quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ONGs culpam Governo haitiano por atraso na reconstrução do país

Ter, 11 Jan, 06h02EFE
Redação Central, 11 jan (EFE).- Algumas das ONGs mais importantes que vem dando assistência ao Haiti criticaram nesta terça-feira a falta de liderança por parte do Governo de Porto Príncipe, que um ano depois do terremoto que assolou o país não começou as tarefas de remoção de escombros e reconstrução de imóveis.
Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras, Ação Contra a Fome e Ajuda em Ação destacaram em diferentes comunicados e declarações de seus responsáveis que a ineficácia do Governo haitiano e a instabilidade política dificultaram e atrasam seus trabalhos.
As ONGs fizeram nesta semana um balanço do trabalho para fazer frente aos destroços causados no Haiti pelo terremoto de 12 de janeiro de 2010 e pela epidemia de cólera.
A Cruz Vermelha afirmou que a presença de escombros e resíduos dificulta os deslocamentos pelas cidades de Porto Príncipe e Jamel.
Por sua vez, a Ação Contra a Fome ressaltou a necessidade que as autoridades haitianas se ponham à frente dos trabalhos de remoção e de reconstrução, já que "as ONGs não podem nem têm mandato para substituir o Governo do Haiti, mas a população não pode esperar e precisa de apoio".
Já a Ajuda em Ação reivindicou ao Governo haitiano que libere terrenos para poder começar a construção de imóveis sociais para as mais de 1 milhão de pessoas que seguem vivendo em campos de refugiados.
A ONG questionou que as autoridades se apressaram em expropriar terra no centro de Porto Príncipe para reconstruir edifícios oficiais, mas não fizeram o mesmo com os terrenos ao redor da cidade, onde deveriam surgir novos assentamentos permanentes.
"As organizações têm o dinheiro e a vontade para reconstruir os lares dos haitianos, mas até que o Governo não libere a terra que é necessária, teremos que investir o dinheiro arrecadado em substituir as tendas e adotar outras medidas destinadas a ajudar as pessoas que estão amontoadas", afirmou o diretor da Ajuda em Ação no Haiti, Jean-Claude Fignole.
Para a Médicos Sem Fronteiras, as "péssimas condições" em que vivem os haitianos são também culpa da lentidão e da falta de coordenação e liderança dos organismos internacionais na reconstrução do país.
O chefe da missão da MSF no país, Francisco Otero, criticou especialmente a "falta de flexibilidade e capacidade de reação" da ONU e da Organização Mundial da Saúde (OMS), e questionou também a atuação de outras organizações humanitárias.
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