Heroínas do Haiti dão exemplo
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O Prêmio FIFA Fair Play deste ano foi entregue à seleção feminina sub-17 do Haiti, que, com muita coragem, seguiu firme mesmo enfrentando a dor, o sofrimento e as perdas causadas pelo devastador terremoto que arrasou o país em janeiro de 2010.
As jovens integrantes do selecionado seguiram ativas mesmo enquanto o mundo desabava à sua volta. Quando o violento terremoto de sete graus na escala Richter devastou o país caribenho, o grupo treinava no Estádio Nacional, na capital Porto Príncipe, a apenas 25 quilômetros do epicentro do abalo.
Apesar da distância, as cenas que se sucederam durante o treinamento foram arrasadoras. As jogadoras gritavam e choravam em meio ao barulho e à devastação causada por um dos maiores tremores da turbulenta e problemática história da região.
Mesmo abaladas pelo medo, todas as atletas se salvaram. No entanto, o técnico Jean-Yves Labaze — considerado quase um "pai" para a maioria do elenco — acabou falecendo, atingido por escombros no desabamento da sede da Federação Haitiana, onde participava de uma reunião.
Porém, não foi somente a figura paterna de Labaze que as jogadoras perderam no terremoto. Na verdade, a maioria teve de dizer adeus a familiares e amigos. Para a goleira Alexandra Coby, foi ainda pior: todos os seus parentes mais próximos faleceram durante o abalo sísmico. Por isso, ninguém falaria nada se as haitianas tivessem desistido de jogar as eliminatórias da CONCACAF para a Copa do Mundo Sub-17 Feminina da FIFA 2010, que seriam disputadas pouco mais de dois meses depois, na Costa Rica.
Porém, as garotas reuniram todas as suas forças e seguiram em frente. Mantiveram os treinamentos na República Dominicana e no Panamá, países que as receberam de braços abertos e ofereceram as suas instalações após o Estádio Nacional de Porto Príncipe se transformar em um grande acampamento improvisado.
"Sem o futebol, não sobraria nada", afirmou a capitã Hayana Jean François, arrasada pelos efeitos colaterais do tremor, que matou mais de 230 mil pessoas e deixou mais de um milhão de desabrigados. Ávidas por se classificarem para o primeiro Mundial Feminino da história do Haiti, as garotas bem que tentaram, mas acabaram sendo derrotadas duas vezes: 9 a 0 para os EUA e 2 a 0 para a Costa Rica.
Pela coragem e pela força que mostraram, as haitianas foram recebidas como heroínas, já que a sua conquista vai além dos gramados. Por isso, elas são as merecidas ganhadoras do Prêmio FIFA Fair Play 2010. "Obrigado à FIFA por este prêmio. Gostaria de compartilhar esta honra com todos os jovens do Haiti, especialmente aqueles que ainda estão sofrendo. O Haiti vai melhorar", disse Hayana Jean François ao receber a homenagem em nome da sua seleção.