segunda-feira, 21 de março de 2011

A grande missão de reconstruir um país


Jesús Sanchis | EFE


19 de Março, 2011
 Os haitianos voltarão às urnas no próximo domingo para eleger o seu novo Presidente, que deverá guiar o Haiti rumo à tão esperada reconstrução, após o devastador terramoto que atingiu o país em Janeiro 2010 e a epidemia de cólera, que teve início em Outubro.
A ex-Primeira-Dama Mirlande Manigat e o cantor Michel Martelly são os dois candidatos que concorrem à sucessão do actual Presidente René Préval, que deixará o poder em Maio.
O vencedor terá o desafio de liderar o processo de reconstrução da nação, que ainda não conseguiu recuperar dos prejuízos sofridos em Janeiro de 2010, quando um terramoto de grau sete na escala de Richter arrasou grande parte da capital, Porto Príncipe, e várias cidades próximas.
Os efeitos do sismo, que deixou mais de 316 mil mortos, 300 mil feridos e 1,5 milhões de desalojados, ainda são perceptíveis quando se percorrem amplas regiões da capital. Mais de um ano após a tragédia, toneladas de escombros ainda estão espalhados pela cidade. Mais de 800 mil pessoas ainda vivem em centenas de acampamentos precários, muitos deles improvisados após o terramoto. Além disso, grande parte da população sofre com a falta de serviços básicos, como o acesso à saúde.
A retirada dos escombros e o regresso dos desalojados aos seus lares são dois dos principais desafios que o novo Presidente haitiano terá pela frente.
Outra grande missão do novo governante será combater a epidemia de cólera que teve início em Outubro e que contaminou cerca de 250 mil pessoas e deixou mais de 4.600 mortos.
A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), presente no país desde 2004, é acusada por sectores da população de ter desencadeado o surto de cólera, depois de soldados nepaleses terem contaminado um rio com sedimentos fecais. O assunto, no entanto, permanece sob investigação.
Além destes problemas, o novo governante deverá liderar um processo muito mais amplo de reconstrução do país das Caraíbas, que inclui numerosos projectos direccionados para levantar a empobrecida economia e melhorar as infra-estruturas e serviços públicos básicos, como a educação e a saúde.
A comunidade internacional observa com atenção a situação no Haiti e o desfecho do processo eleitoral para saber quem terá o encargo de fazer a gestão da ajuda que deverá ser desembolsada nos próximos anos.
Uma grande parte dessa ajuda é administrada pela Comissão Interina para a Reconstrução do Haiti (CIRH), co-presidida pelo enviado especial da ONU para o Haiti, Bill Clinton, e pelo Primeiro-Ministro, Jean Max Bellerive, que será sucedido por um novo chefe de Governo.
Em Fevereiro, Bellerive calculou em mil milhões de dólares o valor necessário para financiar projectos aprovados pela CIRH para os próximos oito meses.
A escolha de um novo Presidente deverá encerrar a crise eleitoral aberta após a primeira volta das eleições, quando o Conselho Eleitoral Provisório anunciou que Mirlande obteve 31,37 por cento dos votos e o candidato governamental Jude Celestin conseguiu 22,48 por cento.
O anúncio destes resultados, qualificados como fraudulentos pela maioria da oposição, desencadeou violentos protestos que deixaram quatro mortos, o que motivou uma revisão do processo por parte da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O organismo interamericano aconselhou a retirada de Celestin da disputa a favor de Martelly, o que foi finalmente aceite pelo conselho eleitoral, que concedeu a Mirlande 31,6 por cento dos votos, ao cantor 22,2 por cento e deixou o candidato governamental, com 21,9, de fora da segunda volta.
Sem experiência política, Martelly apresenta-se como o candidato da mudança e propõe trabalhar pelo relançamento da economia, da agricultura e do emprego. Além disso, entre as suas propostas está a promoção da educação gratuita.
Por sua vez, Mirlande compromete-se a impulsionar a educação e o regresso dos milhares de deslocados aos seus lares.Quatro milhões de eleitores estão convocados para as eleições, nas quais também serão escolhidos sete dos 11 senadores que estavam previstos (os outros quatro obtiveram o seu assento na primeira volta) assim como 79 dos 99 deputados, já que 20 também estão definidos. 
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