário no Haiti

De volta ao Brasil, depois de quinze dias intensos e gratificantes servindo junto com outros 25 brasileiros e uma chilena em oito comunidades haitianas, uma frase que ouvi do nosso missionário autóctone, Pr. Jonathan Joseph, me acompanhou desde a saída de Porto Príncipe (capital do Haiti) até agora.
Era noite, e o grupo já havia jantado. Eu, porém, em virtude de algumas questões administrativas precisei demorar um pouco mais que os demais para desfrutar da deliciosa comida haitiana, preparada pela equipe de cozinha da Conexão Batista Haitiana que nos hospedou naqueles dias. À mesa estava o casal que coordena a Conexão, Pr. Jonathan e sua esposa, Madame Alexandra Joseph. Ao me sentar, o pastor e a madame sorriam e cantarolavam em português: “Eis-me aqui! Envia-me a mim!”. Foi aí que o Pr. Jonathan me falou: “Pr. André: muitos dizem ‘eis-me aqui’, porém, poucos decidem ‘envia-me a mim’”. No momento sorri e respondi sem muito pensar: “É verdade”! Porém, durante a viagem de retorno, analisando as outras Caravanas Missionárias ao Haiti que participei e vendo que mais de oitenta outros brasileiros já estiveram naquela terra, e mais estes vinte e sete, mas que ainda não temos uma família batista brasileira permanente naquelas terras percebi o quanto daquela frase é verdade, e quão desafiadora é. Mais ainda, quantos campos, quantos Haitis, dentro e fora do Brasil são conhecidos por sua carência do Evangelho, suas necessidades dos valores do Reino, pelos quais a Igreja inclusive já disse: “Eis-me aqui, Senhor!”, mas que ainda não se decidiu por “Envia-me a mim!”?
Tudo isso me fez recordar as palavras de Jesus após olhar para a multidão aflita e exausta como ovelhas sem pastor registradas em Mateus 9.37. Para Jesus, não faltam recursos. Faltam obreiros! Gente que vai além do discurso, do canto, do saber. Gente disposta a viver Hebreus 11.33-40, e não apenas estudá-lo, não apenas realizar uma boa exegese e hermenêutica, mas torná-lo a inevitável escrita da sua lápide!
Estou certo que nenhum cristão compreende a largura e a profundidade, a altura e a extensão do sacrifício de Jesus – como disse o Pr. Marcos Grava – sem que passe pessoalmente pela experiência de deixar seu “trono”, sua zona de conforto, sua agradável e segura habitação, para assumir a condição de servo/serva em outra cultura – ainda que temporariamente – entre outros além dos seus! A isso, acrescento o desafio de não apenas vivenciar uma experiência missionária transcultural, mas viver o que cantamos, viver o que conhecemos, viver o que já entendemos!
                — “Oh! Onde os obreiros a trabalhar?”
Espero que ao ler este meu compartilhar você decida fazer parte daqueles que dizem, como Isaías e alguns poucos obreiros: “Eis-me aqui, Senhor. Envia-me a mim!”, ao invés da triste, mas popular afirmação: “Eis-me aqui, Senhor. Envia meu irmão!”.

Haiti deve sofrer com mais terremotos, dizem cientistas norte-americanos



Cientistas nos Estados Unidos informaram nesta quinta-feira (26) que o Haiti deve se preparar para mais terremotos, como o que devastou o país há dois anos. A conclusão está no Boletim da Sociedade Sismológica da América. De acordo com as análises, o terremoto de 12 de janeiro de 2010 marca o início de um novo ciclo de fortes tremores na região.

Segundo os pesquisadores, registros históricos mostram que a Ilha de Hispaniola - que é dividida entre o Haiti e a República Dominicana – vive períodos de grandes terremotos e fases duradouras de calmaria.

No terremoto de janeiro de 2010, cerca de 220 mil pessoas morreram no Haiti. O país ficou destruído e até hoje as consequências estão presentes no cotidiano dos haitianos. O governo do presidente Michel Martelly apela à comunidade internacional para manter o apoio financeiro à região. Do contrário, dizem os haitianos, é impossível reconstruir o país.

A presidente Dilma Rousseff viajará para o Haiti no próximo dia 1º. No que depender do Brasil, o apoio aos haitianos será ampliado. A ideia é intensificar as parcerias em vários setores – tecnológico, agrícola e energia.

O Haiti é aqui?

Jornal do Brasil

Maria Clara Bingemer (*) 

Poucos povos no mundo suscitam tanta compaixão como os haitianos. País golpeado por toda sorte de catástrofes, aliado a uma extrema pobreza, a meia ilha francófona do Caribe tem sofrido indescritivelmente. Em 2010, toda essa série de desgraças e infortúnios foi sinistramente coroada com o terrível terremoto que ceifou tantas vidas. Entre elas estava a da brasileira ilustre doutora Zilda Arns.


O Haiti não conseguiu ainda levantar a cabeça depois do terremoto. Desde a catástrofe que arrasou o país e matou mais de 220 mil pessoas, em janeiro de 2010, chegaram vários milhares de haitianos ao Brasil. Falta tudo em seu território, e os filhos da terra, em desespero, buscam vida mais humana em outras paragens. Em seu intento de escapar da morte perene em que se transformaram suas vidas, muitos deles e delas aportam no Brasil.

Estima-se em cerca de 8 mil o número de haitianos que já cruzaram a fronteira brasileira através de cidades fronteiriças. Pagam às vezes caro aos coiotes que os trazem por caminhos escusos e obscuros ao solo brasileiro. No coração e na cabeça, o sonho e a esperança de, enfim, encontrarem trabalho, uma vida digna, mais humana, com mais qualidade. Deixaram para trás um país dizimado pelo terremoto. E também o túmulo e a memória dolorosa de parentes mortos na tragédia.

O Brasil emergente povoa suas imaginações e ameaça reeditar em versão tupiniquim a conhecida tragédia do “sonho americano”, que em toda a extensão da América Latina tem custado a vida e a liberdade de milhares de imigrantes. Indocumentados, ilegais, sem papéis, sem trabalho, terminam deportados ou mortos. Mas as ondas que cruzam a fronteira não param. Qualquer coisa é melhor que a fome, que a vida sem perspectivas para a família e os filhos.

O Brasil da Copa do Mundo, da Olimpíada e da economia aparentemente pujante enche suas cabeças da ilusão de aqui encontrar um mundo de oportunidades. No entanto, a realidade é bem outra. Chegam aqui e não conseguem permanência legal, nem emprego, moradia, ou alimentação. Apenas trocam de calamidade. São algumas vezes atendidos pela caridade das Igrejas locais, que recebem doações e lhes servem uma refeição por dia. Amontoados em abrigos, sem condições dignas de vida, vão formando com sua presença uma gritante interrogação que faz relembrar a canção de Caetano Veloso: O Haiti é aqui?

Enquanto até 2010 os haitianos cruzavam a fronteira como qualquer turista, a partir de março de 2011 começaram a ser impedidos de fazê-lo. Muitos tiveram que permanecer nas cidades fronteiriças. As autoridades brasileiras passaram a controlar o ingresso e a passagem para a desejada terra.

No dia 10 de janeiro, o governo federal brasileiro anunciou uma série de medidas visando a conter o fluxo do deslocamento de haitianos para o Brasil. Só serão aceitos legalmente os que tiverem visto emitido pela embaixada brasileira em Porto Príncipe. Esta, por sua vez, emitirá apenas 100 vistos de trabalhos ao mês. Só os que estiverem de posse destes vistos poderão aceder ao solo brasileiro. Quem estiver em situação irregular será deportado.

Tampouco se concederá aos haitianos a condição de refugiados políticos. Não é considerada política a razão pela qual deixam seu país e, sim, de mera vulnerabilidade econômica. A viagem da presidente brasileira ao Haiti, em fevereiro, deixa entrever alguma esperança de que este tema seja tratado na agenda e mesmo priorizado.

Provoca imensa tristeza — e vergonha — ver um país como o nosso, que sempre teve atitude favorável à entrada de estrangeiros; que deve, inclusive, a estrangeiros muito de seu desenvolvimento, adotar atitude truculenta para com esse povo tão sofrido. Dói muito ver o Brasil mimetizando potências estrangeiras na discriminação ao estrangeiro que vem em busca de trabalho e oportunidade. Em busca de vida, enfim.

De que serve um coração se não bate pelo Haiti? – cantava uma canção de Jorge Drexel, composta logo após o terrível terremoto de 2010. E Caetano clamava e convocava: “Pense no Haiti, reze pelo Haiti.” Quando comermos mais de três vezes ao dia, e estivermos dormindo em camas confortáveis, abrigados em casas seguras, cercados por nossos familiares e entes queridos, é bom pensar e rezar pelo Haiti. E mais: pensar e rezar pelo Brasil, para que não entre no caminho de um poder cego e de um capitalismo voraz, que considera indesejáveis seres humanos que buscam seu território para ali trabalhar e viver dignamente. Que o Haiti seja aqui e que o Brasil seja haitiano na acolhida e abertura a esses que vêm saídos da grande tribulação da pobreza e do abandono.

* Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga, é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio. - mhpal@terra.com.br. É autora de 'Simone Weil - A força e a fraqueza do amor' (Ed. Rocco).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Caravana Haiti 2012 - Boletim de Oração Nr 5


Brasil discutirá imigração com autoridades haitianas

Reuters

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 18:31 BRST

RIO DE JANEIRO, 25 Jan (Reuters) - A entrada maciça de haitianos no norte do Brasil será um dos temas da viagem da presidente Dilma Rousseff ao Haiti, na semana que vem, disse nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

O Haiti, país mais pobre das Américas, ainda se recupera dos efeitos do devastador terremoto de janeiro de 2010, que destruiu a capital Porto Príncipe e paralisou a economia local, elevando o desemprego e a pobreza, fator principal para a saída de haitianos.

"Isso aí, sim, é um tema da visita", disse Patriota a jornalistas.

O governo brasileiro regularizou a situação dos cerca de 4 mil haitianos que atravessaram ilegalmente a fronteira brasileira com a Bolívia e o Peru, no final de 2011 e início deste ano.

Para coibir a imigração ilegal, a embaixada brasileira passou a emitir 100 vistos condicionados por mês a haitianos interessados em residir no Brasil.

"Acho que o tema da imigração está bastante bem equacionado com a nova política de abertura a haitianos que queiram trabalhar aqui. Serão 1200 vistos por ano", disse.

Dilma e Patriota farão uma visita de um dia ao Haiti, no dia 1o de fevereiro, na primeira viagem internacional da presidente em 2012, num giro que incluirá também Cuba.

O Brasil lidera a missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, a Minustah, criada em 2004, e tem o maior contingente de tropas.

Ao ser questionado se pretendia se encontrar com a blogueira cubana Yoani Sánchez durante a visita a Cuba, Patriota disse que tomou conhecimento do apelo da dissidente cubana para se encontrar com Dilma, mas que "não tinha nada a declarar no momento sobre o assunto".

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Hugo Bachega)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Haitianos só poderão imigrar para o Brasil com visto de trabalho especial

Jornal Nacional

O Conselho Nacional de Imigração aprovou uma resolução que prevê a emissão limitada de vistos de trabalho de até cinco anos para os haitianos interessados em viver no país. Serão até 1,2 mil por ano, ou 100 por mês.




O objetivo, segundo o governo, é regularizar a situação dos imigrantes haitianos que têm entrado no país pelo Acre e pelo Amazonas. O Ministério da Justiça estima que, só em 2011, foram 4 mil haitianos.

Esta semana, o Jornal Nacional mostrou que eles vivem em condições precárias enquanto aguardam a regularização.

A partir de agora, os haitianos só poderão imigrar para o Brasil depois de tirar um visto de trabalho especial, que vale por cinco anos, emitido pela embaixada brasileira em Porto Príncipe. Serão até 1,2 mil por ano, ou 100 por mês.

“Esse é um número que nos parece razoável. Em 2011, concedemos 380 vistos com base na legislação aplicável atualmente, vistos de turista, vistos de trabalho com contrato, ou vistos de permanência para trabalho temporário no Brasil”, avalia o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota.

O visto de trabalho em caráter especial será concedido aos haitianos sem a necessidade de comprovar qualificação ou vínculo com empresa brasileira, diferentemente do que acontece hoje, com o visto de trabalho comum. Quem receber o visto poderá trazer ao país os pais, filhos e companheiros.

Os haitianos que já entraram no país receberão o visto especial. Quem entrar ilegalmente poderá ser preso e extraditado.

Para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, a medida vai inibir a ação de criminosos que exploram os imigrantes: “Nós não queremos mais que os haitianos sejam vítimas de coiotes, de organizações criminosas, por isso, nós estamos regularizando a sua entrada”.

Presidente haitiano declara dia de luto nacional em lembrança ao terremoto

Opera Mundi

Na ocasião, mais de 300 mil pessoas morreram e mais de um milhão tiveram as residências destruídas

O presidente do Haiti, Michell Martelly, declarou luto nesta quinta-feira (12/01) por conta do aniversário de dois anos do terremoto de 7 graus de magnitude na Escala Richter, que devastou o país em janeiro de 2010.

Na ocasião, mais de 300 mil pessoas morreram e mais de um milhão tiveram as residências destruídas. A tragédia agravou ainda mais a situação do país mais pobre das Américas.

Martelly determinou também que as bandeiras sejam hasteadas a meio mastro e proibiu a abertura de discotecas e lugares públicos.

O presidente já havia prometido na última segunda-feira (09/01) que o Haiti deveria passar de um país de “miséria” para uma nação “dinâmica e próspera”. Para isso, de acordo com o chefe de Estado, será necessário investir massivamente no campo e distribuir os recursos por todo o país.

Com 95% da população sem emprego, comércio de rua vira única saída no Haiti

Opera Mundi

Aldo Jofre Osorio

Aparelhos de TV, galinhas, remédios, celulares... De tudo um pouco é vendido nas ruas do Haiti

Senhoras negras arregaçam suas longas saias na altura dos joelhos. Sentadas no chão ou em pequenos caixotes nas calçadas de Porto Príncipe, passam o dia entre sacos cheios de grãos e cestos de palhas com frutas, legumes, peixe salgado, celulares, livros e até tabletes de remédio, sem caixa ou bula. Algumas caminham quilômetros com bacias equilibradas na cabeça até chegar ao ponto de venda.

Leia o especial completo do Opera Mundi:
Dois anos depois, haitianos enfrentam violência e falta de higiene nos campos de desabrigados

Tanto nas regiões mais miseráveis, como em Pétion-Ville, bairro abastado da capital haitiana, cada grade ou muro são aproveitados para pendurar as roupas, carregadores de celular e outros objetos à venda. Poucas transações comerciais são feita em lojas, cujas entradas geralmente são bloqueadas pela presença de vendedores ambulantes que ocupam cada espaço de calçada.

É com este tipo de comércio que se movimenta a agonizante economia do Haiti, onde somente 200 mil das 4,2 milhões de pessoas em idade economicamente ativa têm um emprego formal. A diversidade inusitada de produtos vendidos na rua chama atenção: até mesmo aparelhos de som e televisores são expostos sob o sol. Galinhas vivas amontoadas no chão e amarradas umas nas outras esperam ser seguradas pelas patas, de ponta cabeça, e levadas a alguma cozinha da cidade.

Alguns poucos gourdes, a moeda local, servem para levar comida para casa e no dia seguinte, embaixo do sol escaldante, tentar novamente a sobrevivência. “A vida aqui no Haiti é difícil, não dá pra conseguir emprego, é complicado. Precisamos de emprego e não conseguimos, porque não tem nada”, diz Stanley Schiveger, um jovem de 26 anos que perdeu a casa no terremoto que devastou a capital do país há exatos dois anos.


Galeria - Haiti: dois anos depois do terremoto (fotos por Aldo Jofre Osorio)



Também desabrigado, Coaichi Francilet lamenta não poder mandar a filha para a escola por falta de condições financeiras e também se queixa da escassez de oportunidades de trabalho: “Tenho muito tempo e nada para fazer, todos os dias da semana é a mesma coisa. Então eu saio por aí à procura de água, porque aqui no campo de desabrigados não temos como tomar banho”, afirma.

Descentralização

O presidente haitiano, Michel Martelly, prometeu na última segunda-feira (09/01), em seu primeiro discurso ao Parlamento, uma “revolução do crescimento” para o país neste ano, afirmando que a nação caribenha deve passar de um "Haiti de miséria" a um "Haiti dinâmico e próspero". Para tanto, defendeu um investimento massivo no campo e a distribuição de recursos por todo o país.

Nas zonas rurais, habitadas por quase três quartos da população, a economia também se move com o comércio informal. Os moradores das cidades interioranas e dos arredores de Porto Príncipe se planejam em função de uma feira semanal, onde compram, vendem e trocam os mais variados produtos. Pequenos agricultores fazem a colheita no dia anterior e, no dia da feira, caminham durante horas até chegar à cidade onde comercializarão a produção.

O carvão, principal fonte energética dos oito milhões de haitianos que não têm acesso à eletricidade, é um dos itens mais vendidos, agravando a massiva devastação da cobertura florestal do país, que não chega a 2% do território – o que aumenta a probabilidade e a gravidade de desastres provocados por fenômenos como tormentas e furacões, frequentes na região caribenha.

Em um cenário onde 80 % da população vive diariamente com menos de dois dólares norte-americanos por dia, porém, qualquer fonte de renda é um aliado na luta pela sobrevivência. A precariedade das condições de vida no país, que há décadas figura como uma das piores do mundo, se intensificou com a destruição provocada pelo terremoto de janeiro de 2010, que deixou 1,5 milhão de desabrigados segundo estimativas da ONU (Organização das Nações Unidas).

Lenta reconstrução

Dois anos depois do desastre, cerca de 50% das 10 milhões de toneladas de escombros foram removidas, de acordo com as Nações Unidas, mas muitas marcas da tragédia permanecem intactas. Apesar do risco iminente de desabamento, comerciantes se refugiam na sombra de construções cujas estruturas térreas suportaram o peso da queda de tetos inteiros que colapsaram os andares superiores.

Em meio a um trânsito caótico, que aumenta ainda mais a sensação térmica, trabalhadores passam lenços no rosto, repletos de suor. Um vendedor caminha entre os carros com saquinhos de água e vários deles equilibrados sobre a cabeça. É chamado por um passageiro de um "tap-tap", transporte coletivo colorido em formato de ônibus ou caminhão, com bancos na caçamba, geralmente fechada.

O comprador morde um saquinho e deixa o líquido, aparentemente gelado, escorrer por sua cabeça. Pede outro e paga ao vendedor, que segue seu transcurso, tentando superar aos gritos de “dlo, dlo” (“água, água”, em creole) o estardalhaço das buzinas que soam, impacientes, no congestionamento.

Apesar da vã tentativa de desatar o nó de carros, os motoristas de utilitários esportivos, equipados com som e ar condicionado, dividem a frustração de não poder escapar do trânsito com os passageiros que, apertados, se abanam para combater o calor exaustivo nos interiores dos tap-taps. A convivência de ambas as realidades nas ruas reflete timidamente o abismo sócio-econômico do país, onde 2% da população controla 69% da riqueza. Mais da metade dos haitianos é analfabeta.

No entanto, eles parecem adaptar-se bem a qualquer situação. Nas ruas da capital, homens circulam com telefones (com fio!), funcionando como uma espécie de orelhões ambulantes. O uso deste serviço diminuiu nos últimos anos, devido ao maior acesso a celulares, que hoje beira 75% da população.

Segundo Firto Régis, nascido no norte do país, cada habitantes da capital têm, em média, dois celulares, para usufruir das vantagens para ligações e mensagens de mais de uma companhia. “Celular é sinônimo de status. Às vezes a pessoa não tem dinheiro para comer, mas carrega a bateria do celular”, afirma, explicando que devido à falta de energia elétrica, alguns haitianos investiram em geradores e passaram a cobrar para que as pessoas carreguem a bateria de seus aparelhos. “Às vezes tem até 50 celulares sendo carregados ao mesmo tempo”, diz, sobre a nova modalidade de negócio informal.

*A reportagem viajou a convite do Ministério da Defesa do Brasil.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

ONU inocenta soldados brasileiros no Haiti - Yahoo!

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Por Marcelle Ribeiro (marcelle@sp.oglobo.com.br) | Agência O Globo

SÃO PAULO - Uma investigação das Nações Unidas concluiu que os oito soldados brasileiros acusados de espancar três haitianos em dezembro passado são inocentes.

Segundo o comandante das tropas de Paz da ONU no Haiti, general Luiz Eduardo Ramos, o rastreamento dos sinais de celular e GPS prova que os militares não estavam no local do crime. Além disso, o carro com a placa que as supostas vítimas afirmam que teria sido usado pelos brasileiros estava estacionado no quartel.

- Fizemos uma reconstituição. A testemunha alega que viu a agressão de um ponto. Mas, de lá, não se consegue ver onde ela teria ocorrido - afirma o general.

Segundo Ramos, apesar de o relatório apontar a inocência dos soldados, uma equipe do Exército vai ao Haiti para avaliar as investigações e reconfirmar o resultado.

A ONG Rede Nacional de Defesa de Direitos Humanos (RNDDH) denunciou os soldados brasileiros por supostamente espancar três jovens em La Salina, próximo à capital haitiana, deixando-os à beira da morte.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

AFP - 10/01/2012

As promessas de uma reconstrução total do Haiti parecem, para muitos, um sonho distante. Dois anos depois do fatídico terremoto que destruiu grande parte de Porto Príncipe, a instabilidade política e a desorganização são apontadas como as principais causas do atraso nas obras. Meio milhão de pessoas continuam vivendo em acampamentos improvisados espalhados por toda a capital haitiana.


Decisão do governo de fechar fronteiras divide especialistas

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Por Flávio Freire (flavio@sp.oglobo.com.br) | Agência O Globo

SÃO PAULO - A decisão do governo de fechar as fronteiras para os haitianos, permitindo a entrada deles somente com o visto obtido na embaixada brasileira em Porto Príncipe, divide a opinião de especialistas em direito internacional. Se, por um lado, a iniciativa reforça a soberania brasileira sobre o seu território, por outro, avaliam, coloca em xeque as políticas adotadas nos últimos anos em relação aos direitos humanos.

- Fechar as fronteiras está dentro do rol de competência soberana de um país, mas essa é uma decisão moralmente acertada? Não, não é. Ela é chocante e vai de encontro à política externa do Brasil, que é baseada em princípios humanitários e nos direitos humanos - afirma Maristela Basso, advogada especialista em Direito Internacional.

Após reunião com um grupo de ministros nesta terça-feira, a presidente Dilma Rousseff decidiu regularizar a situação dos cerca de 4 mil haitianos que já estão no país e, então, permitir a concessão de apenas 100 vistos por mês para pessoas que vivem no Haiti e querem entrar no Brasil.

Para a advogada, o governo brasileiro deveria tomar a frente na convocação da Acnur (agência da ONU para refugiados) para atuar nas áreas de fronteira, antes da entrada de imigrantes ilegais no país. Lá, a situação de cada um seria avaliada, com posterior encaminhamento para países da América Latina, inclusive o Brasil. O Comitê Nacional para os Refugiados, porém, explica que os haitianos não podem ser considerados refugiados, pois não são perseguidos por motivos políticos, de raça ou religião em seu país.

- A presidente subestimou a capacidade não só do governo, mas de toda a sociedade, de receber essas pessoas que estão em situação dramática. Fechar a fronteira nesse momento foi uma decisão desumana e cruel - reforça Maristela.

Seguindo o mesmo raciocínio, o professor de Direito Internacional da USP, Paulo Brancher, observa que a medida está legalmente abrigada, mas surpreende do ponto de vista humanitário.

- Há dois ou três anos, o governo deu anistia a imigrantes ilegais que estavam no Brasil. O país sempre teve uma acolhida atenciosa ao estrangeiro ilegal - diz.

- Uma decisão como essa (de controlar a entrada de haitianos), no entanto, pode ser para tentar controlar alguma convulsão social que poderia acontecer por lá - afirma, referindo-se à chega em massa de haitianos pelo Acre, como vem ocorrido desde o início do ano passado.

Já o cientista político Rubens Figueiredo avalia que a decisão foi acertada:

- O Brasil não pode assumir o Haiti. Essa entrada em massa pode criar problemas que antes não existiam por aqui. O governo está certo em disciplinar a entrada desses estrangeiros.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Dois anos após terremoto, 520 mil pessoas continuam sem lar no Haiti

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Genebra, 10 jan (EFE).- Dois anos depois do devastador terremoto que arrasou o Haiti, 520 mil pessoas ainda vivem em abrigos de emergência no país, 4,5 milhões sofrem com a escassez de alimentos e 60% da população está desempregada.

A denúncia foi feita pelas agências humanitárias das Nações Unidas, que pediram que a comunidade internacional doe para a nação caribenha US$ 231 milhões.

Antes do terremoto, o Haiti era o país mais pobre do continente americano. Setenta e cinco por centro da população vivia com menos de US$ 2 por dia, 70% não tinha emprego fixo, 47% dos habitantes não tinham acesso a atendimento médico e apenas 5% das estradas estavam em bom estado de conservação, segundo relatório da Onu.

Os tremores de terra arrasaram mais ainda o país e mostraram que não bastava apenas construir mais casas, e sim edificar uma nova estrutura institucional que respondesse às necessidades da população.

Dois anos depois, apesar do esforço e dos enormes recursos investidos no Haiti, a situação do país ainda é precária. O terremoto de sete pontos na escala Richter, que destruiu boa parte do país em 12 de janeiro de 2010, custou a vida de 222.570 pessoas. Além disso, 300.572 ficaram feridas e 1,5 milhão desabrigados.

Dez meses depois da tragédia, uma epidemia de cólera infectou 522.335 pessoas, das quais sete mil morreram.

Vinte e quatro meses depois do ocorrido, um milhão de moradores foram realojados, cinco milhões de metros cúbicos de escombros foram retirados (o equivalente a cinco estádios de futebol) e três milhões de pessoas receberam ajuda para purificar a água que consomem.

No entanto, os desafios ainda são descomunais. Cinco milhões de metros cúbicos de escombros, por exemplo, ainda precisam ser retirados para novas casas serem erguidas.

Segundo Xavier Guenot, coordenador de habitação da Federação Internacional da Cruz Vermelha, o principal problema é que "por enquanto não há como resolver a situação das 500 mil pessoas sem lar".

Guenot explicou que a maioria desses cidadãos haitianos pagava aluguel antes do terremoto. Agora, eles não só não têm dinheiro como não existem imóveis suficientes para todos.

"Portanto a solução passa por seguir construindo e reconstruindo casas. Mas fazendo isso corretamente, para evitar novos danos em caso de outro tremor", acrescentou Guenot.

Corinne Momal-Vanian, porta-voz da sede das Nações Unidas em Genebra, lembrou também do desemprego que afeta 60% da população. Ele destacou a necessidade do país atrair investimentos estrangeiros. No entanto, Momal-Vanian destacou que 400 mil pessoas trabalham em empregos relacionados à reconstrução do Haiti.

A segurança alimentar é outro dos desafios. Cerca de 45% da população, ou 4,5 milhões de habitantes, sofre com o problema, sendo que 800 mil pessoas estão em situação muito grave.

Em relação ao cólera, a boa notícia é que a taxa de mortalidade caiu até 1,3% em 2011, contra 2,4% do ano anterior.

Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), disse, no entanto, que a epidemia está longe de ter sido superada e que o país precisa de fundos para investir no tratamento e prevenção da doença. EFE

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Acre sofre com invasão de imigrantes do Haiti

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Por Cleide Carvalho (cleide.carvalho@sp.oglobo.com.br) | Agência O Globo

SÃO PAULO - Nos últimos três dias de 2011, uma leva de 500 haitianos entrou ilegalmente no Brasil pelo Acre, elevando para 1.400 a quantidade de imigrantes daquele país no município de Brasileia (AC). Segundo o secretário-adjunto de Justiça e Direitos Humanos do Acre, José Henrique Corinto, os haitianos ocuparam a praça da cidade. A Defesa Civil do estado enviou galões de água potável e alimentos, mas ainda não providenciou abrigo.

Corinto irá hoje ao município para discutir medidas de emergência no atendimento aos haitianos. Outra equipe estará em Assis Brasil (AC), fronteira com a Bolívia, para saber se há mais haitianos chegando.

A chegada em massa de imigrantes nos últimos dias ocorreu depois de boatos de que o governo brasileiro passaria a expulsar haitianos a partir do dia 31 de dezembro. Os rumores começaram depois de reunião do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), ocorrida em 16 de dezembro. A assessoria do comitê, órgão presidido pelo Ministério da Justiça, confirmou na semana passada que o Brasil estuda medidas para reprimir a imigração ilegal e o tráfico de pessoas pela fronteira com o Acre, mas negou que qualquer decisão a respeito dos haitianos tenha sido tomada.

De acordo com o órgão, os haitianos não podem ser considerados refugiados, pois não são perseguidos por motivos políticos, de raça ou religião em seu país. Por isso, a opção pelo visto humanitário.

Para não chegar ao Brasil ilegalmente, os haitianos deveriam pedir visto em seu país de origem, o que não acontece. Segundo informações do governo do Acre, pelo menos 2.300 haitianos entraram no Acre em 2011. O Conare informou que foram concedidos 1.600 vistos humanitários a haitianos no ano passado.

A imigração ocorre porque o Haiti ainda não se recuperou dos estragos causados pelo terremoto de janeiro de 2010. O primeiro grande grupo de haitianos, formado por 140 pessoas, chegou em Brasileia no dia 14 de janeiro de 2011. Desde então, a entrada ilegal continua, mas eles não são expulsos: obtêm visto humanitário e conseguem tirar carteira de trabalho e CPF para morar e trabalhar no Brasil.

Haitianos que chegam têm qualificação profissional

Segundo Corinto, ao contrário do que se imagina, não são haitianos miseráveis que buscam o Brasil para viver, mas pessoas da classe média do Haiti e profissionais qualificados, como engenheiros, professores, advogados, pedreiros, mestres de obras e carpinteiros. Porém, a maioria chega sem dinheiro. A primeira parada é em Brasileia, mas os destinos preferidos são São Paulo, Porto Velho e Manaus.

- Pelo menos 10% dos haitianos se fixaram em Porto Velho e estão empregados. Conheci cinco professores poliglotas, que aprenderam português e buscam regularizar o diploma para lecionar aqui - afirma Corinto.

Com a construção de usinas do Rio Madeira, em Porto Velho, a cidade sofre com a falta de mão de obra especializada, abrindo mercado de trabalho para imigrantes.

A situação dos haitianos em Brasileia se torna dramática porque a espera pela documentação chega a 40 dias e o município, de apenas 22 mil habitantes, não tem infraestrutura para suportar a chegada de tanta gente. No hotel da cidade, com 30 quartos, estão cerca de 700 haitianos. Com a chegada de centenas de novos imigrantes nos últimos dias, os banheiros do hotel passaram a ser coletivos.

Muitos haitianos foram trazidos por "coiotes" (traficantes de pessoas) e roubados na mata, a caminho do Acre. Com a denúncia de crimes, a Polícia Federal permitiu na semana passada que os haitianos entrassem pela fronteira oficial, na Estrada do Pacífico.

- Os brasileiros sempre criticaram a forma como os países europeus tratavam os imigrantes. Agora, chegou a nossa vez - afirma Corinto.

Comissão haitiana recomenda restauração do Exército



02 de janeiro de 2012 • 06h47 • atualizado às 07h34

Uma comissão presidencial do Haiti apoiou a ideia da restauração do Exército, que foi eliminado nos anos 1990 após várias décadas de golpes de Estado e interferência política, anunciou o presidente Michel Martelly.

"A comissão recomendou a criação de um novo Exército, que atuará em casos de desastres naturais e trabalhará para assegurar a integridade territorial", declarou Martelly no domingo, quando o Haiti celebrou o feriado da independência. A recomendação será enviada para outras áreas do governo para revisão.

O então presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide dissolveu o Exército em 1994. O Haiti depende desde 2004 de uma força de estabilização das Nações Unidas (Minustah), responsável por desarmar e dissolver milícias.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Militar brasileiro morre em acidente na força de paz no Haiti | Brasil/Mundo

Correio do Estado

Soldado de 22 anos caiu de jipe do Exército e bateu a cabeça, diz coronel. Jovem era de São Paulo e integrava tropas da ONU desde setembro.

G1 31/12/2011 23h00

Um militar brasileiro que integrava a Missão da ONU para Estabilização do Haiti (Minustah) morreu no final da tarde de sábado (30) em um acidente de carro quando deixava a base do Batalhão 2 do Brasil, localizado na capital do Haiti, Porto Príncipe.

Segundo o tenente-coronel Sérgio Lamelas, relações-públicas do batalhão, o soldado Diego Mendes dos Santos, de 22 anos, fazia a segurança de um jipe militar que deixava a base quando teria se desequilibrado e caído do veículo de uma altura de cerca de 1,5 metro, batendo a cabeça no chão.

Apenas um intérprete haitiano o acompanhava naquele momento, pois ele estava na parte de trás do jipe. Ele não estava usando capacete balístico, diz o oficial, mas portava um fuzil.

“O soldado foi levado para o Hospital Militar da Argentina que integra a missão da ONU, onde foi socorrido. Mas morreu, possivelmente de traumatismo craniano”, afirmou o coronel ao G1.

O soldado era de São Paulo e integrava a tropa do 8º Batalhão de Polícia do Exército, localizada no quartel do Ibirapuera, na capital paulista. Ele estava no Haiti desde setembro, onde permaneceria por um período de 6 meses. O corpo será levado para a República Dominicana para ser embalsamado e deverá chegar ao país em uma semana.

O Brasil possui dois batalhões na missão da ONU no Haiti, totalizando cerca de 2.200 militares. Soldados brasileiros integram a Minustah desde 2004, quando a operação de paz foi criada para apoiar o governo local após uma onda de violência depor o então presidente Jean Bertrand Aristides. A partir de 2012, a previsão é de que haja uma redução do efetivo brasileiro em cerca de 250 homens.

O Haiti segundo uma pernambucana

Jornal do Commercio

Em Caro Haiti, a jornalista Jullimária Dutra conta o que viu em dez dias no país caribenho

Publicado em 31/12/2011, às 16h13
Renato Mota
Especial para o JC


Jullimária Dutra com hatianos em Porto Príncipe
Arquivo pessoal

A vida no Haiti nunca foi fácil. A interferência internacional é uma constante. Bloqueios econômicos, deposições de presidentes, Estados Unidos e até Organização das Nações Unidas. Este último chegou para impor a paz num cenário de guerra civil, com o país tomado por milícias e gangues, principalmente em Cité Soleil, a maior favela das américas. Além do caos social, político e econômico, o país foi arrasado pelo terremoto ocorrido em janeiro de 2010, que deixou um saldo de mais de 300 mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados. Cerca de 80% das construções de Porto Príncipe, capital do Haiti, foram destruídas. Se já era ruim antes, ficou muito pior depois.

Em busca das histórias dos haitianos antes, durante e após a tragédia, e suas relações com as tropas da ONU, a jornalista pernambucana Jullimária Dutra embarcou para o Haiti em março de 2011. O resultado dos dez dias que passou nas ruas de Cité Soleil e outras áreas de Porto Príncipe tornou-se o projeto de conclusão de curso da jornalista, que no mês passado foi publicado no livro Caro Haiti (Cepe, R$ 30). Em quase 200 páginas, Jullimária reúne relatos de moradores, repórteres e militares que tiveram suas vidas afetadas diretamente seja pelo terremoto ou pelo caos instaurado no país em consequência da destruição. São relatos, muitas vezes chocantes, do dia a dia em um dos países mais pobres do mundo.

A jornalista viajou a convite da própria ONU, e ficou hospedada dentro do forte 16, onde um batalhão de soldados brasileiros comanda o processo de pacificação no Haiti.


"Dei tanta sorte que todos os militares que estavam servindo naquela época eram de Pernambuco. No primeiro 'vixe' nos identificamos rapidamente", lembra Jullimária.

Desde 2004, mais de 10 mil brasileiros serviram no Haiti. Apesar da familiaridade com os soldados, a rotina da jornalista no tempo em que passou no Haiti não foi fácil. Acordava cedo para seguir à risca o cronograma preparado pelas Forças de Paz para que pudesse conhecer as áreas mais afetadas com total segurança. “Eles tiveram muito cuidado comigo. Era escoltada o tempo todo e nunca saía à noite, quando o perigo de um ataque era muito maior”, conta. A todo momento era obrigatório o uso de colete à prova de balas e o famoso capacete azul da ONU. “A área de Cité Soleil é o que eles chamam de Zona Vermelha, uma das mais perigosas. Se andasse desprotegida, me tornaria ‘caça-livre’, como os militares chamam”, comenta.

A forte presença militar, embora tranquilizadora, em alguns momentos tornou-se um problema durante a apuração do livro. “Não é segredo que muitos abusos cometidos pelas tropas da ONU estão sendo cometidos no Haiti. Parte da população é contra a presença dos soldados e para conhecer o lado dessas pessoas tive que pedir que minha escolta se afastasse durante as entrevistas. Íamos somente eu e o tradutor”, lembra a jornalista.

Jean Pierre Andregena, tradutor da Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (Minustah), de tão presente na rotina de apuração acabou por tornar-se personagem do livro. “A história dele é impressionante. Ele já passou por muitas coisas difíceis, sendo a mais complicada delas o assassinato da filha grávida de sete meses (cena que abre o livro). Mas sua fé e sua vontade de viver são inabaláveis”, descreve Jullimária.

A primeira parte do livro, chamada Luta, se concentra nos relatos pré-terremoto de moradores e militares. Essa introdução ajuda a ambientar o leitor no cenário haitiano, além de passar dados extensos sobre a atuação da ONU no país. Segue-se então o tremor de terra, que ocupa toda a segunda parte, intitulada Morte. Embora curto, o capítulo é marcante por descrever em primeira pessoa a experiência de se ver no meio de um terremoto que atingiu 7,3 pontos na escala Richter. “Durante todo o livro procurei passar a visão dos entrevistados, independente de que lado estejam. Como narradora e repórter, procurei me deixar de fora dos textos, com exceção do último capítulo, que narra uma passagem através do meu ponto de vista”, explica a jornalista.

A parte mais extensa do livro, Reconstrução, trata da tentativa do Haiti em ressurgir como nação após a catástrofe em meio à tragédia e à fome. As histórias dos personagens são sempre pontuadas por dados oficiais e relatórios de ONGs. “Foi um trabalho intenso de pesquisa que começou antes da viagem e continuou depois que voltei ao Brasil. Para isso, contei bastante com a ajuda das pessoas que conheci lá, principalmente alguns dos jornalistas que vieram do mundo todo fazer a cobertura das eleições deste ano (2011)”, afirma Jullimária.

Alguns personagens, como Pierre e o garoto Vitor Elly, aparecem em todas as partes do livro, enquanto outras pessoas fazem apenas relatos pontuais das suas experiências. “Isso acontece principalmente com os soldados, já que o tempo de permanência é de cerca de seis meses. Mas o importante para mim era garantir fontes mais variadas possíveis”, explica Jullimária.

Durante todo processo de apuração, a jornalista conta que procurou o equilíbrio entre as diversas opiniões emitidas pelos entrevistados. “Em alguns casos tive até que omitir a identidade da fonte, para não comprometer sua segurança, relação com gangues ou soldados da ONU. Nestes casos prefiro me expor colocando essas informações no livro a expor as pessoas”, diz. São relatos que contam histórias de violência, desrespeito aos direitos humanos, fome e miséria. “Apesar disso é incrível como os haitianos estão sempre sorrindo. Eles podem não ser felizes, mas estão sempre com um sorriso no rosto e possuem muita vontade de viver”, lembra.

Presidente haitiano Michel Martelly dissolve órgão eleitoral

Voz da Rússia

31.12.2011, 12:00


Foto: EPA

O presidente do Haiti, Michel Martelly, dissolveu nesta sexta-feira o Conselho Eleitoral do país, de olho nas eleições legislativas e regionais do próximo ano.

O conselheiro presidencial Damian Merlo informou que a dissolução do órgão ocorreu por meio de um decreto que irá permitir a Martelly iniciar o processo de nomeação de um novo conselho, encarregado de estabelecer as datas das eleições do ano que vem.