quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Embaixador sueco no Haiti confirma que cólera veio do Nepal

Efe 
 
Epidemia de cólera já matou 1.039 e deixou pelo menos 17 mil hospitalizados no Haiti 

As suspeitas de que a epidemia de cólera no Haiti, que já matou mais de 1.000 pessoas, tenha sido começada por um grupo de soldados do Nepal membros da missão de paz da ONU, foi confirmada por um diplomata sueco que acaba de retornar do país caribenho. 

Em entrevista ao jornal sueco Svenska Dagbladet ("Diário Sueco"), o embaixador Claes Hammar declarou que uma fonte de confiança assegurou ser "100% certo" que a bactéria foi levada pelos militares nepaleses. O Haiti nunca tinha registrado casos de cólera até o mês passado, segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDCP, em inglês). 

"Sim, infelizmente é assim. Foi provado que a cólera é do Nepal. É 100% preciso. Recolhemos amostras e assim conseguimos traçar o percurso da infecção, que vem do Nepal. Esta é, obviamente, uma cepa que é prevalecente no Nepal e agora parece que foi parar no Haiti", declarou Hammar ao jornal. 

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Desde o final do mês passado, mais de 1.000 pessoas já morreram e cerca de 9 mil estão internadas em casos confirmados da doença, que é causada por um vibrião (bactéria) e transmitida principalmente por água contaminada. A suspeita de que os capacetes-azuis nepaleses seriam os responsáveis por levar a doença ao país gerou protestos violentos contra a missão da ONU (Minustah), deixando pelo menos dois mortos desde a semana passada. 

Câmara de Comércio Sueco-Americana 
  
Segundo o diplomata sueco Claes Hammar, já há 100% de certeza de que a bactéria veio do Nepal 

Esforços 

A ONU, no entanto, vinha negando a informação e rejeitava a responsabilidade pelo surto. Mas, no início da semana, o CDCP divulgou ter identificado que a variante da bactéria era originária do sul da Ásia, onde fica o Nepal, mas ainda não apontara nenhum país específico. 

"É claro que é muito triste que seja assim. Mas não se deve esquecer a propagação da doença devido à falta de higiene. A ONU está fazendo um grande esforço para combater a cólera", disse o diplomata sueco na entrevista. 

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As tropas da Minustah asseguram que, desde o início da epidemia, vêm trabalhando para conter a disseminação da doença. Entre as ações empreendidas, estão batalhões de engenheiros do Brasil e do Chile estão preparando terreno para a construção de centros de tratamento para a cólera no interior do país. Já os contingentes da Bolívia montaram 20 barracas para 250 pessoas cada e 48 banheiros químicos no departamento de Artibonite, onde o foco teve início. 

A Minustah é atualmente chefiada pelo representante especial Edmond Mulet, da Guatemala, e o comando militar dos capacetes-azuis está a cargo do major-general brasileiro Luiz Guilherme Paul Cruz.
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