sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Haiti busca capital para desenvolvimento da economia

Brasil Econômico

Bárbara Ladeia (bladeia@brasileconomico.com.br)
23/09/11 08:49



Após o terremoto, país procura investidores para geração de empregos de longo prazo e, finalmente, caminhar sem ajuda humanitária.

Foi a poucos quilômetros da capital Porto Príncipe que o caos começou. Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter destruiu boa parte do país em janeiro de 2010.

A tragédia marcou a história do Caribe, com 200 mil mortos, 30 mil feridos e mais de quatro mil amputados.

O apoio com envio de equipes e doações de suprimentos veio de toda a parte do mundo. Três dias após o acidente, a ajuda global já somava US$ 350 milhões, cerca de 36% do orçamento haitiano para 2008.

Brasil, Estados Unidos, União Europeia, Organização das Nações Unidas e Fundo Monetário Internacional juntaram esforços na recuperação do país.

Se por um lado a ajuda humanitária foi fundamental na sobrevivência do país, por outro ela acabou por desequilibrar a balança comercial local, prejudicando as empresas locais.

Nos próximos meses o novo primeiro-ministro do Haiti, Garry Conille, eleito na primeira semana de setembro, deverá enfrentar ainda mais um desafio. Chegará o fim a Comissão de Reconstrução do Haiti.

Quase dois anos após o desastre, as necessidades do país são outras. Hoje, representantes do Haiti passam o chapéu em busca de investimentos de longo prazo para maturar a economia do país.

Olivier Barrau, presidente da Alternativa Insurance Company (AIC) - empresa de seguros haitiana -, comenta que apenas duas das oito empresas do setor quebraram diante do excesso de sinistros a serem pagos. No entanto, a recuperação não tem sido das mais fáceis.

O caos instalado após o terremoto criou o pânico, que levou embora a orientação econômica do país. "Faltou coordenação. Em diversos aspectos, deixamos de comprar produtos nacionais e os importados tomaram conta da nossa economia", explica Barrau.

Os vizinhos da República Dominicana foram os primeiros a levar seus produtos e, mais tarde, suas empresas e funcionários para o país.

"Eles invadiram nossa economia em diferentes níveis e setores", relembra Barrau. "Isso afetou e ainda afeta a maior parte das companhias locais."

Atualmente, o país busca se mostrar como um potencial de produção e distribuição para os países da América Central e Caribe, além dos Estados Unidos que já consomem 90,2% de suas exportações.

Nesse sentido, o objetivo é desenvolver a indústria local, que tem respresenta 16% do Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 11,5 bilhões do Haiti.

Jean Garry, haitiano pesquisador do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais, lembra que entre os potenciais do país estão a agricultura de orgânicos, que tem sido o principal elemento das exportações para solo americano.

"Nós temos capacidade de atuação em diversos mercados específicos, com nichos de menor produção."

No setor de serviços, braço mais forte do país, representando 59% do PIB, Barrau lembra da defasada estrutura de mercado financeiro no país.

"Há um grande foco dos bancos no topo da pirâmide, deixando a maior parte da população sem mecanismos", lembra Barrau.

Esse desafio também esbarra na falta de capitalização das instituições haitianas, o que diminui o apetite ao risco dessas companhias.

Para o presidente da AIC, o modelo ideal são as parcerias com instituições privadas que, na busca pelo lucro, forçam com que os processos corram rapidamente.

Nesse sentido, o país pretende contar com o Brasil como inspiração e parceiro na bancarização da população.

"O Brasil tem muito conhecimento no que tange aos clientes de baixa renda nos mercados de bancos e seguros", explica Barrau.
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