sábado, 30 de julho de 2011

EUA atuaram contra aumento de mínimo no Haiti para 5 dólares

Wikileaks — Rede Brasil Atual

Entre 2008 e 2009, a embaixada em Port-au-Prince fez lobby para combater o aumento salarial, que tinha grande apoio da população
Por: Dan Coughlin e Kim Ives, do Haiti Liberté

Port-au-Prince - Entre 2008 e 2009, a embaixada americana no Haiti se reuniu a portas fechadas com donos de fábricas contratadas pelas marcas Levi’s, Hanes e Fruit of de Loom com o intuito de bloquear o aumento de salários da indústria têxtil do Haiti – que são os mais baixos do continente – segundo documentos do Departamento de Estado americano.

Os donos das fábricas se recusavam a pagar 62 centavos por hora, o que equivale a 5 dólares por 8 horas de trabalho, conforme estabelecia uma medida aprovada por unanimidade pelo Congresso haitiano em 2009.

Nos bastidores, porém, os donos de fábricas tiveram o apoio vigoroso dos EUA, da Agência de Desenvolvimento Internacional (USAID) e da embaixada americana, segundo documentos da embaixada entregues ao Haïti Liberté, por meio do grupo de transparência WikiLeaks, em conteúdo reproduzido no Brasil pela Pública, agência de jornalismo investigativo.

Na época, o mínimo salarial diário era de 70 gourdes, ou 1 dólar e 75 centavos. Os empresários afirmaram ao Congresso haitiano que estavam dispostos a dar um aumento de 9 centavos, chegando a 31 centavos por hora de trabalho – 100 gourdes diários - para os trabalhadores que produzem camisas, sutiãs e roupas íntimas para gigantes da industria têxtil americana, como as marcas Dockers e Nautica.

Para resolver o problema entre as empresas e o Congresso, o Departamento de Estado americano insistiu que o presidente haitiano René Préval intervisse: “Uma atuação mais engajada de Préval pode ser crítica para resolver a questão do salário mínimo e os protestos pelo seu aumento – ou então, corremos o risco do ambiente político fugir do controle”, avisou o embaixador americano Janet Sanderson em junho de 2009.

Dois meses depois, Préval negociou um acordo com o Congresso para estabelecer dois tipos de salários mínimos: um para a industria têxtil de 3,13 dólares por dia (125 gourdes) e outro para todas as outras indústrias e setores comerciais, de 5 dólares por dia (200 gourdes).

Mas, mesmo assim, a embaixada americana não ficou satisfeita. O chefe da missão, David E. Lindwall, disse que um aumento para 5 doláres “não leva em conta a realidade econômica”, e teria sido apenas uma medida “populista” para apelar “às massas desempregadas e mal-pagas”.

Os defensores do mínimo haitiano insistem que era necessário manter o passo com a inflação e aliviar o aumento do custo de vida. O Haiti é o país mais pobre do continente, e o Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que 3,3 milhões de pessoas, um terço da população, estejam em risco de passar fome.

Naquele mesmo ano de 2008, uma onda de protestos conhecidos como “protestos do cloro” sacudiram o país – o nome era uma referência à dor no estômago causada pela fome aguda, como se a pessoa tivesse ingerido cloro.

De acordo com estudo do Consórcio dos Direitos dos Trabalhadores realizado em 2008, uma família da classe trabalhadora sustentada por um único individuo e tendo dois dependentes precisaria de 550 gourdes haitianos, cerca de 13 doláres e 75 centavos por dia, para manter um nível de vida normal.

Segundo o assessor de imprensa da embaixada norte-americana Jon Piechowski, “a política do Departamento de Estado é de não comentar documentos com informações classificadas e condenar o vazamento ilegal dessas informações”.

Ele afirmou ainda que “no Haiti, 80% da população está desempregada, e 78% vive com menos de 1 dólar por dia – o governo americano está trabalhando com o governo haitiano e outros parceiros internacionais para aumentar a criação de empregos, apoiar o crescimento econômico e atrair investimentos estrangeiros que sigam as normas da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e consigam alavancar a industria e a agricultura do país”.

O interesse dos EUA: zonas-francas para têxteis no Haiti

Porém, durante um período de 20 meses, do começo de fevereiro de 2008 a outubro de 2009, agentes da embaixada americana monitoraram atentamente e informaram Washington sobre a questão dos salários.

Os relatórios mostram que a embaixada compreendia a popularidade da proposta de aumento do minimo. Os telegramas afirmam que o novo mínimo tinha o apoio da maior parte da comunidade de negócios do Haiti “com base em relatos de que o mínimo na República Dominicana e na Nicarágua (países que competem no setor têxtil) também vão aumentar”.

Mesmo assim, a proposta provocou uma oposição ferrenha dentre a elite manufatureira haitiana, que Washington vinha apoiando com suporte financeiro direto e acordos de livre comércio. Em 2006, o congresso americano aprovou o plano Oportunidade Hemisférica através do Incentivo à Parceria (HOPE, na sigla em inglês que significa “esperança”). A lei permitiu incentivos fiscais para criar zonas-francas de fábricas no Haiti – elas podem exportar para os EUA sem pagar impostos.

Dois anos depois, o congresso dos EUA aprovou outra lei de isenção de impostos, chamada HOPE II, e a USAID passou a fornecer assistência técnica treinamento para ajudar as fábricas a expandir suas produções e aproveitar ao máximo a nova legislação.

Os documentos brasileiros do WikiLeaks, publicados pela Pública, demonstraram que empresas brasileiras estão fazendo lobby para integrarem essa iniciativa – usando a mão-de-obra barata do Haiti e exportando sem impostos para os EUA. Os telegramas da embaixada haitiana afirmam que essa iniciativa dos EUA estava em perigo por causa da proposta de aumento do salário mínimo.

“Representantes da indústria têxtil, liderados pela Associação da Indústria Haitiana (ADIH), se opuseram ao aumento de HTG 130 (US$ 3,25) por dia no setor manufatureiro, afirmando que iria devastar a indústria e ter um impacto negativo no projeto HOPE II” afirma um documento confidencial de 17 de junho de 2009 assinado pelo conselheiro da embaixada Thomas C. Tighe.

Ironicamente, um relato confidencial assinado por Tighe uma semana antes , no dia 10 de junho, observou que um estudo da Associação da Indústria Haitiana havia concluído que “de modo geral, a média salarial para os empregados do setor têxtil é HTG 173 (US$ 4,33)”, ou seja, apenas 67 centavos menos do que o mínimo proposto no Congresso.

Mesmo assim, o estudo alertava que deveria haver oposição ao aumento do mínimo porque “a atual estrutura de salários promove a produtividade e serve como um elemento de competitividade na região”.

Tighe observa, no entanto, que “o salário mínimo para os trabalhadores na Zona Franca na fronteira entre Haiti e República Dominicana é de cerca de US$ 6,00”, um dólar a mais do que o projeto de lei no Congresso. Mesmo assim, o estudo conclui que “um salário minimo de HTG 200 resultaria na perda de 10.000 postos de trabalho”, o que significa mais de um terço do total na época.

Tighe afirmou então que “estudos financiados pela Associação da Indústria Haitiana e pela USAID sobre o impacto do aumento do salário mínimo na indústria têxtil mostram que o aumento iria tornar o setor inviável economicamente e consequentemente forçar o fechamento de fábricas.”

Apoiados por este estudo pago pela USAID, os donos de fábricas fizeram lobby pesado contra o aumento, reunindo-se com o ex-presidente Préval em diversas ocasiões e com mais de 40 membros do Parlamento e partidos políticos, segundo os documentos do WikiLeaks.

Monitoramento

Os documentos diplomáticos procedentes do Haiti revelam como a embaixada americana monitorava o aumento de salário e se preocupava com os impactos da batalha dos salários na política. Tropas da ONU foram chamadas para reprimir protestos estudantis, aumentando o sentimento contra a presença militar da ONU no Haiti.

Em 10 de agosto de 2009, trabalhadores da indústria têxtil, estudantes e outros ativistas protestaram no Parque Industrial (SONAPI), próximo ao aeroporto de Port-au-Prince. A polícia prendeu dois estudantes, Guerchang Bastia e Patrick Joseph, por “incitar” os trabalhadores. Exigindo sua libertação, os protestantes marcharam até a delegacia Delma 33, onde os policiais atiraram gás lacrimogêneo.

No percurso do protesto, o pára-brisa do carro do conselheiro da embaixada americana, Tighe, foi quebrado, e ele teve que se abrigar na delegacia. Depois, quando perguntado por jornalistas sobre o incidente e a controvérsia do salário mínimo, Thige disse apenas: “É sempre a minoria que causa desordem”.

Devido aos protestos vertiginosos de trabalhadores e estudantes, os donos das fábricas e Washington venceram apenas parcialmente a batalha dos salários, atrasando o aumento por um ano e mantendo o salário das fábricas têxteis um pouco abaixo do restante. Em outubro de 2010 a assembléia dos trabalhadores conseguiu aumentar para 200 gourdes por dia de trabalho na indústria têxtil, enquanto em todos os outros setores o salário foi para 250 gourdes por dia (cerca de 6 doláres e 25 centavos).

terça-feira, 26 de julho de 2011

Líderes dizem que Brasil é uma das forças missionárias mundiais

Contribuição de Marcia Pinheiro
25 de julho de 2011

Responsabilidades aumentaram

Bem recebidos em quase todo o mundo, os brasileiros tornaram-se uma das principais esperanças de evangelização mundial. Esta afirmação é do Diretor Executivo de Missões Mundiais, Pr. João Marcos Barreto Soares. Segundo ele, isso é muita responsabilidade e motivo para nos preocuparmos também. E pergunta: Estamos preparados para isso? Temos feito tudo o que podemos. E suas preocupações vão além. Ele lembra que em 2009 as ofertas destinadas a Missões Mundiais e Missões Nacionais alcançaram um belo montante; porém, quando dividido pelo número oficial de batistas no Brasil, o resultado foi preocupante: cada um ofertou cerca de 66 centavos por semana para a obra missionária.

Outra situação que também incomoda o Diretor da JMM é o número de missionários "per capta": cerca de um para cada 10 mil batistas brasileiros. Será que temos nos esquecido de que há mais de 4 bilhões de pessoas que nunca ouviram falar de Cristo, que há pelo menos 2.200 povos que não conhecem a Palavra de Deus?, pergunta. A responsabilidade dos batistas brasileiros com a obra de evangelização mundial também foi lembrada pelo missionário da terra da JMM no Sul da Ásia, que recentemente esteve no Brasil. Gabriel Azam, que administra uma agência missionária parceira da JMM, com cerca de 100 obreiros, reconhece que o avanço do cristianismo em seu país, apesar de ainda ser tímido, deu uma guinada principalmente em razão do investimento dos batistas brasileiros. Segundo ele, desde 1994, quando recebeu a visita de um missionário de Missões Mundiais, a obra de evangelização em seu país começou a mudar.

Depois de 21 anos de trabalho, Deus começou a trazer os frutos. Durante todo esse tempo ninguém tinha se rendido a Cristo. Mas, finalmente uma família veio a conhecer o Senhor e, de repente, esse número pulou para 90 famílias. Toda essa obra foi Deus quem fez por meio de nós. Eu louvo a Deus pelo maravilhoso trabalho dos batistas brasileiros, diz o Pr. Gabriel Azam. Mas ele cita o crescimento do islamismo no mundo e diz que os brasileiros têm a responsabilidade de alcançar os adeptos do islã.

Brasil diz que redução de tropas no Haiti tem que ser gradual

Jornal do Brasil

Agência AFP

Brasil diz que redução de tropas no Haiti tem que ser gradual

O Brasil acredita que uma possível redução de tropas das Nações Unidas no Haiti deve ser feita de forma gradual.

O tema tem sido analisado pela ONU, e deve ser levado ao Conselho de Segurança para recomendação e aprovação.

Prioridade

A Missão de Estabilização no Haiti, Minustah, é liderada por um general brasileiro desde a sua criação em 2004.

Nesta entrevista à Rádio ONU, dentro da sala do Conselho de Segurança, a embaixadora brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, disse que a estabilidade da ilha tem que continuar sendo uma prioridade.

“É importante que qualquer eventual redução seja gradual para que o processo não comprometa a estabilidade que já se conseguiu conquistar. E é claro que a Missão continua a ter uma dimensão de um componente civil muito importante. Isso é justamente o que contribui para o fortalecimento das instituições do país e isso deve continuar.”

O Brasil é o maior doador de tropas para o Haiti. A Companhia de Engenharia do exército brasileiro tem ajudado nos trabalhos de reconstrução da ilha após o terremoto de janeiro de 2010.

O sismo matou mais de 200 mil pessoas e destruiu grande parte da infraestrutura da capital, Porto Príncipe.

Jornal do Brasil - Internacional - Brasil diz que redução de tropas no Haiti tem que ser gradual

Jornal do Brasil

Agência AFP

Brasil diz que redução de tropas no Haiti tem que ser gradual


O Brasil acredita que uma possível redução de tropas das Nações Unidas no Haiti deve ser feita de forma gradual.

O tema tem sido analisado pela ONU, e deve ser levado ao Conselho de Segurança para recomendação e aprovação.

Prioridade

A Missão de Estabilização no Haiti, Minustah, é liderada por um general brasileiro desde a sua criação em 2004.

Nesta entrevista à Rádio ONU, dentro da sala do Conselho de Segurança, a embaixadora brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, disse que a estabilidade da ilha tem que continuar sendo uma prioridade.

“É importante que qualquer eventual redução seja gradual para que o processo não comprometa a estabilidade que já se conseguiu conquistar. E é claro que a Missão continua a ter uma dimensão de um componente civil muito importante. Isso é justamente o que contribui para o fortalecimento das instituições do país e isso deve continuar.”

O Brasil é o maior doador de tropas para o Haiti. A Companhia de Engenharia do exército brasileiro tem ajudado nos trabalhos de reconstrução da ilha após o terremoto de janeiro de 2010.

O sismo matou mais de 200 mil pessoas e destruiu grande parte da infraestrutura da capital, Porto Príncipe.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Presidente haitiano designará jurista como primeiro-ministro

Presidente haitiano designará jurista como primeiro-ministro

O presidente haitiano Michel Martelly designou nesta quarta-feira o jurista Bernard Gousse, 52 anos, para dirigir o próximo governo, afirmou à AFP uma fonte oficial, duas semanas depois da rejeição do primeiro candidato ao posto.

"A carta de designação de Gousse será apresentada esta manhã aos presidentes do Parlamento haitiano", afirmou o chefe de gabinete de Martelly, Thierry-Mayard Paul.

Lançamento da Bíblia dos Atletas de Cristo‬‏

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