quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Estudo culpa ONGs por caos no Haiti

Organização americana diz que só 27% das doações recebidas por 20 grandes ONGs foram efetivamente aplicadas no país caribenho

25 de novembro de 2010 | 0h 00

João Paulo Charleaux - O Estado de S.Paulo
A epidemia de cólera que já matou mais de 1.400 pessoas e deixou 20 mil infectados poderia ter sido evitada se as dezenas de ONGs instaladas no Haiti desde o terremoto de janeiro tivessem usado as doações recolhidas nos últimos dez meses, é o que diz um levantamento feito pela Disaster Accountability Project (DAP).
Até julho - seis meses após o terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou o país, matou 300 mil pessoas e deixou mais de 1,5 milhão de desabrigados - apenas 27% do total de fundos arrecadados por 20 ONGs que atuam no Haiti havia sido usado para evitar surtos e epidemias. O resto, de acordo com a DAP, permanecia em bancos.
A Cruz Vermelha Americana havia usado apenas US$ 117 milhões dos US$ 464 milhões arrecadados. Outra ONG, a Care EUA, tinha gasto apenas US$ 9,6 milhões dos US$ 36,5 milhões arrecadados. Outras 18 ONGs fazem parte da lista e seus presidentes são responsabilizados nominalmente pela DAP.
"Os doadores foram enganados. Eles fizeram doações em resposta aos apelos para salvar vidas e ajudar os haitianos depois de um terremoto devastador. Agora, depois que milhões foram arrecadados, os sobreviventes estão morrendo de cólera e o dinheiro ainda está no banco", acusou o diretor executivo do DAP, Ben Smilowitz.
O documento não menciona as promessas de doações feitas por inúmeros países, que não se concretizaram. Em maio, quatro meses depois do terremoto, apenas 1,5% dos US$ 10 bilhões prometidos por Estados tinham sido depositados, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Ontem, a ONU disse ter recebido menos de 10% do apelo de US$ 164 milhões feito dez dias atrás para atender especificamente às necessidades criadas pela epidemia de cólera.
A revelação é ainda mais grave quando se sabe que 80% dos casos poderiam ser combatidos com soro caseiro - uma mistura simples de sal, açúcar e água. A transmissão também pode ser contida com o simples uso de sabão para lavar as mãos, mas a maioria dos haitianos não pode pagar por uma barra de sabão de US$ 0,50 nos mercados de Porto Príncipe.
Grandes organismos de ajuda humanitária, como os Médicos Sem Fronteiras (MSF) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) não são citados pelo DAP. O diretor do MSF no Brasil, o canadense Tyler Fainstat, disse ao Estado que "a resposta das ONGs no Haiti não tem sido suficiente".
Segundo ele, a organização - que não recebe doações de Estados, apenas de doadores privados - responde atualmente por mais da metade dos atendimentos dos casos de cólera no país. "Atendemos a mais de 700 novas internações por dia e gastaremos todo o dinheiro arrecado depois do terremoto (US$ 137 milhões) até o fim do ano", disse.
O site da Care - cujo escritório nos EUA foi criticado no estudo - diz que a organização "ressalta a importância de o governo haitiano empenhar-se em uma aliança de longo prazo com organizações para resolver o problema da falta de água e das condições de higiene e saúde no país". Para a representante da Care no Haiti, Virginia Ubik, as soluções de longo prazo "devem ser atendidas pelo governo haitiano". 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Haiti precisa de médicos e enfermeiros do exterior, diz ONU

Reuters/Brasil Online



Por Pascal Fletcher
PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - O Haiti precisa de uma leva de médicos e enfermeiros estrangeiros para evitar mais mortes na epidemia de cólera que uma operação internacional de ajuda se esforça para controlar, disse a principal autoridade humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU).
Precisa-se urgentemente de cerca de 1.000 enfermeiros e ao menos 100 médicos para se controlar a epidemia, que assola o país caribenho meses depois de um terremoto devastador.
O surto já matou mais de 1.400 haitianos em cinco semanas e o número de mortes cresce às dezenas a cada dia.
"Precisamos claramente fazer mais", disse à Reuters em Porto Príncipe Valerie Amos, subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, durante uma visita com o objetivo de aumentar a escala e a rapidez da ação contra o cólera.
"Não se trata apenas de dinheiro, mas principalmente de pessoas, em termos de obter mais médicos, enfermeiros, mais pessoas capazes de ajudar levando e obtendo informação", afirmou ela numa entrevista na noite de terça-feira na base de logística da ONU em Porto Príncipe.
O número real de mortes pode estar perto dos 2.000, dizem funcionários da ONU. É provável que centenas de milhares de haitianos contraiam a doença, afirmam eles, e a epidemia poderá durar um ano, complicando ainda mais a difícil tarefa de recuperação dos estragos causados pelo terremoto de 12 de janeiro.
Amos afirmou que a ONU entraria em contato com os países e organizações de ajuda humanitária com o potencial de fornecer rapidamente equipes médicas, como por exemplo Cuba, que já tem cerca de 400 médicos e outros trabalhadores da saúde no Haiti.
Apesar da crise na saúde, o Haiti realizará eleições presidenciais e legislativas no domingo, enquanto a ONU e grupos de ajuda humanitária tentam desesperadamente obter mais fundos e apoio internacional para combater a epidemia de cólera.
Hospitais e centros de tratamento de todo o país estão lotados com pacientes de cólera. Muitos dos doentes são tratados em áreas externas, em pátios e barracas.
Precisa-se também com urgência de pessoas para promover campanhas de saúde e ajudar as equipes das unidades de reidratação, que o governo e seus parceiros se esforçam para montar em todo o Haiti.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Epidemia de cólera chega ao maior presídio do Haiti e mata ao menos 10

O GloboAgências internacionais

Haitianos protestam em Porto Príncipe na quinta-feira / AFP
GENEBRA - A epidemia de cólera que assola o Haiti atingiu o maior presídio do país, em Porto Príncipe, e já deixou pelo menos dez dos mais de 2 mil detentos mortos, informou nesta sexta-feira a Cruz Vermelha na Suíça.
No centro de detenção, que como a maioria dos presídios do país enfrenta problemas de superlotação, há ao menos 30 presos infectados com a doença.
Além da epidemia, responsável pela morte de mais de 1.180 pessoas, o Haiti enfrenta também violentos protestos, atualmente mais brandos, mas que chegaram na quinta-feira à capital .
Movidos por suspeitas de que foram soldados nepaleses da ONU que levaram o cólera ao país, muitos haitianos se voltaram contra as tropas da missão de estabilização das Nações Unidas (Minustah), incluindo militares brasileiros.
As manifestações ocorrem menos de duas semanas antes da eleição presidencial, marcada para o dia 28 de novembro.

O REPÓRTER NO MUNDO: Ai de ti Haiti

Por Néstor J. Beremblum - 21.11.2010 às 08:26:00



Parece incrível, mas é verdade. O primeiro país no mundo que aboliu a escravidão, em 1794, é hoje a nação mais pobre das Américas.
Por isso a epidemia de cólera na ilha, após o terremoto mais devastador da história, de janeiro, no dia na última segunda-feira (15) havia matado 917 pessoas, e cinco dias depois o número já alcançava 1180. A conta é simples, mais de 50 pessoas morrem por dia a causa da “doença dos pobres” como foi conhecida. Mais um dado é que, segundo a UNICEF, doze por cento das mortes correspondem a crianças de até 5 anos de idade.
Essa é a realidade da ilha de Hispaniola, descoberta por Colombo em dezembro de 1492, e que fora dividida entre Espanha e França alguns anos depois não consegue se erguer como Estado moderno, apesar daquela medida vanguardista de que todos os homens eram livres. Mas essa conquista chegou com muito sacrifício e morte após uma revolta de escravos.
Morte é a palavra que mais se repete na história de Haiti.
Toussaint Loverture foi o primeiro governador-geral, ex-escravo foi assassinado pelos franceses para tirá-lo do cargo em 1801. No ano seguinte, Haiti se declarou independente, o segundo país nas Américas, mas o mundo não gostou e, como forma de retaliação os escravistas europeus e estadunidenses mantiveram o Haiti sob bloqueio comercial por 60 anos.
Para acabar com isso a França republicana, nessa época, deslocou sua frota e cercou a ilha até conseguir um ressarcimento econômico que deixou a ilha submersa na pobreza. França trocava o café, o cacau e o açúcar pelo dinheiro em metálico.
A França, que durante a última semana foi palco de uma comédia de enredos com primeiro-ministro, François Fillon, que “se demitia” e que era chamado novamente para formar governo. E o novo governo não era muito diferente do anterior, apenas umas purgas aqui e outras lá, visando a reeleição de Nicolas Sarkozy que também é o atual presidente pro-têmpore do G-20.
As mortes continuaram na ilha de São Domingos, como os franceses a chamaram, ao longo dos séculos XIX e XX. Vinte presidentes passaram pelo poder. E dezesseis desses foram depostos ou assassinados. Os Estados Unidos da América invadiram o Haiti entre 1915 e 1934, com o objetivo de proteger seus interesses no país. Não era, nem seria aquela, a primeira vez.
Entre 1957 e 1986 a dinastia Duvalier, primeiro o médico, François, e depois o filho, Jean-Claude mantiveram o país sob a política do terror. O Vodu e uma temível guarda pessoal, os “tontons macoutes”, mantinham a ordem que os Estados Unidos apoiavam em silêncio, mesmo ao custo de muita morte e violência contra os direitos humanos.
Já mais perto do fim do século passado, Jean Bertrand Aristide foi eleito presidente em 1990. Como ao longo da história do país, o general Raul Cedras o tirou do governo um ano depois. Estados Unidos e o Conselho de Segurança da ONU decidiram intervir. Sobre tudo pela enorme quantidade de haitianos que tentavam ingressar, clandestina ou legalmente em território norte-americano. A pressão pelo retorno de Aristide foi grande. O Conselho de Segurança da ONU decretou bloqueio total ao país e uma força multinacional, liderada pelos EUA, entrou no Haiti para tentar reempossar Aristide.
O preço de tudo isso, foram mais mortes e mais miséria. Não por terremotos ou doenças como a cólera. O presidente restituído durou 10 anos, e foi retirado do país pelos militares (norte-americanos) que o devolveram ao poder contra sua vontade, após um novo golpe militar.
Foi nessa época que se constituiu a hoje famosa MINUSTAH. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, que assumiu a autoridade exercida Forças Internacionais em 1º de junho de 2004. O efetivo autorizado para o contingente militar é de 6.700 homens, oriundos da: Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, de cujos soldados os haitianos acusam que trouxeram o vírus do cólera ao país, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai.
Ao longo dos anos, sua ação foi contestada pelos haitianos por resultar infértil ao combate à miséria. Prometeram-se melhoras para a população, mas a situação não tem mudado como esperavam os haitianos que receberam com esperança ao contingente militar internacional. Precisamente, a MINUSTAH declarou sua incapacidade para conter os protestos desta semana em pleno processo eleitoral
Incapacidade que se reflete na falta de respostas que a comunidade internacional tem com uma população que há 10 meses sofrera um terremoto devastador e ainda mora em acampamentos e em condições mais que precárias. Na mesma ilha, até a vizinha República Dominicana está em alerta pela epidemia após a confirmação do primeiro caso no seu território que fora dividido, em sentença salomônica, entre a Espanha e a França há trezentos anos. 
Mesmo com a intervenção de organizações humanitárias como a francesa "Médicos Sem Fronteiras" (MSF) no país, parece não haver forma de controlar a epidemia se as obras de infraestrutura não acompanham às necessidades de uma população que, não por estar acostumada a enorme repetição ao longo da sua história, não chora suas mortes. 

Haiti: Cólera mata 1250 - Novo Balanço

Port-au-Prince, 22 nov (Lusa)
O número de mortos causados pela epidemia de cólera que afeta o Haiti aumentou para 1250, de acordo com o último balanço divulgado pelas autoridades de Saúde Pública.
Segundo os dados anunciados, 52 715 pessoas foram atendidas em centros de Saúde Pública e 20 867 hospitalizadas desde meados de outubro, quando apareceram os primeiros casos da doença.
O número de mortes diárias atingiu agora as 61 e o departamento Norte continua a ser o que regista maior número de mortos por dia -- 28.

Unidade da força de paz brasileira no Haiti enfrenta manifestações políticas

Coibir essas ações é o principal desafio dos militares

Manifestações de caráter político têm sido, nos últimos dias, o principal desafio dos mais de 800 militares que integram o Brabat 2, o mais novo dos três batalhões da força de paz brasileira no Haiti. A afirmação é do coronel José Carlos Avellar, subcomandante do batalhão criado semanas depois do terremoto que atingiu o país caribenho em janeiro deste ano.

Segundo Avellar, nesses dias que antecedem as eleições gerais do Haiti, marcadas para 28 de novembro, têm sido comuns os enfrentamentos entre militares brasileiros e manifestantes que, segundo o oficial, são ligados a partidos políticos.

— Alguns desses políticos não veem chance de vencer e procuram desestabilizar a situação para tentar adiar as eleições — disse.

Manifestações políticas têm sido percebidas não apenas na área do Brabat 2. No último dia 15, um confronto entre manifestantes e soldados da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) no norte do País, área que não está sob jurisdição de tropas brasileiras, deixou dois mortos e vários feridos. A Minustah condenou a violência e considerou que ela teve "motivação política".

As manifestações políticas, no entanto, não são o único desafio do Brabat 2, que trabalha em áreas críticas como o bairro de Bel Air, onde atuam gangues. Soldados brasileiros têm tentado coibir também ações criminosas, como no último sábado, quando um militar brasileiro teve que disparar para o alto, para evitar o assalto de uma idosa por homens armados em uma rua de Porto Príncipe.

— Acreditamos que a nossa presença ostensiva nas ruas tem evitado a ocorrência de muitos crimes — afirmou o coronel. 
AGÊNCIA BRASIL

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Militares brasileiros atuam no combate à cólera no Haiti

Bom Dia Brasil

Assista ao vídeo da matéria veiculada nessa sexta-feira, 18 de novembro.


A população não conhece a doença e os soldados ensinam que medidas simples de higiene podem ajudar na prevenção. Alunos de uma escola aprenderam a fazer o soro caseiro.

JMM Divulga Matéria sobre a Caravana ao Haiti e sua atual situação

Por Marcia Pinheiro 17 de novembro de 2010


Após chorar seus mortos no terremoto ocorrido em janeiro, o Haiti vive um novo drama. O número de mortos pela epidemia de cólera que atinge o país já passa de mil. As autoridades de saúde locais divulgaram nesta terça-feira (16) que a epidemia deixou 1.034 mortos, enquanto o total de hospitalizados é de 16.799. Os obreiros da terra haitianos pedem orações para que aquela nação, considerada a mais miserável das Américas, seja alcançada pela graça do Pai. E que as doações feitas até então, através do Projeto Por Um Novo Haiti, cheguem àqueles que de fato necessitam, sem parar em possíveis burocracias do Estado.

Na capital Porto Príncipe, que foi severamente atingida pelo terremoto de janeiro, 38 mortes foram registradas, a maioria delas na favela de Cite Soleil. Segundo o Ministério da Saúde, a cólera está agora presente em todas as províncias do Haiti. A área mais atingida é a Província de Artibonite, onde pelo menos 629 pessoas morreram. 

Manifestantes atacaram as forças de paz do Nepal, acusando-as de levar o cólera ao Haiti pela primeira vez em um século. Além de reivindicar que as forças de paz deixem o Haiti, eles acusaram o governo de deixar as pessoas morrerem.

A ONU disse não ter encontrado evidências que justifiquem a acusação contra os militares nepaleses, mas o tipo de cólera encontrado é compatível com um do Sul da Ásia. O Exército do Nepal disse que testes provaram que as alegações relacionadas a suas tropas eram falsas.

Doença alastra-se à República Dominicana


A epidemia de cólera já se alastrou ao país vizinho, a República Dominicana. O Ministro da Saúde, Bautista Rojas, anunciou à imprensa a existência de um caso de internação. O paciente, de 32 anos, é haitiano e está internado numa unidade hospitalar da cidade de Higuey, a cerca de 140 quilômetros da capital Santo Domingo. 

As fortes medidas de controle da fronteira para impedir que o contágio pudesse acontecer, infelizmente, não impediram o alastramento do cólera. 

Por Um Novo Haiti

A última caravana de voluntários para o Haiti, organizada por Missões Mundiais, esteve no país de 6 a 17 de outubro realizando atendimentos médicos, odontológicos e fisioterápicos, atividades esportivas, artísticas e educacionais, intercessão, visitação e capelania. Ela contou com 56 integrantes, vindos de diversas partes do Brasil, e esteve sob a liderança do Pr. Marcos Grava, coordenador do Programa Esportivo Missionário e do setor de voluntários da JMM. Segundo ele, esse número de voluntários enviados ao Haiti é recorde na história da igreja evangélica brasileira.

A caravana de voluntários levou na bagagem para o Haiti centenas de doações, como roupas, remédios, material evangelístico e até uma bicicleta, que foram entregues ao Pr. Jonathan Joseph, coordenador dos missionários da terra e obreiro da JMM naquele país.

A Igreja do Senhor Jesus está fazendo a diferença no Haiti. A JMM agradece a todos os crentes brasileiros que se engajam pela transformação, por um novo Haiti.

Aqueles que quiserem apoiar a reconstrução dos templos, na construção de casas, centros de saúde e escolas no Haiti podem entrar em contato com Missões Mundiais pelos telefones 2122-1900 (cidades com DDD 21) e 0800 709 1900 (demais localidades) e adotar o Projeto 'Por um Novo Haiti'.

Comandante das Forças Armadas da Minustah dá entrevista exclusiva à RFI




General Luiz Guilherme Paul Cruz
General Luiz Guilherme Paul Cruz
Flickr/ Kendra Helmer/USAID
Leticia Constant
O contexto da onda de violência no Haiti contra as tropas da ONU, a origem dos protestos em pleno período eleitoral, o posicionamento da Minustah perante as hostilidades e o esquema de segurança para as eleições  de 28 de novembro. Estes são os temas abordados pelo general Luiz Guilherme Paul Cruz, Comandante das Forças Armadas da Minustah, a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, em entrevista exclusiva à jornalista Leticia Constant, da Rádio França Internacional.

Manifestantes enfrentam tropas da ONU no Haiti pelo quarto dia seguido

Haitianos dizem que soldados da Minustah trouxeram epidemia de cólera ao país

18 de novembro de 2010 | 18h 33

estadão.com.br
Manifestante queima pneu em Porto Príncipe. Foto: Emílio Morenatti/AP  
PORTO PRÍNCIPE - Manifestantes voltaram a enfrentar tropas da ONU e da polícia no Haiti no quarto dia de confrontos no país. A uma semana da eleição presidencial, eles protestam contra a epidemia de cólera que já matou 1,1 mil haitianos. Três pessoas já morreram desde o início das manifestações, na segunda-feira.
Veja também:mais imagens Olhar sobre o mundo: O drama da cólera no Haiti
Centenas de haitianos ergueram barricadas para bloquear ruas da capital, Porto Príncipe, e atiraram pedras contra veículos da ONU e de organizações não-governamentais. A polícia respondeu com bombas de gás lacrimogêneo.
Os manifestantes acusam tropas da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah) de terem trazido a doença ao país. Para a ONU, os protestos têm motivação política.
Segundo o último balanço do ministério da saúde, 1.110 pessoas morreram e foram registradas 18.382 internações por conta da doença.
Leia ainda:
Com AP e Efe

Mortos em epidemia de cólera no Haiti já chegam a 1.100

HAITI/EPIDEMIA - 
Artigo publicado em 17 de Novembro de 2010 - Atualizado em 17 de Novembro de 2010


Corpo de uma vítima da epidemia de cólera que atinge o Haiti desde meados de outubro.
Corpo de uma vítima da epidemia de cólera que atinge o Haiti desde meados de outubro.
Reuters
Kênya Zanatta / Patricia Moribe
Além das vítimas fatais, a epidemia também provocou mais de 18 mil hospitalizações desde meados de outubro. A doença ultrapassou oficialmente as fronteiras do Haiti e chegou à vizinha República Dominicana. Um caso de cólera foi detectado no país nesta terça-feira.Após violentos confrontos entre manifestantes haitianos e capacetes azuis da ONU no norte do país, a França fez hoje um apelo à calma.
Segundo o novo balanço oficial divulgado nesta quarta-feira pelo governo haitiano, a epidemia de cólera no país já matou 1.100 pessoas e provocou a hospitalização de mais de 18 mil desde meados de outubro.
A doença ultrapassou oficialmente as fronteiras do Haiti e chegou à vizinha República Dominicana. Os dois países dividem a ilha Hispaniola, no Caribe. Um paciente haitiano de 32 anos está sendo tratado na cidade de Higuey, informaram as autoridades dominicanas. Wilmont Lowel trabalha em uma construção em Higuey e passou férias no Haiti, tendo retornado à República Dominicana no último dia 12.
Higuey fica no extremo oeste da República Dominicana, a 140 km a leste da capital São Domingo. As autoridades aumentaram o controle ao longo da fronteira para tentar conter a expansão da epidemia.

Josefina Alvarez, ministra conselheira da embaixada da República Dominicana em Paris.
 
17/11/2010
 
 

Josefina Alvarez, ministra conselheira da embaixada da República Dominicana em Paris, disse à Radio Franca Internacional que em seu país não há casos independentes da doença sem ligação com o Haiti. "Na fronteira, há medidas específicas de higiene: desinfecção com cloro das pessoas que atravessam a fronteira, além da limitação do comércio entre os dois países. E para prevenir o contágio massivo, a pessoa é imediatamente isolada, como fizemos com esse primeiro caso, e também todos os que tiveram contato com o doente", explicou Josefina Alvarez.
Confrontos
A França fez um apelo à calma no Haiti para que as eleições presidenciais e legislativas do dia 28 de novembro aconteçam em uma clima tranquilo, comunicou nesta quarta-feira o ministério das Relações Exteriores francês.
O apelo foi feito depois dos confrontos violentos que aconteceram nesta terça-feira entre manifestantes haitianos e os capacetes azuis da ONU no norte do país, pelo segundo dia consecutivo.
A França reafirmou seu apoio a Edmond Mulet, o chefe da Minustah, a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti. "As vésperas das eleições do dia 28 de novembro, a Minustah tem um papel essencial para ajudar a Polícia Nacional do Haiti na manutenção da ordem e da segurança, enquanto o país deve enfrentar uma epidemia de cólera e concluir o processo de reconstrução, com a ajuda determinada da comunidade internacional", disse Bernard Valero, porta-voz do ministério.
Ontem à noite, o presidente haitiano René Preval também lançou um apelo pedindo calma. Os soldados da ONU são apontados por parte da população como os responsáveis por terem levado o cólera para o Haiti.
Para Edmond Mulet, agitadores se aproveitaram do pânico causado pelo surto de cólera para tentar sabotar as eleições marcadas para o dia 28.

Na segunda-feira, os conflitos fizeram dois mortos e 14 feridos na cidade de Cap-Haitien e seis feridos entre os capacetes azuis da ONU na cidade de Hinche. A Minustah briu inquérito para apurar a morte de um manifestante, vítima de uma bala disparada por um soldado da ONU.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Embaixador sueco no Haiti confirma que cólera veio do Nepal

Efe 
 
Epidemia de cólera já matou 1.039 e deixou pelo menos 17 mil hospitalizados no Haiti 

As suspeitas de que a epidemia de cólera no Haiti, que já matou mais de 1.000 pessoas, tenha sido começada por um grupo de soldados do Nepal membros da missão de paz da ONU, foi confirmada por um diplomata sueco que acaba de retornar do país caribenho. 

Em entrevista ao jornal sueco Svenska Dagbladet ("Diário Sueco"), o embaixador Claes Hammar declarou que uma fonte de confiança assegurou ser "100% certo" que a bactéria foi levada pelos militares nepaleses. O Haiti nunca tinha registrado casos de cólera até o mês passado, segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDCP, em inglês). 

"Sim, infelizmente é assim. Foi provado que a cólera é do Nepal. É 100% preciso. Recolhemos amostras e assim conseguimos traçar o percurso da infecção, que vem do Nepal. Esta é, obviamente, uma cepa que é prevalecente no Nepal e agora parece que foi parar no Haiti", declarou Hammar ao jornal. 

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Desde o final do mês passado, mais de 1.000 pessoas já morreram e cerca de 9 mil estão internadas em casos confirmados da doença, que é causada por um vibrião (bactéria) e transmitida principalmente por água contaminada. A suspeita de que os capacetes-azuis nepaleses seriam os responsáveis por levar a doença ao país gerou protestos violentos contra a missão da ONU (Minustah), deixando pelo menos dois mortos desde a semana passada. 

Câmara de Comércio Sueco-Americana 
  
Segundo o diplomata sueco Claes Hammar, já há 100% de certeza de que a bactéria veio do Nepal 

Esforços 

A ONU, no entanto, vinha negando a informação e rejeitava a responsabilidade pelo surto. Mas, no início da semana, o CDCP divulgou ter identificado que a variante da bactéria era originária do sul da Ásia, onde fica o Nepal, mas ainda não apontara nenhum país específico. 

"É claro que é muito triste que seja assim. Mas não se deve esquecer a propagação da doença devido à falta de higiene. A ONU está fazendo um grande esforço para combater a cólera", disse o diplomata sueco na entrevista. 

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As tropas da Minustah asseguram que, desde o início da epidemia, vêm trabalhando para conter a disseminação da doença. Entre as ações empreendidas, estão batalhões de engenheiros do Brasil e do Chile estão preparando terreno para a construção de centros de tratamento para a cólera no interior do país. Já os contingentes da Bolívia montaram 20 barracas para 250 pessoas cada e 48 banheiros químicos no departamento de Artibonite, onde o foco teve início. 

A Minustah é atualmente chefiada pelo representante especial Edmond Mulet, da Guatemala, e o comando militar dos capacetes-azuis está a cargo do major-general brasileiro Luiz Guilherme Paul Cruz.