segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

AUTONOMIA SIM! INDEPENDÊNCIA NÃO!

“Se quisermos continuar sendo batistas autênticos, devemos primar por nossos princípios básicos, e um deles é a independência das igrejas. Por isso tudo e muito mais, não devemos incluir nenhuma cláusula restritiva à independência das igrejas nossos seus estatutos”. Pr Dinelcir de Souza Lima

Em seu artigo “BATISTAS DA CBB CAMINHAM A PASSOS LARGOS PARA A DOMINAÇÃO CLERICAL”, fui tomado de um sentimento de efervescência histórica grandiosíssimo. Pois este ato de expressão pública dos seus próprios sentimentos e ótica quanto à vida, à religião, à denominação, ao mundo, à própria Igreja, é um reviver do que sempre defendemos, e muitos até mesmo morreram por defender: a liberdade de consciência!
Posso até não concordar com o que foi dito e escrito, mas, morrerei, se preciso for, para defender o seu direito de, livremente, pensar e expressar seus pensamentos! – ISSO É SER BATISTA!
Assim, meu caro Pr. Dinelcir, creio que sua preocupação quanto ao “domínio clerical” em nossa Denominação é legítimo e necessário. Creio piamente no princípio da Autonomia da Igreja, e o defendo, prego e ensino diariamente, quer no púlpito, no gabinete, em casa, na vida. Contudo, quando me aproximava do fim da leitura do seu referido texto, uma preocupação ainda maior se apoderou de mim: chamou de INDEPENDÊNCIA, um dos nossos mais ‘sagrados’ princípios!
Independência foi o que D. Pedro, historicamente, declarou às margens do rio Ipiranga. O que nós, Batistas, sempre fizemos foi assumir o papel de agência do Reino, enquanto igreja local, absolutamente unidos ao Reino, à Igreja Total (não uso a expressão ‘universal’ para não confundir).
Independência é separação! Autonomia é depender com, é interdependência! Confundir ou associar estas expressões é tão sacrilégio quanto buscar pelos bastidores e outros meios escusos a “dominação clerical”.
Nós, Batistas, sempre tivemos e defendemos, e alguns inclusive morreram defendendo, o princípio da AUTONOMIA DAS IGREJAS, que, junto com o princípio da COOPERAÇÃO formam, ao meu ver, os dois pilares sustentadores desta histórica Denominação Cristã, os quais estão alicerçados, como não poderia deixar de ser, sobre a ROCHA que é, unicamente, Cristo Jesus – cabeça e Senhor da Igreja. Quando, historicamente, pastores e líderes confundiram este princípio criando para si o ‘princípio’ da independência levaram nossas igrejas autônomas e cooperantes ao isolamento. Construíram para si ministérios particulares (Igreja Batista ‘Fulana de Tal’ – Ministério Pastor ‘Sicrano’). Enfraqueceram nossas estruturas, tanto locais, quanto denominacionais, igualmente àqueles dos quais fez referência em seu artigo.
Também estou preocupado, meu amigo. Mas, espero vê-lo tão equilibrado e sóbrio na defesa dos nossos princípios, quanto aqueles que tem procurado um poder que jamais encontrarão em nossos arraiais, pois é, exclusivo, é do Senhor Jesus.

Pr. André Souto Bahia
Pastor da TIB em Águas Lindas/GO
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