quinta-feira, 28 de outubro de 2010

República Dominicana reabre mercados na fronteira com o Haiti

País, no entanto, mantém controles sanitários para evitar transmissão de cólera na região

26 de outubro de 2010 | 22h 25

estadão.com.br
Doentes atentidos pelo hospital  St. Nicholas, en St. Marc
SANTO DOMINGO- A República Dominicana autorizou nesta terça-feira, 26, a reabertura dos mercados na fronteira com o Haiti, mas ainda mantém estritos controles sanitários contra a transmissão de cólera que já matou ao menos 295 pessoas no país vizinho. As informações são da agência de notícias AFP.
Segundo o ministro de Saúde dominicano, Bautista Rojas, foram estabelecidos controle em toda a faixa fronteiriça, que permitirão a realização dos mercados binacionais.
O comércio entre os dois países, que ocorria às segundas e sextas, foi suspenso ontem como medida de precaução ante o surto de cólera no Haiti, que já registrou 3.612 casos da doença, sendo o primeiro na capital hoje.
Para entrar na República Dominicana, as pessoas devem primeiro lavar e desinfetar as mãos e depois preencher um questionário médico. Também são mantidos os controles para evitar a entrada de pessoas sem documentos, exigindo um visto dos haitianos.
Nos mercados, que ocorrem em cinco pontos fronteiriços, o governo estabeleceu vários locais com água potável, sabão e cloro.
Ontem, funcionários da força de segurança da ONU tiveram que disparar para o alto para deter haitianos que tentaram cruzar a fronteira para vender ou comprar produtos. A situação está controlada no momento.
Até agora, não foi registrado nenhum caso de cólera na República Dominicana.

Surto de cólera no Haiti poderá ter origem num aquartelamento da ONU

Surto de cólera no Haiti poderá ter origem num aquartelamento da ONU


Saúde

Surto de cólera no Haiti poderá ter origem num aquartelamento da ONU

A epidemia de cólera no Haiti já fez mais de 300 mortos. Há, nesta altura, mais de 4700 pessoas hospitalizadas. Mas as autoridades dizem que ainda não foi atingido o pico do surto A ONU está entretanto a investigar suspeitas levantadas sobre a origem da doença num aquartelamento de capacetes azuis nepaleses. A lixeira da unidade militar recém-chegada ao Haiti está localizada junto ao rio que banha o centro do país e onde começou o surto.

Viagem ao Campo - Haiti 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Haitianos protestam contra fechamento de fronteira dominicana

Estadão.com / Internacional


Mercado que ocorre na fronteira foi temporariamente suspenso após epidemia de cólera

25 de outubro de 2010 | 20h 04
Efe
Centenas de comerciantes e compradores haitianos impedidos de entrar em Dajabón
DAJABÓN, REPÚBLICA DOMINICANA- Haitianos protestaram nesta segunda-feira, 25, contra a suspensão do mercado binacional entre seu país e a República Dominicana devido a epidemia de cólera que assola o Haiti. Policiais e membros da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) reprimiram as manifestações com gás lacrimogêneo.
Os manifestantes se reuniram nos arredores do rio Masacre, fronteira natural entre os dois países, e jogaram pedras contra o portão que separa a localidade haitiana de Ouanaminthe da dominicana de Dajabón para exigir a abertura do mercado que acontece nas segundas e nas sextas.
O incidente não deixou feridos, mas dois dos organizadores dos protestos foram presos, de acordo com o cônsul haitiano em Dajabón, Jean Baptiste Bien Aimé.
O funcionário haitiano lamentou as manifestações e as atribuiu a compatriotas que desconhecem a realidade atualmente vivida no Haiti. Segundo informações oficiais, a epidemia de cólera já deixou 259 mortos no país.
Aimé reconheceu que a República Dominicana tem o direito de tomar medidas necessárias para proteger sua população, mas disse que as autoridades não notificaram com antecedência a suspensão do mercado livre de hoje.
A governadora de Dajabón, Esther Ramírez, garantiu à imprensa que também não recebeu nenhuma informação sobre a medida.
O diretor provincial do Ministério de Saúde Pública, Rafael Salas, declarou a jornalistas que a suspensão é de caráter oficial e foi adotada para proteger os dominicanos da cólera.
As autoridades de migração dominicanas só permitirão a entrada de estudantes e de haitianos com visto dominicano após a adoção de medidas de higiene, como lavagem de mãos nos pontos estabelecidos pelo Ministério de Saúde.
A República Dominicana não registrou nenhum caso de cólera até agora. Foi instalada no país uma unidade para diagnosticar a doença.

Haiti: chefe da missão da ONU critica ONGs e elogia Brasil

O escritório de Edmond Mulet, 59, tem uma rachadura na parede, bem atrás de sua cadeira. Sobre a mesa, computador, impressora, um copo com água. De plástico. Vida difícil por lá. E desde sempre. Chefe da Minustah (missão da ONU no Haiti), Mulet ocupou o posto do tunisiano Hédi Annabi, morto no terremoto de janeiro. 

O diplomata guatemalteco diz que o país nunca esteve tão preparado como agora para as eleições em 28 de novembro. Não descarta, porém, violência na votação. E é direto ao falar da situação do país: não vê a luz no fim do túnel.

Mulet denuncia ainda a atuação desregulada de parte da ONGs que estão no Haiti. "É muito fácil dizer que você é uma ONG e achar que tem sinal verde para fazer o que bem entender. Essa é a República das ONGs. E nem todas têm boas intenções". Veja abaixo a entrevista:

Folha de S.Paulo:
 Qual é sua opinião sobre a ação do Brasil no Haiti?
Edmond Mulet
É um dos compromissos mais positivos e construtivos em anos. O Brasil realmente fez a diferença. Foi o primeiro a colocar dinheiro nos fundos para a reconstrução e para as eleições. Quando o presidente [René] Préval pediu ajuda técnica para construir uma nova hidroelétrica aqui, foi o Brasil que levantou a mão... Desde o terremoto, o Brasil já mandou mais de 300 voos com ajuda humanitária. Mais de 300 voos em nove meses! Ninguém fez nada parecido.

Folha: Você falou em paz. Haverá paz na eleição de novembro?

Mulet:
 
Não imaginamos grandes problemas. Trabalhamos com a polícia nacional e o governo para oferecer a segurança que uma eleição exige. Estamos mais bem preparados que nunca.

Folha: A ONU expressou preocupação quanto à entrada ilegal de armas, temendo que isso tivesse a ver com a eleição...
Mulet: Sim, é uma preocupação. Conduzimos investigações, e detectamos um movimento maior de entrada de armas. Não é nada em grande escala, mas algo está acontecendo. Já prendemos pessoas. Isso tem a ver também com o narcotráfico, com lavagem de dinheiro. Sempre que há um Estado fraco, ele aparece, usando o país de corredor.

Folha: Na quarta, o ministro da Saúde fez duras críticas ao papel das ONGs. O senhor tem algum comentário a respeito?
Mulet: Há várias ONGs bem organizadas, responsáveis, profissionais. E que se registram junto ao governo e apresentam relatórios periódicos, como exige a lei. Mostram de onde vem o dinheiro e para onde vai. Mas posso garantir que a maioria não faz isso. É muito fácil dizer que você é uma ONG e achar que tem sinal verde para fazer o que bem entender. Falam que há 10 mil ONGs atuando aqui. Não sei. Mas essa é a República das ONGs. E nem todas têm boas intenções.

Folha: Numa escala de 0 a 10, sendo 10 o Haiti antes do terremoto, como anda a reconstrução?
Mulet: 
Não queremos o Haiti de antes do terremoto. Não queremos as pessoas vivendo em morros, como era antes. Queremos refundar o país. O que você vê aqui no Haiti não é resultado do terremoto. É resultado do problema social que existia antes. Essa é uma oportunidade de tentar sanar esse problema histórico. Temos de fazer este país ser autossustentável. Acho que não há muitos países-membros da ONU que queiram ficar subsidiando o Haiti para sempre.

Folha: Qual seria o prazo ideal?

Mulet: 
Depende de quem assumir a Presidência. Em 20 anos, houve seis intervenções estrangeiras. Vinham e iam embora. Agora, precisamos criar instituições sólidas. E essa é a parte mais difícil, criar gente capacitada. Um terço dos funcionários públicos morreu no terremoto. E 86% dos haitianos com ensino secundário não vivem no país. Daí que a capacidade do país de tomar conta de si próprio ainda é muito baixa. Antes, havia uma luz no fim do túnel. A estabilidade política estava lá. A segurança estava lá. Havia algum investimento... Mas daí veio o terremoto. Tivemos que começar do zero de novo.

Folha: Não há mais a luz no fim do túnel?
Mulet: Ainda não vemos a luz no fim do túnel. Ainda não.

Com Folha de S.Paulo

Unasul enviará ajuda humanitária ao Haiti


Serão enviados remédios, produtos de higiene e equipes técnicas para tentar deter a doença

Epidemia de cólera no Haiti
Vítimas de cólera no hospital Saint Nicolas, na cidade de Saint Marc; 259 pessoas já morreram por causa da doença(Thony Belizaire/AFP)
A União de Nações Sulamericanas (Unasul) enviará ajuda humanitária e técnica ao Haiti para combater a epidemia de cólera que já deixou mais de 250 mortos, segundo o Ministério de Saúde do Equador, que tem a presidência temporária do órgão

As equipes de saúde do grupo analisam o envio de assistência através de uma videoconferência. O ministro de Saúde equatoriano, David Chiriboga, conversou com autoridades haitianas para conhecer as necessidades do país. Será enviado água, soro fisiológico, antibióticos, remédios, cloro e produtos de higiene. 

As unidades de saúde equatorianas foram advertidas sobre a doença e ativaram um alerta epidemiológico nos portos e aeroportos. Autoridades haitianas calcuralaram nesta segunda-feira que 259 pessoas morreram devido à doença que afeta parte do país e anunciaram que habilitarão dez centros em Porto Príncipe para atender casos de cólera.

A doença
 - O cólera estava erradicado do Haiti havia mais de um século, mas após violentas chuvas reapareceu na última semana em diversas regiões do norte da ilha. Acredita-se que o surto tenha sido provocado pelo consumo de água contaminada do Rio Artibonite. As pessoas mais vulneráveis são aquelas que vivem em barracas, sem saneamento básico, desde que tiveram suas casas destruídas pelo terremoto que devastou a região em janeiro, deixando 250.000 mortos e mais de 1,5 milhão de desabrigados.

O cólera é uma doença altamente contagiosa, causada por uma bactéria, e provoca diarreias graves. Sem uma hidratação imediata do paciente, torna-se fatal. Um doente pode perder até 10% de seu peso em quatro horas. Contudo, de acordo com Catherine Bragg, coordenadora adjunta de ajudas de emergência da ONU, "já se sabe como prevenir as mortes provocadas pelo cólera, especialmente utilizando antibióticos, purificando a água e distribuindo produtos de higiene".


(Com Agência Estado)

Cientistas desvendam causas da destruição causada pelo terremoto no Haiti


Além da pouca qualidade das construções e do solo frágil, a geometria do solo amplificou os estragos

The New York Times
Trabalhadores realizam busca nos escombros do Hotel Montana, que ficou totalmente destruído após o terremoto que atingiu a capital do Haiti, Porto Príncipe
Trabalhadores realizam busca nos escombros do Hotel Montana, que ficou totalmente destruído após o terremoto que atingiu a capital do Haiti, Porto Príncipe (Thomas Coex/AFP)
Quando o terremoto de magnitude 7 atingiu em janeiro a capital do Haiti, Porto Príncipe, a enorme destruição e a perda de vidas foram atribuídas basicamente a dois fatores: a proximidade da cidade à falha geológica que causou o tremor, e construções de baixa qualidade que permitiram que milhares de prédios desabassem com facilidade.
Sismólogos sabem que a geologia local também pode afetar a severidade de um terremoto, ao elevar as forças sísmicas sob certas condições. Imaginava-se que isso houvesse ocorrido ao terremoto do Haiti, já que grandes áreas de Porto Príncipe estão sobre camadas de rochas sedimentares relativamente frágeis – o que é propício para amplificar as ondas sísmicas.
Agora, um novo estudo descobriu que, além da geologia de sustentação, a geometria dos traços da superfície local também contribuiu para a intensidade do terremoto. Susan E. Hough, sismóloga da U.S. Geological Survey, e colegas encontraram evidências de que o tremor teria sido amplificado ao longo de uma estreita cadeia de rochas sólidas ao sul do centro da cidade. Sobre a cadeia ficavam um popular hotel e outras estruturas com relativa qualidade de construção, que foram destruídos.
A descoberta, publicada no site da revista Nature Geoscience, deve ajudar cientistas e engenheiros a mapear regiões da cidade sob risco em futuros terremotos, um processo chamado de microzoneamento.
Amplificação topográfica — Susan afirmou que os sismólogos conhecem há tempos o que é chamado de amplificação topográfica, e que isso poderia acontecer, mas o fenômeno costumava ser descartado como “um tipo de casualidade”. “Isso não é algo que os cientistas foram capazes de desenvolver sistematicamente”, explica. “As camadas sedimentares são mais conhecidas”.
A partir dos danos do terremoto, houve indicações de que a cadeia, no bairro de Petionville, havia atravessado um forte tremor. Susan disse que, além da destruição do Hotel Montana, onde estavam muitos visitantes estrangeiros, prateleiras contendo três toneladas de baterias, numa fábrica de celulares mais a oeste sobre a cadeia, se deslocaram mais de 30 centímetros.
Mas havia poucos dados sobre as movimentações locais de solo durante o terremoto, que matou 230 mil pessoas, segundo as estimativas oficiais. Na ocasião, disse Susan, o Haiti possuía apenas um sismômetro, um instrumento educacional que estava montado de forma inadequada.
“Quando o terremoto começou, o aparelho começou a dançar sobre seus pequenos pés”, diz ela. “Ele fez um registro, mas nada muito útil”.
Assim Susan, com ajuda de cientistas da Agência de Minas e Energia do Haiti, instalou oito sismógrafos portáteis, incluindo dois na cadeia e dois num vale adjacente, e os usou para medir movimentos do solo durante alguns dos muitos tremores secundários que seguiram o terremoto. Eles descobriram que o tremor ao longo da cadeia foi mais grave do que no vale, não podendo ser explicado por uma amplificação em rochas sedimentares que sustentam o vale.
Susan comparou o tremor ao longo da cadeia a algo que ocorre com um arranha-céu. “Se você começa a balançar uma cadeia comprida e estreita, ela oscila para frente e para trás, como um grande prédio”, afirmou ela. As ondas sísmicas refletem internamente na estrutura geométrica da cadeia, combinando-se para produzir picos maiores de forças, um processo chamado de interferência construtiva.
Modelos precisos — Dominic Assimaki, professora da Georgia Tech que revisou o artigo de Hough para a Nature Geoscience, mas não se envolveu na pesquisa, afirma que as descobertas devem ajudar no desenvolvimento de modelos mais precisos de processos de amplificação durante terremotos.
“Analiticamente, o problema foi estudado de forma bastante extensa, mas os modelos ainda são bastante idealizados”, afirma Dominic.
À medida que as simulações por computador ficam mais detalhadas e comparam dados do mundo real de forma mais precisa, elas podem ser usadas para desenvolver diretrizes para construções resistentes a terremotos – dizendo quanto movimento de solo pode ser esperado numa cadeia de certa altura ou inclinação, por exemplo.
“O objetivo é traduzir descobertas de pesquisas em parâmetros simples que um projetista possa utilizar”, afirmou Assimaki.
Terremotos inevitáveis — Especificamente no Haiti, segundo Susan, cientistas desenvolvendo mapas de microzoneamento agora podem incorporar a seus trabalhos os efeitos topográficos vistos ao longo da cadeia, ajudando o país a se reconstruir de forma adequada e ser menos afetado pelo próximo terremoto. E futuros terremotos na mesma falha, ou perto dela, são inevitáveis, dizem os sismólogos.
“Potencialmente, podemos dizer, ‘Você pode construir aqui, mas não ali’”, afirma. Mesmo sobre a cadeia, com seus fortes temores, algumas casas e edifícios bem construídos e ancorados sobreviveram ao terremoto praticamente sem danos.
“Isso mostra que é possível construir de forma segura, mesmo em zonas como aquela”, explica. “Você só precisa saber o que está enfrentando”.
“A boa notícia é que podemos caracterizar os tremores”, diz Susan. “Podemos trabalhar tendo esses elementos em mente”.

Haiti: Sobem para 253 mortos por cólera

Porto Príncipe (EFE) - Quarenta e três pessoas morreram nas últimas horas de cólera em Artibonite, norte do Haiti, o que aumenta para 253 o número de vítimas da doença no país, disseram ontem fontes sanitárias oficiais, que apuram cinco possíveis casos suspeitos da epidemia em Porto Príncipe.

O diretor-geral do Ministério da Saúde, Gabriel Timothée, disse à reportagem que a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) analisa cinco possíveis casos do surto na capital do país a partir de observações clínicas.

No entanto, disse que é preciso realizar exames no laboratório nacional de Saúde Pública para confirmar se os casos são de fato o cólera, que afeta parte do país desde o início da semana. Timothée disse em entrevista coletiva que o número de hospitalizados subiu para 3.115, dos quais 2.754 estão em Artibonite, a região mais afetada pelo surto.

Quatorze das vítimas morreram em Mirebalais e Las Cahobas, onde não haviam sido registradas mortes por cólera nos últimos três dias, segundo Timothée. De acordo com o funcionário, "há uma tendência de estabilização dos casos no leste" do Haiti.

Além disso, o ministro falou de uma "diminuição" nos casos graves em Drouin e Grande Saline, as áreas mais críticas de Artibonite.

O surto de cólera no Haiti poderia estar relacionado com um rio contaminado situado muito perto de Artibonite, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

No entanto, o presidente do Haiti, René Préval, assegurou ontem que a epidemia foi "importada", mas não identificou qual seria sua procedência. 

Cientistas preveem risco de forte terremoto no Haiti

Agência Estado


O terremoto de 12 de janeiro no Haiti não foi suficiente para liberar toda a tensão de uma falha geológica existente na região, motivo pelo qual Porto Príncipe, a capital do país, está exposta a um elevado risco de uma nova catástrofe sismológica, disseram cientistas norte-americanos neste domingo.
O abalo sísmico do início do ano alcançou magnitude 7,0 e provocou a morte de mais de 200.000 pessoas. Acreditou-se inicialmente que o tremor tivesse acontecido numa conhecida mas pouco compreendida falha geológica onde terremotos de magnitude similar ocorreram em 1751 e 1770.
A complexa falha geológica de Jardim Enriquillo-Plantain cruza o extremo ocidental da Ilha Hispaniola, compartilhada pelo Haiti e pela República Dominicana.
Uma equipe de geólogos liderada por Carole Prentice, do Instituto de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos, afirma que a interpretação de que o terremoto tenha ocorrido na falha de Jardim Enriquillo-Plantain pode estar errada.
Os cientistas usaram imagens de satélite, fotografias aéreas e pesquisas de campo na busca por evidências de que o terremoto teria ocorrido na falha em questão.
Eles encontraram evidências indiscutíveis de ruptura do solo, alteração de terreno e outras consequências dos terremotos do século 18, mas nenhum indício similar que possa ser ligado ao devastador tremor de terra de 12 de janeiro.
Apesar de isso não ser exatamente inédito na sismologia, trata-se de algo bastante incomum, especialmente para um terremoto tão forte e tão próximo da superfície quanto o do início deste ano.
Uma das interpretações dos cientistas é de que a falha geológica de Jardim Enriquillo-Plantain moveu-se, mas a uma profundidade muito maior, e que o tremor maior tenha ocorrido em alguma estrutura subparalela não catalogada.
Seja como for, as observações visuais e os modelos de computador aplicados no estudo indicam que o terremoto de janeiro não liberou uma energia que vem se acumulando há dois séculos e meio na superfície da falha de Jardim Enriquillo-Plantain.
Por esse motivo, a falha "continua a representar uma ameaça sísmica ao Haiti, especialmente à região de Porto Príncipe", adverte o estudo, publicado na versão online da Nature Geoscience. As informações são da Dow Jones. 

sábado, 23 de outubro de 2010

Surto de cólera no Haiti já matou quase 200 pessoas e número de casos deve aumentar

RIO - Autoridades haitianas já registraram 196 mortes por cólera desde o início de um surto da doença no país, há três dias, que já contaminou mais de 2.500 pessoas. A epidemia se espalha e já há casos registrados fora da região central de Artibonite, onde o surto começou. Ainda não há confirmação oficial de vítimas na capital, Porto Príncipe, mas o vice-diretor da Organização Panamericana de Saúde, Jon Andrus, disse que o número de contágios continuará aumentando porque os haitianos não tem anticorpos contra o cólera.

- Esperamos que o surto cresça, temos que esperar isso - disse Andrus, de Washington, nos EUA.
O vice-diretor da OPS acrescentou que a República Dominicana, que divide a ilha de Hispaniola com o Haiti, deve estar em alerta diante da possibilidade de a doença cruzar a fronteira. A maior preocupação das autoridades agora é com o risco de o surto alcançar a capital haitiana, onde milhares vivem em campos de refugiados desde o terremoto de janeiro que matou quase 300 mil pessoas no país.
- Será muito, muito perigoso - disse Claude Surena, presidente da Associação Médica Haitiana. - Porto Príncipe já tem mais de 2,4 milhões de pessoas, e a maneira como eles estão vivendo já é suficientemente perigosa.
No local, diretor do Viva Rio diz que surto já chegou à capital
O ministro da Saúde haitiano, Alex Larsen, já disse que o tipo da doença é o mais perigoso, e segundo o diretor-executivo do Viva Rio, Rubem César Fernandes, que está no local, o surto já chegou à capital .
As instalações do Viva Rio atenderam nesta sexta duas pessoas com a doença na sede de seus serviços de saúde em Bel-Air, bairro do centro da capital. E duas escolas onde a organização trabalha também relataram casos de cólera.
A área mais afetada pelo surto é ao longo do rio Artibonite, que fica no departamento homônimo, o maior do país, e que corta várias das regiões mais atingidas pelo terremoto.
- Nós vivemos uma crise sanitária. É um novo infortúnio para um país que nunca viu essa doença no passado - afirmou o ministro da Saúde.
A cólera que atinge o Haiti é do tipo 1, que segundo o site da OMS é responsável pela maioria dos surtos no mundo, mas não costuma gerar epidemias.
A cólera é uma doença grave transmitida pela água e alimentos contaminados. Causa diarreia, desidratação severa e pode matar em dias se não for tratada.

sábado, 16 de outubro de 2010

Associação de LGBT divulga carta a Dilma e Serra

Entidade reclama de preconceito, machismo e homofobia na campanha.
Associação destaca ações dos candidatos em defesa dos homossexuais.

Do G1, em Brasília
A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), que representa 237 organizações, divulgou nesta sexta-feira (15) uma carta aberta aos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). A carta reclama da forma como os direitos dos homossexuais vêm sendo tratados na campanha e destacam ações de Serra e Dilma em favor da causa.
A carta começa pedindo respeito aos presidenciáveis. “Nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa”.
O texto critica a utilização da discussão religiosa na campanha e reclama que “preconceito, machismo e homofobia” ganhem espaço no debate eleitoral. “Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral. Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial”.
A associação destaca que o estado brasileiro é laico e destaca avanços no combate à homofobia. A entidade enfatiza que sua luta é pela união civil de pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação.
“Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica”, diz trecho da carta.
A entidade ressalta ações dos candidatos nos temas que interessam aos homossexuais. Sobre Serra, o texto afirma que o tucano implantou uma política progressista no combate à AIDS e destaca ações do governo Fernando Henrique Cardoso incluindo direitos dos homossexuais nos primeiros programas nacionais de direitos humanos. A associação destaca ações de Serra ainda como prefeito e governador.
Quanto a Dilma, a entidade afirma que ela “ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT”. São destacadas ações como o programa “Brasil sem homofobia” e o “Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT”. A associação destaca ainda que Dilma assinou como ministra da Casa Civil a convocação da 1ª Conferência LGBT do mundo.
“Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo”, diz a carta.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dados de satélite indicam verdadeira causa do terremoto no Haiti


Houve ruptura em múltiplas fissuras, e uma delas nem era conhecida.
Descoberta do perfil real do tremor aponta para risco maior de novos abalos.


Do G1, em São Paulo

Imagem de radar obtido por satélite japonês mostra deformações de terreno em Léogâne, oeste da capital haitiana Porto Príncipe
Imagem de radar obtido por satélite japonês mostra deformações de terreno em Léogâne, oeste da capital haitiana Porto Príncipe (Foto: Nasa / JPL / Jaxa / METI)


O terremoto de magnitude 7 que matou cerca de 200 mil haitianos no início deste ano não foi causado por deslocamento na falha geológica de Enriquillo-Plantain Garden, como os cientistas imaginavam. A verdadeira causa foi o colapso de múltiplas falhas, sendo que uma delas, mais profunda, nem era conhecida pelos geólogos. As conclusões foram publicadas no site da revista especializada “Nature Geoscience”. A falha de Enriquillo é a “fronteira” entre a placa tectônica do Caribe e a placa Norte-Americana.


A crosta da Terra é constituída por cerca de uma dúzia de grandes placas tectônicas (ou litosféricas), delimitadas por grandes falhas e profundas fossas oceânicas. O movimento da camada mais externa da Terra, mesmo que sejam só poucos centímetros por ano, produz tensões que vão se acumulando em vários pontos. Os terremotos são efeitos desse processo geológico de acúmulo lento e liberação rápida de tensões entre as placas, quando as rochas atingem o limite de resistência e ocorre uma ruptura. O tamanho da área de ruptura, grande ou pequeno, determina se o evento será de menor intensidade (um mero abalo ou tremor de terra) ou um terremoto. Quanto maior a área de ruptura, maior a intensidade das vibrações emitidas.
Como o terremoto no Haiti, como agora se sabe, não envolveu deslizamento perto da superfície, mas na recém-descoberta “falha de Léogâne”, mais profunda, o estudo sugere que o tremor não liberou toda a tensão geológica acumulada nos últimos dois séculos. Isso quer dizer que são muito prováveis outros terremotos com rupturas de superfície.
Mapa indica a falha geológica de Enriquillo-Plantain Garden

Mapa indica a falha geológica de Enriquillo-Plantain Garden (Foto: USGS Arte G1)

Os pesquisadores envolvidos no trabalho são do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês) da Nasa, da Agência de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, da Universidade do Texas em Austin e da Universidade de Nagoya (Japão). Eles utilizaram uma combinação de observações sismológicas, dados geológicos colhidos em campo e medidas obtidas por satélite para analisar a fonte do terremoto.