quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

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Sistema educacional haitiano está em colapso após terremoto

Melhores universidades do país foram destruídas por temor de Janeiro.
Trajédia eliminou muitos dos "futuros líderes do país", diz sociólogo.

G1.com - Marc Lacey
Do New York Times, em Porto Príncipe, Haiti

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Após reformar aeroporto, Odebrecht quer participar da reconstrução do Haiti

Construtora brasileira analisa oportunidades e diz que país será um canteiro de obras Por Maurício Moraes, do R7
Site R7.com


Mais de um mês após o terremoto que devastou o Haiti, o aeroporto de Porto Príncipe será reaberto para voos comerciais nesta sexta-feira (19). Afetado pelo tremor de 12 de janeiro, o terminal de embarque foi reformado pela construtora brasileira Odebrecht. Em entrevista ao R7, Antonio Pinto, um dos diretores da unidade americana da empresa e coordenador das obras, disse que a companhia já analisa oportunidades de negócios na milionária reconstrução do país.

De acordo com Pinto, ainda não há números consolidados, mas a obra que reformou pelo menos 25% do aeroporto da capital haitiana custou entre R$ 927 mil (US$ 500 mil) e R$ 1,82 milhão (US$ 1 milhão). O trabalho foi encomendado pela companhia aérea American Airlines, que já é cliente da Odebrecht nos Estados Unidos.

A reconstrução se concentrou no hangar da empresa, que queria retomar rapidamente seus voos comerciais para o país após o terremoto. O diretor da Odebrecht disse que a conta será repassada às autoridades haitianas:

- Devido à relação que temos, foi feita uma parceria com a American Airlines, que está nos remunerando. A American fez um acordo com o aeroporto, que vai pagar as obras.

Polêmico controle americano

Logo após a tragédia, o aeroporto de Porto Príncipe passou ao controle das autoridades americanas. Como não houve mediação da ONU, a transferência gerou certo desconforto entre os países envolvidos na ajuda humanitária, inclusive no Brasil.

Segundo o diretor da Odebrecht, a relação com os controladores americanos do aeroporto foi de "total cooperação".

Pinto disse que o processo de reconstrução do Haiti (onde a construtora nunca havia atuado) ainda está na fase inicial, mas que a empresa já analisa oportunidades de negócios:

- Nós estamos vendo algumas oportunidades, mas por enquanto as coisas estão cruas. Não se sabe como será o financiamento, quem vai ser o gestor e de onde virá o dinheiro.

..O diretor diz não ter informações sobre se há contato da Odebrecht com membros do governo brasileiro, bastante atuante na reconstrução. Até o momento, o Brasil anunciou a doação de R$ 27,3 milhões (US$ 15 milhões) ao Haiti, embora os gastos com a ajuda (incluindo a manutenção das tropas) cheguem a perto de R$ 400 milhões. Na próxima semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai até Porto Príncipe e a expectativa é que mais ajuda seja liberada ao país.

Mesmo assim, Pinto não rejeita a possibilidade de a construtora recorrer ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para buscar financiamento a eventuais negócios no Haiti.

Canteiro de obras

Quatro dias após o terremoto um representante da construtora foi ao Haiti para ver a situação do aeroporto. Pinto chegou dias depois e ficou três semanas no país coordenando as obras. Segundo ele, há muito a ser feito no Haiti:

- Porto Príncipe vai virar um grande canteiro de obras porque eles precisam de tudo. Eles precisam de muito investimento em habitação, já que o que sobrou em pé está em grande parte condenado e terá de ser reconstruído. Até hoje não há energia na capital e as estradas estão muito precárias. Sistema de esgoto não existe e o abastecimento de água também está precário.

Segundo o diretor da multinacional, cerca de 60 pessoas trabalharam nas obras, a maioria haitianos, escalados e treinados na última hora. O maior desafio, de acordo com Pinto, foi com a logística, já que boa parte do material de construção veio dos EUA, de Porto Rico e da vizinha República Dominicana, onde a empresa tem negócios.

Operação Mobilização - Informativo 004

Há um clamor no Haiti...

"Juntos por um novo Haiti"

Brasília/DF, 11 de fevereiro de 2010.

“Enfin, Bonnes Nouvelles!”

Desde o último dia 20 de janeiro tem sido grande nossa expectativa quanto ao início da 2ª Fase da Operação: Arrecadação e Envio de Mantimentos para o Haiti.

Felizmente ontem, exatos 28 dias após o terremoto, as portas foram abertas pelo Senhor e conseguimos estabelecer o CANAL DE DISTRIBUIÇÃO dos mantimentos de primeira necessidade a serem arrecadados por nossas igrejas, instituições e comunidades.

O Diretor Executivo da Defesa Civil do DF, Ten Cel QOBM Costa, nos recebeu para ouvir a proposta de parceria na Mobilização em prol das vítimas do terremoto no Haiti, no Centro de Distribuição da Conab localizado no SIA. Após uma hora, pela ação graciosa do Senhor, ficou estabelecida a PARCERIA que irá viabilizar o envio de toda a arrecadação de gêneros, não só até o Rio de Janeiro, mas, principalmente, até ao Povo Haitiano, sem que se estrague ou extravie um quilo ou litro se quer.

A partir desse momento CONVOCAMOS todos os batistas do Distrito Federal a participarem desse esforço urgente e necessário, pois, como mostra a matéria do Pr. Mayrinkellison, da JMM, veiculada no último dia nove – Emoções e Surpresas no Haiti:

Deus realmente nos tem surpreendido e nos feito acreditar que, em meio ao caos, Ele vai construir, no seu tempo, um novo Haiti. “Plaidoyer pour une nouvelle Haiti: l'Église debout!” (Defender um novo Haiti: Igreja, levante-se!)”.

CHEGOU A HORA DE ARRECADAR!

MAS, ATENÇÃO!

O QUE PODE SER ARRECADADO?

ITEM - ESPECIFICAÇÃO - OBS
Água Engarrafada - Engradados de 6 ou 12*
Biscoitos: Todos - Validade Mínima de 6 meses*
Enlatados: Atum, Sardinha, Fiambre, etc. Prontos para consumo!
Barras de Cereais: Todas - Validade Mínima de 6 meses*
Bebidas Engarrafadas: Sucos, Achocolatados, Energéticos, Leites - Validade Mínima de 6 meses*
Leite – preferencialmente caixas lacradas com 12 unid.*
Frutas desidratadas: Todas - Validade Mínima de 6 meses*
(*) Preferencialmente.

COMO VOCÊ & SUA IGREJA PODEM SE ENVOLVER:

Inscrever-se como Pólo de Arrecadação Comunitária: envie um email para juntosporumnovohaiti@gmail.com com Nome da Igreja, Pastor, Coordenador da Arrecadação, email’s e telefones para contato.

Preparar uma FAIXA para identificar o local, por exemplo:
ARRECADAÇÃO DE MANTIMENTOS PARA O HAITI
Todo tipo de alimentos Prontos para o Consumo
Água – Biscoitos – Enlatados – Sucos Prontos – Cereais – Leite


Verificar, dentre a membresia da Igreja e comunidade, voluntários para trabalharem na Central de Arrecadação selecionando, catalogando, empacotando e identificando os gêneros nos horários da manhã (9h às 12h) ou tarde (14h às 17h) – Segunda, Quarta e/ou Sexta: envie um email para juntosporumnovohaiti@gmail.com com o nome completo, email e telefone para contato dos voluntários.

IMPORTANTE
Essa 1ª Etapa da Arrecadação irá acontecer dos dias 12 a 29 de fevereiro!
Serão TRÊS FINAIS DE SEMANA para intensificar a mobilização.
Já está sendo estudada a prorrogação para todo o mês de março – oremos por isso!

"Juntos por um novo Haiti"

"Espere grandes coisas de Deus. Faça coisas grandes pra Deus".

Pr. André Souto Bahia
Coordenador da Mobilização
(61) 3392.2271 e 9209.1730

De volta do Haiti

Por Ailton Figueiredo 12 de fevereiro de 2010
Estão de volta ao Brasil os pastores Mayrinkellison Wanderley, Ailton Desidério, Paulo Albuquerque, David Pina e Roberto Amorim. O grupo esteve, entre os dias 2 a 12 de fevereiro, no Haiti e levou mais uma ajuda dos batistas brasileiros ao povo haitiano.

Durante a visita, o Pr. Paulo Albuquerque adoeceu e foi atendido na Embaixada do Brasil, que o encaminhou para a Base da Força Aérea Brasileira – FAB – instalada no Haiti, onde recebeu a medicação adequada. Segundo o Pr. Mayrinkellison, a ida da equipe à Base foi providencial, pois ali ouviram histórias de sofrimento e solidão do povo haitiano. Os soldados da FAB fizeram mais de 100 operações, inclusive com amputações, durante o tempo que os pastores ali estiveram.

O grupo visitou os locais por onde passou na viagem anterior e viu o sofrimento do povo, visitou a comunidade de Fort National, na periferia de Porto Príncipe. “Ali a destruição foi completa. Nenhuma casa de pé, ninguém morando; uma verdadeira cidade-fantasma. Em pé, solitário, o grupo viu um homem que olhava obliquamente para uma casa. Indagado, ele respondeu: 'Eu venho aqui todos os dias desde 12 de janeiro, pois ali embaixo estão meus dois filhos, que ainda não pude sepultar', conta o Pr. Mayrinkellison. Segundo relato de nosso obreiro da terra Pr. Jonathan, o Pr. David Pina – Representante da JMM – chorou! Não apenas chorou, mas gritou desconsoladamente, frente àquele quadro apocalíptico.

O Pr. Mayrinkellison conversou com o Pr. Jonathan sobre os planos de Missões Mundiais para o Haiti e ouviu dele as necessidades mais urgentes. Assim foi reafirmado o interesse e intenção da JMM em ajudar o Haiti; não apenas nesse momento, mas com um plano mais duradouro de reconstrução do país, através de nossas igrejas batistas ali localizadas.

Os pastores foram abençoados com uma visita que fizeram à Base da Marinha do Brasil no Haiti onde conversaram com alguns irmãos que fazem parte da Força de Paz. Eles foram bem recebidos por irmãos da Assembleia de Deus, por um sargento batista e por um Promotor de Missões e Embaixador do Rei no Haiti. A presença deles, ali, gerou o cadastramento da igreja do Pr. Jonathan que será beneficiada com a distribuição de víveres.

Os pastores, representando suas igrejas, doaram à AIBHMI um gerador, um inversor de energia, baterias para carga de energia e um kit de internet/telefone. Com isso, nossos irmãos agora poderão não apenas ter energia elétrica, como também se comunicar conosco com rapidez e qualidade. Além disso, deixaram ofertas em roupas, calçados, remédios, comida, água e outras doações para nossos obreiros.

“Isso foi um sinal do Reino de Deus sobre a vida de nossos irmãos e não há preço que pague! Agradecemos aos colegas que, com despreendimento, puseram em prática o princípio de 2Coríntios 9. Essa oferta foi além daquilo que a JMM e outras igrejas batistas do Brasil já haviam enviado. Elas foram entregues aos nossos irmãos haitianos logo no nosso primeiro dia, para ajudá-los na compra de itens de primeira necessidade. Também os pastores Ailton Desidério e Paulo Albuquerque deram atendimento pastoral e ao mesmo tempo psicológico, cuidando da saúde emocional e espiritual de nossos obreiros haitianos”, conta o Pr. Mayrinkellison.

Dia de jejum e oração no Haiti

O grupo de pastores batistas brasileiros terminou sua jornada no Haiti visitando um dos líderes evangélicos do país, o Pr. Hérode Guillomettre, representante da Missão às Américas. Ele contou de sua dor, dos trabalhos que foram empreendidos, da luta espiritual que tem sido travada há séculos e que agora parece estar se definindo. Segundo o Pr. Guillomettre, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário caíram no Haiti. Mas o poder religioso também caiu.

Segundo o líder evangélico, as estruturas dos poderes foram totalmente abaladas e se inicia a reconstrução de uma nova nação. Não se pode construir algo novo sobre fundamentos velhos. Agora é a hora do Haiti! É a hora de profetizar sobre essa nação, para que seus “ossos secos” possam ganhar nova vida. Sim, é hora de defender um novo Haiti. E acreditamos que a hora realmente chegou...E já começou, pois o presidente do Haiti, num ato inédito na história do país, decretou o dia 12 de fevereiro como dia de Jejum e Oração nacionais. E as igrejas realizarão uma jornada de oração e jejum dos dias 12 a 14 de fevereiro e cruzada evangelística dos dias 14 a 17, pois não é possível reconstruir o Haiti apenas com ajuda humanitária e financeira, mas com joelhos dobrados e submissão a Deus. Todos os crentes do Brasil estão convidados a orar e jejuar durante esses três dias em favor do Haiti. A visita encerrou com um culto doméstico, com oração, cânticos e leitura de salmos. Foi realmente a “chave de ouro” para fechar nossa estada nesse sofrido país.

O Pr. Mayrinkellison, Coordenador de Missões da JMM e o organizador da viagem, enviou seu último informe sobre a viagem ao Haiti com uma bênção e uma palavra de gratidão a todos os irmãos e irmãs brasileiros que se engajaram e se engajarão nesse processo de reconstrução nacional.

“Mesi! Bondye beni w anpil”
(Obrigado! Deus os abençoe muitíssimo!).

Tradição haitiana do 'restavek' é vista como escravidão infantil

Por Jim Loney - Reuters/Brasil Online


PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Vivendo em uma tenda depois do terremoto que deixou um milhão de haitianos nas ruas, Melila Thelusma afirma que não é capaz de sustentar suas duas filhas e está pronta para dá-las a estrangeiros, caso encontre um bom lar para elas.


Apesar do desespero, Thelusma diz que nunca entregaria Gaelle, de 11 anos, e Christelle, de 6, a uma família haitiana, como fizeram dezenas de milhares de haitianos.

"Não a uma família haitiana. Os haitianos as fariam sofrer", disse Thelusma, de 39 anos. "Eles...forçam a criança a trabalhar como um animal. Eles não cuidam delas de verdade."

Profundamente arraigada na cultura da ex-colônia, a prática das famílias pobres de dar as crianças a parentes ou conhecidos mais ricos é conhecida no idioma crioulo como "restavek", termo oriundo das palavras francesas 'rester avec', ou seja, 'ficar com'.

Os críticos a chamam de escravidão.

As crianças, afirmam eles, são consideradas empregadas, forçadas a trabalhar sem receber pagamento, são isoladas das outras crianças da casa e raramente vão à escola.

"Um restavek é uma criança em situação de escravidão doméstica", afirmou Jean-Robert Cadet, ex-restavek que agora dirige uma fundação que visa melhorar a vida das crianças restavek (http://www.restavekfreedom.org/).

Após o terremoto de 12 de janeiro, o governo haitiano advertiu que traficantes de crianças poderiam se aproveitar do caos para mirar as crianças vulneráveis. O drama bastante noticiado envolvendo 10 missionários norte-americanos pegos tentando passar pela fronteira com 33 crianças pareceu reforçar a ameaça.

Os críticos afirmam, entretanto, que dezenas de milhares de crianças haitianas foram entregues pelos próprios pais a uma vida de escravidão dentro do Haiti.

Um estudo de 2002 para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e para outras organizações desenvolvido pelo Instituto Fafo para Ciências Sociais Aplicadas, da Noruega, diz que havia 173 mil crianças restavek, mais de 8 por cento da população entre 5 e 17 anos. Cadet acredita que existam mais de 300 mil.

Provavelmente a tradição do restavek data de quando o Haiti ainda era uma colônia francesa, quando os filhos dos escravos trabalhavam como empregados domésticos na casa do senhor. Cadet afirmou que uma lembrança dessa época, um chicote de couro retorcido, conhecido em crioulo como rigwaz, ainda é usado para bater nos restaveks.

A tradição do restavek permanece em parte porque é aceita, ou ao menos tolerada, pela cultura haitiana. Algumas famílias educam e alimentam suas crianças restavek, e alguns argumentam que as crianças morreriam se ficassem com os pais.

Os expatriados levaram as tradições do restavek aos Estados Unidos. Dois anos atrás, uma mulher e sua filha adulta foram condenadas em Fort Lauderdale, na Flórida, por manter uma adolescente haitiana como escrava durante seis anos.

A garota, Simone Celestin, descreveu no tribunal como era espancada, forçada a dormir no chão e a tomar banho com um balde.

Embora o Haiti seja signatário da Convenção das Nações Unidas para os Direitos da Infância, Caroline Bakker, conselheira do Unicef para proteção infantil, afirmou que não há lei para proteger as crianças restavek no Haiti.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Emoções e surpresas no Haiti

Por Marcia Pinheiro - 09 de fevereiro de 2010
Site da JMM


Neste segundo momento da viagem ao Haiti, iniciada a partir da República Dominicana em 02 de fevereiro, o Pr. Mayrinkellison Wanderley, de Missões Mundiais, juntamente com os pastores Aílton Desidério (PIB em Lins de Vasconcelos – Rio de Janeiro/RJ) e Paulo Albuquerque (IB Memorial de Duque de Caxias/RJ e 2ªIB em Rio Bonito/RJ) e, desde o dia 5, também com os pastores David Pina (Representante da JMM) e Roberto Amorim de Menezes (IB Farol em Maceió/AL), viveram vários momentos de emoção, como a entrega da oferta emergencial de Missões Mundiais aos irmãos haitianos e o encontro com o jovem candidato ao Projeto Radical Latino-Americano, Jimmy Bonaparte.


“Como é andar numa cidade em ruínas? Essa foi a pergunta que nos fizemos quando saímos de Porto Príncipe e seguimos em direção a Cabaret, no dia 5 de fevereiro, na companhia de alguns de nossos missionários da terra. Cabaret é uma cidade às margens da rodovia que leva ao Noroeste do país. Conhecida pela fragilidade face os furacões que assolam anualmente o Haiti, a cidade sentiu o poder do terremoto de 12 de janeiro de 2010. Ao longo da rodovia, o que se via eram tijolos e entulhos, além de campos de refugiados que, aglomerados, ainda se encontram à margem da ajuda internacional.

Reunimo-nos no templo da Igreja Batista, onde nos recebeu o Pr. Dessouce, nosso missionário da terra, com um grupo de uns 30 irmãos esperavam ansiosamente por uma palavra de conforto. Ouvimos seus testemunhos, suas angústias, como de uma irmã que perdeu sua única filha. Ela disse: “Eu preferia ter perdido minha casa com tudo o que tinha, como essa irmã que está ao meu lado, a ter perdido minha filha”. À espera da ajuda humanitária, apenas a Igreja Batista, através da Missão Batista do Haiti, contribuiu com alguns alimentos e água potável. O prefeito da cidade nem sequer à cidade voltou após o terremoto.

O Pr. Aílton Desidério falou àquela congregação, afirmando que Deus não estava castigando ninguém com esse terrível evento, mas reconheceu que muita gente se aproximou mais de Deus após a catástrofe.

Surpresa no terreiro de vodu

Tivemos a oportunidade de visitar um terreiro (péristil) dedicado à prática do vodu que, igualmente, sucumbiu após o terremoto. O que nos chamou a atenção é que o feiticeiro (oungan) responsável pelo lugar já foi crente, professor de escola bíblica e hoje, por dinheiro, serve às forças do mal. Duplamente escravo: da miséria e dos espíritos malignos. Mas louvamos a Deus pelo que ele colocou em determinado momento da conversa: “As forças do vodu caíram. Porto Príncipe era a capital do vodu e está destruída. O poder acabou!Ele confessou que hoje tem sua confiança reduzida, e está refletindo sobre sua conversão. Curiosidade: esse terreiro é exatamente aquele que aparece no vídeo da JMM.

Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça; e nos alegramos ao visitar as instalações de uma futura extensão do Centro de Treinamento da Missão no Haiti. Um projeto ousado, que olha para o futuro, mostrando que há esperança para o Haiti. Oramos para que Deus levante os recursos para concluir esse trabalho, que inclui a construção do prédio principal, do alojamento, de um complexo turístico, além da construção de um bairro ordenado, que já está em andamento, mostrando que é possível um novo país.

Entrega de oferta emergencial

No dia 6 de fevereiro tivemos o privilégio de nos encontramos com todos os obreiros ligados à AIBHMI. De todos os nossos obreiros autóctones, apenas um não pôde vir. Foi emocionante ouvir os milagres que Deus tem feito na vida desses homens de Deus, os livramentos durante o terremoto e ver a alegria deles em nos receber. Compartilhamos alguns presentes trazidos do Brasil e também o sustento missionário foi entregue na nossa frente, numa garantia da boa administração dos líderes da Associação aqui no Haiti. Também foi entregue a oferta de urgência que a JMM enviou, fruto das doações das igrejas batistas do Brasil durante o mês de janeiro.

Um dos momentos mais emocionante foi conhecer o jovem Jimmy Bonaparte, candidato ao projeto Radical Latino-Americano 5 que, a nosso pedido, veio ao encontro para que pudéssemos conhecê-lo e, mais ainda, traduziu o Pr. Paulo Albuquerque por ocasião da mensagem aos obreiros, firmada em Apocalipse 7. Em tudo glorificamos a Deus pela instrumentalidade desse jovem que perdeu dois de seus irmãos, além de outros parentes.

No Dia do Senhor, domingo 7 de fevereiro, visitamos três igrejas. Ver aqueles irmãos cantarem que “Jesus fez muito por mim. Não sei como nem por que, mas eu sei que Jesus o fez” nos fez refletir sobre gratidão em meio a dor. Na pregação do Pr. Roberto Amorim, com mensagem em Jeremias 31.38, apresentando que é no caminho da obediência que se entende os planos de Deus, ficou claro que Deus quer reconstruir o Haiti. No segundo culto da manhã, na Igreja Batista em Santo 11, o impacto foi grande ao ver o templo, espaçoso, em ruínas. Não foi fácil rever aquele local, onde já tivemos a oportunidade de pregar, condenado à completa destruição. O Pr. David Pina afirmou que o maior tesouro que temos são nossas vidas e Deus a preservou para aqueles que estavam ali e que esse era um desafio para que todos orassem pelos seus parentes que ainda não têm Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.

Na Croix-des-Bouquets, um dos mais novos trabalhos batistas na cidade, vimos uma comunidade carente, repleta de crianças. Foi doloroso ver aquelas pessoas, sem recursos para trabalhar com os pequeninos, fazendo milagres com poucas folhas de papéis e lápis de cor. Ao final, tocaram os hinos nacionais brasileiro e haitiano. Que emoção! Uma mensagem se fez soar: o Haiti tem futuro. As crianças são o futuro deste país.

Deus realmente nos tem surpreendido e nos feito acreditar que, em meio ao caos, Ele vai construir, no seu tempo, um novo Haiti. “Plaidoyer pour une nouvelle Haiti: l'Église debout!” (Defender um novo Haiti: Igreja, levante-se!)”.

Pr. Mayrinkellison Wanderley -- de Missões Mundiais

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Haitianos admitem terem entregue filhos a grupo batista

AE-AP - Agência Estado

HAITI - Alguns pais do povoado de Callebas, nas proximidades da capital haitiana, disseram que entregaram voluntariamente a custódia de seus filhos para um grupo de missionários norte-americanos. A história contada pelos moradores contradiz as afirmações de um pastor que assessora o grupo de batistas, que afirmou que as crianças eram de orfanatos ou que foram entregues por parentes distantes. O fato é um testemunho da miséria do país mais pobre do hemisfério ocidental, assolado por um terremoto no dia 12 de janeiro. Muitos desses pais disseram que não saberiam o que fazer se tivessem que recolher seus filhos novamente.

"Estou vivendo numa barraca com um amigo", disse Laurentius Lelly, técnico de computadores de 27 anos que entregou seus dois filhos, de 4 e 6 anos. "Minha principal preocupação é que se as crianças voltarem eu não serei capaz de alimentá-las".
Os norte-americanos devem comparecer hoje perante um promotor que vai decidir se vai indiciá-los ou libertá-los, disse a ministra de Comunicações Marie-Laurence Jocelyn Lassegue. Os dez integrantes da igreja Batista, a maioria deles de Idaho, foram detidos na semana passada quando tentavam cruzar com 33 crianças haitianas a fronteira para a República Dominicana, sem os documentos exigidos, segundo as autoridades do Haiti.

Em meio a pilhas de escombros do que eram suas casas e abrigados agora em barracas improvisadas de zinco e plástico, os moradores de Callebas contaram como entregaram suas crianças. Tudo começou na semana passada, quando um funcionário de um orfanato local, fluente em inglês e agindo em nome dos batistas reuniu quase todos os 500 habitantes da vila num campo de futebol para apresentar a oferta norte-americana.

Isaac Adrien, de 20 anos, disse a seus vizinhos que os missionários educariam seus filhos na vizinha República Dominicana, disseram os moradores, afirmando também que lhes foi dito que teriam liberdade total para visitar os filhos. Muitos pais aceitaram a oferta. "Foi apenas porque o ônibus estava cheio que mais crianças não embarcaram", disse Melanie Augustin, de 58 anos, que entregou sua filha de 10 anos aos norte-americanos.

Adiren disse ter conhecido a líder batista Laura Silsby em Porto Príncipe no dia 26 de janeiro. Ela disse a ele que estava procurando crianças sem-teto e que ele sabia exatamente onde encontrá-las. Ele voltou para sua vila natal, Callebas. Naquele mesmo dia, ele fez uma lista de 20 crianças.

Jorge Puello, advogado do grupo de batistas, disse ontem, em ligação da República Dominicana, que os missionários "receberam de bom grado as crianças que eles sabiam não serem órfãos porque seus pais disseram que elas morreriam de fome". O primeiro-ministro Max Bellerive sugeriu que os norte-americanos poderiam ser processados nos Estados Unidos porque o destruído sistema judiciário haitiano pode não conseguir realizar o julgamento.

Em Washington, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que a tentativa de levar crianças sem documentação para fora do Haiti foi "infeliz, independentemente da motivação" e que os norte-americanos deveriam ter seguido os procedimentos adequados. Ela disse que autoridades dos Estados Unidos estavam discutindo com os haitianos sobre como resolver o caso.

Lelly disse estar preocupado com o fato de o sistema judiciário haitiano não ser capaz de investigar o caso. Nenhum investigador policial ou de serviços sociais visitou a vila desde que os norte-americanos foram detidos na fronteira, informaram os pais. "Eu gostaria de descobrir se essas pessoas iam realmente ajudar as crianças ou tentariam roubá-las", disse.

As crianças, com idades entre 2 e 12 anos, estão agora sob os cuidados da entidade australiana SOS Children''s Village, em Porto Príncipe. Um pastor haitiano que trabalhava como consultor voluntário do grupo disse que os batistas não fizeram nada de errado. O reverendo Jean Sainvil disse que algumas das crianças eram órfãs e seriam colocadas para adoção. Crianças que têm pais seriam mantidas na República Dominicana e não perderiam contato com suas famílias.

"Todos concordam que sabiam para onde as crianças estavam indo. Os pais foram avisados e confirmamos que eles tinham permissão para ver as crianças e até levá-las de volta se necessário", disse ele. Sainvil lembrou que no Haiti não é incomum que pais que não podem cuidar de seus filhos os enviem para orfanatos.

Doações ao Haiti vão perder validade

Aeroclube de Ribeirão tem 12 toneladas de mantimentos e roupas e, sem previsão da FAB,
teme perder parte dos alimentos doados



Alimentos doados por ribeirão-pretanos para as vítimas do Haiti estão com prazo de validade se esgotando e ainda não há data para serem enviados ao país devastado pelo terremoto no dia 12 de janeiro. A Força Aérea Brasileira (FAB) não sabe quando enviará avião para Ribeirão, já que não haveria neste momento espaço físico em outro lugar do país para armazenar as 12 toneladas de doações arrecadadas na cidade. Os mantimentos doados em Ribeirão estão todos armazenados no Aeroclube da cidade.
A entidade se sensibilizou com as notícias da tragédia no Haiti e resolveu pedir doações à população. O presidente do Aeroclube, Nelson Oliveira, disse que a FAB havia afirmado que mandaria um avião cargueiro para pegar as doações — alimentos, roupas e cobertores a serem doados ao Haiti.
Sem saída, Oliveira deve doar parte dos alimentos em Ribeirão mesmo. "Consultei a quanto anda as datas de vencimento dos produtos. Vi que os leites, por exemplo, estão ficando coalhados. Vamos providenciar uma doação para as pessoas de Ribeirão mesmo", disse Oliveira.
O presidente do Aeroclube disse que a entidade já fazia doações para comunidades carentes da cidade e isso será feito com os alimentos. Já os produtos duráveis, como roupas e cobertores, continuarão no Aeroclube até chegar o avião da FAB.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Defesa Civil Estadual de São Paulo, as campanhas de doações de alimentos para o Haiti se encerraram na capital já que não há lugar para armazenar os mantimentos. Em nota, a assessoria diz que o Governo do Estado enviará 20 toneladas de alimentos e 7 mil litros de água potável para o Haiti.
A nota informa que novas doações devem estar cadastradas na Defesa Civil Nacional e que quando houver disponibilidade de avião o responsável será comunicado da vinda do avião da FAB.

Jornal A Cidade - Por Renan Gouvêa