quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Manifesto à Nação Brasileira Sobre a Liberdade de Expressão e Orientação Sexual do Povo Brasileiro

Diante da tramitação no Senado Federal do Projeto de Lei Complementar nº 122/2006, aprovado pela Câmara dos Deputados (PL 5003/2001), que pretende punir como crime qualquer tipo de reprovação ao homossexualismo, a Convenção Batista Brasileira manifesta a sua preocupação com o futuro da sociedade brasileira, caso a lei venha a ser aprovada.
Preocupa ao povo batista a aprovação de uma lei que privilegia uma minoria, em detrimento do direito de todos. Reconhecemos o direito dos homossexuais a um tratamento digno e igualitário, ao mesmo tempo em que defendemos a liberdade fundamental de formar e exprimir juízos, favoráveis ou desfavoráveis, nas questões de orientação sexual.
Entendem os batistas que a aprovação do referido Projeto de Lei pode resultar no aumento da subversão de valores morais e espirituais que destroem a família e enfraquecem a nação brasileira. Por isto, decidimos vir a público reafirmar nossas posições bíblicas e históricas sobre os princípios e os valores que sustentam a liberdade de consciência, as religiões e a vida em sociedade.
1- Cremos que todos têm direito, outorgado por Deus, de ser reconhecidos e aceitos como indivíduos, sem distinção de raça, cor, credo ou cultura; de ser parte digna e respeitada da comunidade; de ter a plena oportunidade de alcançar o seu potencial. Todas as pessoas foram criadas à imagem de Deus, razão porque merecem respeito, consideração, valor e dignidade.
2- Cremos no direito à liberdade de consciência e de expressão religiosa. Cada pessoa é plenamente livre perante Deus, em todas as questões de consciência e tem o direito de abraçar ou rejeitar religião, bem como de testemunhar sua fé religiosa, propagar e ensinar a verdade como a entenda, e até de mudar sua crença, sempre respeitando os direitos e as convicções dos outros.
3- Cremos que cada pessoa é preciosa, insubstituível e moralmente responsável perante Deus e o próximo. Cremos no direito à liberdade de escolha e aprovação dos princípios e dos valores que regem a convivência e a conduta, na família e na sociedade.
4- Cremos que Deus criou o ser humano, macho e fêmea, com direitos iguais e diferenças sexuais. Essas diferenças se baseiam na constituição física, na forma de ser, de perceber o mundo, de reagir e de relacionar-se. Deus criou macho e fêmea, para que se completem e cooperem com ele na criação e na formação da humanidade. Uma vez que, não podendo nos calar diante do alto risco de degradação social e do surgimento de perseguição religiosa motivada por aqueles que se sentirem discriminados:
1- Conclamamos os representantes do povo no Senado e nas demais instâncias da República, cidadãos e líderes de instituições sociais e religiosas, bem como os pais e formadores de opinião a que se unam para defender o respeito à pessoa e a garantia dos direitos individuais, lutando a favor de uma sociedade na qual prevaleça a dignidade de todos.
2- Conclamamos todos os cristãos a proclamar e ensinar toda a verdade, conforme revelada nas Sagradas Escrituras, inclusive as orientações nelas contidas sobre a natureza da sexualidade humana. Não podemos negar que Deus Criador, o Senhor dos senhores, justo Juiz de toda a terra, condena o homossexualismo, conquanto ame os que o praticam, oferecendo-lhes o perdão e a graça que restauram a dignidade humana.
3- Conclamamos todos os cidadãos a cultivar uma convivência pacífica e respeito ao próximo, mantendo a respeitabilidade e o pudor nas relações sociais. Reconhecemos que ninguém tem o direito de coibir a escolha sexual de quem quer que seja. No entanto, essa norma não pode impedir que qualquer cidadão tenha o direito de considerar impróprio e inconveniente ou de qualificar como imoral ou inaceitável o comportamento homossexual.
A aprovação de uma lei não pode ferir as conquistas adquiridas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que afirma em seu artigo XIX: “Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.
Conscientes do exercício da nossa cidadania, faremos tudo o que for possível e justo, a fim de que construamos uma sociedade cada vez mais firmada nos valores éticos, morais e espirituais inspirados nas Sagradas Escrituras. Assim sendo, unimos-nos aos demais esforços para salvar o Brasil da degradação moral e da perseguição religiosa, bem como deixarmos um legado de justiça, paz e prosperidade para as futuras gerações.
Rio de Janeiro, maio de 2007
Pr. Oliveira de Araújo - Presidente da Convenção Batista Brasileira
Pr. Sócrates Oliveira de Souza - Diretor Executivo da Convenção Batista Brasileira.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

SOU BATISTA, TENHO UMA IDENTIDADE (Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho)

8. A AUTONOMIA DA IGREJA LOCAL Este é outro princípio batista inegociável. E é onde devocontextualizar um pouco mais porque temos problemas sérios nesta área.Surpreende-me, hoje, ler em jornais de procedência de instituiçõesbatistas artigos contra a autonomia das igrejas locais e até mesmoalguns lamentos de muitos por termos esta doutrina. Entendo quevivemos um tempo bem diferente do vivido há 20 anos. As estruturasdenominacionais passam por um processo de desgaste junto às igrejas.Sua imagem está afetada. Isto é conseqüência até mesmo de um dadocultural, a pós-modernidade, momento social em que vivemos e em que asestruturas são questionadas e deixadas de lado, e o individualismo écada vez mais acentuado. Para piorar, em algumas de nossasinstituições denominacionais houve má gerência, e a repercussão distoatingiu as demais. Em outras, aconteceu certo açodamento de pessoasque confundiram as coisas e conseguiram, com suas atitudes, criar umapostura refratária por parte das igrejas. Zelosas pelo seu trabalho,algumas pessoas começaram a pressionar as igrejas e a reclamar dasnão coloboradoras, muitas vezes insinuando não serem batistas ou seremdesengajadas da doutrina batista por não contribuírem financeiramentepara a instituição. Em outras vezes, a luta por poder, nos bastidores,em nada difere da luta que se vê no mundo. Esta confusão, para mim,se deu porque se ignorou o fato de que a estrutura é serva dasigrejas e existe em função delas e não o oposto. Nem mesmo chamonossas instituições de denominação porque denominação, no meuentendimento, são as igrejas e as doutrinas que elas sustentam. Chamode estrutura e as vejo como pára-eclesiásticas, ou seja, elas existempara caminharem ao lado das igrejas. Por isso, entendo que asestruturas precisam rever seus métodos e seu discurso. Não devemcobrar das igrejas, mas mostrar sua competência, sua administração comlisura, e como estão levando a obra das igrejas à frente. Parece-mesurrealista que alguns vejam as igrejas como adversárias dadenominação. Elas são a denominação! Não é segredo que as igrejas têm diminuído sua colaboração para aestrutura, tanto em finanças como em envolvimento. Os alvosmissionários não têm sido alcançados. Isto cria uma ansiedade porparte de quem gerencia um programa, pois precisa de recursos. Porisso, vez por outra se lêem artigos em que alguém reclama da autonomiada igreja local e critica as que não estão cerrando fileiras com aestrutura. Seria bom fazer com que as igrejas todas assumissem oprograma da estrutura e bem como os ônus decorrentes dafuncionalização do programa. Aliás, mais que surpreender-me, choca-me ver tais artigos defendendorestrição à autonomia das igrejas. Creio que isto não melhorará ascoisas, mas que as piorará. Afastará mais igrejas, ainda. Tentarenquadrar as igrejas é militar contra toda uma história quasequatrocentã. E não existe autonomia relativa. Ou há ou não há. Elassão autônomas, cem por cento autônomas. Quero citar um trecho de umlíder batista insuspeito, José dos Reis Pereira. Poucos batistasforam tão engajados na obra como ele. Certa vez, em uma carta, ele medisse que estava com 24 atribuições denominacionais. Reis Pereira foiuma vela que se gastou dos dois lados. Eis seu texto: "Os BatistasGerais decaíram à proporção em que uma forte tendência centralizadoratriunfava entre eles. Vitoriosa essa tendência a autonomia das igrejaslocais foi sacrificada. E é um outro princípio batista, esse daautonomia da igreja local" (Breve História dos Batistas, p. 81).Centralizar o poder ou as decisões e fortalecer o centro não melhoraráa situação. Reis mostra que a história já provou isso. Deve-sefortalecer e melhorar a base, que são as igrejas. Se estas foremfortes e sadias, a denominação será forte e sadia. Associações, convenções, juntas e assemelhados existem para servir àigreja local. Estas não são apenas pagadoras das contas, mas devem sersenhoras do processo denominacional. Isto deve ser reafirmado porque,se anos sessentas e setentas o modelo pentecostal foi nosso grandeproblema, nos anos noventas e nesta primeira década, nosso problemaparece ser o modelo presbiteriano. Não se deve nem se pode negar a autonomia da igreja local, até mesmoporque o Novo Testamento só mostra uma instituição, que é ela, edesconhece todas as que criamos. O que criamos não é antibíblico, masé abíblico. Não é errado, mas existe para funcionalizar e vitalizar aigreja local. O que devemos fazer é mostrar que as igrejas do NovoTestamento viviam em mutualidade, que se ajudavam, como Paulo mostraem suas cartas. Autonomia e mutualidade não são antônimos. Mostremosque as igrejas se engajavam em projetos comuns, mas tudo partia delas.Até mesmo o envio de missionários. Os missionários eram enviados pelasigrejas e eram missionários das igrejas e nunca enviados por umainstituição. Sei que os tempos são outros, as circunstâncias culturaissão outras, mas me parece que muitas vezes olhamos pelo lado errado dobinóculo. A pedra de toque do processo batista é a igreja local. Nestesentido, somos congregacionais desde nossa origem: o governo pertenceà congregação local e ela não está sujeita a nenhum outra instância. Ecooperação, sim. Mas sacrifício ou abandono da autonomia da igrejalocal, nunca! A grandeza desta doutrina nos permite declarar que a maior e mais ricaigreja batista vale tanto quanto a menor e mais pobre. E o que se fazem nome dos batistas precisa do aval moral das igrejas para tercredibilidade entre elas. Não se trata apenas de autonomia da igrejalocal, mas de sua soberania. As estruturas precisam compatibilizar-secom as igrejas. Até mesmo por um fator muito simples: precisam delaspara sobreviver.
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
Preparado para o Congresso de Identidade Denominacional, promovidopela Associação Batista do Litoral, na PIB de S. Vicente, em 27 deabril de 2001.
O autor é o pastor-titular da Igreja Batista do Cambuí, Campinas, eprofessor da Faculdade Teológica Batista de Campinas e do SeminárioBatista Bíblico de Campinas.

ASSALTARAM NOSSO CARRO - NÃO NOSSA FÉ, NOSSA ESPERANÇA E NOSSO AMOR: A DEUS TODA A GLÓRIA!

DOMINGO, 06 DE MAIO DE 2007.
O Senhor nosso Deus nos está permitindo experimentar momentos de intensa intimidade com Ele e de uma aplicabilidade prática dos Seus ensinamentos. Esse é o nosso sentimento ao compartilharmos nosso TESTEMUNHO de como foram os momentos do assalto a mão armada que nossa família sofreu neste último domingo.
O culto fora abençoador. A mensagem: "TEMOS MOTIVO PRA SORRIR?" - baseada em Gênesis 21:6, acalentadora - e divinamente propícia. O momento de comunhão pelos aniversariantes de abril festivo. Esse foi o ambiente que antecedia a experiência mais próxima dos dias de Paulo que imagino já ter experimentado.

Nos despedimos dos irmãos e fomos para o carro como sempre fazíamos. Colocamos a cadeirinha de Jéssica no porta-malas, as mochilas dos irmãos que levamos para casa sempre aos domingos e entramos todos: eu, Verônica e Jéssica no banco do passageiro, na frente; e nossas quatro ovelhas (três adolescente e uma esposa) no banco de trás. Eles fecharam suas portas. Verônica também fechou sua porta. E, quando fechei a minha me preparando para dar a ignição, um rapaz se aproximou pelo meu lado, bateu na porta e anunciou o assalto me mandando abrir a porta e sair o carro! Olhei, e vi que aparentava agitado e armado e que havia um outro à retaguarda encapusado também armado. Por fração de segundo imaginei que seria um bêbado querendo conversar com o Pastor, mas logo percebi que se trataria de um assalto. Ergui minhas mãos, pedi que se acalmasse que entregaríamos o carro - não resistiríamos! Olhei pra minha esposa e pedi que descesse do carro. Foi quando um terceiro bateu no teto e disse: MATA LOGO UM - QUE RESOLVE! Foi então que ela e os irmãos perceberam o assalto! Fui descendo devagar, mãos erguidas, pedindo calma e me dirigi para o outro lado passando por trás do carro. Nesse momento o encapusado assumiu o volante, deu a partida e já intentou dar ré, o que ocorreu com dificuldade pois errava as marchas e deixou o carro apagar. Verônica saiu com Jéssica (que a todo momento via e entendia o que acontecera sem que lhe precisássemos contar), mas os quatro ainda não tinha saído. "Escoltado" pelo rapaz, num súbito abri a porta de trás para que os irmãos descessem e fui empurrado (não percebi, eles que me contaram depois). Foi então que dois saíram. O carro começou ir de ré e os últimos dois tiveram que descer quase em movimento, entre os erros e acertos da marcha do motorista. Descemos todos, enfim. Eles entraram e avançaram em fuga. Atravessaram para contra mão pelo canteiro central. Foram uns 50 metros na contra mão e voltaram arrebentando o carro novamente pelo canteiro central e sumiram de nossas vistas. "Era verdade, aquilo realmente estava acontecendo!"

Jéssica chorou inconsolável nos perguntando a todo o tempo: "Papai, porque aqueles homens nos levaram o carro?". Verônica também não resistiu e caiu aos prantos - estava bastante assustada. Contudo, Deus me permitiu ver, sentir e agir como, acredito, Jesus agiria naquele momento - não que os outros não tenham Cristo ou seja eu especial ou diferente, apenas esta foi minha experiência. Tomou nossa filha nos braços, procurei acalmá-la, olhei em seus olhos e lhe disse: "Filha, porque está chorando? Eu estou aqui, mamãe está aqui e você também! Papai do Céu cuida de nós! Ele vai mandar nosso carro de volta!". Ela foi diminuindo o choro, reclinou a cabeça em meus ombros, e depois de alguns minutos, me disse: "Papai, Papai do Céu vai prender aqueles homens, não é? Ele vai mandar nosso carro pra gente, né?!". Abraçamos minha esposa e lhe disse quase a mesma frase: "Vê, Deus cuida de nós. Estamos aqui. Ilesos. Nossa integridade física e espiritual nenhum deles feriu - somos do Senhor! Nada acontece sem que Ele permita e governe! Nada foge do controle do Senhor!". Fomos à casa de uma família da igreja.

Tudo nosso estava no carro. Documentos pessoais, cartões do banco, de crédito, de saúde, CNH, Doc do carro, doc's de Verônica (a carteira minha e dela estavam no carro), nossas bíblias, material e anotações da igreja, máquina digital, CD's, meu telefone, o violão de um dos adolescentes, suas mochilas com roupas, doc's, material pessoal, as chaves de casa, do serviço, enfim, praticamente, TUDO estava no carro e lá permaneceu. Descemos sem apanhar nada. Somente o celular de Verônica que permaneu em sua mão.

Após uns 30 minutos na casa dessa família - o 190 acionado, tudo que podíamos fazer já tínhamos feito - um casal da igreja que também tem um veículo, veio ao nosso encontro e nos levou para que pudéssemos pernoitar em sua casa, já que não tínhamos como nem mesmo ir para nossa. Antes, fomos deixar os irmãos que estavam comigo no Uno em suas casas. No caminho, enquanto alguns choravam eu só conseguia lembrar de Paulo, no cárcere, cantando - e era o que eu fazia: cantava louvando ao Senhor. Olhando para as ruas da cidade, eis que avistei, em uma delas, nosso carro e os assaltantes já depenando. Pedi que o irmão parasse o carro. Desci e disse que fizesse o retorno à frente como se fosse voltar ao templo. Atravessei para outra mão e caminhei como se fosse um pedestre normal. E confirmei. Era o Uno com o porta-malas e as portas traseiras abertas. Passada a rua, entrei novamente no carro do irmão, liguei para o 190 e informei. A viatura da PM chegou uns 10 minutos depois. Permanecemos uns 100 metros abaixo da entrada da rua. Quando a viatura chegou sem fazer alardes, os informei e eles foram até o local. Mas, eles já tinham foragido novamente. Então percebi que haviam parado para trocar o pneu que estourou na fuga do templo. A PM continuou suas buscas e nós, depois de confundir um outro Uno semelhante ao nosso, mas que não era, fomos deixar os meninos em casa. Saímos direto para a delegacia registrar a ocorrência. A impressão do B.O. foi às 00h45 da segunda-feira (07/05). Chegamos na casa da família e deitamos.

O telefone celular de Verônica tocou às 07h. "Alô. Sr. André Souto?" - "Sim. Quem deseja?" - "Aqui é da 15ª DP. O senhor tem um Uno Mille EP 4portas?" - "Sim. Fomos assaltados ontem à noite. Por que?" - "Qual é a placa do seu carro?" - "CDH 7205" - "Seu carro foi detido hoje pela madrugada pela PM por volta da 00h30 com dois elementos retirando algumas peças aqui na Ceilândia, o senhor pode vir pra cá agora?" - "GRAÇAS A DEUS! Já estou indo!". NOSSO DEUS NUNCA FALHOU, NUNCA DEIXOU DE CUMPRIR UMA DE SUAS PROMESSAS. ELE NÃO MUDA. É VIVO. É JUSTO. É PERFEITO.

Fui até o local e constatei que realmente se tratava do nosso carro. Estava sem duas rodas, sem o som, e não havia mais nada de tudo o que deixamos dentro. Mas ele estava ali. Já havia sido encontrado. O agente que me recebeu no local me trouxe um molho de chaves e perguntou se eram minhas. Eram as chaves de casa - o molho completo, pois a minha via não tinha todas de casa! ETA DEUS MARAVILHOSO! Desci para a DP. Colocaram os dois que foram presos em flagrante e me pediram para reconhecê-los. Ele estava lá. O rapaz que anunciou o assalto, o autor, já estava preso. GLÓRIA A DEUS! Passei a manhã na DP. Meu vice-presidente ficou de olho no carro até o final da manhã à espera do guincho que o rebocaria para o depósito da DP. Liguei para meu Pai que veio me apoiar e ficar comigo, pois era um indigente até aquele momento: sem identidade, sem dinheiro, sem ninguém! Brincadeirinha! O SENHOR SEMPRE ESTEVE COMIGO E NUNCA FALTOU ALEGRIA, MESMO NAQUELE MOMENTO! Voltei ao local onde estava o carro. O irmão precisava trabalhar. Ele voltou para casa e eu para a DP. No caminho o celular toca novamente. "Alô. O sr. conhece a sra. Verônica?" - "Sim. É minha esposa, por que?" - "Aconteceu alguma coisa ontem?" - "Sim. Fomos assaltados na frente da igreja. Por que?" - "É que eu cheguei no meu lote hoje para continuar a construção e encontrei um bucado de material da 3ª Igreja Batista e os documentos dela, além de umas bíblias!" LOUVADO SEJA O NOME DO SENHOR! AQUELE HOMEM QUE ENCONTROU OS DOCUMENTOS DE VERÔNICA JÁ HAVIAM VÁRIOS ANOS QUE ESTAVA AFASTADO DA IGREJA, UMA BATISTA, E DEUS O USOU PARA ENCONTRAR OS DOC'S DELA. Quando ela foi buscar aproveitou para convidá-lo a retornar aos caminhos do Senhor e ele ficou bem animado!

À tarde foi a vez de minha esposa e um adolescente prestarem depoimento e fazerem o reconhecimento. O aparelho de som, os alto falantes e até a tampinha do volante/bozina já haviam sido recuperados. Faltavam os meus documentos!

3ª feira, hoje, 08/05. Voltei à DP com os outros três que faltavam testemunhar e reconhecer. No final da manhã, voltamos para casa e, por volta das 15h30, o telefone de casa tocou... era a cobrar! "Alô. Aí mora o sr. André Souto Bahia?" - "Sim! Quem tá falando?" - "É que eu encontrei uns documentos com sua foto e nome e queria saber como posso entregar?" - MARAVILHOSA GRAÇA, GRAÇA DE DEUS SEM PAR! Um garoto que passou pelo local onde havíamos visto os assaltantes trocando o pneu pouco depois, umas 23h, a mando da mãe para ir a um bar chamar alguém ou comprar alguma coisa, não me lembro, e viu a parte interna da carteira jogada na rua. Na 2ª, ele ligou pro 102, deu o nome completo e perguntou o telefone e eles lhe deram. Tentou nos ligar na 2ª, mas como não estávamos em casa, não conseguiu nos falar. TUDO ESTAVA LÁ: CNH, doc do carro, id mil, civil, OPBB, Título, TUDO!

Falta pouca coisa pra trazer o carro pra casa. Tudo, porém, simples demais! Alías. TUDO PARA O NOSSO DEUS É SIMPLES DEMAIS!

Lembrando da mensagem de domingo: "DEUS ME TEM FEITO SORRIR. E TODO AQUELE QUE O OUVIR, SORRIRÁ COMIGO!".

AUTONOMIA SIM! INDEPENDÊNCIA NÃO!

“Se quisermos continuar sendo batistas autênticos, devemos primar por nossos princípios básicos, e um deles é a independência das igrejas. Por isso tudo e muito mais, não devemos incluir nenhuma cláusula restritiva à independência das igrejas nossos seus estatutos”. Pr Dinelcir de Souza Lima

Em seu artigo “BATISTAS DA CBB CAMINHAM A PASSOS LARGOS PARA A DOMINAÇÃO CLERICAL”, fui tomado de um sentimento de efervescência histórica grandiosíssimo. Pois este ato de expressão pública dos seus próprios sentimentos e ótica quanto à vida, à religião, à denominação, ao mundo, à própria Igreja, é um reviver do que sempre defendemos, e muitos até mesmo morreram por defender: a liberdade de consciência!
Posso até não concordar com o que foi dito e escrito, mas, morrerei, se preciso for, para defender o seu direito de, livremente, pensar e expressar seus pensamentos! – ISSO É SER BATISTA!
Assim, meu caro Pr. Dinelcir, creio que sua preocupação quanto ao “domínio clerical” em nossa Denominação é legítimo e necessário. Creio piamente no princípio da Autonomia da Igreja, e o defendo, prego e ensino diariamente, quer no púlpito, no gabinete, em casa, na vida. Contudo, quando me aproximava do fim da leitura do seu referido texto, uma preocupação ainda maior se apoderou de mim: chamou de INDEPENDÊNCIA, um dos nossos mais ‘sagrados’ princípios!
Independência foi o que D. Pedro, historicamente, declarou às margens do rio Ipiranga. O que nós, Batistas, sempre fizemos foi assumir o papel de agência do Reino, enquanto igreja local, absolutamente unidos ao Reino, à Igreja Total (não uso a expressão ‘universal’ para não confundir).
Independência é separação! Autonomia é depender com, é interdependência! Confundir ou associar estas expressões é tão sacrilégio quanto buscar pelos bastidores e outros meios escusos a “dominação clerical”.
Nós, Batistas, sempre tivemos e defendemos, e alguns inclusive morreram defendendo, o princípio da AUTONOMIA DAS IGREJAS, que, junto com o princípio da COOPERAÇÃO formam, ao meu ver, os dois pilares sustentadores desta histórica Denominação Cristã, os quais estão alicerçados, como não poderia deixar de ser, sobre a ROCHA que é, unicamente, Cristo Jesus – cabeça e Senhor da Igreja. Quando, historicamente, pastores e líderes confundiram este princípio criando para si o ‘princípio’ da independência levaram nossas igrejas autônomas e cooperantes ao isolamento. Construíram para si ministérios particulares (Igreja Batista ‘Fulana de Tal’ – Ministério Pastor ‘Sicrano’). Enfraqueceram nossas estruturas, tanto locais, quanto denominacionais, igualmente àqueles dos quais fez referência em seu artigo.
Também estou preocupado, meu amigo. Mas, espero vê-lo tão equilibrado e sóbrio na defesa dos nossos princípios, quanto aqueles que tem procurado um poder que jamais encontrarão em nossos arraiais, pois é, exclusivo, é do Senhor Jesus.

Pr. André Souto Bahia
Pastor da TIB em Águas Lindas/GO