segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Missionários Mobilizadores JMM


Haitianas fazem do esporte cura e esperança: ‘Só precisamos de apoio'

globoesporte.com
Por Gabriele Lomba
Direto de Guadalajara, México

É muito difícil escolher: sacrificar a comida ou treinar?', lembra saltadora, uma das duas únicas mulheres entre os 12 atletas que disputaram o Pan

É difícil saber se o olhar tristonho traduz apenas a derrota na luta da repescagem. Com voz rouca, relembra aquela terça-feira, 12 de janeiro de 2010, dia em que um furacão destruiu seu país. Naquela época, ainda morava lá. Linouse Desravine só muda o semblante e abre um sorriso quando Pascale Delaunay, com um inglês de quem mora desde os 10 anos nos Estados Unidos, se confunde nos idiomas. A atleta do salto triplo tentava ajudar a judoca a se comunicar. Um pequeno gesto de amizade entre duas cidadãs de um país que sobrevive com doses de solidariedade. Elas são as únicas mulheres entre os 12 haitianos que disputaram os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara.



Judoca Linouse após a derrota na repescagem da meio-leve
(Foto: Gabriele Lomba / GLOBOESPORTE.COM)

Pascale, de 29 anos, competiu na sexta-feira e terminou em 13º entre as 15 atletas. No dia seguinte, foi acompanhar as lutas de Linouse, de 20. É a primeira grande competição desde a tragédia, desde que a judoca, que só fala francês e crioulo, deixou sua pequena cidade e foi treinar em Valência, na Espanha.

- Estava em casa, escutei um barulho muito assustador para todo mundo. Perdi três tias e alguns amigos judocas – diz a haitiana.

Linouse sente saudade de casa, mas sabe que não há condições de voltar. Segura o aperto no coração pelo sonho de continuar no esporte.

- Vou ficar lá até ter condições de me preparar melhor. Sinto falta, mas no Haiti não há lugar para treinar. Tudo ficou destruído. Só dá para treinar uma ou duas vezes por semana.

Pascale e Linouse, únicas haitianas no Pan
(Foto: Gabriele Lomba / GLOBOESPORTE.COM)

Pascale deixou Porto Príncipe ainda menina. Um ano antes da tragédia, deixou Los Angeles e foi visitar a família. A casa é uma das únicas que ficaram intactas. O pai, arquiteto, tomou cuidados especiais ao construi-la. Mas nem assim pôde evitar que parte da família perdesse a vida no terrremoto.

- Ficamos uns três dias para saber onde nossos familiares estavam. Eu perdi alguns tios e tias e minha bisavó - conta.

Pascale sonha voltar ao Haiti, ser um exemplo. Com o governo reestabelecido, acredita que será possível ser atleta sem ter de deixar o país.

- Quero voltar para ajudar o meu país a se reconstruir. Morando nos Estados Unidos há tanto tempo, vejo que não há nada que não podemos fazer porque somos haitianos. Se há uma coisa sobre os haitianos é que trabalhamos e duro e temos muito talento. Com oportunidade, podemos explorar nossos talentos e realmente progredir. Meu maior sonho é ir à final nas Olimpíadas e mostrar a todos que o Haiti tem grandes atletas. Só precisamos de apoio.

Morar fora do país não é mais uma escolha, é a única forma de manter o esporte do país vivo, mesmo de longe. Os atletas estão espalhados pelo mundo, graças a ajudas internacionais. Os judocas estão na Espanha; os tenistas, nos Estados Unidos; halterofilistas, na República Tcheca.

"Ficamos uns três dias para saber onde nossos familiares estavam. Eu perdi alguns tios e tias e minha bisavó" - diz Pascale.

- Tirando o dinheiro, não vejo nada nos Estados Unidos que não tenha no Haiti. Acredito que as coisas vão melhorar e poderemos ter nossos próprios treinamentos. Sei que não sou a única garota que pratica atletismo no Haiti, mas temos apoio do governo para representar o país? É muito difícil não ter apoio, não ter dinheiro. É muito difícil ter de fazer essa escolha: devo sacrificar a comida ou treinar?

Pascale deve ter em Londres sua última chance de disputar uma edição dos Jogos Olímpicos. Mais uma chance de mudar a história do país.

- Uma das coisas de que nós, atletas, temos em comum é que temos orgulho e desejo enormes e fome de mudar e ver o Haiti se reerguer. Achamos que podemos fazer isso. Queremos melhorar sempre e botar o Haiti em melhor condição, para não ser sempre “Haiti, o país pobre”.

Sem armas, haitianos se preparam para retorno de seu Exército

New York Times - iG
30/10/2011 08:01

Organização reúne jovens que querem servir nas forças armadas do país, sem representatividade desde 1995

Durante horas, Robeson Arthiste arrastou-se pela terra, marchou "esquerda, dois, três, quatro", se escondeu atrás de arbustos apontando uma arma imaginária e fez caretas quando uma lâmina de barbear tirou cada fio de cabelo de sua cabeça, deixando um fio de sangue.


Foto: NYT
Membro da Organização dos Soldados Desmobilizados para a Reconstrução do Haiti treina em Porto Príncipe
Encharcado de suor e lama após os treinos com alguns companheiros, ele disse que estava pronto para entrar para as forças armadas do Haiti – isto é, se houvessem forças armadas no país. "As coisas não estão fáceis aqui no Haiti", disse Arthiste, 35, que, como muitos dos futuros militares, está desempregado. "Precisamos de algo para fazer."

Se esse algo para fazer for fazer parte de um novo Exército, tanto o Haiti quanto o exterior ficaram alertas. As forças militares do país foram dissolvidas por abusos dos direitos humanos em 1995 pelo presidente Jean-Bertrand Aristide, após anos de turbulência política, tornando o Haiti um país sem Exército.

Mas agora o presidente Michel Martelly está comprometido com o retorno das forças, apostando em um plano para reconstituir os militares haitianos como uma espécie de guarda nacional ou força de defesa civil para complementar a fraca polícia nacional.

Sua proposta de US$ 95 milhões inclui uma equipe inicial de 3,5 mil patrulheiros na fronteira, que ajudaria a acalmar a agitação civil e criaria empregos necessários para os jovens. Ele deixou de lado US$ 15 milhões para compensar ex-soldados que há muito se queixam de não receber pensão.

Um rascunho da proposta circulou no mês passado entre diplomatas de países doadores e foi vazado, um sinal de inquietação entre muitos que se lembram do envolvimento dos militares em golpes e questionam a sua prioridade em um país que ainda se recupera do terremoto de janeiro de 2010.

Mesmo os membros do Parlamento que apoiam a ideia como uma questão de orgulho nacional – e, como muitos cidadãos aqui, estão frustrados com a alta criminalidade – duvidam do apoio para financiar a proposta. A Constituição exige uma força de defesa armada, então Martelly pode já ter a autoridade legal de que precisa. Na verdade, ex-militares argumentam que eles tecnicamente seguem em serviço. Mas os membros do Parlamento acreditam que eles controlariam algo muito mais importante: os fundos.


Foto: NYT
Membro da organização raspa sua cabeça em campo em Porto Príncipe, Haiti

"Nossos generais começaram em 1804", disse Jean Rodolph Joazile, um ex-oficial militar e presidente do Senado, referindo-se à rebelião de escravos que deu origem à independência do país da sua metrópole, a França. "Mas o Exército a que eu pertencia não era profissional. Agora temos de ver quais são as nossas necessidades. Existe necessidade de termos um Exército agora?"

As Nações Unidas há muito tempo planejam eventualmente substituir as forças de paz alocadas no país com uma força de polícia nacional fortificada, e nesse mês o Conselho de Segurança cortou o tamanho máximo do contingente de paz de 13.331 para 10.581. Mas o terremoto atrasou o desenvolvimento da força policial, que está em 10,2 mil para uma população de 10 milhões, menos de metade do tamanho que deveria ser, disse o chefe de polícia, Mario Andresol.

Andresol, também um ex-oficial do Exército, se recusou a dizer se apoia o projeto de Martelly, mas disse: "Precisamos desenvolver a força policial para ver até onde podemos ir com o que temos."

A ONU decidiu reduzir suas forças de paz para os níveis pré-terremoto – uma decisão a que Martelly se opôs dado os persistentes problemas com crimes – e o sentimento popular sobre eles piorou. Acredita-se que uma unidade do Nepal trouxe a cólerapara o país, enquanto forças de paz do Uruguai são acusadas de abusar sexualmente de um homem de 18 anos de idade. Ambas as questões têm levado a protestos no país.

Essa corrente de desconfiança e a animosidade ajuda a alimentar os grupos de ex-soldados e aspirantes, além de reforçar Martelly, que fez sua campanha com promessas de reduzir a influência internacional e restaurar o orgulho do Haiti. Ele enviou uma mensagem ao Parlamento que planeja nomear um general em 18 de novembro, um feriado militar, embora não tenha anunciado formalmente seu plano.

Martelly, que abandonou a academia militar nacional, visitou um grupo informal em novembro, em um acampamento perto daqui, como candidato presidencial e foi recebido com uma cerimônia de saudações e desfiles, disse Nestor Appolon, o comandante do grupo.

"Ele veio para nos alegrar e encorajar e disse que apoia um Exército", disse Appolon, da Coordenação Nacional das Forças Militares Reestruturadas, que começou como um acampamento para sobreviventes do terremoto coordenado por ex-oficiais militares e hoje é um dos vários grupos vagamente ligados que pedem o novo Exército.

Arthiste pertence a outro grupo, a , que treina semanalmente com base em uma boate abandonada nos arredores de Porto Princípe, a capital. Ele também é liderado por ex-oficiais militares, que insistem que seu único objetivo é ajudar a reconstruir e proteger o país, não desestabilizá-lo.


Foto: NYT
Membro da Organização de Soldados Desmobilizados para a Reconstrução do Haiti treinam para ser parte de uma força nacional

Eles não mencionam a questão das armas. Nenhuma arma foi vista durante uma sessão de treinamento na semana passada, mas um dos líderes do grupo, Daniel Esperance, 53, um antigo cabo, disse: "Nós não temos armas agora, mas um dia, se estivermos em perigo, vamos encontrá-las."

O treinamento com armas parecia uma preocupação distante durante a sessão no fim de semana. Os recrutas tiveram bastante dificuldade de marchar no tempo, com muitos tendo que pagar pelo erro em flexões.

Alguns inicialmente resistiram antes de sucumbir à navalha para que suas cabeças fossem raspadas. "Este é um movimento tet kale!", disse um dos "barbeiros", usando o termo para designar cabeça careca e que também é o apelido de Martelly.

Esperance disse que os membros – cerca de 2 mil, ele estimou, embora cerca de 100 estivessem presentes para a formação no sábado – doam o que podem para o almoço e uniformes, calças de camuflagem, cinza, camisetas e botas.

Os recrutas pareciam tão interessados no emprego futuro quanto em defender o país. Muitos deles não saíram da escola há muito tempo e disseram nunca ter tido um emprego formal, algo comum em um país onde cerca de dois terços da população está desempregada. "Somos pessoas pobres, precisamos de renda", disse Frederic Markendy, 28. "O Exército é um caminho. O que faz um país? Um Exército."

Por Randal C. Archibold

Repórteres mostram visita de militares a um orfanato no Haiti

VNews

Mesmo com tanto sofrimento, o povo haitiano ainda é capaz de sorrir. Assista!

Você sabe o que quer dizer bombagai? No Haiti, significa 'Boa Gente'. E é como o povo chama os militares brasileiros da Tropa de Paz. Os repórteres Marcelo Hespaña e Kadu Reis acompanharam a visita dos militares a um orfanato.

Aí, fica fácil entender esse apelido e também ver que, mesmo com tanto sofrimento, o povo haitiano ainda é capaz de sorrir. Assista a reportagem e se emocione, abaixo:

video

HAITI: Engenheiros brasileiros ajudam a construir obras básicas

VNews

Muitos haitianos que vivem na miséria absoluta esperam por esses avanços, enquanto são obrigados a morar em favelas improvisadas


Imagine um país onde 85% da população vive na pobreza absoluta, na miséria, e como se não bastasse, ainda foi vítima de um terremoto. Esse é o Haiti, país visitado pelos repórteres Marcelo Hespaña e Kadú Reis.

Na reportagem especial desta quinta-feira (27), você vai ver que engenheiros brasileiros ajudam a construir obras básicas por lá, e que muita gente espera por esses avanços, enquanto é obrigado a morar em favelas improvisadas.

Nesta sexta-feira (28) você acompanha mais uma reportagem especial sobre o Haiti. Vamos falar das feiras, não perca!

Assista ao vídeo


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Feira no Haiti revela falta de higiene e desorganização do país

VNews

Cenas de completa falta de higiene, infelizmente são comuns nas feiras livres do Haiti. A população de lá desconhece o que é organização e vive no meio de muita sujeira.

E é na tentativa de mudar esse cenário que também entra o trabalho dos militares brasileiros. Eles ensinam os haitianos a organizar uma nova forma de se ganhar o pão de cada dia.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Seminário por um novo Haiti


JMM - Missões Mundiais
Por Marcia Pinheiro 26 de outubro de 2011

Missões Mundiais abriu caminho para um novo Haiti, após o devastador terremoto de 2010 que causou a morte de mais de 300 mil pessoas. Caravanas visitaram o país para apoiar a reconstrução de igrejas, levar sustento aos obreiros da terra, iniciar a implantação do PEPE, programa socioeducativo, entre outras ações. Os desafios não param. Esta semana acontece o Seminário Evangelismo Pioneiro, com a presença do casal missionário norte-americano Pr. Thomas e Bárbara Akins, e mais 100 pastores da conexão das igrejas batistas do Haiti, cujo presidente é o Pr. Jonathan Joseph, obreiro da terra da JMM. A JMM está representada ainda pelos Missionários Mobilizadores Pr. Alexandre Peixoto e Pr. Fabio Daniel Ribeiro.

Até amanhã (27), os pastores estarão reunidos no templo da Igreja Batista da Fraternidade, na capital Porto Príncipe. Eles estão sendo treinados para capacitar líderes de suas igrejas a discipular e acompanhar novos crentes. O objetivo é fazer com que a igreja cresça e se torne auto-sustentável, passando a apoiar a abertura de novos campos missionários e projetos no Haiti.

“Contamos com as orações dos irmãos no Brasil. Louvamos a Deus pela sua vida, pelo trabalho da JMM e pela vida do Pr. Thomas Akins e sua equipe”, diz o Pr. Fabio Daniel.
abraços para todos no Brasil.

domingo, 23 de outubro de 2011

Ciclo de História da Arte discute contribuições do Haiti no MAM-BA

G1

Palestra será ministrada pela professora Mariela Hernández, da UFBA.
Evento acontece na terça-feira, no Museu de Arte Moderna em Salvador.

Professora venezuelana vai realizar evento na terça-feira, no MAM-BA (Foto: Divulgação/MAM-BA)

‘O universo naif e a arte haitiana’ é o tema da próxima palestra do Ciclo de História da Arte, projeto desenvolvido pelo Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), que acontece na terça-feira (25), das 15h às 17h. O curso será ministrado pela professora venezuelana Mariela Hernández, da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A inscrição é gratuita e o pedido de participação deve ser realizado para o e-mail: educativomam@gmail.com.

Esse será o terceiro módulo do Ciclo, que antes contou com o curso ‘Modernidade e transição para a contemporaneidade’, que foi realizado pelo artista plástico e teórico da arte Almandrade e pela professora Alejandra Muñoz. O segundo módulo foi intitulado ‘Espacialidade, ação e discurso na produção artística contemporânea’ e contou novamente com a presença de Alejandra Muñoz, além de Ludmila Brito e Priscila Lolata. O terceiro tem o intuito de refletir sobre a ‘Arte moderna latino-americana’.

Focado no Haiti, o módulo tem o objetivo de enquadrar a arte desenvolvida nesse país em seu contexto histórico, social e cultural, a partir da análise das especificidades formais e narrativas e de suas contribuições para a arte moderna. Entre os elementos da arte no Haiti, o MAM-BA relata que será realizada conexão com a história do país, como os costumes culturais do país como o vodu e os heróis da independência.

O MAM-BA está localizado na Avenida Contorno, no Solar do Unhão. Mais informações podem ser obtidas através do número (71) 3117-6143.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Avaliação do Kids Games na Comunidade do Morro Azul - Flamengo/RJ

Confira no link (acima) o resultado da Avaliação do Kids Games realizado pela Turma de Missionários da JMM em Treinamento, no dia 09 de outubro de 2011, na Comunidade do Morro Azul, no bairro do Flamengo/RJ, apoiando a Igreja Batista da Orla Rio.
Abaixo, algumas fotos do evento que reuniu 78 crianças:







Haiti 2011: o Esporte ajudando na superação das dificuldades!


Sábado, 21/05/2011

Programa mostra como está o país depois do terremoto de 2010 e a importância do esporte na superação das dificuldades. Regis Rosing conta a experiência de fazer a série de reportagens no local.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cólera matou cerca de 6.500 pessoas no Haiti nos últimos meses, diz ONG

Jornal do Brasil - Internacional

Renata Giraldi

Brasília – A organização não governamental (ONG) Médicos sem Fronteiras (MSF) informou que a epidemia de cólera no Haiti está sem controle e foi responsável por mais de 6.500 mortes nos últimos meses. "A epidemia não está sob controle e aí está a emergência da situação”, alertou a diretora adjunta da entidade, Pascale Zintzen.

A situação se agravou ainda mais com a temporada de chuva, seguida por tempestades e enchentes no país. Muitos haitianos ainda vivem de forma provisória desde o terremoto de 12 de janeiro de 2010. Também há problemas de abastecimento de água e o sistema de infraestrutura na região é frágil.

Pelos dados recentes do governo do Haiti, a epidemia de cólera foi responsável por 6.559 mortes e atingiu 465.293 pessoas, entre crianças e idosos. Nos últimos dias, em consequência das chuvas torrenciais, os casos se multiplicaram nas regiões Norte e Sudoeste.

O Haiti é o país mais pobre das Américas. Na última Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, as autoridades haitianas reiteraram que o país depende do apoio e da ajudainternacional para promover as melhorias necessárias e fortalecer as instituições públicas.

Epidemia de cólera continua fora de controlo

A Bola.pt



Epidemia de cólera continua fora de controlo
Por Redacção

A cólera continua a matar no Haiti tendo feito no último ano mais de 6.500 mortos. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta que a epidemia continua fora de controlo depois de no ano passado ter atingido em força o país.

«A epidemia não está sob controlo, a emergência reside aí», afirmou a directora adjunta da MSF, Pascale Zintzen, em conferência de imprensa.

Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras imprevisibilidade dos surtos de cólera continua a ser o maior problema e indicou que entre 75 por cento a 80 por cento dos casos identificados no mundo em 2011 registaram-se no Haiti.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Haiti, país ocupado!

Jornal Correio do Brasil

Se perguntar a qualquer enciclopédia qual foi o primeiro país a abolir a escravatura, receberá sempre a mesma resposta: Inglaterra. Mas o primeiro país que aboliu a escravatura não foi a Inglaterra mas o Haiti, que continua ainda a expiar o pecado da sua dignidade.Artigo |18 Outubro, 2011 – 00:48 | Por Eduardo GaleanoA ocupação militar do Haiti custa às Nações Unidas mais de 800 milhões de dólares por ano. Foto IFRC/Flickr

Consulte qualquer enciclopédia. Pergunte qual foi o primeiro país livre na América. Receberá sempre a mesma resposta: Estados Unidos. Mas os Estados Unidos declararam a sua independência quando eram uma nação com 650 mil escravos, que continuaram a ser escravos durante mais um século, e estabeleceram na sua primeira Constituição que um preto equivalia a três quintas partes de uma pessoa.

E se perguntar a qualquer enciclopédia qual foi o primeiro país a abolir a escravatura, receberá sempre a mesma resposta: Inglaterra. Mas o primeiro país que aboliu a escravatura não foi a Inglaterra mas o Haiti, que continua ainda a expiar o pecado da sua dignidade.

Os escravos negros do Haiti tinham derrotado o exército glorioso de Napoleão Bonaparte e a Europa nunca perdoou essa humilhação. Durante um século e meio, o Haiti pagou à França uma indemnização gigantesca por ser culpado da sua liberdade, mas nem isso chegou. Aquela insolência negra continua a ferir os amos brancos do mundo.

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De tudo isso sabemos pouco ou nada.

O Haiti é um país invisível.

Só se tornou famoso quando o terramoto de 2010 matou mais de 200 mil haitianos.

A tragédia levou o país a ocupar, fugazmente, o primeiro plano dos meios de comunicação. O Haiti não é conhecido pelo talento dos seus artistas, magos da sucata capazes de transformar o lixo em beleza, nem pelas suas façanhas históricas na guerra contra a escravidão e a opressão colonial. Vale a pena repetir uma vez mais, para que os surdos o oiçam: o Haiti foi o país fundador da independência da América e o primeiro país a derrotar a escravidão no mundo.

Merece muito mais que a notoriedade nascida das suas desgraças.

***

Actualmente, os exércitos de vários países, incluindo do meu, continuam a ocupar o Haiti. Como se justifica esta invasão militar? Alegando que o Haiti põe em perigo a segurança internacional.

Nada de novo.

Ao longo de todo o século XIX, o exemplo do Haiti constituiu uma ameaça para a segurança dos países que continuavam a praticar a escravatura. Já Thomas Jefferson o dissera: do Haiti provinha a peste da rebelião. Na Carolina do Sul, por exemplo, a lei permitia prender qualquer marinheiro negro enquanto o seu barco estivesse no porto, devido ao risco de contágio da peste antiesclavagista. E no Brasil, essa peste chamava-se «haitianismo».

Já no século XX, o Haiti foi invadido pelos marines, por ser um país «inseguro para os seus credores estrangeiros». Os invasores começaram por se apoderar das alfândegas e entregaram o Banco Nacional ao City Bank de Nova Iorque. E uma vez que já lá estavam, ficaram durante dezanove anos.

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Chama-se «o mau passo» à passagem da fronteira entre a República Dominicana e o Haiti. Talvez o nome seja um sinal de alarme: está a entrar no mundo negro, da magia negra, da bruxaria…

O vodu, a religião que os escravos trouxeram de África e que se nacionalizou no Haiti, não merece chamar-se religião. Do ponto de vista dos donos da civilização, o vodu é coisa de pretos, ignorância, atraso, superstição pura. A Igreja Católica, onde não faltam fiéis capazes de vender unhas dos santos e penas do arcanjo Gabriel, conseguiu que esta superstição fosse oficialmente proibida em 1845, 1860, 1896, 1915 e 1942, sem que o povo se desse por achado.

Mas há já alguns anos que as seitas evangélicas se encarregam da guerra contra a superstição no Haiti. Estas seitas vêm dos Estados Unidos, um país que não tem 13º andar nos seus prédios, nem fila 13 nos seus aviões, habitado por cristãos civilizados que acreditam que Deus criou o mundo numa semana. Nesse país, o pregador evangélico Pat Robertson explicou na televisão o terramoto de 2010. Este pastor de almas revelou que os negros haitianos tinham conquistado a independência à França recorrendo a uma cerimónia vodu, e invocando, do fundo da selva haitiana, a ajuda do Diabo. O Diabo, que lhes deu a liberdade, passou a factura enviando-lhes o terramoto.

***

Até quando permanecerão no Haiti os soldados estrangeiros? Eles vieram para estabilizar e ajudar, mas estão há sete anos a desajudar e a desestabilizar este país que não os deseja.

A ocupação militar do Haiti custa às Nações Unidas mais de 800 milhões de dólares por ano.

Se as Nações Unidas destinassem esses fundos à cooperação técnica e à solidariedade social, o Haiti poderia receber um bom impulso para o desenvolvimento da sua energia criadora. E assim se salvariam dos seus salvadores armados, que têm alguma tendência para violar, matar e espalhar doenças fatais.

O Haiti não precisa que venham multiplicar as suas calamidades. Também não precisa da caridade de ninguém. Como diz um antigo provérbio africano, a mão que dá está sempre acima da mão que recebe.

Mas o Haiti precisa de solidariedade, de médicos, de escolas, de hospitais e de uma verdadeira colaboração que torne possível o renascimento da sua soberania alimentar, assassinada pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Mundial e por outras sociedades filantrópicas.

Para nós, latino-americanos, essa solidariedade é um dever de gratidão: seria a melhor maneira de agradecer a esta pequena grande nação que em 1804 nos abriu, com o seu contagioso exemplo, as portas da liberdade.



(Este artigo é dedicado a Guillermo Chifflet, que foi obrigado a demitir-se da Câmara de Deputados quando votou contra o envio de soldados uruguaios para o Haiti.)



Tradução de Helena Pitta.
Publicado em Brecha, Montevideu, 30/09/2011

Sobre o autorEduardo Galeano Escritor e jornalista

Jornalista e escritor uruguaio, autor do livro “As veias abertas da América Latina”.

sábado, 15 de outubro de 2011

Deputados aprovam programa político de primeiro-ministro do Haiti

AFP

PORTO PRÍNCIPE, Haiti — Os deputados haitianos aprovaram neste sábado as orientações de política geral do primeiro-ministro, Garry Conille, que já havia obtido a confiança do Senado, colocando fim a um período de instabilidade política, anunciou o presidente da câmara baixa.



A votação, que ocorreu após mais de 14 horas de debates, terminou com 81 votos a favor, nenhum contra e sete abstenções, e permitiu que Conille se tornasse o novo primeiro-ministro, cinco meses depois da posse de Michel Martelly como presidente do Haiti.

"Desejamos a ele boa sorte, mas quero dizer que não está recebendo um cheque em branco", declarou o presidente da câmara, Aurel Jacinthe.

"É para mim um acontecimento verdadeiramente histórico, agradeço muito a confiança que depositam em mim. Nos comprometemos, meus colegas e eu, a dar continuidade ao diálogo com vocês porque o povo não pode esperar mais", declarou o novo primeiro-ministro.


O senado já havia aprovado na madrugada de sexta-feira o discurso de política geral de Conille, cuja nomeação como chefe de governo ocorreu no dia 5 de outubro.

Conille, um médico de 45 anos que foi assessor do ex-presidente americano Bill Clinton, era o terceiro candidato apresentado por Martelly para este posto chave, em uma tentativa de acabar com o impasse sobre a montagem de seu novo governo.

Haiti: Presidente diz que país não precisa de dinheiro, mas de investimento

SIC Notícias

Santo Domingo, 15 out (Lusa) - O presidente do Haiti, Michel Martelly, pediu na sexta-feira o apoio da comunidade internacional ao realçar que o seu país está aberto aos negócios e que não quer dinheiro, mas investimentos.

Martelly falava durante um encontro de políticos e economistas para debater o modelo de desenvolvimento da América Latina.

O governante defendeu que o seu país precisa de investimentos que "criem empregos e sejam o motor da economia" do Haiti.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ONU ordena retirada de 2.750 capacetes azuis do Haiti



AFP – Há 4 horas

NOVA YORK — O Conselho de Segurança da ONU determinou esta sexta-feira a retirada de 2.750 capacetes azuis da Missão de Estabilização no Haiti (Minustah) para que se aproxime dos níveis de antes do terremoto de janeiro de 2010.

Desta forma, ficarão no Haiti pouco mais de 10.500 homens (7.340 soldados e 3.241 policiais), frente aos 9.000 que a força tinha antes do sismo.

A ONU considera possível reduzir os efetivos da Minustah graças à apaziguada situação política no país, que tem um novo presidente e um novo premier após vários meses de instabilidade.

A retirada, que será realizada no transcurso dos próximos 12 meses, foi aprovada por unanimidade pelos 15 países-membros do Conselho de Segurança.

As tropas a deixar o país serão do campo de segurança. Agora será dada prioridade aos trabalhos de engenharia e limpeza.

Segundo informações divulgadas pelas Nações Unidas esta semana, até agora foram retirados cerca de 40% dos 10 milhões de metros cúbicos dos destroços provocados pelo terremoto.

Mobilizada desde junho de 2004 e comandada pelo Brasil, a missão da ONU conta com efetivos provenientes de 18 países, principalmente latino-americanos.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, havia confirmado em 19 de setembro, durante encontro com o presidente haitiano, Michel Martelly, sua intenção de reduzir o contingente da Minustah aos níveis anteriores ao terremoto.

Acusada por vários epidemiologistas de ter levado ao Haiti o vírus da cólera, responsável por uma epidemia que deixou mais de 5.500 mortos no país, a missão está há algumas semanas no centro de um escândalo a partir da divulgação, na internet, de imagens em que capacetes azuis uruguaios aparecem supostamente abusando de um jovem haitiano de 18 anos.

Em sua resolução, o Conselho de Segurança enalteceu os esforços da missão e prestou tributo ao pessoal da ONU que morreu no terremoto.

Mas também pediu ao secretário-geral "que continue a tomar as medidas necessárias para garantir o compromisso total de todo o pessoal da Minustah à política de tolerância zero das Nações Unidas sobre exploração e abuso sexual".

O Conselho alertou os países que contribuem com tropas que estes precisam "garantir que os atores envolvendo seu pessoal sejam adequadamente investigados e punidos".

O número de capacetes azuis deslocados no mundo chega atualmente ao nível recorde de 120.000.

O novo chefe de operações da manutenção da paz da ONU, Hervé Ladsous, considerou na quinta-feira que falta "reduzir (os efetivos) onde for possível".

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Irã não desiste de executar pastor

JMM - Missões Mundiais
Por Marcia Pinheiro

O pastor Yousef Nadarkhani, que foi preso e inicialmente condenado à morte por apostasia, recusando-se a renunciar à sua fé em Jesus, está correndo um perigo ainda maior de enfrentar a sentença de morte após receber novas acusações, incluindo a de ser sionista e uma ameaça à segurança nacional.

“Ele foi acusado de ser sionista e, portanto, um traidor; esta acusação é considerada das mais graves no Irã”, disse Jordan Sekulow, diretor executivo do Centro Americano de Direito e Justiça (ACLJ).

“Infelizmente nós sabemos que essas novas acusações que o pastor Yousef recebeu podem justificar a sua execução”, completou Jordan.

Em uma decisão do Supremo Tribunal do Irã, Nadarkhani foi condenado à execução por enforcamento, porque quebrou a lei islâmica, realizou cultos cristãos e batizou outras pessoas.

Em nenhum lugar dos relatórios relacionados ao caso existe a menção sobre as novas acusações que o pastor está recebendo. Mohammed Ali Dadkhah, advogado de Usoef, diz que o pastor não recebeu nenhuma dessas novas acusações informadas.

“As informações sobre essas novas acusações vêm de um ramo político, e não de uma figura judicial, um promotor ou de um membro do tribunal. A Justiça do Irã não fez novas acusações contra ele”, disse Dadkah.

Fonte: Persecution

Novo surto de cólera no sul do Haiti fez 20 mortos

Diário Digital / Lusa

A epidemia da cólera que assolou o Haiti no ano passado está a ressurgir no sul do país, onde foram registadas cerca de 20 vítimas nos últimos dias, assegurou na segunda-feira Guillaume Silvera, responsável regional da Proteção Civil haitiana.

«Na semana passada, sete pessoas morreram na cidade de Anse d'Hainault, cinco na cidade de Fond Cochon e quatro em Irois, tendo sido hospitalizados novos pacientes entretanto», disse Guillaume Silvera à AFP, observando que foram identificadas outras vítimas noutros locais mais remotos.

«As vítimas registaram-se na região de Grand-Anse, no extremo sul do país, nos municípios onde as estruturas de acolhimento de doentes foram fechadas por falta de meios», indicou o coordenador dos Médicos do Mundo no Haiti, Jean-Kith Dely.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Haiti massacra Ilhas Virgens Americanas por 7 a 0

Por Jardel Pereira
FutNet

Em partida válida pela terceira rodada do grupo F da segunda rodada das Eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo de 2014 (Brasil), o Haiti não tomou conhecimento das Ilhas Virgens Americanas e goleou o adversário pelo placar de 7 a 0, nesta sexta-feira. O jogo foi realizado no Estádio Paul E. Joseph, em Frederiksted (Ilhas Virgens Americanas).


Jean Eudes Maurice abriu o placar aos cinco minutos de jogo. Seis minutos depois, Kim Jaggy fez o segundo. O terceiro veio com Reginal Goreux, aos 12 minutos do segundo tempo. Sete minutos depois, Goreux fez o quarto. No minuto seguinte, em cobrança de pênalti, Maurice fez o quinto. O sexto gol saiu em cobrança de pênalti de Kervens Belfort, aos 28 minutos. Fechando o placar, Maurice fez o terceiro dele e o sétimo do jogo, aos 37 minutos da etapa final.

Com a vitória, o Haiti soma agora nove pontos e segue na liderança do grupo. Já as Ilhas Virgens Americanas seguem sem pontuar e estão na lanterna. Na próxima rodada, o Haiti recebe Curação. Enquanto, as Ilhas Virgens Americanas visitam Antígua e Barbuda.

EUA condenam Irã por pena de morte contra pastor cristão

Internacional - R7:



Youssef Nadarkhani se tornou pastor evangélico e se recusa a negar sua fé

Os Estados Unidos afirmaram nesta quinta-feira (29) que o Irã mostrará um "desprezo total" pela liberdade religiosa se suas autoridades executarem um pastor iraniano que se recusa a negar sua fé cristã para se converter ao islã.

"Os Estados Unidos condenam a pena de morte imposta ao pastor Youssef Nadarkhani. A execução da pena capital constituirá uma nova prova do desprezo das autoridades iranianas pela liberdade de culto", declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, em um comunicado.

- O pastor Nadarkhani não fez nada além de manter sua fé devota, que é um direito universal de todas as pessoas. A tentativa das autoridades iranianas de forçá-lo a renunciar a sua fé viola os valores religiosos que elas alegam defender, atravessa todos os limites da decência e viola as próprias obrigações internacionais do Irã.

Carney convocou as autoridades iranianas a "libertar o pastor Nadarkhani e a demonstrar compromisso com os Direitos Humanos básicos e universais, incluindo a liberdade de religião".

Nadarkhani, de cerca de 30 anos, tornou-se pastor de uma pequena comunidade evangélica chamada de Igreja do Irã após se converter do Islã aos 19 anos.

Autoridades iranianas o prenderam por apostasia em 2009 e o condenaram à morte sob a lei islâmica da Sharia.

O pastor foi poupado por um recurso da Suprema Corte em julho, afirmou seu advogado à AFP, mas foi condenado à morte novamente depois que o caso foi reexaminado em um tribunal de sua cidade natal, Gilan, de acordo com meios de comunicação locais.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Haiti: Garry Conille aprovado primeiro-ministro

Notícias Lusa - SAPO Notícias



Port-au-Prince, 05 out (Lusa)

O Senado do Haiti aprovou oficialmente a nomeação de Garry Conille como o novo primeiro-ministro haitiano na terça-feira, anunciou o parlamento do país, citado pela AFP.

A nomeação foi aprovada com 17 votos a favor, três contra e três abstenções.

O nome de Garry Conille tinha sido aprovado por unanimidade pelos 89 deputados a 16 de setembro, mas a entrada em funções estava dependente da aprovação oficial dos senadores.

sábado, 1 de outubro de 2011

Praia em Cap Haitien, no norte do Haiti


Por: Heloisa Joly (edição) | Foto: Js Callahan/Tropicalpix/Alamy
Publicado em 02/2010

Haiti: Cólera já matou 6.435 pessoas e afetou quase meio milhão

SIC Notícias

Porto Príncipe, 01 out (Lusa)

O Governo do Haiti revelou que o número de mortos pelo surto de cólera que afeta o país já totalizou 6.435 pessoas, enquanto cerca de meio milhão foram ou estão afetados pela doença.

Os novos dados estatísticos superam em mais de uma centena as vítimas mortais do que conhecidos anterioremente, ainda que as autoridades sanitárias haitianas reiterem que a incidência da doença continua a baixar.

O Ministério haitiano da Saúde revelou que 455.727 pessoas foram ou estão a ser tratadas contra a cólera e destas 242.205 tiveram de ser hospitalizadas."

"Não somos o pior país do mundo", diz diretor de turismo do Haiti



Um cantinho colorido no 19º Congresso Interamericano de Turismo, em San Salvador, acolhe uma pequena exibição do Haiti, o único país que mostra sua oferta turística nesta assembleia como parte da estratégia para se recuperar do terremoto sofrido em 2010.

"Não somos o pior país do mundo", disse à EFE e o diretor-geral do Ministério do Turismo do Haiti, Daniel Fouchard, um dos responsáveis pela exibição, instalada em uma única mesa junto da entrada do Congresso, que termina nesta semana após dois dias de debates.

"A missão do Governo de Michel Martelly é dar uma nova imagem ao Haiti", explicou Fouchard, rodeado de artesanatos, panfletos, revistas e livros ilustrados sobre a riqueza cultural e turística do país mais pobre da América.

Em sintonia com a meta do Congresso Interamericano de fazer da indústria turística uma arma contra a pobreza nas Américas, o Governo haitiano "tomou a decisão de usar o turismo para o aumento do Produto Interno Bruto (PIB)", declarou.

O terremoto de 12 de janeiro de 2010 no Haiti causou 300 mil mortes, deixou o mesmo número de feridos e 1,5 milhão desabrigados, além de ter destruído 60% da infraestrutura pública e 200 mil casas, causando prejuízo de US$ 7,8 bilhões, equivalentes a 120% do Produto Interno Bruto de 2009.

"O presidente Martelly nos encomendou a apresentação por considerar o turismo um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento do país", afirmou Fouchard. Só Haiti possui uma mostra no 19º Congresso Interamericano de Turismo, um dos mais antigos fóruns das Américas, adotado em 1939, no qual participam cerca de 200 representantes de 25 países, empresas privadas e organismos internacionais.

O Ministério do Turismo de El Salvador, país sede do Congresso e a Organização dos Estados Americanos (OEA), ofereceram pavilhões a todos os países participantes, mas estes não aceitaram por razões de logística, explicou à Agência Efe uma fonte da entidade salvadorenha.

Porém o Haiti não deixou escapar a oportunidade, contou Fouchard, que soube assim que chegou à sede do Congresso que seu país só receberia uma mesa, ao que respondeu "não vejo problema, viajamos para isso, para representar o nosso país".

"É por isso que estamos em todas as convenções e conferências para promover esta nova situação" que vive Haiti, "porque não somos o pior país do mundo; há coisas que acontecem em todos os lugares e no Haiti é a mesma coisa", afirmou Fouchard.

A conselheira em Turismo e membro do Gabinete privado do presidente haitiano, Elsa Baussan, disse que o turismo e a educação estão em sintonia com o processo de reconstrução do país, para o qual a comunidade internacional ofereceu US$ 5,5 bilhões.

"Desde o terremoto, temos dois projetos, que são o turismo e a educação, por isso estamos aqui", no Congresso Interamericano. O propósito é "dar outra imagem ao nosso país, totalmente destruído pelo terremoto", manifestou.

A funcionária garantiu que, passados cerca de 20 meses da tragédia, "o turismo dá sinais de vida no Haiti", que oferece seu patrimônio cultural e histórico, entre outros atrativos, e incentiva a chegada de cruzeiros, além do "carnaval do Caribe, que é muito famoso".

"Queremos deixar para trás o ano terrível" da tragédia, resumiu Daniel Fouchard, enquanto mostrava antigos cartões postais de locais como o Palácio Nacional, um dos prédios destruídos.