terça-feira, 22 de março de 2011

Brasil diz confiar na lisura do segundo turno no Haiti

BRASÍLIA – As eleições presidenciais no Haiti, ocorridas no domingo (20), contam com o apoio do governo do Brasil, que acredita que o resultado final reproduzirá o desejo dos eleitores. Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (22), o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, destaca a participação popular na votação e a confiança na consolidação da democracia no país.

“O governo brasileiro acompanhou com atenção o segundo turno das eleições presidenciais e parlamentares no Haiti, realizado em 20 de abril”, diz o comunicado

Em seguida, o Itamaraty informou confiar que as irregularidades registradas no primeiro turno das eleições, em novembro de 2010, foram superadas, registrando um novo momento no Haiti. “[A forma como ocorreu o segundo turno] reflete o compromisso do povo haitiano com a democracia e os esforços do Conselho Eleitoral Provisório do Haiti no sentido de aperfeiçoar procedimentos a partir da experiência do primeiro turno.”

Os resultados preliminares das eleições no Haiti serão divulgados no próximo dia 31, mas o governo brasileiro disse confiar na lisura do processo. Os eleitores foram às urnas escolher o futuro presidente entre os candidatos Mirlande Manigat, ex-primeira-dama, e Michel Martelly, cantor popular. Cerca de 4,7 milhões de eleitores votaram no Haiti.

“Ao reiterar sua solidariedade e sua disposição de seguir cooperando com o Haiti, o governo brasileiro manifesta a expectativa de que o presente processo eleitoral seja concluído com a legítima transição do poder, em conformidade com a vontade popular expressa nas urnas”, diz a nota.

As autoridades haitianas demonstraram preocupação com os episódios de violência registrados no país durante o domingo e às vésperas da votação. As eleições no Haiti ocorrem no momento em que os ex-presidentes Jean-Bertrand Aristide e Jean-Claude Duvalier, Baby Doc, retornaram ao país e sinalizaram interesse em voltar ao cenário político.

Paralelamente, os haitianos lutam pela reconstrução do país devastado pelo terremoto de janeiro de 2010 e a epidemia de cólera que matou mais de 4 mil pessoas.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Haitianos escolhem presidente em clima de calma

PORTO PRÍNCIPE — Quase cinco milhões de haitianos votaram no domingo para eleger o presidente em um dia sem incidentes graves, mas marcado pelo retorno do ex-presidente Jean Bertrand Aristide e algumas irregularidades.
Os resultados preliminares devem ser divulgados em 31 de março e os definitivos são esperados para 16 de abril.
"A democracia triunfou e permitam-me saudar o principal artífice desta vitória: o povo haitiano", disse Gaillot Dorsinvil, presidente do Conselho Eleitoral Provisório (CEP), durante a entrevista coletiva que encerrou o dia de votação.
Como nota negativa, o CEP e a polícia haitiana informaram a morte de duas pessoas em incidentes vinculados à votação, uma no departamento de Nord-Ouest e outra no de Artibonite (centro).
O rapper Wyclef Jean, partidário do candidato Michel Martelly, foi ferido a bala na mão na noite de sábado em Porto Príncipe, , mas já "está bem", segundo fontes próximas a ele.
Os 4,7 milhões de eleitores escolheram o sucessor do presidente René Préval.
O vencedor entre Mirlande Manigat, uma acadêmica e ex-primeira dama de 70 anos, e o cantor Michel Martelly, de 50, deverá assumir a reconstrução do país mais pobre das Américas, devastado por um terremoto em janeiro de 2010 que matou 222.000 pessoas, e por uma epidemia de cólera.
Em um comunicado, a Missão da ONU no Haiti (Minustah) felicitou os haitianos pelo "espírito patriótico, a calma e a disciplina demonstradas".
"O evidente entusiasmo dos eleitores mostra a importância que o povo haitiano dá à democracia", completa o texto.

Abstenção nas eleições no Haiti é menor que no 1º turno

Agência Brasil


BRASÍLIA - O chefe da missão das Nações Unidas no Haiti, Edmond Mulet, afirmou neste domingo (20) que a participação dos eleitores no segundo turno das eleições presidenciais, que ocorrem hoje (20) no país, é maior do que a registrada na primeira etapa, em novembro.“Constatei várias mudanças em relação a 28 de novembro. A participação é mais elevada”, disse ele.

Mulet afirmou que foram registrados apenas “atrasos e pequenos problemas”. Mas, segundo ele, essas dificuldades “estão sendo resolvidas”. “As pessoas sabem que hoje é um grande dia para o Haiti. Tudo corre bem, e vai ser pacífico”, disse.

Os problemas identificados foram a demora da abertura das urnas em alguns locais e a falta de tinta para marcar o dedo do eleitor que votou, segundo o chefe da missão de observadores da Organização de Estados Americanos (OEA), Colin Granderson. “Pedimos ao Conselho Eleitoral que resolvesse os problemas”, disse.

Os haitianos começaram hoje a votar às 6 horas. Às 16 horas as urnas serão fechadas. Os eleitores estão escolhendo entre o cantor Michel Martelly e a ex-primeira-dama Mirlande Manigat. Foram organizados 11 mil locais de votação. Os primeiros resultados serão divulgados no dia 31 deste mês, e a conclusão apenas em 16 de abril.

A grande missão de reconstruir um país


Jesús Sanchis | EFE


19 de Março, 2011
 Os haitianos voltarão às urnas no próximo domingo para eleger o seu novo Presidente, que deverá guiar o Haiti rumo à tão esperada reconstrução, após o devastador terramoto que atingiu o país em Janeiro 2010 e a epidemia de cólera, que teve início em Outubro.
A ex-Primeira-Dama Mirlande Manigat e o cantor Michel Martelly são os dois candidatos que concorrem à sucessão do actual Presidente René Préval, que deixará o poder em Maio.
O vencedor terá o desafio de liderar o processo de reconstrução da nação, que ainda não conseguiu recuperar dos prejuízos sofridos em Janeiro de 2010, quando um terramoto de grau sete na escala de Richter arrasou grande parte da capital, Porto Príncipe, e várias cidades próximas.
Os efeitos do sismo, que deixou mais de 316 mil mortos, 300 mil feridos e 1,5 milhões de desalojados, ainda são perceptíveis quando se percorrem amplas regiões da capital. Mais de um ano após a tragédia, toneladas de escombros ainda estão espalhados pela cidade. Mais de 800 mil pessoas ainda vivem em centenas de acampamentos precários, muitos deles improvisados após o terramoto. Além disso, grande parte da população sofre com a falta de serviços básicos, como o acesso à saúde.
A retirada dos escombros e o regresso dos desalojados aos seus lares são dois dos principais desafios que o novo Presidente haitiano terá pela frente.
Outra grande missão do novo governante será combater a epidemia de cólera que teve início em Outubro e que contaminou cerca de 250 mil pessoas e deixou mais de 4.600 mortos.
A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), presente no país desde 2004, é acusada por sectores da população de ter desencadeado o surto de cólera, depois de soldados nepaleses terem contaminado um rio com sedimentos fecais. O assunto, no entanto, permanece sob investigação.
Além destes problemas, o novo governante deverá liderar um processo muito mais amplo de reconstrução do país das Caraíbas, que inclui numerosos projectos direccionados para levantar a empobrecida economia e melhorar as infra-estruturas e serviços públicos básicos, como a educação e a saúde.
A comunidade internacional observa com atenção a situação no Haiti e o desfecho do processo eleitoral para saber quem terá o encargo de fazer a gestão da ajuda que deverá ser desembolsada nos próximos anos.
Uma grande parte dessa ajuda é administrada pela Comissão Interina para a Reconstrução do Haiti (CIRH), co-presidida pelo enviado especial da ONU para o Haiti, Bill Clinton, e pelo Primeiro-Ministro, Jean Max Bellerive, que será sucedido por um novo chefe de Governo.
Em Fevereiro, Bellerive calculou em mil milhões de dólares o valor necessário para financiar projectos aprovados pela CIRH para os próximos oito meses.
A escolha de um novo Presidente deverá encerrar a crise eleitoral aberta após a primeira volta das eleições, quando o Conselho Eleitoral Provisório anunciou que Mirlande obteve 31,37 por cento dos votos e o candidato governamental Jude Celestin conseguiu 22,48 por cento.
O anúncio destes resultados, qualificados como fraudulentos pela maioria da oposição, desencadeou violentos protestos que deixaram quatro mortos, o que motivou uma revisão do processo por parte da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O organismo interamericano aconselhou a retirada de Celestin da disputa a favor de Martelly, o que foi finalmente aceite pelo conselho eleitoral, que concedeu a Mirlande 31,6 por cento dos votos, ao cantor 22,2 por cento e deixou o candidato governamental, com 21,9, de fora da segunda volta.
Sem experiência política, Martelly apresenta-se como o candidato da mudança e propõe trabalhar pelo relançamento da economia, da agricultura e do emprego. Além disso, entre as suas propostas está a promoção da educação gratuita.
Por sua vez, Mirlande compromete-se a impulsionar a educação e o regresso dos milhares de deslocados aos seus lares.Quatro milhões de eleitores estão convocados para as eleições, nas quais também serão escolhidos sete dos 11 senadores que estavam previstos (os outros quatro obtiveram o seu assento na primeira volta) assim como 79 dos 99 deputados, já que 20 também estão definidos. 

Haiti: Antigo presidente Aristide chegou a Port-au-Prince

O antigo presidente haitiano, Jean Bertrand Aristide, chegou hoje às 09:05 (14:05 em Lisboa) ao aeroporto de Port-au-Prince, a bordo de um avião privado e proveniente de um exílio de sete anos na África do Sul.

O ex-presidente desceu do avião sorridente e teve acolhimento protocolar do secretário-geral da presidência haitiana, Fritz Longchamp, constatou um jornalista da France Presse.

Cerca de 50 pessoas estavam no local para receber o antigo presidente, incluindo membros do seu partido, Fanmi Lavalas, funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros e mulheres com ramos de flores.

Diário Digital / Lusa 

segunda-feira, 7 de março de 2011

Empresa gaúcha vai tratar água no Haiti

Sistema foi desenvolvido a partir de parceria entre Sebrae no Rio Grande do Sul e Finep

Agência Sebrae


Uma iniciativa apoiada pelo Sebrae no Rio Grande do Sul e pela Finep – Financiadora de Estudos e Projetos, através do Inova Pequena Empresa RS, irá salvar vidas na República do Haiti. A tecnologia inédita, simples e denominada Gutwasser foi desenvolvida pela empresa Lics Super Água, localizada no município de Selbach, região Planalto do Rio Grande do Sul. Em 2009, a Lics participou de Chamada Pública para a obtenção de apoio financeiro não reembolsável e obteve a segunda classificação dentre as 44 MPE selecionadas. A partir disso, o projeto inovador que estava apenas no papel encontrou a oportunidade necessária e tornou-se realidade.

A Lics doará ao Haiti seis Estações Compactas para Tratamento da Água e insumos suficientes para despoluir 30 milhões de litros. O país, atingido em janeiro de 2010 por um terremoto que deixou 1,5 milhão de habitantes desabrigados, além de mortos e feridos, sofre agora com uma epidemia de cólera. O presidente da empresa, Clóvis Bourscheid, explica que o funcionamento mecânico do sistema, através do fluxo da própria água, não depende de energia elétrica e pode ser implantado em áreas urbanas, rurais, unidades móveis, caminhões-pipa e captações de difícil acesso. "As estações foram projetadas para resolver a escassez de água potável, especialmente em situações de desastres, emergência e calamidades públicas", acrescenta.

Clóvis Bourscheid esteve no Haiti entre os dias 20 e 26 de fevereiro participando da 2ª Reunião de Coordenação da Sociedade Civil Brasileira. Lá conheceu as iniciativas já adotadas pelo governo brasileiro e identificou pontos estratégicos para implantação das estações para tratamento de água. O empresário gaúcho viajou em companhia de representantes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Segundo Bourscheid, a visita foi fundamental para fazer um diagnóstico da situação e averiguar os melhores pontos para instalação dos equipamentos.

Pontos de instalação

As seis estações de tratamento de água serão instaladas em duas indústrias de leite; em uma cidade do interior do país, que beneficiará 40 mil famílias; no hospital da capital Port au Prince; no Centro Tecnológico do Ministério da Agricultura, referência no país; e na Organização Não Governamental Viva Rio, única instituição que distribui água potável aos habitantes. Nesse caso, a intenção é aumentar a capacidade.

Para o superintendente do Sebrae no Rio Grande do Sul, Marcelo Lopes, o reconhecimento internacional da empresa Lics Super Água serve de exemplo para os demais pequenos negócios que já estão trabalhando com recursos do Inova e para aqueles que ainda têm receio de implantar ações inovadoras seja em processos ou produtos. "É uma satisfação saber que o Inova está repercutindo positivamente junto às empresas, trazendo outras perspectivas de mercado e contribuindo para o desenvolvimento do município onde ela se localiza. Investir em inovação e desmistificá-la é um desafio que temos que perseguir", conclui. 

sexta-feira, 4 de março de 2011

Epidemia de cólera levará anos a ser erradicada do Haiti

O Haiti contabiliza hoje 4.625 mortes pela epidemia de cólera, que reapareceu em outubro último depois de mais de um século de erradicada. Segundo informou o Ministério de Saúde Pública em sua página eletrônica, a cifra de infectados subiu para 245.183 e a doença mantém maior pressão na região norte de Artibonite, com 868 mortes.

Foi precisamente nesse território de Artibonite onde explodiu o surto. Também lá foi achada a bactéria causante do mau, Vibrio Cholerae, no rio homônimo que o atravessa.

A cólera é transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados e produz febre alta, diarreias intensas e vômitos que implicam desidratação e morte.

Uma equipe de especialistas pesquisa a origem da infecção intestinal no Haiti, embora dois estudos internacionais já o tenham localizado na base nepalesa da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti.

A doença invadiu com celeridade todo o país e inclusive chegou à vizinha República Dominicana, com três mortes e mais de 450 pessoas contagiadas.

Em que pese a colaboração de estados como Cuba e Venezuela para conter o mal, a ONU estima que a erradicação demorará vários anos.

Fonte: Prensa Latina

quarta-feira, 2 de março de 2011

Haiti: comissão para a reconstrução avalia novas estratégias

Imagen de muestraPorto Príncipe, 28 fev (Prensa Latina) Membros da Comissão Interina para a Reconstrução do Haiti (CIRH) analisam hoje um plano estratégico para acelerar a recuperação nacional nos próximos oito meses.

  O encontro, que se efetuará em Juvenat, ao leste da capital Porto Príncipe, priorizará debates sobre um plano para criar um escritório anticorrupção, segundo indicaram meios locais de imprensa.

Os participantes da reunião receberão informação atualizada sobre o estado macroeconômico deste empobrecido país caribenho.

A reunião servirá também para ratificar a execução de novos projetos avaliados em cerca de 225 milhões de dólares.

Representantes dos governos da Espanha e do Japão aproveitarão a ocasião para informar sobre contribuições de 30 milhões de dólares, cada um, destinados aos trabalhos de recuperação.

Também se prevê um balanço sobre o estado dos fundos e das diferentes áreas em que foi distribuído o capital.

A reunião contará também com a presença do presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luis Alberto Moreno.

De acordo com dados recentes, o país requer de ao menos um bilhão de dólares para executar nos próximos meses os planos aprovados na reunião passada da Comissão Interina.

A CIRH foi instituída em abril do ano passado para coordenar a reabilitação e aprovar projetos destinados a paliar os danos provocados pelo terremoto que devastou parcialmente esta capital e outras cidades vizinhas no dia 12 de janeiro de 2010.

O terremoto ocasionou 316 mil mortos, 1,5 milhões de desabrigados e destruiu mais de 60 por cento da infraestrutura de Porto Príncipe.

O premiê haitiano, Jean Max Bellerive, e o ex-presidente estadunidense e enviado especial da Organização das Nações Unidas para o Haiti, Bill Clinton, copresidem o órgão, integrado por doadores internacionais.