segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Amorim: emprego da ajuda internacional corresponde ao Haiti

NOVA YORK — O chanceler brasileiro, Celso Amorim, afirmou esta segunda-feira, em Nova York, após visitar o Haiti, no domingo, que o país caribenho, devastado por um terremoto em janeiro, é soberano para decidir o que fazer com os recursos internacionais destinados a reconstruir o país, devastado por um terremoto há pouco mais de oito meses.
"O governo do Haiti tem a última palavra, o Haiti é um país soberano, não é uma coleção de projetos", disse o chanceler brasileiro, durante entrevista coletiva que se seguiu a uma reunião convocada à margem da Assembleia Geral da ONU sobre a situação no Haiti, da qual também participaram a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o chanceler francês, Bernard Kouchner, e o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive.
"Evidentemente, o terremoto chamou muito a atenção do mundo, mas o tema vai perdendo importância na opinião pública e era muito importante manter o compromisso e a relação com o Haiti" mediante esta reunião convocada em Nova York, declarou Amorim.
Durante o encontro, o premier haitiano se disse preocupado com "o ritmo e a importância do que estamos fazendo" nos trabalhos de reconstrução, ao que Hillary Clinton e Bernard Kouchner responderam com um pedido de paciência.
"Os que esperam progressos imediatos são irrealistas e prestam um favor débil aos que estão trabalhando duro", criticou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.
Os haitianos - continuou Hillary - "precisam que nossas boas intenções se traduzam em progressos concretos no terreno".
"Para alguns parece que isto, a reconstrução, anda lentamente", admitiu o ministro francês de Relações Exteriores, Bernard Kouchner.
"Alguns se surpreendem que com tanto dinheiro arrecadado não tenha havido progressos tangíveis. Mas não têm a noção da imensidão do desastre (...)", acrescentou.
"Houve muito dinheiro, muita coisa foi feita, mas isto não pode ser visível imediatamente", explicou.
Os Estados Unidos são, de longe, os principais doadores para o Haiti, com um compromisso de desembolsar US$ 1,15 bilhão de dólares. A França também está na primeira fila, com uma promessa de US$ 410 milhões.
O Brasil lidera a coordenação dos esforços militares das Nações Unidas (Minustah) no Haiti.
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